27 de novembro de 2005

"Os 100 Mais do Cinema Fantástico" por António Pascoalinho


70 - 61


61.O Uivo da Fera
tít. orig.- The Howling (USA 1980)
real. Joe Dante

Hoje considerado como autêntico cult-movie, este filme de Joe Dante marcou o início de uma nova era no mundo fílmico dos lobisomens. As fabulosas transformações, os ataques massivos das feras e o ambiente de pavor constante fizeram a história. Quando uma jornalista é enviada para uma estranha comunidade na Califórnia, como terapia de recuperação para um trauma sexual, longe estava de imaginar o sarilho em que se ia meter, num mundo onde os outros doentes se transformam à noite. Cheio de piadas doentias e de pequenos cameos de gente famosa, este filme caiu no goto das plateias sedentas de emoções. E percebe-se porquê!

62.O Desvendar de um Mistério
tít. orig.- The Changeling (Canadá 1980)
real.- Peter Medak

John Russell, compositor, perde a mulher e a filha num acidente de viação. Tem necessidade de isolamento para continuar o seu trabalho. E por isso aluga uma mansão Victoriana, inabitada há 50 anos e supostamente assombrada. Mas, curiosamente, Russell não é vítima de nenhuma agressão: o fantasma do imóvel, uma criança cobardemente assassinada 50 anos antes, grita por vingança e vai encontrar no nosso herói um inesperado aliado, também ele marcado pelos infortúnios do destino. Tudo é construído de forma muito subtil, sem grandes efeitos especiais nem redundâncias. E George C. Scott voltava aqui a um grande papel, 10 anos depois de Patton.

63.O Homem Elefante
tít. orig.- Elephant Man (USA 1980)
real.- David Lynch

John Merritt é um homem desfigurado, maltratado e exposto como atracção de feira. Chamam-lhe elefante, e tratam-no como a um animal. Mas, debaixo de tanta fealdade, esconde-se uma alma inteligente e sensível, que um médico Londrino se vai encarregar de revelar ao Mundo e de integrar na sociedade preconceituosa do seu tempo. A neurofibromatose de que sofre o paciente, não lhe afectou o cérebro. Merritt fala, lê e tem inclusivé muita veia artística. Mas os seus pares humanos não estavam preparados para tamanho choque. E isso conduzirá à tragédia. John Hurt e Anthony Hopkins têm neste filme dos melhores papéis das suas carreiras. E aqui surgiu também a confirmação de um grande realizador: David Lynch.

64.Sexta-Feira 13
tít. orig.- Friday the 13th. (USA 1980)
real.- Sean S. Cunningham

Primeiro opus de uma série de filmes dedicada a assassínios explícitos e violentos, esta obra narra uma sucessão de homicídios que ocorre num campo de férias, perpetrada por uma mulher que acusa os monitores e frequentadores do campo de terem deixado morrer o filho num acidente de barco, por falta de atenção. À catanada, à machadada, ou a tiro com arco, todos os potenciais suspeitos são eliminados. Jason Voorhees foi a criança deixada para morrer, mas ele será o maior ícone do Cinema de Terror dos anos 80 e 90. Uma obra charneira do chamado gore. Só para fanáticos!

65.O Império Contra-Ataca
tít. orig.- Empire Strikes Back (USA 1980)
real.- Irvin Kershner

Opus 2 das aventuras numa galáxia distante, muito distante, este filme encontra Luke Skywalker, Han Solo e a Princesa Leia escondidos no planeta gelado de Hoth, depois da destruição da Estrela da Morte, em Star Wars. É um prodígio de efeitos especiais, a complementação das premissas do primeiro filme e a mais bela introdução para o fim da trilogia (Return of the Jedi). Ficam na memória as batalhas na neve, a educação de Luke pelo grande mestre Yoda e a prisão de Han Solo em carbonite, às mãos do viscoso Jabba The Hutt. E serve como referência para não ter de incluir na minha lista os dois restantes membros desta ilustre história, que marcou o Cinema de Ficção Científica até aos nossos dias, como se prova pelo tão aguardado lançamento do primeiro filme da saga.


66.Scanners
tít. orig.- Scanners (Canadá 1980)
real.- David Cronenberg

Há homens com poderes telepáticos muitíssimo desenvolvidos. Os Scanners. Que lêem o pensamento. E cuja força mental pode fazer explodir o cérebro do vizinho do lado. A questão reside, pois, em utilizar tamanhos poderes ao serviço do Bem ou do Mal. E é essa a dicotomia que Cronenberg explora em mais um dos seus filmes de paranóia urbana. Cameron Vale (Stephen Lack) é o Scanner bom, membro da associação governamental que protege a sua raça. Darryl Revok (outra genial composição de vilão por Michael Ironside) é o mau, capaz de aspirar a controlar a Terra se os seus poderes aniquilarem tudo o resto. Os dois são irmãos. E o duelo entre ambos faz aquecer o écran. Num filme original, irrepreensível e angustiante. Conhecemos a telepatia e a telequinésia. Poderão alguma vez as capacidades paranormais do ser humano chegar tão longe, ou não será mais que uma ficção excepcionalmente elaborada?

67.O Nevoeiro
tít. orig.- The Fog (USA 1980)
real.- John Carpenter

Sobre uma pequena cidade à beira-mar, paira uma ameaça antiga. A de que os espíritos dos marinheiros naufragados naquela costa, voltarão um dia envoltos num denso nevoeiro em busca de vingança. Na estação de rádio que emite a partir do farol local, uma jornalista anuncia a aproximação do nevoeiro. E dá entrada a horas de verdadeiro terror, de onde só os mais fortes escaparão com vida. Este é um filme de medos à antiga, extremamente bem escrito e realmente perturbante. E, ao contrário do que diz, foi neste filme e não no Halloween H20, que a rainha do terror Jamie Lee Curtis e sua mãe Janet Leigh trabalharam juntas pela primeira vez.

68.Shining
tít. orig.- The Shining (Inglaterra 1980)
real.- Stanley Kubrick

Um escritor em busca de inspiração aceita trabalhar como guarda de um hotel que vai ficar isolado durante o Inverno, de modo a conseguir avançar no seu último romance. Instalado com a mulher e um filho naquela enorme mansão, começa a ser afectado por visões e fantasmas, que o conduzirão à loucura e à transformação num perigoso assassino. Stephen King nunca gostou muito da adaptação que Kubrick fez da sua novela. Mas os esgares de Jack Nicholson, a angústia de Shelley Duvall e a sequência final no labirinto gelado fizeram do filme um objecto de culto.

69.Noite dos Mortos-Vivos, A
tít. orig.- The Evil Dead (USA 1980- distribuído em 1983)
real.- Sam Raimi

Maior cult-movie da zona "filme artesanal". Dois rapazes e três raparigas vão divertir-se para uma cabana nas montanhas. Vasculham tudo (estilo "a curiosidade matou o gato") e encontram uma cassette audio acompanhada de um livro de instruções para invocar demónios. O resto adivinha-se: vão ficando possuídos um a um, morrem, ressuscitam, atacam, mutilam, desmembram e praticam todas as atrocidades possíveis e imaginárias. Só se safa o bom do Ash (personagem que traria a fama ao actor Bruce Campbell), para dar entrada aos seguintes episódios da série. É a carnificina total. Um enorme banho de sangue e vísceras. Mas igualmente um filme muitíssimo divertido. Vá lá saber-se porquê!

70.Excalibur
tít. orig.- Excalibur (USA, Inglaterra 1981)
real.- John Boorman

Poderá um filme de enquadramento Histórico, situado na Idade Média, ser considerado Cinema Fantástico? Neste caso, penso que sim. Porque, mais que centralizado na demanda do Rei Artur e seus cavaleiros pelo Cálice Sagrado, o argumento deste filme acompanha a luta titânica dos dois feiticeiros da lenda, Merlin e Morgana, em busca do poder e do controlo do Universo. Os humanos são meros fantoches, os poderes, as armaduras reluzentes, a espada oferecida pela Dama do Lago e tudo o que se consegue fazer a cobro do mais denso dos nevoeiros, parecem ser o que mais importou ao realizador John Boorman. Que um dia, ao ser questionado sobre a impossibilidade de haver armaduras daquelas na Idade Média, respondeu: "Eu sei, mas fica bonito, não fica?".


