30 de julho de 2005

”Son of the Mask” por Nuno Reis




Há dez anos Jim Carrey e Cameron Diaz saltaram para a fama num filme que combinava acção, romance, comédia e drama. Nessa época “The Mask” foi um êxito e não fizeram uma sequela, porque se lembraram de a fazer agora?

Esta nova perspectiva sobre a lenda da máscara de Loki, deus nórdico das travessuras, no início parece ser igualmente negra mas a partir do segundo minuto torna-se óbvio que é apenas uma comédia. Resumidamente Loki vem pessoalmente buscar a sua máscara para evitar mais problemas. Essa máscara foi pescada do rio para onde Stanley Ipkiss a lançou por um cão muito semelhante ao do primeiro filme. E Tim Avery, o dono do cão, acaba por a usar numa festa de máscaras. Consegue ser um autêntico sucesso na festa, ser promovido e ainda a estar a usar quando volta para casa e para a sua mulher. No dia imediatamente a seguir (muito rápido) ela descobre estar grávida e o pesadelo de Tim, ter uma criança, irá tornar-se realidade.
Essa criança, feita pela máscara, ainda antes de nascer irá demonstrar ter algumas características muito únicas. A partir daí o filme resume-se à busca de Loki (Alan Cumming mais ridículo que em “Spy Kids”), ao sofrimento de Tim (Jamie Kennedy) e a uma super-criança que aprendeu tudo o que sabe com as séries “The Flintstones”, “Woody Woodpeker” e especialmente a curta "One Froggy Evening". Utiliza esses conhecimentos para enlouquecer o pai e maltratar o cão ciumento, num filme que se assemelha aos duelos Bip-bip vs. Coyote e Tom vs. Jerry. Uma palhaçada do início ao fim e que fica abaixo das piores expectativas.

Este filme foi feito para um público mais jovem que o anterior. Recupera clássicos da animação para animar as crianças, repete piadas do primeiro para os fãs e tenta terminar com uma moral tradicional depois de roubar cenas clássicas a filmes de culto. Os imensos momentos de animação acrescentada ao filme e várias cenas feitas em desenho tornam o filme muito cansativo. O cão mascarado é das poucas coisas que vale a pena recordar.


Título Original: "Son of the Mask" (Alemanha, EUA, 2005)
Realizador: Lawrence Guterman
Intérpretes: Jamie Kennedy, Alan Cumming, Liam e Ryan Falconer, Trylor Howard
Argumento: Lance Khazei
Fotografia: Greg Gardiner
Música: Randy Edelman
Género: Aventura/Comédia
Duração: 94 min
Sítio oficial: http://www.sonofthemask.com/

29 de julho de 2005

” Sonho de uma Noite de São João” por Nuno Reis



Depois de meses (para não dizer anos) de publicidade, chega finalmente às salas “Sonho de uma Noite de São João”. A enorme campanha de marketing anterior à conclusão do filme, especialmente durante o Fantasporto onde teve honras especiais no encerramento, não chegou para abrir o apetite como tem feito o teaser do “Ice Age 2”, mas a comparação não é justa pois ainda não se coloca a animação europeia ao nível destes clássicos recentes da animação.
Adaptando (muito) a peça de Shakespeare, o filme leva-nos a Oníria, uma terra normal mas com uma estreita ligação ao mundo dos sonhos. O duque Teseu, ajudado por Lisandro, desenvolve diversos aparelhos destinados ao fracasso que o tornam motivo de riso apesar de ser amado pelo povo. A jovem Helena empenha-se em afastar essas ideias do pai que por ela decide parar, mas a intervenção do terrível Demétrio deixa-o terrivelmente preocupado e, lentamente, vai morrendo. Helena sentindo-se responsável pelo sucedido pede ajuda a Lisandro e a Demétrio e juntos irão ao mundo dos sonhos para encontrar Titânia, a rainha das fadas. Nesse mundo conhecem seres mágicos que os levam a conhecer toda a beleza da imaginação. Enquanto Teseu vai morrendo no seu leito, Demétrio, persuadido pelas bruxas, irá tentar destruir o reino dos sonhos e terá de ser detido. Uma reinvenção interessante de uma das obras mais populares do mestre da literatura, onde a poção do amor tem um papel diferente do original.
Para os adultos alguns momentos divertidos e vários que o tentam ser, personagens demasiado artificiais e a sensação de faltar algo. Para as crianças um filme divertido que conseguem apreciar melhor do que o livro de onde deriva. A animação não é muito complexa e está longe de ser perfeita, as vozes portuguesas não combinam com o filme mas isso é uma tradição das nossas dobragens, esperava melhor de uma co-produção.
Pekas pouco teve de fazer para ser a estrela do filme e falha na afirmação como símbolo maior da produtora. A co-produção luso-galega ficou um pouco aquém das expectativas mas, pelo esforço, merece ser visto.





