27 de fevereiro de 2006

Fantasporto 2006: até agora tudo bem


Depois de três dias de intensa competição o público ainda não tem nenhum filme de eleição, mas já tem vários favoritos.

O português "Coisa Ruim", a primeira longa portuguesa a concurso na secção de cinema fantástico, foi tema de conversa durante bastante tempo (num festival bastante tempo é meia dúzia de horas, depois surge logo um novo filme para se falar).
"Sigaw" passou mais despercebido do que seria de esperar, "The Nun" por ter começado quase às duas da manhã foi visto por uma multidão já sonolenta que não conseguiu despertar.


Sábado a tarde começou com "The Other Half". Uma curiosa perspectiva não-portuguesa do Euro 2004 e a forma ligeira com que é comentado torna-o claramente comercial. Arrisca por ser um filme tipicamente para homens e tipicamente para mulheres, um filme que poderá desagradar a ambos os sexos. Na sessão das 17h Anders Thomas Jensen (vencedor recente do Fantas com "The Green Butchers") apresentou-nos "Adam's Apples", uma nova comédia igualmente negra que se tornou um forte candidato aos prémios. O filme espanhol "Zulo", como o compatriota de véspera, foi rapidamente esquecido.
Com a chegada da noite veio um filme tipicamente de produção americana. "Edison", ao contrário do que o nome sugere, não brilhou.
Na sessão seguinte "Frostbiten" como filme de terror era fraco, mas o público Fantas está vacinado contra esses casos e protege-se com o riso. O que era um mau filme de terror tornou-se uma divertida comédia de terror. Isso acontece todos os anos a algum filme.
"Three... Extremes", também prejudicado pela hora tardia, não marcou tanto como seria de esperar de mestres do terror asiático.


O Domingo no Fantas começou cedo e mesmo de manhã já vários realizadores circulavam no Rivoli. O primeiro filme assinalou o regresso de Ivan Cardoso e do autêntico "terrir" ao Fantasporto, "Um Lobisomem na Amazónia" mesmo pela apresentação em palco mostrou que ia ser diferente do habitual. Por ser um género já tradicional não impressionou o público.
"Incautos" foi um filme agradável de ver, um trabalho bem feito como nos acostumamos a ver na Semana dos Realizadores. "Dumplings" não trouxe nada de novo em relação à curta homónima exibida na véspera. "Samaritan Girl" é um trabalho tradicional de Kim Ki-Duk: um argumento polémico, uma bela fotografia, um filme que se deve ver.
Nas sessões mais tardias "Johanna" provou ser um filme realmente bom. Houve risos constantes na plateia por ser um filme cantado mas o tema (a luta entre o certo e o errado, as regras e a realidade, o amor e o sexo) e a forma deslumbrante como foi apresentado, comprovaram a fama de obra-prima que trouxe do Marché du Film. Na última sessão o último candidato ao Oscar de Melhor Filme, "Good Night, and Good Luck", trouxe-nos um grande elenco. Ficou abaixo das minhas expectativas pois acaba por mostrar apenas a luta de uma estação pela integridade noticiosa, e o bravo confronto de um jornalista em particular contra a demanda louca de um único homem. A televisão como último bastião do sonho americano que estava ser destruído em milhares de lares. Uma crítica ao governo que nos obriga a pensar se Bush não estará a fazer a sua própria caça às bruxas, não contra indivíduos mas sim contra nações. É portanto um filme que os americanos adorarão.



Hoje há muito mais para ver e o Fantas ainda nem vai a meio.

24 de fevereiro de 2006

Fantasporto 2006





Começa hoje a competição no Fantasporto 2006. Depois de 4 dias de preparação - recordamos alguns vencedores de edições anteriores e conhecemos alguns dos novos concorrentes - chegam agora os dias pesados, aqueles em que a maior dificuldade é escolher em que sala se irá ver um bom filme.