24 de novembro de 2005

”Cry_Wolf” por Nuno Reis


Uma escola suficientemente afastada da cidade tem tudo o que precisa para ser um cenário de terror. Quando Owen lá chega a primeira pessoa que encontra é a aluna Dodger por quem, apesar do contacto abruptamente interrompido, sente imediatamente empatia.
Arrastado pelo seu colega de quarto e a convite de Dodger junta-se a um pequeno grupo que se reúne na capela para fazer o jogo do lobo. Esse jogo é a dinheiro e consiste em lançar as suspeitas sobre uma pessoa, aquele de quem não suspeitarem fica com tudo. Owen fica maravilhado com o jogo e apoiado por Dodger eleva-o a um novo nível. Na nova versão todos os alunos ficarão em pânico pensando que o assassinato de uma colega dias antes possa ter sido o início de uma matança da responsabilidade de um serial-killer que ataca escolas. A lenda rapidamente se alastra assumindo proporções nunca imaginadas e rapidamente Owen percebe que podem estar em sérios problemas pois alguém vestiu a pele do lobo.

A dar uma definição a este filme ela seria “slasher movie dos tempos modernos”. A primeira metade é de fraca qualidade, todo parece ser normal e o final é previsível. Na segunda metade a emoção aumenta e nem todos os espectadores conseguirão descobrir a tempo a verdadeira identidade do lobo. Perseguições, meia dúzia de mortes e vários sustos falsos, aliados às principais formas de comunicação da nova geração (telemóveis, correio electrónico e mensagens instantâneas) tornam este filme um trabalho interessante que não desilude os amantes do género.

Apesar de ter um argumento fraco o final compensa os momentos menos bons. Os actores são tão maus como os habitualmente encontrados neste género com excepção para Lindy Booth que, honra seja feita, é o que o filme tem de melhor.







Título Original: "Cry_Wolf" (EUA, 2005)
Realização: Jeff Wadlow
Intérpretes: Julian Morris, Lindy Booth, Jared Padalecki e Jon Bon Jovi
Argumento: Beau Bauman, Jeff Wadlow
Fotografia: Romeo Tirone
Música: Michael Wandmacher
Género: Terror, Thriller
Duração: 90 min.
Sítio Oficial:" http://www.crywolfmovie.com

"Os 100 Mais do Cinema Fantástico" por António Pascoalinho


80 - 71


71.Nova York 1997
tít. orig.- Escape from New York (USA 1981)
real.- John Carpenter

Sobre o cenário prodigioso da ilha de Manhattan transformada em prisão de alta segurança, Carpenter construiu um dos filmes mais adorados da década de 80. O avião presidencial despenha-se na dita ilha, com o seu ilustre ocupante lá dentro, e cabe a um recluso perigosíssimo a missão de entrar e sair de Manhattan para o resgatar. Os ghetos, as tribos, os combates e a célebre frase "Call me Ssnake!" fizeram deste filme um must.

72.O Ente Misterioso
tít. orig.- The Entity (USA 1981)
real.- Sidney J. Furie

Uma pacata dona de casa vive atormentada por um problema digamos, pouco vulgar: é violada noite após noite por um ser invisível. A loucura é imediatamente invocada, mas o facto é que a senhora ostenta mesmo na pele sinais de violação. Que se passará então? A velha luta entre o psiquiatra (que julga que a solução está na mente dela) e um grupo de parapsicólogos (que decide montar uma armadilha para apanhar o monstro), adquire aqui foros de realidade quase mística. E Barbara Hershey tem neste filme o melhor papel da sua carreira.

73.Canibal Feroz
tít. orig.- Cannibal Ferox (Itália 1981)
real.- Umberto Lenzi

Para não escandalizar ninguém, este é um verdadeiro filme de terror. Mesmo para os amantes das goelas cortadas e vísceras ao desbarato, nos quais me incluo, eis uma obra verdadeiramente impressionante. Que não é por acaso que foi banida dos écrans ingleses, por ser considerada demasiado violenta. Há um grupo excursionista na selva Amazónica. Com estudantes de antropologia e traficantes de droga à mistura. E do outro lado uma tribo de canibais. O confronto é inevitável. Mas as proporções são enormes! Só haverá uma sobrevivente. E o massacre tem tamanhos requintes de violência e malvadez que não podem deixar ninguém indiferente: uma rapariga suspensa com ganchos pelos seios até à morte; uma decapitação à catanada pela parte de cima da cabeça para se poderem comer os miolos; órgãos genitais cortados e comidos. Um manancial de horrores nada recomendáveis a pessoas impressionáveis. Mas um filme bem trabalhado e fiel aos seus princípios. Feito para incomodar muito. E que incomoda muito!

74.Poltergeist, o Fenómeno
tít. orig.- Poltergeist (USA 1982)
real. Tobe Hooper

Uma família habita uma casa que fôra construída sobre um antigo cemitério Índio. Por isso, os espíritos andam inquietos e várias manifestações paranormais começam a acontecer na casa. A filha mais nova começa a comunicar com uns seres que surgem através da televisão, e acaba sugada para o mundo do Além. Cabe a uma medium com poderes psíquicos recuperar a criancinha e resolver o problema. Este é o melhor filme de fantasmas que conheço. Só talvez igualado por A Chinese Ghost Story. E faz-nos mesmo pensar sobre se haverá ou não Vida para além da Morte.

75.Veio do Outro Mundo
tít. orig.- The Thing (USA 1982)
real.- John Carpenter

Numa estação científica algures na Antártida, um grupo de cientistas abriga um cão perseguido a tiro. O que ninguém sabe é que o "bichinho" vem impregnado por um ser alienígena, capaz de pular alegremente de corpo em corpo e de ameaçar com a extinção toda a raça humana. E, por isso, num clima de gélido suspense, deixamos de saber quem ainda é humano ou quem já está possuído, enquanto a batalha pela sobrevivência se torna cada vez mais sangrenta e os efeitos especiais não param de nos surpreender. John Carpenter atingiu aqui, neste seu remake de um clássico dos anos 50, um dos pontos mais altos (a par de Halloween) da sua já longa e prolífica carreira.

76.Experiência Alucinante
tít. orig.- Videodrome (Canadá 1982)
real.- David Cronenberg

Max Renn criou o Canal 83, um canal de Televisão por cabo sediado em Toronto, e dedicado ao hardcore e às maiores bizarrias sexuais. Um dos seus empregados descobre uma noite, por acaso, um programa chamado Videodrome, emissão non-stop de torturas, morte e sevícias sexuais. Max tenta fazer uma gravação pirata. Mas o programa ganha vida própria. E Max será enviado para dentro da realidade que ele próprio vendia como sendo imaginação. Mais uma das paranóias urbanas de David Cronenberg, este é um filme mesmo esquisito. Entre o terrível universo dos snuff-movies e a mais feroz crítica ao fenómeno televisivo. Só para estômagos fortes!

77.ET- o Extraterrestre
tít. orig.- E.T. (USA 1982)
real.- Steven Spielberg

O mais carinhoso e afável de todos os filmes de Ficção Científica é ainda hoje um dos maiores campeões de bilheteira da História do Cinema. Ninguém ficou indiferente a esta história do pequeno alienígena que é deixado na Terra por engano, encontrado e alimentado por um grupo de crianças, e que apenas quer o mesmo que pretende qualquer garoto perdido: voltar para casa. Projecto antigo de Steven Spielberg, e talvez o seu filme mais pessoal, E.T. forneceu ao seu realizador os meios necessários para criar a sua própria empresa de produção, a Amblin, capaz de rivalizar até hoje com as grandes majors Americanas.

78.O Cristal Encantado
tít. orig.- Dark Crystal (USA 1982)
real.- Jim Henson e Frank Oz

Os criadores dos Marretas decidiram embarcar na odisseia de criar uma longa-metragem, só com as marionetas que tão bem sabiam manusear. O resultado é um universo de fantasia, com três sóis que garantem a sua harmonia. Depois de um cataclismo cósmico, o gigantesco cristal onde a gente boa do Mundo ia buscar força interior, quebra-se, dando origem a um tempo de trevas onde os malvados Skekses ganham força. Cabe ao pequeno Jen, um pequeno ser educado pelos "Místicos", arranjar maneira de curar o cristal e pôr fim ao reino dos Skekses. Bonecos para todos os gostos. E um prodígio de imaginação.