Título Original: "El Sueño de una Noche de San Juan" (Espanha, Portugal, 2005)
Realizador: Manolo Gómez e Ángel de la Cruz
Intérpretes (vozes): Lúcia Moniz , Pedro Granger, Pedro Abrunhosa, Rita Blanco
Argumento: Ángel de la Cruz e Beatriz Iso baseados na obra de William Shakespeare
Fotografia: Arturo Kress
Género: Animação/Fantasia/Infantil
Duração: 85 min
Sítio Oficial: http://www.osonhodeumanoitedesaojoao.com/

28 de julho de 2005

Festival de Veneza


Foi hoje divulgado o programa da Bienale de Veneza, que decorrerá de 31 de Agosto até 10 de Setembro. Destaque para o cinema português: João Botelho com "O Fatalista" e Manoel de Oliveira com "Espelho Mágico" integram a Secção Competitiva, a par de nomes como Fernando Meirelles, Patrice Chéreau, Terry Gilliam ou Park Chan-wook. Numa edição onde o animador nipónico Hayao Miyazaki irá receber o Leão de Ouro pela sua carreira, serão ainda exibidos os novos filmes de Jaume Balaguerò, Tim Burton, Lasse Hallström e Takashi Miike, entre outros, nas sessões não competitivas. Na secção Corto Cortissimo (que como o nome indica, engloba as curtas-metragens), "A Rapariga da Mão Morta", de Alberto Seixas Santos é o representante português nesta categoria. Importante também serão três interessantes retrospectivas: História do Cinema Chinês, História do
Cinema Japonês e Cinema Italiano entre 1946 e 1976. Para mais informações, www.labiennale.org
.

Breves


O site oficial do novo filme de Filipe Melo, o produtor e idealizador da primeira curta portuguesa de zombies "I'll See You In My Dreams" já se encontra online. Passando por www.dog-pizzaboy.com podem obter mais informações sobre "As Incríveis Aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy", que promete dar que falar.

A Dreamworks anunciou que acaba de selar um contrato com a MacDonalds, conhecida empresa de fast-food, para que esta proceda a campanhas de promoção e marketing. O contrato terá a duração de dois anos e poderão ser vistos os primeiros resultados aquando da estreia de "Shrek 3", altura em que serão lançados os famosos Happy Meals com conteúdo alusivo ao filme (sendo que provavelmente o consumo excessivo destes poderão ter como consequência o aumento do índice de massa corporal para valores que o conhecido ogre possui...). Acrescente-se que este filme terá estreia marcada para meados de 2007.

Os primeiros passos da 6ª Edição do Festival de Cinema Françês já estão visíveis, com as datas e locais de exibição. Assim sendo, Lisboa acolherá o evento entre 6 e 16 de Outubro, enquanto que o Porto receberá de 13 a 16 de Outubro, Coimbra de 17 a 20 de Outubro e Faro de 1 a 3 de Novembro. O programa será, claro está, divulgado atempadamente.


Breves


O jogo “God of War” da Sony será convertido para filme pela Universal. A história centra-se num herói que combate os mais célebres monstros da mitologia grega até Ares e a caixa de Pandora. Por enquanto ainda não foram indicados nomes mas já se comenta que dará para mais de um filme.


Seguindo a saga de videojogos convertidos em filme, em Outubro chegará às salas americanas e a vários países europeus “Doom”. No elenco juntaram Karl Urban, Dwayne Johnson, Rosamund Pike e monstros mais ou menos conhecidos de todos (aparecem novas criaturas). O site oficial ainda não foi inaugurado mas o trailer já está disponível aqui.


O anjo de Charlie é agora a neta de Charlie... Uma nova versão da saga “Charlie Chan” dos anos 30 será filmada e Lucy Liu, interpretando a neta da personagem, será a estrela. A original teve uma dúzia de filmes, pelo que se tem visto ultimamente esta poderá fazer algo semelhante.


