29 de setembro de 2004

A difícil escolha de Ron Howard



O oscarizado Ron Howard tem em mãos um dos filmes mais aguardados da actualidade. Se o Harry Potter foi o livro infantil que mais depressa se tornou lenda e passando para o ecrã teve sucesso inegável, para o público adulto o título é sem dúvida "The Da Vinci Code".
Ron Howard, autor de êxitos como "A Beautiful Mind" e "Apollo 13" é o responsável pela transição e muitos fãs fazem os seus palpites em relação aos actores escolhidos. Neste momento não se sabe muito mais que há um ano atrás mas os candidatos a actor principal são um grupo de respeito. Os nomes são... George Clooney, Tom Hanks, Russell Crowe e Hugh Jackman. Aceitam-se palpites.

25 de setembro de 2004

Posters









21 de setembro de 2004

"The Girl Next Door" por Nuno Reis



Após ter falado do mais recente filme de Paul Greengrass, vou falar do filme de Luke Greenfield, "The Girl Next Door".
Greenfield tem um currículo muito pequeno: um episódio-piloto de um programa de "apanhados", uma curta-metragem sobre um rapaz sem sorte com o sexo contrário, e o conhecido "The Animal" (com Rob Schneider) que está pouco acima dos anteriores. O seu quarto trabalho é esta tentativa de comédia romântica. Não escrevi tentativa por ser mau mas por não cumprir os objectivos nem como comédia nem como romance.
A história gira em torno de Matthew Kidman (Emile Hirsch, um actor demasiado parecido com Ashton Kutcher), um finalista do secundário preocupado com o seu futuro académico que quando se começa a apaixonar pela vizinha (Elisha Cuthbert, a filha de Jack na série "24") descobre que ela é uma estrela de cinema... pornográfico. A sugestão de um amigo afasta-a dele e ao para tentar recuperá-la ele terá de entrar no mundo que ela havia tentado deixar (conhecer os amigos dela, visitar convenções), uma versão mais suave do mito de Orfeu.
Apesar de o filme tentar ter aquele toque de rebeldia (assim como nudismo e violência gratuita) que deu notoriedade a "American Pie", não consegue inovar. O desenrolar da história é fácil de acompanhar e com vários acontecimentos interessantes mas em algumas cenas é bem difícil encontrar um sentido, o uso de drogas é uma delas. As coincidências são abusivas mas a surpresa final é uma das melhores reviravoltas que já vi em filmes desta categoria. Timothy Olyphant (Hollywood Jack em "A Man Apart") é sem dúvida o que o filme tem de melhor em termos de personagens, Cuthbert em algumas cenas transborda beleza e noutras talento, mas raramente ambas e está bastante apagada.

"The Bourne Supremacy" por Nuno Reis


Doug Liman já trabalhou em diversos filmes como "Go", "Kissing Jessica Stein" e neste momento está a dirigir Brad Pitt e Angelina Jolie em "Mr. & Mrs. Smith" mas a sua obra mais mediática é sem dúvida "The Bourne Identity" onde Matt Damon tem uma das suas mais conhecidas personagens. Na sequela Liman ficou apenas com a produção e deixou a realização nas mãos de Paul Greengrass que tem como título mais sonante na sua breve carreira "Bloody Sunday", vencedor de diversos festivais incluindo Berlim, Fantasporto e Sundance.
Nesta sequela, uma operação da CIA que pretendia desmascarar um informador corre mal por intervenção de um assassino que mata os dois homens envolvidos na transacção, deixando uma impressão digital de Bourne. Esse homem segue depois para a Índia onde persegue o homem que incriminou, mas quem acaba por morrer é a companheira dele, Marie. Usando o auto-controlo que treinou durante anos, Bourne vai usar a raiva despoletada para se vingar daqueles que suspeita serem responsáveis pelo sucedido, os seus criadores, o projecto Treadstone da CIA.
O elenco deste filme é semelhante ao anterior, Matt Damon, Franka Potente, Julia Stiles, Brian Cox e Gabriel Mann mantiveram as personagens, Joan Allen surge para desempenhar Pamela Landy, uma directora da CIA que o quer deter a todo o custo, e Karl Urban, a maior estrela do cinema neo-zelandês, é o assassino russo Kirill.
Matt Damon está como habitual, desempenha bem o papel e esforça-se. Franka Potente pouco faz no filme além de passear na praia mas para quem morre tão cedo não se saiu mal. Julia Stiles continua com um papel microscópico que eu espero ver ampliado no terceiro filme. Os restantes cumprem a missão, Cox tem um dos seus melhores papéis sem demonstrar muito esforço.
A realização por sua vez é baseada num argumento pequeno, com alguns detalhes interessantes mas já bastante vistos, Bourne é mostrado como o assassino infalível que tinha de ser, sobrevivendo a diversas situações apenas devido ao seu sangre-frio. A câmara move-se demasiado durante a perseguição mas nada mais há a apontar. Detalhe para a utilização dos diversos idiomas dos países visitados: Índia, Alemanha, Itália e Rússia, o inglês acaba por ser desnecessariamente usado no penúltimo diálogo.
Para quem pretende acompanhar a história este não desilude, para os que não estão a par do que se passou alguns dos flashbacks são confusos.