79.Perigo Iminente
tít. orig.- Blade Runner (USA 1982)
real.- Ridley Scott

Rick Dekkard é um caçador de "replicants", robots à forma humana que vagueiam entre nós, num Universo futurista pós-holocausto. Os décors do filme permanecem inesquecíveis, as naves, as luzes de néon, e a visão de uma Los Angeles em 2019 que todos ansiamos por ver se será mesmo assim. Harrison Ford e a sua luta titânica com o chefe dos andróides, Rutger Hauer. As proezas ginásticas de Daryl Hannah. O mundo de fantoches que ganham vida. E a fabulosa história de amor entre um homem e uma andróide, fazem desta obra um marco inesquecível no Cinema de Ficção Científica. Ridley Scott lançou no mercado a sua "versão do realizador", mas eu prefiro o original, já que a existência da voz-off nos permite perceber muito melhor as motivações do personagem e aproxima muito mais o argumento do fantástico livro que lhe deu origem, do mestre Philip Kendrick Dick. De qualquer forma, e seja qual fôr a versão, este filme é mesmo um must. A rever em qualquer altura!

80.Christine, o Carro Assassino
tít. orig.- Christine (USA 1983)
real.- John Carpenter

A ideia de um carro com sentimentos. Sobretudo ciúmes. E ainda por cima vingativo. Foi assim que John Carpenter idealizou a história da sua Christine. Dos operários na cadeia de montagem, aos que ameaçam o rapaz que decide restaurá-lo, todos tombam violentamente às mãos (ou peças) do carro assassino. O combate final entre o malvado veículo e uma rectro-escavadora, é dos mais originais duelos ao pôr-do-sol que o Cinema jamais nos ofereceu. E a banda sonora é fabulosa!


”Proof” por Nuno Reis


Robert é um génio matemático enlouquecido que na sua juventude revolucionou o mundo. A sua filha, Katherine, e um seu aluno, Harold, vão tentar perceber pelos apontamentos que ele fez durante anos se realmente existe alguma outra grande descoberta como ele se gabava de ter feito. O filme está recheado de subtilezas matemáticas adoráveis. As prateleiras assemelham-se às de um estudante das faculdades de ciências, economia ou engenharia, os cadernos preenchidos recordarão aos espectadores operações que possivelmente fizeram ou fazem.

Gwyneth Paltrow interpreta a filha Robert, dedicou-lhe anos de vida e enquanto lhe tenta seguir as pisadas na matemática teme estar a seguir as pisadas na loucura. Tem uma interpretação sempre de qualidade e ocasionalmente poderosa. Anthony Hopkins está genial na sua interpretação de um génio e acaba por ser a estrela de um espectáculo construído em torno de Paltrow e da demonstração. Jake Gyllenhaal finalmente tem uma personagem adulta, enérgica e louca o suficiente para justificar algumas atitudes.

Com vários momentos de qualidade - em que se destaca o diálogo de Katie com o pai tentando perceber se está louca - é um filme que se mantém por noventa minutos dramático e enigmático. Tem momentos cómicos quando as personagens se aproximam da loucura e só peca por tentar atingir um público menos matemático. Fazem bem em explicar os números de Germain e a razão de interesse do número 1729, são questões fáceis de perceber e que aproximam a matemática do grande público. Exagera por explicar piadas como a razão da música i ser um grande silêncio, algo deveria ter ficado como private joke para os cientistas.







Título Original: "Proof" (EUA, 2005)
Realização: John Madden
Intérpretes: Gwyneth Paltrow, Anthony Hopkins, Jake Gyllenhaal e Hope Davis
Argumento: David Auburn e Rebecca Miller
Fotografia: Alwin H. Kuchler
Música: Stephen Warbeck
Género: Drama
Duração: 99 min.
Sítio Oficial:" http://www.proof-movie.com/

Quem quer comprar o AMC?



Que o mercado de exibição cinematográfica está em crise é um dado adquirido nos últimos anos e que 2005 apenas confirmou nas suas piores expectativas.
Nem mesmo as pipocas e a Coca-Cola parecem ser suficientes para tornar rentável o negócio do lazer que é o cinema. Se é certo que o aluguer é elevadíssimo (ao que dizem cerca de cem mil euros por mês) e que os cerca setenta funcionários de que dizem dispor é uma despesa fixa considerável, a perda de espectadores que passaram de setenta mil para vinte mil por semana é o factor decisivo para a política de desinvestimento da AMC norte-americana não só relativa a Portugal como a toda a Península Ibérica. Sendo discutível a qualidade dos filmes que se estreiam, era facto assente que a distribuição em moldes multiplex eram dinheiro em caixa. Esqueceram-se foi da linha do metro e se os espectadores se mantêm constantes ao dividirem-se por salas com maior acessibilidade acabam por pôr em causa este projecto. Mas vistas bem as coisas, quem tem dinheiro ou quem quer comprar vinte salas, que não a preço de saldo? Talvez você, se lhe sair o Euromilhões. Será como na canção “Metro Killed the Multiplex Star”?



António Reis

23 de novembro de 2005

FIKE 2005 - por Filipe Lopes





Hoje é o quinto dia do FIKE 2005 - Festival Internacional de Curtas-metragens de Évora - e parece-me uma boa altura para fazer um primeiro balanço do que tem sido esta quinta edição do certame, que decorre até ao próximo dia 26 de Novembro na capital do Alto Alentejo. Parece-me redundante dizer que se puderam ver filmes para todos os gostos, porque com quatro dias já decorridos e com mais de sessenta filmes já apresentados em competição, é natural que assim seja. No entanto, gostaria de destacar, além, da programação, propriamente dita, de dois momentos:
Primeiro momento: Na sexta-feira, dia de abertura, a Auditório Soror Mariana e vestiu-se de gala para receber a primeira projecção em Portugal de "The Fifth Step", ficção rodada inteiramente nesta cidade e que mobilizou larguíssimas dezenas de habitantes locais (e não só) para que fosse possível que o projecto homónimo, de três alunas - Donna Mabey, Josephine Reynolds e Mariana Conde - do Internacional Film School of Wales (do País de Gales, como se nota pelo nome da escola), se transformasse em mais do que isso. O resultado final, com cerca de dezoito minutos, bons movimentos de câmara, uma bastante razoável fotografia e uma óptima montagem, é, de facto, muito interessante e mereceu uma prolongada ovação de uma sala completamente lotada, reacção a que não deve ser completamente alheio, também, o facto de muitos dos que nele colaboraram se encontrarem na sala.
Segundo momento: A estreia absoluta em Portugal, ontem, do magnífico documentário "Sisters in Law", de Florence Ayisi e Kim Loginoto, que aborda, dizendo de uma forma simplista, a problemática da violência doméstica nos Camarões e que foi vencedor do Prémio ART et ESSAI e Menção Especial EUROPA CINEMA no Festival de Cannes 2005.
Até sábado, no entanto, há muito bom cinema para ver. Quem tiver oportunidade, dê um saltinho até Évora, pois, decerto, não se arrependerá.



22 de novembro de 2005

Estando esta semana cinematograficamente marcada pela estreia do quarto filme de Harry Potter, o Antestreia convidou um dos nossos colaboradores habituais a escrever sobre esta mega-produção.

”Harry Potter and the Goblet of Fire” por António Reis



Confesso que o universo temático e iconográfico de Harry Potter não me fascina particularmente. Reconheço a sua eficácia junto de multidões para quem o fantástico se insere mais no lendário tradicional do que na ficção científica e/ou terror de efeitos pirotécnicos.
Alheio portanto à onda de histeria que acompanhou a evolução da personagem nos livros é com relativo custo que vejo Harry Potter envelhecer de uma forma tão rápida. Esta entrada de Harry no universo da adolescência (como se já não bastasse ele ser sobrinho de muggles, também é adolescente e inicia-se na paixão) a par com a mudança de realizaçãoorientam o filme para uma dimensão de terror exagerada tendo em atenção o potencial público-alvo. Mike Newell acaba por introduzir no filme uma estética mais british e com manifesto bom gosto descartando-se da imagem mais infanto-juvenil do cinema de Columbus.
Se não há no filme reviravoltas na história e se o elemento surpresa está assim ausente por parte do espectador que seja simultaneamente leitor atento, o certo é que o não leitor ou leitor desatento acabará perplexo por pistas inconclusivas, contracções excessivas da narrativa e sequências a que falta o sentido lógico meramente filmico. Mesmo os leitores melhor informados ficarão surpreendidos pela fraca qualidade da tradução de feitiços e objectos mágicos, feita por alguém que não deve ter lido nenhum dos livros.
A par destes elementos menos perceptíveis da transcrição, a que sobra sempre a desculpa que o filme necessitaria de mais tempo, sobra um Harry Potter com borbulhas num espectáculo onde algumas cenas enchem o ecrã pela força sugestiva do seu imaginário e essa capacidade de transformar um texto literário numa imagem plástica áudio-visual leva-nos a reconhecer uma qualidade de produção super com um trabalho de set designer, de adereços e de efeitos gráficos de competência acima de qualquer reparo. Para os fãs incontestáveis será o deslumbramento, para os meros espectadores de cinema de aventuras o filme cumpre a sua missão de entretenimento. Louve-se a iniciativa de Tiago Alves em tornar o Porto de novo um lugar de premiéres para críticas, hábito que já se vinha perdendo.