Seguindo o exemplo de Transformers, também a série Voltron terá um filme. A diferença entre ambas é que em Transformers vários robots/veículos diferentes se uniam para formar um robot gigante que lutava no planeta e em Voltron os veículos unem-se para formar um gigantesco robot que defende o Universo. Fazer um filme pode ser um investimento mas começo a pensar que é ridículo cada série ter o seu filme. Já não bastava ir estrear o Franjinhas em cinema?

25 de julho de 2005

"Crash" por César Nóbrega


Em Los Angeles ninguém toca ninguém. Sentimos tanto a falta do toque, que temos acidentes só para sentirmos alguma coisa". É desta forma que Don Cheadle (detective Graham Waters) abre as portas para um dos filmes do ano... digam o que disserem os críticos. Este é daqueles filmes que ninguém... mesmo ninguém... devia perder! É um grito contra o racismo e a xenofobia.

Até agora, na minha curta vida (sim curta, tenho 32 anos espero viver outros tantos) dois "Crash" marcaram a "memória cinéfila" que pretendo guardar, para mais tarde recordar, conforme a publicidade. Primeiro, em 1996, o canadiano David Cronenberg deu-me dois murros no estômago, com a sua interpretação cinematográfica do livro de J. G. Ballard, sobre a relação entre o prazer sexual e os acidentes de viacção. Quase dez anos depois, outro canadiano, Paul Haggis, deixa-me "knock out", com o seu "Crash". Homem mais ligado à escrita de argumentos para televisão, foi argumentista de, entre outros e espantem, séries televisivas como "As Teias da Lei" e "Walker, O Ranger do Texas", Haggis não só realizou "Colisão", como também escreveu a história e o argumento, foi produtor e até autor de uma das canções do filme. Cronenberg e Haggis não têm só em comum a nacionalidade, também a crueza da linguagem. Contudo, no "Crash" de Paul Haggis, os acidentes de viacção são o motivo e não objectivo.
Um acidente de carro junta um grupo de pessoas, com histórias bem diferentes: um polícia negro, com uma mãe drogada e um irmão ladrão e que mantém uma estranha relação com a colega, Ria; dois ladrões de automóveis, constantemente a fazerem teorias sobre a sociedade e o racismo; um polícia racista com um pai doente; o procurador geral de Los Angeles e a sua irritada mulher; uma família iraniana e um realizador de sucesso. Parecem muitas histórias, mas não... o racismo une-as todas. Mas não só a xenofobia, também a decadência a que as sociedades modernas chegaram.
Partindo de filmes como "Magnólia" (1999) de Paul Thomas Anderson (se não me dissessem quem realizou, provavelmente, apostava no criador de "Punch-Drunk Love", 2002) e "Amor Cão" (2000) de Alejandro González Iñarritu, "Colisão" é mais verdadeiro no adesamento das personagens e na emoção que transmite ao espectador. Não tenha dúvidas de uma coisa, não vai conseguir desviar os olhos do filme, e noutros momentos vai ser forçado a sofrer, sobretudo em duas alturas: quando o polícia racista, sargento Ryan (Matt Dillon) salva Christine (Thandie Newton) de um acidente de viacção e quando o iraniano Farhad dispara sobre a filha de Daniel.
Apesar de não ter nenhum figura de topo, o elenco é, mesmo assim, de luxo. Há a acrescentar a todos os nomes já citados, uma impresionante Sandra Bullock, longe dos seus habituais papeis de detective/modelo ou menina insegura, a fazer da impertinente e asquerosa mulher do procurador geral de Los Angeles. Os louros vão, no entanto, para Don Cheadle. Se alguém duvidava que era grande actor, como mostrou em "Ocean's Eleven" (2001) ou "Twelve" (2004) de Seteven Soderbergh, em "Colisão" demonstra que sabe, muito bem, o que está a fazer.
Palavra final para a brilhante banda sonora de Mark Isham. Só com ela conseguimos entrar tão fundo na mente de um racista, por exemplo, e arranjar justificações para os seus actos.
Em "Colisão" não há bons, nem maus. Há a vida real. Todos erramos, uns mais que outros. Não vale a pena pensar que há salvação. Como cantava Michael Stipe, em 1987, numa das mais bonitas canções que escreveu para a sua banda os R. E. M.: "it's the end of the world as we know it" (é o fim do mundo, tal como o conhecemos), só que, no fim, não nos sentimos bem!