16 de setembro de 2004

"André Valente" por Nuno Reis



Invertendo a tendência verificada no Fantasporto, este mês foi a vez da Coreia do Sul se render ao cinema nacional e "André Valente" saiu do festival de Gwangju com o Prémio da Crítica que junta ao Prémio Don Quijotte recebido em Locarno. O que tem o filme de especial para conquistar europeus e asiáticos? É simplesmente realista. A primeira longa-metragem de Catarina Ruivo (autora da curta "Uma Cerveja no Inverno") centra-se num jovem de 8 anos, André Valente, e na sua bem complicada vida.
André Valente (Leonardo Viveiros) é-nos apresentado ainda como um bebé onde ficamos a conhecer os seus pais, um casal que sonha com a felicidade, minutos depois o filme mostra-nos que os problemas não se resolveram. André tem um pai ausente e diversos problemas com os colegas na escola, a sua namorada Susana é a única amiga que tem e quando ela muda de escola André vira-se para Nikolai, um russo seu vizinho, que uma vez o defendeu. Nikolai (Dmitry Bogomolov) tem os seus problemas mas os laços entre estas duas pessoas sós surgem quando a mãe de André (Rita Durão) quase se suicida, laços que a patinagem completam.
O filme tem momentos menos bons mas geralmente é um bom retrato da infância, utiliza uma linguagem bastante forte - que eu não esperava de um filme sobre uma criança - e transmite bem a sua moral, "não podemos esperar que alguém fique conosco para sempre, mas podemos ter a certeza de que teremos sempre alguém ao nosso lado". Para os apreciadores do cinema português é um título a não perder, para os restantes digo que vale a pena fazer um esforço.

15 de setembro de 2004

"Connie & Carla" por Nuno Reis




Tenho de começar a crítica dizendo que o realizador Michael Lembeck antes deste filme só dirigiu "Santa Clause 2" mas em TV tem um currículo invejável que inclui episódios das séries "Mad About You" e "Friends". Nesta produção nota-se a influência pois pouco se parece com cinema.
A história centra-se nas personagens do título, Connie (Nia Vardalos, "My Big Fat Greek Wedding") e Carla (Toni Collette, "The Sixth Sense"), que são duas cantoras bastante esforçadas mas com pouca sorte no emprego. A sorte delas atinge o fundo quando o patrão é morto depois de as indicar como portadoras de um quilo de cocaína o que despoleta uma perseguição louca. Procurando o sítio mais improvável para se esconderem acabam por ir para Los Angeles onde se tentam embebedar para esquecer esse e alguns novos infortúnios que as perseguem mas escolhem mal o bar e acabam por decidir tentar a sorte nesse local, como travestis.
Por incrível que pareça elas (eles?) e os seus números de cabaret são muito bem aceites e o estabelecimento começa a ganhar fama entre os homossexuais. Como não podem revelar a identidade a ninguém para não serem eliminadas passam por diversas situações caricatas ao longo de todo o filme. Usando a sua influência convencem o dono a ampliar e a ter mais pessoas no palco mas um dos seus colegas, Robert, tem um problema um pouco maior por resolver, o seu irmão Jeff (hetero) quer recuperar o tempo perdido e começa a conviver com os travestis, especialmente Connie que se apaixona por ele.
O filme está baseado na cultura americana dos musicais, entre os diversos números de cabaret aprresentados estão clássicos como "Jesus Christ Superstar" e "Cats" e nos discursos as personagens remetem directamente para títulos como "Yentl" e "Thelma & Louise". No elenco aparece David "Mulder" Duchovny e também uma grande actriz que já foi nomeadas para Oscars, Emmys e Golden Globes sem ter ganho nada, a estrela musical Debbie Reynolds.
O filme tenta ser cómico sem exageros - uma perseguição automóvel é das melhores cenas do filme - tenta ser moralista retratando uma minoria discriminada e a sua relação com os outros, e acima de tudo tenta ser entretenimento. Quanto a isso funciona bem especialmente devido a Boris McGiver que vai fazendo a sua busca assitindo a musicais. É uma versão actual da obra-prima "Some Like It Hot" mas está bem abaixo do patamar de bom filme. Para ver quando (se) chegar à televisão.