Título original:Harry Potter and the Goblet of Fire” (Reino Unido, 2005)
Realizador: Mike Newell
Intérpretes: Daniel Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson, Brendan Gleeson, Robbie Coltrane, Miranda Richardson, Maggie Smith e Gary Oldman
Argumento: Steven Kloves baseado no livro de J.K. Rowling
Fotografia: Roger Pratt
Música: Patrick Doyle e John Williams
Género: Aventura, Fantasia, Thriller
Duração: 157 min.
Sítio oficial: http://www.gobletoffire.co.uk/

21 de novembro de 2005

Casa da Animação - final de Novembro



PORTUGAL EM FOCO
NA CASA DA ANIMAÇÃO



A mais recente produção nacional vai estar em destque nos próximos dias 25, 26 e 27 deste mês de Novembro. A longa, com participação lusitana, as curtas-metragens saídas, quase todas elas com o Apoio do ICAM e os projectos em curso, também eles saídos dos concursos deste Instituto. Alguns dos produtores e realizadores estarão presentes, para explicarem o percurso das suas obras em execução No último dia a exibir a animação portuguesa presente na última edição do Festíval Ovarvídeo . Uma óptima oportunidade para se encontrarem os profissionais portugueses.



"Sonho de uma noite de S. João" | 25 de Nov | 21h45

Realizado por Angel de la Cruz e Manolo Gomes, Espanha/Portugal (Dygra e Appia Filmes)
Reza a lenda que, uma vez por ano, durante a noite de S. João, os humanos podem
entrar no mundo mágico dos duendes e fadas, lugar onde reina a harmonia e onde
os sonhos se tornam realidade.

duração 1h 25



Panorama português | 26 de Nov | 21h45

Exibição de alguns dos filmes de animação de produção mais recente no país,
antecedida de uma breve apresentação de alguns dos projectos que estrearão no
próximo ano.



1ª parte | Apresentação de projectos - filmes portugueses em produção

A meio da noite, Fernando Saraiva
Belinvicta, Alexandre Siqueira
Bruxas, Francisco Lança
Stuart, Zepe
Jantar em Lisboa, André Carrilho
A noiva do gigante, Nuno Amorim
Trabalho do corpo, Nuno Amorim
Todos os passos, Nuno Amorim
Vacas, Isabel Aboim Inglez

duração 30'



2ª parte | Produções recentes

Menu, Joana Toste
Selo ou não sê-lo, Isabel Aboim Inglez
Cicatriz, Ìcaro e Tânia Duarte
A cor negra, Silvino Fernandes e Paulo Sousa
Com uma sombra na alma, Fernando Galrito
Sem respirar, Pedro Brito

Os Poderes do Sr. Presidente, Abi Feijó
Vascularidades, Paulo D'Alva
Eu Descobri Portugal - Armando Coelho

duração 51 23''


Extensão Ovarvídeo | 27 de Nov | 21h45


A Dama da Lapa, de Joana Toste, 4’ 30
A film about us, de Pedro Lino, 5’ 26
Endocranium, de Paulo Neves, 3’ 51
From picture to pictures, de Luís Fernandes, 4’ 48
Living in the trees, de Vitor Lopes, 1’ 50
MeVivMo, de Ricardo Freitas, 1’ 39
Paço do Duque, de Nuno Maya e Carolle Purnelle, 8’ 10
Plastic war, de Paulo Abreu,
Respeito é evolução, de Adriano Mendes, 2’ 16
Simple Simon, de José Castro, 4’ 20
The scream, de Paulo Neves, 2’
As criaturas, Colectivo, 16' 34
Energetic Juice, de Adriano Mendes, 3’
Transformações, Jovens ANILUPA, 15’

duração 1h13



Para mais informações, www.casa-da-animacao.pt

20 de novembro de 2005

"Os 100 Mais do Cinema Fantástico" por António Pascoalinho


90 - 81


81.Zona de Perigo
tít. orig.- Dead Zone (USA 1984)
real.- David Cronenberg

Johnny conduz sob uma chuva persistente, sem conseguir reparar num obstáculo à sua frente na estrada. Pouco pode fazer para evitar o choque. 5 anos depois, Johnny recupera do coma, mas a sua vida está "lixada": Sarah, a companheira de então, casou-se com outro, a sua saúde está periclitante, a juventude perdida. Mas os 5 anos em coma deram a Johnny um estranho poder, o de conseguir ler o passado e o futuro de todas as pessoas a quem aperte a mão. Mesmo que um deles seja candidato à Casa Branca. Dois dos mais delirantes mundos fantásticos dos nossos dias têm um estranho cruzamento neste filme: o do escritor Stephen King face ao do realizador David Cronenberg. O resultado é tão bizarro quanto fascinante. E lança no ar uma interrogação: poderá haver verdade numa história assim?

82.O Exterminador Implacável
tít. orig.- Terminator (USA 1984)
real. James Cameron

O filme que consolidou Arnold Schwarzenegger como estrela de primeiro plano envolve viagens no tempo e muita cibernética. Um robot quase perfeito é enviado de um futuro onde as máquinas reinam, com a missão de eliminar aquela que virá a ser a mãe do chefe da resistência humana no futuro. Mas outro exterminador é igualmente enviado, para proteger a senhora. A batalha vai ser letal, ou não estivesse em jogo o futuro da Humanidade. Mas, como diz o vilão do filme: "I'll be back!", e por isso a série só pararia no segundo episódio. Para já!

83.Duna
tít. orig.- Dune (USA 1984)
real.- David Lynch

Prodigioso filme da mais pura Ficção, transporta-nos para um universo onde o mais importante é a Spice, a especiaria capaz de manter as fábricas em funcionamento. Pelo seu controle lutam diversas raças, capazes de dominar as tácticas da guerra e mesmo de ultrapassar os temíveis vermes gigantes. Ficam na memória as sequências de treino militar de Kyle MacLachlan, as aparições do perverso Sting ou o discurso inicial de Virginia Madsen a explicar as premissas do filme. E toda a fidelidade ao gigantismo do romance que lhe deu origem!

84.Pesadelo em Elm Street
tít. orig.- A Nightmare in Elm Street (USA 1984)
real.- Wes Craven

A história de um serial-killer que mata por vingança. Déjà vu? Não, visto que o nosso assassino vive no mundo dos sonhos e mata adolescentes a seu bel-prazer quando estes dormem sonos agitados. É um filme sobre o medo, que criou uma das figuras mais míticas do Cinema de Terror: o homem da camisola às riscas e chapéu, com a cara queimada e garras nas mãos, Freddy Krueger. O êxito da receita foi tanto, que a série já chegou ao 7º filme, anunciando-se entretanto mais um.

85.Gremlins- Pequeno Monstro
tít. orig.- Gremlins (USA 1984)
real.- Joe Dante

Este filme marca o início da teoria "se o monstro for pequenino e simpático, até as crianças gostam". Quando um adolescente recebe como prenda de Natal um pequeno animalzinho de estimação, peludo e ternurento, estava longe de imaginar o caos que iria causar na sua cidade, ao não cumprir determinadas regras. Porque o bichinho gera outros seres, não tão simpáticos, que na ânsia de brincadeira são capazes de arrasar tudo em seu redor. E é um gozo supremo, mais próximo de brincadeiras de mau gosto que de terror propriamente dito. Semáforos trocados, batalhas na cozinha e a superior sequência com os Gremlins no cinema a ver a Branca de Neve, tudo momentos de eleição que deram origem a inúmeros filmes daqui derivados, dos Critters aos Ghoulies, só para citar alguns.

86.1984
tít. orig.- 1984 (Inglaterra 1984)
real.- Michael Radford

A mais recente adaptação do mítico romance de George Orwell foi lançada em pleno ano das profecias do livro. Encontramos uma sociedade altamente tecnológica, onde as liberdades individuais foram sonegadas, da expressão ao próprio pensamento. Há uma entidade omnipresente (o Big Brother) através de microcâmaras, auscultadores ou espiões, a quem compete vigiar o comportamento de todos, premiar os servidores fiéis e castigar os contestatários de tal regime. Quando um homem pretende, por amor, contestar o fascismo desse modo de vida, dá-se o caos. E o ponto de partida para um futuro melhor! Não será um grande filme, mas pela actualidade do tema e pela genialidade na interpretação de John Hurt, acho que devo incluí-lo na minha lista de favoritos.