Título Original: "Crash" (EUA, 2004)
Realizador: Paul Haggis
Intérpretes: Don Cheadle, Jennifer Esposito, Sandra Bullock, Brendan Fraser, Matt Dillon, Ryan Phillipe, Thandie Newton, Terence Howard, William Fichtner, Ludacris
Argumento: Paul Haggis e Robert Morisco
Fotografia: James Muro
Música:Mark Isham, Kathleen York
Género: Drama /Thriller
Duração: 113 min
Sítio Oficial: http://www.crashfilm.com

19 de julho de 2005

Adaptações, sequelas e remakes



A sequela de “Saw” ficará nas mãos do estreante Darren Lynn Bousman mas o argumento volta a ser escrito por Leigh Whannell, pode não ser novamente o mais fantástico do ano mas não será mau. O trailer já está disponível em http://www.saw2.com/.

Em relação à sequela do outro grande êxito deste Fantasporto, “Bubba Ho-Tep”, Bruce Campbell confirmou que “Bubba Nosferatu” será feito, só não adiantou datas pois os estúdios não estão tão entusiasmados com a ideia. Felizmente o actor mostrou-se contra a ideia de fazer “Freddy vs Jason vs Ash”.

Seguindo o exemplo de todos os grandes livros escritos nos últimos anos, também “Eragon” terá um filme. Baseado no livro de Christopher Paolini, um jovem de 21 anos, os argumentistas Peter Buchman, Mark Rosenthal e Lawrence Konner, todos com experiência em falar de monstros (“JP3”, “Mighty Joe Young”), escreverão o primeiro episódio da trilogia. Apesar de o papel principal ter sido entregue a um novato, Ed Speelers, os secundários serão as estrelas Djimon Hounsou, Jeremy Irons e John Malkovich.
A realização está nas mãos de outro estreante, Stefen Fangmeier, responsável pelos efeitos especiais de uma dezena de filmes desde “Terminator 2” a “Lemony Snicket’s”. A filmagens começam já em Agosto e a estreia será um ano depois.

Também em 2006 estreia “X-Men 3”. Aos nomes habituais do elenco juntaram-se os já anunciados Kelsey Grammer (“Frasier”) como Beast, Vinnie Jones (“Gone in 60 Seconds”, “Snatch”) como Juggernault e agora Ben Foster (“Hostage”, “The Punisher) como Angel. Ian McKellen ainda está presente neste episódio e ao que tudo indica terá mesmo um filme só para ele como Magneto num futuro próximo. Veremos se o público aguentará tantas BD com filmes para estrear: regresso do Superman, sequelas de X-Men, Spider-Man e muito provavelmente Batman. Para 2006 ainda se estreia Nicolas Cage como Ghost Rider, em 2007 saem nova versões das Ninja Turtles e da Wonder Woman e em 2008 finalmente a estreia dos Smurfs (Estrumpfes). São tantas que já me esquecia das sequelas de "Sin City" e "Hellboy". E em 2007 volta a saga de converter séries para filme com “Transformers”.

14 de julho de 2005


Ontem houve antestreia do "The Gospel of John", que foi seguida por um debate sobre o filme e a temática religiosa no cinema. Para a dúzia de jornalistas presentes isso foi suficiente, mas o Antestreia conseguiu algo mais e um dos palestrantes, o nosso colaborador António Reis, deixou-nos a sua crítica ao filme.