"The Terminal" por Nuno Reis

Merhan Karimi Nasseri é um iraniano cuja vida tem sido muito alterada nos últimos meses devido à intensa procura por parte da comunicação social. Apesar de ser bastante famoso por estar já há catorze anos preso no Aeroporto Charles de Gaulle, só ultimamente tem tido destaque pois foi inspirado na sua vida o mais recente projecto de Spielberg.
"The Terminal" conta a história de Viktor Navorski (Tom Hanks), um turista natural da Krakohzia que durante o vôo entrou em guerra. Essa situação rara faz com que o seu passaporte deixe de ter uma nacionalidade válida e o pobre homem fica impedido de voar para um país em guerra assim como de entrar nos EUA. A solução, é ficar no Aeroporto. Navorski é um homem simples que não fala rigorosamente nenhum inglês nem se separa de uma lata de amendoins, a sua honestidade impede-o de fugir do Aeroporto para desespero do responsável do aeroporto Frank Dixon (Stanley Tucci). Ao ver nas televisões o que se passa na sua pátria Navorski desespera e tenta fazer tudo para entrar nos EUA, o que inclui aprender inglês usando guias turísticos e ter várias profissões consoante a ocasião. O filme narra as suas aventuras no aeroporto onde passa de indesejado a herói, o desenvolvimento da sua paixão por uma hospedeira - Amelia Warren (Catherine Zeta-Jones) - e os laços estabelecidos com os funcionários do aeroporto.
Uma curiosidade que Hollywood nos proporciona é a quantidade de trabalhos que os actores têm em Portugal neste momento, dos secundários deste filme quase todos estão ligados a um exibido recentemente: Chi McBride está em "I, Robot", Kumar Pallana em "Duplex", Diego Luna era a estrela de "Dirty Dancing 2" e Barry Shabaka Henley vai aparecer em "Collateral".
Falando agora dos nomes principais do filme Spielberg mantem-se nos dramas com um filme que se não fosse o currículo invejável que já possui seria um marco na carreira mas assim, é apenas mais um grande momento de um dos maiores realizadores mundiais. A como sempre excelente banda sonora de John Williams também não passa despercebida e a interpretação de Tom Hanks (que aprendeu búlgaro com a mulher para ser credível a falar como um imigrante de leste) mostra a enorme versatilidade do fantástico actor. O argumento dos autores de "S1m0ne" merece atenção pois numa época em que os aeroportos são possíveis alvos de ataques terroristas por estrangeiros, conta a história de um estrangeiro que começa lutando contra todos e acaba por realizar o sonho tendo todos do seu lado numa história que tanto puxa pelo riso como pela lágrima mantendo sempre um equilíbrio perfeito.