87.A Companhia dos Lobos
tít. orig.- The Company of Wolves (Inglaterra 1984)
real.- Neil Jordan

Curioso filme que começa por ser uma versão do Capuchinho Vermelho para adultos. A boa da avozinha conta à netinha os perigos da floresta. Mas a piquena não resiste ao fascínio natural pelas criaturas que nela habitam, dos homens cujas sobrancelhas se unem, às feras propriamente ditas. E, como sempre, não seguir os conselhos dos mais velhos acaba por dar mau resultado. Sobretudo quando o Lobo Mau assume a forma humana, e vem aí uma noite de Lua Cheia. Repleto de efeitos especiais notáveis e de uma atmosfera lúgubre, esta é uma das obras mais injustamente esquecidas do Terror dos anos 80.

88.Robocop, o Polícia do Futuro
tít. orig.- Robocop (USA 1987)
real. Paul Verhoeven

Na Detroit do ano 2000, o crime reina. Por isso, a Polícia precisa de um guardião à altura dos malfeitores. E assim cria um super-polícia, meio-humano meio-cibernético, capaz de sair para as ruas e combater qualquer inimigo. É este o conceito base deste filme de Paul Verhoeven, obra ultra-violenta entre o policial clássico e a mais pura das Ficções Científicas, cujo êxito chegou ao ponto de já ter dado origem a duas sequelas.

89.As Bruxas de Eastwick
tít. orig.- The Witches of Eastwick (USA 1987)
real.- George Miller

Na paisagem idílica da Nova Inglaterra, há tesouros escondidos. Jane a ruiva, Alexandra a morena e Sukie a ruiva, aguardam que um homem as venha arrancar a uma vida de tédio. E os seus desejos são satisfeitos com a chegada de Daryl Van Horne, sedutor incorrigível, aristocrata grosseiro, mas amante extraordinário. Mas quem será ele ao certo? O próprio Demónio, ou apenas um dos seus acólitos? É isso que vai competir às piquenas descobrir. Por entre muito divertimento, e alguns feitiços.

90.Veludo Azul
tít. orig.- Blue Velvet (USA 1987)
real.- David Lynch

A caminho do hospital, um homem encontra uma orelha nos campos e decide, paralelamente à polícia, efectuar um inquérito para descobrir a quem ela pertencia. Encontra uma cantora (fantástica Isabella Rossellini) e com ela mergulha num mundo de sadismo e perversão no limite do pesadelo. Dennis Hopper é o "Deus ex-Machina" desse submundo, o homem que governa e tortura a seu bel-prazer, mas sempre com recurso a uma máscara de oxigénio. A ambiência é terrífica, ou não fosse este um filme de David Lynch, o maior cineasta do bizarro actual, com um dos universos mais pessoais e sui-géneris de todo o Cinema Fantástico.


A ler...


É publicada hoje no "Público" uma interessante peça sobre a desertificação das salas de cinema em Portugal, bem como ( e para os cinéfilos portuenses) os problemas que salas como o Nun'Álvares ou o Passos Manuel estão a viver.
Subida dos preços dos bilhetes, aparecimento em força do mercado dos DVD's, ou produção cinematográfica cada vez mais fraca, são inúmeras as razões às quais se procura imputar a culpa desta crise no mercado cinematográfico. Pessoalmente, parece-me que cada vez mais o cinema fast-food invadiu de forma cruel todo o ritual de assistir a um filme (porque, convenhamos, não há nada melhor do que assistir a uma projecção em película de qualquer obra cinematográfica). De facto, o espectador quer ir ao cinema com um conjunto de facilidades e comodismos que os shoppings oferecem na sua totalidade - estacionamento, lugares para comer alguma coisa, pipocas,
refrigerantes e todo o tipo de panafernálias comestíveis que por vezes tornam o acto de assitir a um filme um suplício e, no final, uma saída rápida e airosa com o filme visto e destilado sem qualquer tipo de conversa aliada. E, a ajudar, o cinema que mais público cativa - o norte-americano produzido pelas majors - que entrou, à muito pouco tempo, numa crise profunda de qualidade. Aliado a isto, o estilo de vida que actualmente a nossa (e muitas outras) sociedade leva, de estar num constante corrupio, como se vivêssemos no fio da navalha - o acto de ir ver um filme tornou-se na necessidade de "perder o menos tempo possível".
Soluções, parece complicado arranjá-las. O preço dos bilhetes dependerá, de certo, da tão propalada retoma. Uma crescente necessidade de melhorar o equipamento de projecção e audio das salas (exemplo gritante é o das salas AMC Arrábida 20, que tem tanto de grande como de fraco). E, no final dos filmes, proporcionar a possibilidade de os espectadores se juntarem, quase automaticamente, para discutir, nem que seja nuns breves instantes, o que acabou de se assistir - abençoados festivais de cinema. E para o caro leitor, quais as razões e soluções para todo este problema?


19 de novembro de 2005

DVD's de terror italiano por António Pascoalinho


Considerado desde sempre como género menor dentro da arte cinematográfica e reservado exclusivamente a pervertidos amantes do sangue e das mortes violentas, o gore (ou giallo para os Italianos) é um tipo de Cinema pouco editado em video no nosso país. Falo daqueles filmes virados para a morte como espectáculo, em que a faca penetra nos músculos do pescoço, a bala destrói "en passant" as cartilagens do tórax e o sangue jorra abundantemente dos nossos televisores para o sofá.
Da obra do realizador Mario Bava sobressaem os primeiros grandes sucessos do Horror Italiano: A Máscara do Demónio (1960), uma história de feitiçaria e reencarnação que confirmou os dotes da então rainha do terror Europeu: Barbara Steele. Ficou célebre a sequência inicial com a máscara pregada literalmente no rosto da feiticeira indefesa: Cinque Bambole per la Luna d'Agosto (1970), um semi whodunit em que um grupo de convidados para uma festa numa ilha acaba por ficar sozinho e indefeso, enquanto os seus membros são chacinados um a um; esse fabuloso Baía Sangrenta (1971), verdadeiro percursor da série Sexta-Feira 13, onde um assassino psicopata (e mesmo mais que um), vai eliminando por ganância os membros duma família com as armas que consegue arranjar, da forma mais violenta possível; ou Lisa and the Devil (1972), uma incursão pelos meandros do filme de demónios, com a turista Elke Sommer atormentada pelos fantasmas da sua própria morte às mãos do perverso carrasco Telly Savalas.
De Dario Argento, o grande mestre do giallo, quase tudo é bom. Mas alguns títulos merecem especial atenção: O Mistério da Casa Assombrada (1975), um dos primeiros filmes a explorar as potencialidades do gore até às últimas consequências: facadas que penetram a pele, estilhaços de vidro como arma perfurante e a fabulosa morte final no elevador são disso um óptimo exemplo; Suspiria (1977) e Inferno (1980), são dois items da prometida trilogia sobre "as Três Mães", da qual o opus 3 continua à espera de ser realizado: Mater Suspiriorum, a Mãe dos Suspiros, é uma bruxa com enormes poderes que habita as catacumbas duma Academia de Dança na Suiça. E o horror vai despontar, quando uma aluna recém-chegada começa a investigar mais do que devia (Suspiria). Mater Tenebrarum, a Mãe das Trevas, vive num bloco de apartamentos em Nova Iorque. E não descansa enquanto não eliminar cada um dos restantes inquilinos (Inferno). São duas obras fortíssimas na filmografia de Argento, de um horror explícito animado por sons de rock e repletos das cores dominantes na paleta do seu realizador: vermelho vivo e dourado. Terror na Ópera (1987) é talvez a obra mais perfeita do seu autor: demência, vingança, muito sangue e uma violência visual de encenação barroca: a cantora amarrada com alfinetes nos olhos, de modo a que não os possa fechar enquanto assiste ao assassínio do namorado; ou a sequência da bala que atravessa um crâneo e termina no telefone que a heroína usava para pedir auxílio, são imagens dignas de uma antologia do horror. E onde Dario Argento já tem, forçosamente, lugar de merecido destaque.
Do grande Lucio Fulci, muito haveria a dizer. Filmou quase todos os géneros de terror, ficção científica e até mesmo comédias. Mas as suas obras mais emblemáticas são, sem dúvida, o enigmático Zombi 2 (1979), o filme de mortos-vivos que mais se aproxima do livro de Peter Tremayne, com a célebre sequência da invasão de nova Iorque por um enorme bando de zombies que atravessa a ponte de Manhattan, e a não menos célebre imagem da jovem assassinada no duche por uma farpa de madeira que lhe atravessa literalmente uma das vistas. O Estripador de Nova Iorque (1982), uma versão de Jack the Ripper à base de esquartejamentos com lâminas de barbear. E a célebre trilogia dos infernos, composta por Os Mistérios da Cidade Maldita (1980), As 7 Portas do Inferno (1981) e A Casa do Cemitério (1981): três obras de cariz mais ou menos exploratório, em que cientistas ou pseudo-detectives tentam encontrar explicação para alguns fenómenos do oculto e acabam sempre enredados em teias do maior horror: demónios, zombies, adoradores de Satã e outros quejandos, num manancial de sangue a rodos e goelas cortadas que parece não ter fim. Lucio Fulci lançou um modelo de filmes de terror. E vasto é já o número dos seus seguidores.