A nível de retrospectivas tenho de admitir que o Fantas está melhor do que nunca e tem filmes imperdíveis. Plympton é um génio, Lang e Murnau são ainda melhores, Masters of Horror reúne Tobe Hopper, Joe Dante, Don Coscarelli, Dario Argento e Stuart Gordon, os filmes de artes marciais exibidos (irmãos Shaw) são os melhores do género.
Depois de Peter Jackson a Nova Zelândia deixou de ser um país distante por descobrir e foi desaparecendo lentamente do Fantasporto, este ano os filmes húngaros e tailândeses é que são as amostras das novas potências do cinema.


A Espanha/Filmax está em força no género fantástico e são os favoritos de entre os europeus (Méliès d'Argent). Nas outras secções tem vários candidatos mas as hipóteses de ganhar não são tão favoráveis.

Para a Semana dos Realizadores "The Bow" é um forte concorrente, se Kim Ki-Duk não estivesse a concorrer com Javier Bardem e Tony Scott já poderia ter levantado a estatueta.

No Cinema Fantástico os meus favoritos são "Saints-Martyrs-Des-Damnés" e "Johanna", poderá ainda surgir uma surpresa entre os títulos espanhóis.

Para o Orient Express o prémio não deverá a escapar a "Simpathy for Lady Vengeance", final da trilogia a que pertence "OldBoy" e que consegue ser ainda mais poderoso.

Como em todos os Fantas não se sabe se a vitória será de uma cinematografia consagrada ou se será descoberta uma nova potência.

23 de fevereiro de 2006

Programação Fantasporto 2006


23 de Fevereiro




Rivoli Grande Auditório


15.00h –“Szerelmesfilm”/“Love Film” (Hungria) de István Szabó
versão original, legendado em inglês
Szabó é o único realizador húngaro alguma vez galardoado com um Oscar

17.00h – “Professional Specialist” (Japão) de Tatsumi Kumashiro
versão original, legendado em inglês

21.15h – “Hwal”/”The Bow” (Coreia do Sul, Japão 2005) de Kim Ki Duk
versão original, legendado em inglês


23.15h – “Vsadnik Po Imeni Smert”/“The Rider Named Death” (Rússia 2004) de Karen Shakhnazaroz
versão original, legendado em inglês




Rivoli Pequeno Auditório


15.15h –“ Sunrise: A Song of Two Humans ”/“Aurora” (EUA 1927) de F. W. Murnau
Versão original legendado em espanhol
Academia de Hollywood 1928: Melhor Filme, Actriz e Fotografia.

17.15h – “Metropolis” de Fritz Lang (Alemanha 1927)
Versão original legendado em espanhol
Provavelmente o melhor filme de ficção científica de todos os tempos.

21.15h – “Jiang Shan Mei Ren“/”Kingdom and the Beauty” (Hong Kong 1959) de Li Han Hsiang
Versão original legendado em inglês
Festival Internacional de Cinema da Ásia: Melhor Filme

23.15h – “Dubei Dao”/”One Armed Swordsman” (Hong Kong 1967) de Chang Chen
Versão original legendado em inglês
Os filmes de artes marciais sem “Dubei Dao” seriam o mesmo que os de terror sem “Frankenstein”




Biblioteca Almeida Garrett



15.00h – “Waqt: The Race Against Time” (Índia 2005) de Vipul Amrutlal Shah
versão original legendado inglês

19.00h – “Kal Ho Naa Ho” (Índia 2003) de Nikhil Advani
versão original legendado em inglês
Dezenas de troféus incluíndo sete vitórias e três nomeações nos Filmfare Awards 2004



AMC Arrábida 20


15.20h, 17.40h, 22.20h, 00.40h – “ Wonderful Days”/“Mundos Paralelos” (Coreia do Sul) de Kim Moon-Saeng e Park Sunmin
Versão original legendado em português
Gérardmer Film Festival 2004: Grande Prémio