12 de setembro de 2004

La Biennale 2004 (2)



Terminou ontem à noite com a sessão de encerramento a 61ª edição do Festival de Cinema de Veneza, que consagrou Mike Leigh e Alejandro Amenábar como os grandes protagonistas do festival de 2004. Recorde-se que as presenças portuguesas cifraram-se, como haviamos anunciado, na exibição do novo filme de Manoel de Oliveira, "O Quinto Império", "A Costa dos Murmúrios" de Margarida Cardoso e a curta-metragem "A Piscina" de Iana e João Viana. Aqui ficam os vencedores:



Leão de Ouro para o Melhor Filme
"Vera Drake" de Mike Leigh

Leão de Prata (Grande Prémio do Júri)
"Mar Adentro" de Alejandro Amenabar

Leão de Prata para Melhor Realizador
Kim Ki-Duk por "Bin Jip"

Taça Volpi para Melhor Actor
Javier Bardem por "Mar Adentro"

Osella para a Melhor contribuição artística para o estúdio Ghibli
"Howl's Moving Castle" de Hayao Miyazaki

Leão de Prata para Melhor Curta Metragem
"Signe d'appartenence" de Kamel Cherif


A vitória portuguesa


Foto retirada de www.labiennale.org
Paralelamente, o cineasta português Manoel de Oliveira, a maior referência cinematográfica do nosso país, foi premiado com o Leão de Ouro de Carreira, um marco certamente histórico da vida do realizador. Nascido a 11 de Dezembro de 1908 e vencedor de inúmeros prémio, Oliveira vê mais uma vez o seu trabalho ser reconhecido, agora naquele que é o festival de cinema mais antigo da europa. Para a posteridade, fica aqui a foto da entrega do prémio e a sua filmografia.



FILMOGRAFIA

O Quinto Império (2004)
Um Filme Falado (2003)
Princípio da Incerteza, O (2002)
Porto da Minha Infância (2001)
Vou Para Casa (2001)
Palavra e Utopia (2000)
A Carta (1999)
Inquietude (1998)
Viagem ao Princípio do Mundo (1997)
Party (1996)
O Convento (1995)
A Caixa (1994)
Vale Abraão (1993)
Dia do Desespero, O (1992)
A Divina Comédia (1991)
Non, ou A Vã Glória de Mandar (1990)
Os Canibais (1988)
O Meu Caso (1986)
O Sapato de Cetim (1985)
Lisboa Cultural (1983)
Nice - À propos de Jean Vigo (1983)
Visita ou Memórias e Confissões (1982)
Francisca (1981)
Amor de Perdição (1979)
Benilde ou a Virgem Mãe (1975)
O Passado e o Presente (1972)
O Pão (1966)
As Pinturas do Meu Irmão Júlio (1965)
A Caça (1964)
Acto de Primavera (1963)
O Pintor e a Cidade (1956)
Aniki Bóbó (1942)
Famalicão (1941)
Já Se Fabricam Automóveis em Portugal (1938)
Miramar, Praia das Rosas (1938)
Estátuas de Lisboa (1932)
Douro, Faina Fluvial (1931)

10 de setembro de 2004

DVDs


Dia 21 deste mês será lançada a muito desejada edição especial da trilogia original "Star Wars" nos Estados Unidos, para Portugal a data de lançamento é apenas dois dias depois.
Já foram adiantados alguns detalhes sobre esta edição que além de ter os filmes restaurados tem algumas mudanças em pequenas cenas. Entre os extras o destaque vai para o documentário com mais de duas horas "Empire of Dreams" do especialista Kevin Burns, entrevistas a todos os elementos da equipa original, e interpretações de vários candidatos recusados (Kurt Russell incluído). Os DVDs ainda incluem um jogo que pode ser jogado em XBox.
Em Portugal não há uma grande legião de fanáticos destes filmes mas os muitos apreciadores da saga poderão às zero horas de dia 23 já estar com o filme na mão pois a FNAC Colombo ficará aberta até mais tarde dia 22, e outras deverão seguir o exemplo. O preço em Portugal é 70 euros (em Espanha custa menos 20 euros).

Entre as imensas séries actualmente lançadas em DVD encontra-se "Thunderbirds" que inspirou o filme actualmente em exibição nos cinemas. A série tem 32 episódios e os dvds incluem mini-documentários sobre as marionetes, a ilha, os veículos e várias outras particularidades que tornaram esta série um êxito nos anos 60.