A obra de Mario Bava está editada em DVD nos Estados Unidos (Zona 1) em The Mario Bava Collection, fácil de pedir através de www.dvdexpress.com. E na Inglaterra (Zona 2), em www.salvation-films.com. Mas recomendam-se as edições Americanas, devido a problemas de censura com as Inglesas.
Os filmes de Dario Argento costumam ter várias versões (mesmo em DVD). Sugiro as edições da Nouveaux Pictures para Suspiria (versão integral) e Tenebrae. Da Platinum Media para O Mistério da Casa Assombrada. E a edição Italiana de Terror na Ópera, responsabilidade da Cecchi Gori Home Video. Quanto a Inferno, o melhor será talvez procurar a edição Zona 1 da Anchor Bay, por ser a única que encontrei com a versão integral do filme.
Quanto a Lucio Fulci, recomendam-se as edições Americanas da Anchor Bay (que tem mesmo uma Lucio Fulci Collection), por garantirem a tal integralidade da obra. Para Zona 2, só mesmo em Itália, já que as versões disponíveis em Inglaterra estão todas mutiladas.
E assim sendo, espero que disfrutem de muitas horas de entretenimento. Ou terror, o que mais vos divertir!

Posters






17 de novembro de 2005

"Os 100 Mais do Cinema Fantástico" por António Pascoalinho


91.A Chinese Ghost Story (Hong-Kong 1987)
real.- Ching Siu Tung

Um jovem escriba, sem abrigo nem comida, encontra refúgio num mosteiro da China medieval. Aí descobre um velho monge, tão hábil com a espada como a destruir fantasmas. E apaixona-se por uma bela rapariga sem saber que também ela é um fantasma. Repleto de mulheres enigmáticas, lençois de seda que voam ao vento, línguas monstruosas que se desenrolam à camaleão e muitas batalhas com artes mágicas e feitiços, este é um daqueles filmes em que o espectador não pode distrair-se. Há sempre algo de interessante ou surpreendente a acontecer no écran.

92.Fogo Maldito
tít. orig.- Hellraiser (Inglaterra 1987)
real.- Clive Barker

Quando Frank Cotton encontra a solução para o enigma de uma caixa-puzzle Chinesa, abre a porta para o mundo dos Cenobitas. Um mundo onde esses demónios se alimentam da dor. Revitalizado pelo sangue do irmão assassinado, Frank tem de alimentar-se da força vital de vítimas inocentes. E passa a contar com o apoio da sua cunhada adúltera, disposta a angariar essas vítimas para a sua alimentação. Só que os demónios não brincam. A tortura, os ganchos espetados na carne e o sangue em catadupas são o seu modo de vida. E a sua chegada ao mundo humano, liderados pelo malvado Pinhead, vai marcar um novo limite de horror. Ou, como disse Stehen King: "Eu vi o futuro do Terror. E o seu nome é Clive Barker!".

93.Quem Tramou Roger Rabbit?
tít. orig.- Who Framed Roger Rabbit? (USA 1988)
real.- Robert Zemeckis

Incrível mistura entre imagem real e desenhos animados, este prodigioso filme narra as desventuras de um detective encarregue de deslindar um crime ocorrido em ToonTown, as cidade dos desenhos. O principal suspeito é o coelho Roger, amantíssimo esposo da sensual Jessica. Só que o malvado Juíz Doom tem mais culpas do que parece mas, com a ajuda de, entre outros, Bugs Bunny e Porky Pig, o nosso detective (Bob Hoskins no papel mais difícil da sua carreira) lá vai tirar as coisas a limpo e fazer prevalecer a justiça. Robert Zemeckis conseguiu aqui um filme realmente inovador. E que só por isso merece a respectiva inclusão nesta lista.

94.A Maldição dos Mortos-Vivos
tít. orig.- The Serpent and the Rainbow (USA 1988)
real.- Wes Craven

Ora aqui temos um estranho produto do filme de Terror, centralizado num dos temas ainda hoje mais obscuros do seu universo: o voodoo. Pela mão de Wes Craven, acompanhamos um antropólogo Americano que viaja até ao Haiti onde, com a ajuda de uma médica local, vai descobrir um pó que revitaliza os mortos, enquanto vai sendo impedido de chegar à verdade pela Polícia Secreta do regime, os pérfidos Tonton Macute. A novidade do tratamento de um tema fantástico dentro de um contexto político real, a verosimilhança das cerimónias sangrentas e toda a luta entre a Ciência e a Religião, fizeram deste filme um cult-movie do género.

95.Depois do Anoitecer
tít. orig.- Near Dark (USA 1988)
real.- Kathryn Bigelow

Enquanto vagueia pela cidade, Caleb repara numa atraente jovem que por ali passeia. E tenta as habituais técnicas de aproximação. Com o aproximar da noite, Mae torna-se cada vez mais misteriosa. A voz feminina mais parece um rugido, os ternos beijos transformam-se em mordeduras. Na manhã seguinte, ela desaparece. E o nosso herói vê-se na contingência de lidar com o seu novo estado: o de vampiro. Espécie de fábula dos tempos modernos, este filme tem o mérito de lidar com o vampirismo de uma forma totalmente inovadora. A mesma forma que só tornaríamos a encontrar, 10 anos depois, nos Vampiros de John Carpenter.

96.O Abismo
tít. orig.- The Abyss (USA 1989)
real.- James Cameron

Encontros imediatos com aliens, desta vez no fundo do mar. Um manancial de aventuras e efeitos especiais (relembre-se a sequência com a serpente de água), com um grupo de cientistas isolado numa estação subaquática, enquanto à superfície uma tempestade impede a chegada de auxílio. O herói é dado como morto, mas a boa verdade é que ainda há extra-terrestres amigáveis, e ele vai descobri-lo à sua própria custa. A viagem até à cidade dos aliens, para além do primor tecnológico, é hoje uma sequência charneira do Cinema de Ficção Científica.

97.Delicatessen
tít. orig.- Delicatessen (França 1991)
real. Jean-Pierre Jeunet e Marc Caro

Comédia pós-apocalíptica sobre um senhorio que corta alguns inquilinos às postas, para servirem de alimento aos outros não-vegetarianos do prédio. No mínimo, daquele mundo em tons de castanho, sai a mais bizarra e diverida história de canibalismos que o Cinema foi capaz de nos oferecer. E tem uma apariçãozinha de Terry Gillian, como se os Monty Python tivessem resolvido apadrinhar a iniciativa. Divertidíssimo!

98.Dracula de Bram Stoker
tít. orig.- Bram Stoker's Dracula (USA 1992)
real.- Francis Coppola

Reinventar o mito. Ou refazer a História e o Cinema, em busca da perfeição. Foi isso que Coppola fez neste filme. Numa adaptação o mais fiel possível da novela de Bram Stoker. Ficam na memória os raccords através da iluminação, as transformações do vampiro, as sequências de batalha do vampiro enquanto humano e a "carnalidade" da encenação. Mas são sobretudo os actores quem eleva este filme ao estatuto de obra-prima: Keanu Reeves e o seu Jonathan Harker, perdido entre o amor e as tentações da carne; Winona Ryder e a fragilidade sensual da sua Mina; Anthony Hopkins como o mais perverso de todos os Van Helsing; ou Gary Oldman como um Drácula que passeia tranquilamente à luz do dia e leva a menina ao animatógrafo. Um filme diferente e perfeito. Sobre uma história clássica. Imprescindível!