"The Gospel of John" por António Reis



O Evangelho dos Milagres


Ante-estreou hoje a longa e penosa adaptação de Philip Saville dos Evangelhos Segundo S. João. Habituados que estamos a que os temas religiosos surjam com carácter cíclico nos ecrãs, é inevitável que se compare esta leitura literal de um dos Evangelhos com alguns dos outros filmes que abordaram temas similares, seja em registo de comédia – "Life of Brian" de Terry Gilliam – de musical - "Jesus Christ Superstar" de Norman Jewison – ou no registo dramático – "The Passion of Christ" de Mel Gibson.
Saville não tem o registo irreverente nem de Giliam nem de Jewison, nem o carácter provocador de Gibson, limitando-se a uma narração quase literal e televisiva que tornam pouco compreensível a estreia deste filme em cinema e nesta época do ano, isto sem se referir o atraso com que ele chega às salas portuguesas dado ser de 2003. Compreende-se que a formação de Saville seja na área do pequeno ecrã e que a sua estética seja também a da televisão: o papel do narrador como forma de economia de tempo e de narrativa, bem como da redundância dos flashbacks utilizados. Talvez que exibido em televisão na época da Páscoa em três episódios ou editado em DVD para catequese o filme tenha algum sentido. Mas conviria não se confundir isto com cinema. Sabendo-se que Saville já tem em carteira adaptações dos outros Evangelhos, teria talvez mais interesse uma adaptação fantástica do Apocalipse segundo S. João na temática do terror futurista. Se apesar desta crítica ainda tiver vontade de ir ver este catálogo de milagres, fica o aviso que a duração do filme se estende por mais de duas horas e trinta. A paciência pode ser uma virtude cristã mas não sei se é um critério cinematográfico.

12 de julho de 2005

Sequelas e Remakes



Foi confirmada a segunda sequela de “I Know What You Did Last Summer”. Um filme que sempre foi apontado como certo será realizado por Damos Santostefano (“Three to Tango” é o seu mais conhecido trabalho) e terá como título “I'll Always Know What You Did Last Summer”. O elenco será alterado (as personagens já foram todas mortas) mas a ideia é igual: um grupo de jovens é perseguido por uma morte ocorrida um ano antes. O realizador já em 2003 tinha feito uma sequela pouco conhecida de um êxito (“Bring It On”), esperemos que esta passe igualmente despercebida. Também na Sony estão a ser preparadas sequelas para “Hollow Man”, “Road House” mas apenas esta começará a ser filmada já em Agosto.

Falando de filmes com mais qualidade, para o terceiro episódio da saga “Pirates of the Caribbean”, a ser filmado em simultâneo com o segundo, foi confirmado que o vilão será interpretado por Chow Yun Fat. O segundo episódio estreará dentro de um ano e o terceiro um ano depois desse.

A Paramount por sua vez vai fazer um remake de “Summer Scholl”, mas parece que em comum com o original apenas tem o título e a estação do ano, e a história será mais do estilo de “Feris Bueller’s Day Off”, um clássico dos filmes juvenis e vencedor da sondagem de ontem do IMDB sobre melhor jovem urbano.

Projectos



Foram divulgados os actores escolhidos para “Stormbreaker”, um filme sobre um adolescente que, depois de perder o tio, é contratado pelo MI6. Alex Pettyfer será o actor principal e até à data a sua carreira resume-se à televisão onde interpretou Tom Brown, baseado no livro homónimo de Thomas Hughes. O realizador é Geoffrey Sax (“White Noise”) e já divulgou vários nomes do elenco: Ewan McGregor, Mickey Rourke, Alicia Silverstone e Damian Lewis. Foi anunciado que seria o papel fiicamente mais exigente que algum jovem já fez mas sucessos recentes como “Billy Elliot” e “Harry Potter”, ambos ingleses, são um nível demasiado elevado. O argumento foi adaptado pelo autor do livro “Stormbreaker”, Anthony Horowitz, que, como o realizador, tem uma carreira muito televisiva. O argumento mais conhecido de Horowitz é “The Gathering”.

Uma parceria que parece promissora é a Warner Bros/Paramount pois anunciaram que irão produzir os próximos dois trabalhos de David Fincher. “Benjamin Button” sobre um homem que rejuvenesce foi já referido diversas vezes neste blog e os nomes de que se fala são Brad Pitt e Cate Blanchett. Antes disso fará “Zodiac”, sobre um serial killer que atacou San Francisco na final dos anos 60 e para esse ainda não foram indicados nomes mas Jake Gyllenhaal e Robert Downey Jr. são candidatos.

A Paramount anunciou outro filme que não foi tão bem recebido. O primeiro filme baseado no atentado de 11 de Setembro foi anunciado precisamente no dia a seguir ao atentado em Londres. Apesar disso, um filme de Oliver Stone com Nicolas Cage não deve ser mau e sendo escrito por sobreviventes dessa tragédia será bastante realista.