8 de setembro de 2004

O regresso de Mr. Ripley



Uma história que tem tido várias versões para o grande ecrã é a obra-prima de Patricia Highsmith, "Mr Ripley". Inspirou "Plein Soleil" de René Clément em 1960 e em 1977 Wim Wenders, desde a morte da escritora em 1995 já foram feitas outras duas, uma de Anthony Minghella com um elenco de luxo (Matt Damon, Jude Law, Gwyneth Paltrow, Cate Blanchett e Philip Seymour Hoffman) e mais recentemente a quase desconhecida Liliana Cavani (Leão para melhor documentário televisivo em 1965) dirigiu John Malkovich como um Ripley mais velho.
"Mr. Ripley's Return" é a mais recente versão do história e conta com um elenco de luxo. Realizado por Roger Spottiswoode ("Tomorrow Never Dies", "The 6th Day") veremos Barry Pepper ("We Were Soldiers", "The Green Mile", "25th Hour") como Ripley e os secundários serão "apenas" Tom Wilkinson ("The Patriot", "Girl With a Pearl Earring", "The Eternal Sunshine of the Spotless Mind"), Claire Forlani ("Meet Joe Black", "AntiTrust", "The Medallion") e dois grandes do cinema que já dispensam apresentações, Alan Cumming e Willem Dafoe.
A história é semelhante à anterior, um amigo de Mr. Ripley é morto e ele aproveita a ocasião para assumir essa identidade e enriquecer à custa da fama do falecido. Nos EUA ainda não tem data de lançamento mas já se encontra em pós-produção.

7 de setembro de 2004

Posters






Antevisão "Team America: World Police"



Dos criadores de "South Park" chega este ano aos cinemas "Team America: World Police", uma animação de marionetas que apresenta ao mundo uma força norte-americana de combate ao terrorismo, a Team America. Com a ajuda de personalidades bem conhecidas do público em geral, esta equipa irá salvar o mundo de um perigoso ditador. Por agora, ficam algumas imagens disponibilizadas pela Paramount.














5 de setembro de 2004

Por onde é que anda...


FRANK DARABONT


Nascido em 1959, este francês nomeado três vezes para Óscar foi autor de uma das grande obras dos anos 90: "The Shawshank Redemption". Com Morgan Freeman e Tim Robbins nos principais papéis, este tratado de liberdade e esperança foi nomeado para melhor filme pela Academia Americana de Cinema em 1994. Mais tarde, Darabont foi nomeado por "The Green Mile", não tendo em nenhuma das vezes alcançado o tão desejado troféu. Argumentista, realizador e produtor, Frank Darabont estreou-se na realização em 1983 com a curta-metragem "The Woman in the Room", e desde 2001 que não dirige nenhum filme, depois de "The Majestic" com Jim Carrey no papel de destaque. Por onde anda então este admirador incondicional de Stephen King?
Tem andado com bastante trabalho. Acabou de lançar "Collateral", dirigido por Michael Mann, onde é produtor executivo e prepara outro filme onde desempenha o mesmo papel: "Back Roads", um drama de Todd Field ("In The Bedroom" - 2001) que estreará no próximo ano. Já no plano creativo da escrita, Darabont encontra-se a escrever o guião daquele que será o terceiro filme da trilogia "Mission Impossible", e também do próximo filme que também irá realizar: "Fahrenheit 451", um thriller futurista que contará a história de um bombeiro que, numa sociedade fascista, tem como trabalho incendiar livros e depois apagar os fogos. Tudo isto para impedir que ideias de igualdade ou liberdade se espalhem pela população. Este bombeiro irá começar a questionar até que ponto aquilo que faz é o mais correcto. O título do filme surge após o realizador perguntar a um chefe dos bombeiros a que temperatura ardia o papel. A resposta, 451º Fahrenheit, valor nunca confirmado pelo francês. Este filme irá também estrear em 2005.


4 de setembro de 2004

Antevisão "Sky Captain And The World Of Tomorrow"