99.Gritos
tít. orig.- Scream aka Scary Movie (USA 1996)
real.- Wes Craven

Um dos melhores filmes que o Cinema de Terror nos ofereceu de há vários anos. Sufocante, incomodativo, demente. Uma sequência inicial de eleição. Um argumento complicadíssimo mas sem a mínima falha. Alguém mata pelo puro prazer de matar, numa pacata cidadezinha do interior. Uma rapariga revive o pesadelo da morte da mãe, algum tempo atrás. E, enquanto vê os amigos mortos um a um, tenta fugir ao seu destino de próxima vítima. Uma realização cuidada oferece-nos alguns momentos de óptimo Cinema, o que é bem raro (infelizmente) em filmes do género: a morte do operador de videotape com décalage de segundos entre a imagem real e a imagem televisiva; a já citada sequência de abertura com as mortes de Drew Barrymore e do namorado; a portentosa solução final, digna de Sherlock Holmes. E o medo, quase real, que imperceptivelmente provoca. Um filme perfeito. A homenagem de um cineasta ao género cinematográfico de que é um dos maiores expoentes. Obrigado, Wes Craven!

100.O Projecto Blair Witch
tít. orig.- The Blair Witch Project (USA 1999)
real.- Daniel Myrick e Eduardo Sanchez

Este não é um grande filme. É mais o expoente máximo do Cinema mínimo, que é como quem diz "o melhor filme jamais feito durante um fim-de-semana no quintal das traseiras". A câmara não estabiliza, não há montagem e a fotografia é primária. Mas o que é que isso interessa? A campanha de marketing na Internet que antecedeu o lançamento desta obra, transformou-a no produto percentualmente mais rentável da História do Cinema. O medo também anda por lá. E a rodos. Por isso, que adianta dizer mais?


António Pascoalinho - the one and only


Começa hoje a colaboração com o Antestreia de homem que muito nos honra receber e publicar - António Pascoalinho. Crítico, formador e professor de cinema, Pascoalinho é um homem que respira e vive cinema. Publicaremos então, e desde o dia de hoje um texto - muito em breve - e os 100 Melhores Filmes de Cinema Fantástico na sua douta opinião! Profundo conhecedor de todo o cinema, em especial da sua vertente gore e de terror (quer o mais comercial, até aquele que ninguém - ou quase ninguém - conhece), inicia uma colaboração que se espera duradoura. Let the show begin.


Ciclos de Cinema







Após o cinema vindo do outro lado do mundo, eis o cinema dos nossos vizinhos.
A cinematografia europeia em maior crescimento tem magníficas obras do género fantástico. Juntando dois dos grandes vencedores dos Fantas a vários filmes recentes, esta selecção de filmes espanhóis é das mais equilibradas.
O primeiro filme é já hoje.



FESTA DO CINEMA ESPANHOL

17 A 25 de Novembro de 2005, com sessões às 18h e às 21.45h


17 Nov - "La Arte de Morir" de Álvaro Fernandez
18 Nov - "Fausto 5.0" de Isidro Ortiz, Alex Ollé e Carlos Padrissa
19 Nov - "El Séptimo Dia" de Carlos Saura (crítica publicada no mês passado)
20 Nov - "Para que no me Olvides" de Patricia Ferreira
21 Nov - "Hector" de Gracia Querejeta
22 Nov - "Habana Blues" de Benito Zambrano
23 Nov - não são exibidos filmes
24 Nov - "Amor Idiota" de Ventura Pons
25 Nov - "Dragon Hill" de Ángel Izquierdo

15 de novembro de 2005

FIKE 2005


5º Festival Internacional de Curtas-metragens de Évora

18 a 26 de Novembro

O Festival Internacional de Curtas-metragens de Évora começa na próxima sexta-feira e prolonga-se até dia 26, com uma programação que conta com 57 filmes, de entre os quais 11 portugueses.

Definindo-se como um Festival que promove o encontro de diferentes olhares, num ambiente que se caracteriza pela informalidade de carácter humanista, visando o contacto entre o público e o cinema, o FIKE decorre na histórica cidade de Évora e apresenta aos amantes da sétima arte uma selecção de cerca de uma centena de filmes provenientes de todo o Mundo.

Este ano, apresentaram-se a selecção 1300 filmes provenientes de 90 países. Apesar destes números, o crescente reconhecimento internacional, fruto da criteriosa selecção e dos contactos estabelecidos e vincados ao longo das edições anteriores, não foi suficiente para justificar da parte do ICAM um apoio superior a 5000 Euros, significativos das opções da actual Direcção do instituto.

A associação do Festival às comemorações do Bicentenário à Biblioteca Pública permitiu a criação de uma secção especial temática focando filmes sobre livros, a biblioteca e a leitura.

Procurando não só a diversidade em termos de género, mas também uma visão não unívoca do cinema, o comité de selecção é constituído por elementos do público habitual do Cineclube da Universidade de Évora e do Pátio do Cinema (Núcleo de Cinema da Sociedade Operária de Instrução e Recreio Joaquim António de Aguiar), associações organizadoras do Festival. Este comité caracteriza-se pela sua heterogeneidade etária, profissional e cultural. Os critérios de selecção são a qualidade do argumento, realização, fotografia, montagem, direcção artística, banda sonora, para além da originalidade. Considerada a filosofia do Festival, de afirmação, risco, experiência e inovação, a curta-metragem é o meio escolhido para captar a essência da narrativa cinematográfica. A competição reúne filmes de ficção, documentários e animações e procura o debate de ideias e propostas.

O júri do FIKE 2005 é constituído por:

- Florence Ayisi (cujo último filme “Sisters in Law” foi galardoado no Festival de Cannes 2005 com o prémio de Arte e Ensaio da CICAE, estreia Nacional no FIKE)

- David Pope (Director da New York Film Academy)

- Akram Farid (Realizador Egípcio e Professor do Instituto de Cinema do Cairo)

- Christina Zulauf (Realizadora e Fotógrafa Suíça)

- Henrique Espírito Santo (Produtor e destacada figura do Cinema Português)

- Fernando Galrito (Realizador e Professor de Animação Português)

Para além do júri do Festival, foi aceite o convite para a constituição do Júri da Federação Internacional de Cineclubes, que atribuirá o prémio “Don Quijote” e seleccionará uma curta-metragem para o Festival Internacional de Cineclubes que terá lugar em Junho de 2006.

O festival abre com THE FIFHT STEP, de Donna Mabey, um trabalho de escola da Universidade do País de Gales, rodado na cidade de Évora, com a participação de diversos jovens portugueses.

Para além da competição oficial, o Festival conta com o atelier “Como se faz um Filme”, de Henrique Espírito Santo, um dos mais antigos e importantes produtores do cinema português que imaginou esta Oficina do Cinema como forma de revelar às crianças os segredos da produção cinematográfica.

Reedição de uma das componentes do FIKE 2001 que maior sucesso obteve, Henrique Espírito Santo vai “mostrar” todas as profissões do cinema, montando um estúdio de cinema, onde durante hora e meia as crianças das escolas do concelho de Évora vão poder ser realizadores, actores, produtores, maquilhadores, electricistas ou operadores de câmara.

Também Fernando Galrito, professor e realizador de cinema de animação, vai mostrar filmes de animação produzidos na ESAD, Caldas da Rainha, no CITEN da Fundação Calouste Gulbenkian e pela produtora Animo Leve.

O texto com que apresenta a sua proposta começa com a frase “É...! No ecrã, nada se move. Tudo está dentro de nós.” traçando um sucinto historial do cinema, desde há 30 mil anos, passando pelo incontornável Emile Reynaud, rematando com a afirmação de que “Na realidade, no cinema e na animação, nada se move, são apenas os fantasmas e os espíritos que se agitam, riem, lutam, amam ou choram dentro de nós.”

A componente de extensão pedagógica do FIKE incluirá como habitualmente sessões de cinema abertas a escolas da região, wokshops, conferências e mostras não competitivas.

11 de novembro de 2005

Ciclos de Cinema






Hoje termina o ciclo australiano e amanhã começa o cinema sul-coreano. Estes filmes foram todos exibidos em edições do Fantasporto e tiveram estreia comercial estando por isso já legendados em português. Como esse conjunto de filmes é bastante resticto não atingirá uma semana, ficando-se pelos 5 dias.