10 de julho de 2005

"War of the Worlds" por Ricardo Clara


Marcianos, pátria e família

"Good heavens, something's wriggling out of the shadow like a gray snake". Com esta famosa frase, o dia 30 de Outubro de 1938 ficou famoso quando Orson Welles, um actor e realizador em ascensão, que viria a ser amplamente reconhecido pela sua obra-prima, "Citizen Kane", encenava numa rádio local, a WABC, como acontecia com frequência naquela altura, uma adaptação do livro "War of the Worlds", de H.G. Wells. Rezam as crónicas da altura que Welles se desviou do livro original, utilizando ênfase e entoação própria de um jornal, como se estivesse a ler notícias. Ora, tal foram as parecenças, que foi criado o pânico e a histeria colectiva, levando milhares de pessoas a contactarem a polícia, crendo que estariam mesmo a ser alvo de um ataque alienígena, tal como Wells o havia descrito no seu livro de 1898. Mais tarde, em 1953, a obra foi pela primeira vez adaptada para cinema, pela mão de Byron Haskin, um especialista em efeitos especiais que foi nomeado por quatro vezes, e consecutivas, para o galardão da Academia.
Chegamos agora a 2005. Steven Spielberg, reputadíssimo realizador que povoou o imaginário de várias gerações com "Jaws", "Close Encounters of the Third Kind" e "E.T.", entre muitos outros exemplos possíveis, e após realizar "Minority Report", resolve juntar Tom Cruise, com quem diz que gostou de trabalhar, e avançar para este projecto. "Acusado" de só realizar filmes com criaturas alienígenas de bom coração, Spielberg, que já havia decidido partir para a adaptação de "War of the Worlds" quando comprou a última cópia do argumento radiofónico de Welles, parte para a produção e realização desta película, criando expectativas enormes (aliás, o filme era para ser feito por volta de 1996, mas a estreia de "Independence Day" vaio adiar essa pretensão.
A história é de todos sobejamente conhecida, e assenta na premissa da invasão do planeta Terra por extraterrestres, os quais aterram com intenções de tomar tudo de assalto. Tom Cruise é Ray Ferrier, divorciado, pai de dois filhos - Rachel (Dakota Fanning) e Robbie (Justin Chatwin) - e que os recebe em casa naquele que será o fim de semana para tomar conta deles. Mas uma série de relâmpagos levam a que do chão se ergam umas terríveis máquinas assassinas, que disparando indiscriminadamente, matam tudo e todos que surgem à frente. Ray e os seus dois filhos encetam uma fuga em direcção a Boston, onde se encontra a mãe das crianças.
O filme é uma tremenda desilusão. Mas tem uns segundos iniciais de imensa expectativa - uma narração de Morgan Freeman deliciosa (e se se tivesse optado por continuar com a narração...), dando o mote, numa espécie de reflexão dos actos que o Homem tem tomado, para o início da aventura. Ora, aquilo que era para ser uma mortífera invasão alienígena, acaba por ser uma introspecção do conceito de família, de relações familiares e essencialmente da concepção de um homem que, sempre virado para si mesmo, acaba por ser ver em apuros, sem saber como reagir contra uma força imprevisível (e aqui, não só no tema, mas essencialmente no modo como o caos, a destruição e a fuga foram filmados, surge mais uma vez a ideia de cinema pós-11 de Setembro, não na versão introspectiva e de reflexão, mas violenta e apocalíptica). E aliado a isto, temos personagens sem interesse nenhum (honra seja feita a Tim Robbins, que revoluciona um pouco este unanimismo), e sequências longíssimas e aborrecidas de conversas familiares, putos mimados e a fazerem birra, que surgem constantemente à frente da janela, tapando o olhar para o que acontecia lá fora (a tal invasão). Mas nem tudo são espinhos - Dakota Fanning confirma-se como uma grande actriz (pese andar meio filme aos berros); Justin Chatwin também está muito interessante; a banda sonora de John Williams está, como seria de esperar, soberba (a sequência da primeira fuga, ainda no bairro de Ferrier, é estrondosa), bem como os efeitos especiais (quando Ray sai da cave da casa da ex-mulher, e se depara com um Boeing em chamas, completamente destruído, é fabulosa). Mas nem estes pequenos pormenores retiram o sabor amargo de que podia ter sido feito muito melhor (eu não queria ver só os Tripods a disparar durante duas horas, queria ver também os verdadeiros invasores, bem mais do que aparecerem durante cinco minutos). E termina recorrendo ao que devia ter sido feito durante todo o filme - a narração - para explicar o que ninguém podia ter entendido se não nos tivesse sido dito directamente, em 20 segundos (ah, eles não estão habituados ao nosso planeta, com o ar poluído e os germes, e so vermes, e tudo o que está a levar o nosso planeta à implosão, e morreram num ápice, sem antes provocarem a destruição). Esperamos pelo próximo, Spielberg.