Ainda faltam dois meses para a estreia em Portugal, e uns míseros 13 dias para a premiere nos EUA, e já está a criar uma enorme onda de expectativa no mundo cinéfilo. "Sky Captain And The World Of Tomorrow", realizado pelo estreante Kerry Conran, conta a história de Polly Perkins (Gwyneth Paltrow), uma jornalista que dá conta do desaparecimento de alguns dos mais conceituados cientistas mundiais. Com a ajuda de Joseph "Sky Captain" Sullivan (Jude Law), um conhecido piloto, partem para o Nepal com o intuito de impedirem um plano de dominação mundial. Com Angelina Jolie e Laurence Olivier (este último presente através de imagens de arquivo) também no elenco, este apetecível thriller futurista é extremamente inovador nas técnicas de realização, pois foi todo rodado contra telas azuis e, à excepção dos personagens principais, foi tudo gerado por computador. Utilizando como base a animação tradicional, Conran baseou-se no "Metropolis" de Fritz Lang e nas animações das séries de "Superman" dos anos 40, estas obra de Max Fleischer, criando um misto de film noir e BD de ficção científica. Aqui deixo algumas imagens do filme, como demosntração dos processos usados na rodagem: desde o storyboard (fig.1), passando pelo processo animatic, gerado por computador (fig. 2), e pela introdução da personagem e dos cenários (figs. 3 e 4) até ao processo final, primeiro a preto e branco (fig.5) e por fim a cores (fig. 6).



Fig.1


Fig. 2


Fig.3


Fig.4


Fig.5


Fig.6

Breves


Ben Kingsley afirmou recentemente em entrevista a uma rádio britânica a sua intenção de ser o próximo vilão da saga James Bond. "Eu gostaria que todos soubessem, neste programa, que tudo farei para ser o próximo vilão de Bond" afirmou o oscarizado Kingsley, que pode actualmente ser visto em "Thunderbirds".

Peter Jackson, o realizador da trilogia "Lord Of The Rings", e que actualmente se encontra a preparar o remake de "King Kong" já levantou um pouco do véu que esconde o que será este filme. Segundo o neo-zelandês, este novo filme irá dar uma maior profundidade psicológica ao Kong: "ele é um gorila muito velho que nunca sentiu uma ponta de empatia por nenhuma criatura viva". Por seu lado, Naomi Watts, que ocupará o papel que originalmente pertenceu a Fay Wray, já afirmou o peso de substituir Wray neste remake, pois, e segundo palavras de Watts, "ela fez um óptimo trabalho" esperando que, por este ser um papel-ícone de um filme-ícone, ela não fique rotulada como a namorada de King Kong para o resto da carreira.

Eddie Murphy já tem um novo projecto, um filme cujo título ainda não foi revelado, e que será uma comédia muito ao estilo do western de 1974, "Blazing Saddles", cujo realizador foi o inesquecível Mel Brooks.

A próxima edição do Festival de San Sebastian já anunciou quem irá premiar com o galardão de carreira. Woody Allen, Annette Bening e Jeff Bridges irão receber o Donostia Liftime Achievment naquele que será o 52º Festival de San Sebastian.


3 de setembro de 2004

"I, Robot" por Nuno Reis



No ano de 2035 uma em cada cinco pessoas terá um robot, uma máquina criada pelo homem para servir o homem e com um sistema que a impede de usar a sua força para fazer o mal. Mas o sistema supostamente infalível poderá não funcionar...

Um filme de ficção-científica precisa de uma base sólida para ter sucesso, baseado num livro do autor de "The Bicentennial Man", adaptado pelo argumentista de "Final Fantasy: The Spirits Within" e realizado pelo criador de "Dark City", o filme não precisa de mais para ser olhado com respeito. Fui vê-lo com o respeito que tenho pelos blockbusters de verão, e o que vi foi um espectáculo de movimentos, luz e som. As interpretações de Bridget Moynahan e Alan Tudyk merecem destaque, a primeira por se estar a tornar uma boa actriz e em oito anos de carreira já estar no seu quarto filme com distribuição mundial, e o segundo por ter vestido o fato de robot (a mesma tecnologia que foi usada para Gollum) e nos dar uma interpretação convincente.

Alfred Lanning (James Cromwell) foi o criador dos robots, apesar de o software ser moldável o hardware foi feito para obedecer a três regras simples e perfeitas:
1- Não fazer mal a um humano nem, por inacção, permitir que algum mal aconteça
2- Obedecer ao humano desde que não desobedeça à primeira lei
3- Proteger-se desde que não desobedeça às leis 1 e 2
Ou seja, o robot tem de zelar pela segurança dos humanos, em seguida pelo bem-estar dos humanos, e só depois pode pensar em si.