FESTA DO CINEMA COREANO



12 A 16 de Novembro de 2005, com sessões às 18h e às 21.45h

12 Nov - "Seom" de Kim Ki Duk
13 Nov - "2009 - Lost Memories" de Lee Si-Myung
14 Nov - "Friend" de Kwak Kyung-Taek
15 Nov - "Happy End" de Jung Ji-Woo
16 Nov - "Sorum" de Yoon Jong-Chan

7 de novembro de 2005

Diário do Funchal (01)

Começa hoje a exibição de filmes no Teatro Baltazar Dias, no Funchal, após dois dias de exibições ao ar livre, as quais foram antecedidas de concertos jazz, e que tiveram uma assistência muito boa tendo em conta, inclusive, ser o primeiro festival do género que se realiza na Madeira. É, de facto, uma óptima oportunidade para os madeirenses experenciarem uma vasta gama de títulos que normalmente não preenchem as salas de cinema comerciais.
Hoje irá ter lugar no referido Teatro a sessão de abertura, com a exibição de "Into the Blue", e o Antestreia irá estar presente, proporcionando posteriormente aos nossos leitores a possibilidade de lerem mais detalhes sobre a película e sobre o desenrolar do certame.

6 de novembro de 2005

Festival Internacional de Cinema do Fuchal




Começou ontem o Festival Internacional de Cinema do Funchal, um evento conjunto da Plano XXI e da Cinema Novo, a ter lugar no Teatro Baltazar Dias. Este evento cultural inédito começou ontem e extender-se-á até dia 13.

Com este evento a Madeira colmatará a fraca distribuição cinematográfica e os madeirenses terão oportunidade de ver alguns filmes que não foram ainda exibidos no arquipélago.



O programa das sessões está dividido por géneros. A sessão das 10:30 exibe os filmes classificados como Animarte - é para o público infantil e baseado em filmes de animação. As sessões da tarde - 16:00, 18:00 e 21:30 - incluem filmes da Festa do Cinema Espanhol, da Retrospectiva Cunha Telles (homenagem dedicada ao cineasta madeirense António Cunha Telles) e os filmes em competição, produções dos países atlânticos. "Oliver Twist" de Polanski, foi o escolhido para encerrar o festival.


O Antestreia à semelhança do que tem feito por Portugal continental acompanhará o festival. Para já, deixo a programação.

Mais informações em http://www.funchalfilmfest.com/

4 de novembro de 2005

Ciclos de Cinema







A Cinema Novo decidiu antecipar o Fantasporto e fazer ciclos dedicados às filmografias que nos últimos Fantas mais seduziram.
Terão lugar no Cinema Passos Manuel 3 ciclos, dedicados ao cinema Australiano, ao cinema Coreano e ao cinema Espanhol.


Deixo-vos a programação para esta primeira semana:


FESTA DO CINEMA AUSTRALIANO



5 A 11 de Novembro de 2005, com sessões às 18h e às 21.45h

05 Nov – “Ned Kelly” de Gregor Jordan
06 Nov – “The Rage in Placid Lake” de Tony McNamara (antecedido pela curtametragem
Harvie Krumpet” de Adam Elliot)
07 Nov – “Garage Days” de Alex Proyas
08 Nov – “The Hard Word” de Scott Roberts
09 Nov – “Siam Sunset” de John Polson (antecedido pela curta-metragem “The
Projectionist
” de Michael Bates)
10 Nov - “Looking for Alibrandi” de Kate Woods
11 Nov – “Black and White” de Helen Leake e Nik Powell (antecedido pela curtametragem
Birthday Boy” de Sejong Park)

3 de novembro de 2005

"Doom" por Nuno Reis

Entre todos os first-person shooter Doom pode não ser o melhor nem o mais jogado nem o mais vendido, mas mesmo assim é ainda a referência do género. Após tantas conversões de jogos para filmes eis que chega às salas portuguesas Doom.
Em 2026 foi descoberta uma passagem entre Nevada, EUA e Oldubai, Marte. Ao fim de alguns anos, com essa ligação já bastante mais estável, o planeta vermelho ainda não está colonizado mas já tem uma grande equipa de cientistas a estudar o seu passado. Esse campo experimental a milhares de quilómetros da Terra é também utilizado para testes mais perigosos, como engenharia genética e tecnologia bélica. Quando uma equipa de Marines é enviada para o planeta para descobrir o que atacou um grupo de cientistas, esses três ramos da ciência serão necessários.
Sarge e Reaper são os heróis da história, os nomes sem dúvida que são familiares para os fãs de videojogos. Juntamente com mais meia dúzia de soldados irão partir para uma missão que se revela bastante mais complicada do que esperavam. Inicialmente era suposto averiguarem o que tinha acontecido aos cientistas e ajudarem Samantha, a irmã de Reaper, a recuperar os dados das experiências, mas os homens desse pelotão estão a ser rapidamente dizimados e nada do que já viram ou imaginaram os preparou para o que iriam enfrentar.
O filme deveria ser caracterizado pelos movimentos rápidos e disparos constantes, em vez disso consegue ser até bastante calmo. O ângulo de visão do monstro não é usado em momento nenhum do filme e esse lapso torna-o ainda mais monótono. Os tiros são menos frequentes que em filmes de guerra, as mortes são muito previsíveis e nem sequer as criaturas assustam. Jogar Doom numa sala às escuras é bastante mais interessante que ver este filme. Como pontos positivos destaco os cenários que recriam na perfeição locais familiares para todos os jogadores, o mesmo se aplica às armas. Então os minutos finais do filme são totalmente fiéis ao espírito do jogo.
Quem não for fã do jogo não vai gostar do filme, quem for fã é melhor que não jogue antes de ver o filme pois o jogo está bem melhor.









Título original:Doom” (EUA, República Checa, 2005)
Realizador: Andrzej Bartkowiak
Intérpretes: Karl Urban, The Rock, Rosamund Pike
Argumento: Dave Callaham e Wesley Strick
Fotografia: Tony Pierce-Roberts
Música: Clint Mansell
Género: Acção, Ficção Científica, Terror
Duração: 100 min.
Sítio oficial: http://www.doommovie.com/

1 de novembro de 2005

"Wallace & Gromit in The Curse of the Were-Rabbit" por Nuno Reis




Em 1989 estreou o primeiro filme de Wallace and Gromit. Uma viagem à lua motivada pela falta de queijo levou este duo a vencer o BAFTA e a ser nomeado para o Oscar de animação. A partir desse momento o cinema de animação não voltou a ser o mesmo, o cinema de animação britânico tinha uma nova referência. O problema da animação, especialmente em plasticina, é o tempo que demora a criar um filme. Nick Park depois de 3 filmes com a incrível dupla conseguiu um contrato com a Dreamworks que o lançou para os blockbusters. Depois do êxito "Chicken Run" voltou aos seus velhos amigos Wallace e Gromit e fez um dos melhores filmes do ano.

Wallace e Gromit dirigem uma empresa anti-pragas. Com a aproximação do festival de vegetais toda a vila contratou os serviços deles. O problema é que sao incapazes de fazer mal aos coelhos por isso acabam por os guardar todos e Wallace tenta, com um invento, reeducá-los. Depois de todos os coelhos serem capturados um gigantesco monstro surge na noite e destrói as plantações, cabe aos anti-praga deterem essa criatura e salvarem o concurso antes que o terrível Victor Quartermaine o mate.

A animação em plasticina é perfeita, a história é e cativante e as personagens são geniais. As cenas de acção conseguem ser mais emocionantes e movimentadas que em muitos filmes de imagem real e os momentos de suspense, seguindo o modelo de alguns clássicos como "An American Werewolf in London" e "The Exorcist", são suficentemente assustadores para o público alvo, as crianças. Muitos repararão em detalhes como o cão ter estudado em Dogwarts (uma referência a Hogwarts, a escola de Harry Potter) mas mesmo quem não queira associar a outros filmes e veja este coelhomem por si só, ficará agradavelmente surpreendido. O filme pode ter menos de hora e meia mas são 85 minutos bem passados. Em Portugal o filme é antecedido pela curta-metragem "The Madagascar Penguins in a Christmas Caper", uma pequena história com o exército pinguim de "Madagascar".









Título original:Wallace & Gromit in The Curse of the Were-Rabbit” (Reino Unido, 2005)
Realizador: Nick Park e Steve Box
Intérpretes: vozes de Peter Sallis, Helena Bonham Carter e Ralph Fiennes
Argumento: Bob Baker, Steve Box, Mark Burton
Fotografia: Tristan Oliver, Dave Alex Riddett
Música: Julian Nott
Género: Animação, Aventura, Comédia
Duração: 85 min.
Sítio oficial: http://www.wandg.com/