Título Original: "War of the Worlds" (EUA, 2005)
Realizador: Steven Spielberg
Intérpretes: Tom Cruise, Dakota Fanning, Justin Chatwin e Tim Robbins
Argumento: H.G. Wells e David Koepp
Fotografia: Janusz Kaminski
Música: John Williams
Género: Ficção Científica / Drama / Thriller
Duração: 116 min
Sítio oficial: http://www.waroftheworlds.com


6 de julho de 2005

"Madagascar" por Nuno Reis


Meses depois de “Robots” e meses antes de “The Curse of the Wererabbit” e “Chicken Little”, num ano em que não há “Ice Age”s nem “Shrek”s, “Madagascar” era o blockbuster de animação deste verão. Mas esta animação da Dreamworks consegue falhar em grande escala e pegando em características de imensos outros filmes de animação consegue ser um desperdício que não vale o dinheiro do bilhete excepto para o público alvo, as crianças.
Vários animais de diferentes espécies vivem em harmonia no zoo de Central Park. Um deles, a zebra, deseja ser livre e na noite do seu décimo aniversário decide partir de comboio para o Connecticut. Os seus amigos leão, hipopótamo e girafa vão atrás dele e, após vários problemas com os humanos, são todos enviados para o Quénia. A bordo desse barco estão clandestinos os seus companheiros de zoológico, um quarteto de pinguins com treino militar. Depois de um pequeno motim os pinguins dominam o barco, desviam-no para a Antárctica e os caixotes em que os quatro protagonistas eram transportados caem à água indo parar a Madagáscar.
Nessa ilha paradisíaca que pensavam ser San Diego, vivem imensos lémures que, vendo um leão, decidem usá-lo para se protegerem dos carnívoros (como Timon e Pumba fizeram com Simba). Algumas zangas entre o leão e a zebra (esqueci-me de dizer que a zebra é uma imitação do Donkey) originam divisões no território (como em “Shrek”). Um dos lémures tenta fazer aquela expressão que tornou o Puss in Boots célebre. Os lémures estão sempre ao ritmo de “I Like to Move It” e o seu rei é um pouco louco (a fazer lembrar o rei dos macacos do “The Jungle Book”). No final há um grande dilema para Alex que tem de escolher entre a amizade e o apetite e, como Simba, prefere o isolamento a magoar alguém mas terá de voltar para os proteger.
Resumindo, pouco vi no filme que não tivesse sido feito antes. Quase tudo que foi copiado foi piorado e o que é original não tem muita qualidade.
Os macacos ingleses são as melhores personagens por não terem sido aproveitadas até ao limite e os pinguins, apesar de já em “Ice Age” haver aves guerreiras, conseguem ser divertidos por serem sérios.
As vozes nada têm de especial, as estrelas Ben Stiller, Chris Rock e Jada Pinkett-Smith e o menos conhecido David Schwimmer formam o quarteto, Sacha Baron Cohen e Cédric the Entertainer são lémures. Como em “Shrek” tentaram moldar as personagens às vozes mas falham. Os realizadores, um vindo do “The Ren and Stimpy Show” e o outro de “Antz”, conseguiram causar-me uma das maiores desilusões vindas dos estúdios Dreamworks. Espero bem que “Shrek 3” (2007) , o spin-offPuss in Boots” (2008) e o projecto original “Bee Movie” (com vozes de Jerry Seinfeld, Renée Zellweger, Robert Duvall e Uma Thurman entre muitos) recuperem a mística que os estúdios começavam a formar.






Título Original: "Madagascar" (EUA, 2005)
Realizadores: Eric Darnell, Tom McGrath


Intérpretes: vozes de Ben Stiller, Chris Rock, Jada Pikett-Smith, David Schwimmer
Argumento: Mark Burton, Billy Frolick, Eric Darnell, Tom McGrath
Fotografia: Clare De Chenu, Mark A. Hester e H. Lee Peterson
Música: Hans Zimmer
Género: Animação/Infantil/Aventura
Duração: 86 min
Sítio oficial:http://www.madagascar-themovie.com/

3 de julho de 2005

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