Del Spooner (Will Smith) é o detective que tem de investigar o suspeito suicídio de Lanning que estava fechado sozinho no seu gabinete e aparentemente se lança da janela para a morte. Spooner descobre que o cientista não estava sozinho mas sim com um robot e, guiado pelo seu ódio cego à espécie, tenta provar que um robot pode matar. Susan Calvin é a psiquiatra robótica que a empresa põe a investigar o caso e que entra imediatamente em conflito com Spooner, ela insiste na teoria de suicídio visto saber que um robot não mataria e não haver mais nenhuma hipótese. Esse robot que se auto-intitula Sonny (interpretado por Alan Tudyk) quando interrogado demonstra não ser normal e a empresa leva-o para análise e possível destruição e o caso termina. Spooner não está satisfeito com o desenlace pois caso seja provado que a culpa foi do robot a morte será classificada como acidente de trabalho - um homicídio tem de ser cometido por um humano, Lanning teve um problema com uma máquina defeituosa na fábrica em que trabalhava - e continuará a não haver ninguém que acredite na maleficência. Spooner envolve-se em diversas situações de risco que permitem ir conhecendo o seu passado e compreender o sentimento que nutre pelos robots, ao mesmo tempo que Sonny afirmando ser "não igual aos outros" mostra que talvez o ódio seja exagerado. Sonny até sonha (não com carneiros eléctricos).

O eterno conflito entre o Homem e a sua obra e os combates Homem-Máquina relembram-me filmes como os "Terminator" e os "Matrix" mas robots com sentimentos só me fazem pensar em "Bicentennial Man" e "A.I.". Em termos de comparações paro por aqui pois o filme é realmente único e junta várias excelentes cenas de várias obras de Asimov numa só história consistente.
A comédia está sempre presente e é realmente de alto nível, as personagens são simples e compreensíveis o que permitiu deixar a apresentação destas para segundo plano denificiando a história. A acção está exactamente no nível ideal, espectacular mas sem pretender recordes, afinal, é apenas uma cidade que nos é mostrada.

O omnipresente nome Sonny ("son" = filho) é referência à marca Sony (relança a polémica HAL/IBM de "2001: A Space Odyssey") talvez o único aspecto negativo em todo o filme seja o abuso que faz de marcas como Audi, Converse All-Stars e Will Smith.

Até ao momento talvez seja o melhor filme do ano e é garantidamente uma ocasião para pensar se a tecnologia não estará brevemente a passar do eticamente aceitável.

1 de setembro de 2004

La Biennale 2004


Começa hoje e encerra a 11 de Setembro a 61ª Edição do Festival Internacional de Cinema de Vezena. Para a cultura portuguesa, este festival fica indelevelmente marcado pela atribuição do Leão de Ouro a Manoel de Oliveira, o Mestre do cinema português vai ver o seu trabalho de décadas reconhecido por um dos maiores festivais de cinema do mundo. Oliveira será também um dos representantes portugueses, com a sua última obra a ser projectada fora de competição: "O Quinto Império" terá estreia mundial em Veneza 2004, a par d' "A Costa dos Murmúrios", de Margarida Cardoso, que integra a competição para o Prémio Luigi De Laurentiis, atribuído a uma primeira obra e "A Piscina", da dupla portuguesa Iana e João Viana, cuja obra integra o concurso de curtas metragens.
O júri internacional, a ser composto por John Boorman, Wolfgang Becker, Mimmo Calopresti, Scarlett Johansson, Spike Lee, Dušan Makavejev, Helen Mirren, Pietro Scalia, e Xu Feng irá a assistir às últimas obras de Alejandro Amenábar ("Mar Adentro"), Mike Leigh ("Vera Drake"), Hayao
Miyazaki ("Howl's Moving Castle"), Mira Nair ("Vanity Fair"), François Ozon ("5x2 (Cinq fois deux)"), Todd Solondz ("Palindromes") ou Wim Wenders ("Land of Plenty") entre outros, em competição internacional, e fora de competição a nomes como Claude Chabrol ("La demoiselle d'honneur"), Spike Lee ("She Hate Me"), ou Katsuhiro Otomo ("Steamboy") atribuem concerteza o selo de qualidade a esta 61ª edição. Com outras secções de exibição, entre curtas-metragens e cinema digital, o Antestreia regressará para falar deste festival, anunciando os premiados e mostrando o momento de entrega do Leão de Ouro ao decano do cinema nacional.