20.00h – “Cazuza - O Tempo Não Pára” (Brasil 2004) de Walter Carvalho e Sandra Werneck
Versão original
Associação de Críticos de São Paulo 2005: Melhor Actor
Cinema Brasil 2005: Melhor Filme, Som, Banda Sonora, Montagem, Fotografia, Actor, Argumento Adaptado

22 de fevereiro de 2006

Programação Fantasporto 2006


22 de Fevereiro




Rivoli Grande Auditório


15.00h –“ Akai kami no onna”/“ The Woman With the Red Hair” (Japão 1979) de Tatsumi Kumashiro
versão original, legendado em inglês

17.00h – “ Eldorádó ”/“The Midas Touch” (Hungria) de Géza Bereményi
versão original, legendado em inglês
European Film Academy 1989: Melhor Realização

21.15h – ”Hair High” (EUA 2004) de Bill Plympton
versão original, legendado em português

23.15h - “Incautos” (Espanha 2004) de Miguel Bardem
versão original, legendado em inglês
nomeado para três Goya


Rivoli Pequeno Auditório


15.15h – “The Tune” (EUA 1992) de Bill Plympton
versão original

17.15h – “ Frau im Mond ”/“A Mulher na Lua” (Alemanha 1929) de Fritz Lang
Versão original, legendado em espanhol


21.15h – “ Liang Shan Ba yu Zhu Ying Tai”/“The Love Eterne” (Hong Kong 1963) de Han Hsiang Li
Versão original legendado em inglês
Golden Horse Film Festival: Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Actriz, Prémio Especial do Júri

23.15h – “Mutant Aliens” (EUA 2001) de Bill Plympton
versão original
Annecy 2001: Grande Prémio



Biblioteca Almeida Garrett



15.00h – “Chori Chori Shupke Shupke” (Índia 2001) de Abbas Mustan – versão original legendado inglês

19.00h – “Mughal-e-Azam" (Índia 1960) de K. Asif
versão original legendado em inglês
Filmfare Awards 1960: Melhor Filme, Diálogos, Fotografia

21 de fevereiro de 2006

Programação Fantasporto 2006


21 de Fevereiro




Rivoli Grande Auditório


15.00h –“Jitsuroku Abe Sada”/“A Woman Called Abe Sada” (Japão 1975) de Noboru Tanaka
versão original, legendado em inglês

17.00h – “Angels Guts – The Darkest Memories” (Japão) de Chusei Sone
versão original, legendado em inglês

21.15h – ” The Other Half” (Reino Unido 2005) de Marlowe Fawcett
versão original, legendado em português

23.15h - “ Spirit Trap” (Reino Unido 2005) de David Smith
versão original



Rivoli Pequeno Auditório


15.15h – “M” (Alemanha 1931) de Fritz Lang
versão original, legendado em espanhol

17.15h – “ Qi shi er jia fang ke ”/“The House of 72 Tenants” (Hong Kong 1973) de Chor Yuen
Versão original, legendado em inglês

21.15h – “I Married a Strange Person!” (EUA 1997)
versões originais, inglês
Festival de Annecy 1998: Grande Prémio

23.15h – “Die Nibelungen: Kriemhilds Rache”/“Os Nibelungos 2: A Vingança de Cremilde” (Alemanha 1924) de Fritz Lang
versão original, legendado em espanhol

20 de fevereiro de 2006

Programação Fantasporto 2006


20 de Fevereiro


Enquanto o Fantasporto não arranca a todo o gás é normal que a atenção dos média seja nula. Para evitar que estes filmes notáveis passem despercebidos ao grande público publicarei a programação dos primeiros dias.
Os filmes do Grande Auditório foram já todos premiados, deixo indicação de alguns dos prémios já recebidos por eles. As retrospectivas em princípio terão um público mais específico mas são todas altamente recomendáveis. Hoje focam-se no cinema de Hong Kong e do Expressionismo Alemão.


Rivoli Grande Auditório


15.00h –“ Szép Napok”/“Pleasant Days” (Hungria 2002) de Kornél Mundruczó
versão original, legendado em francês
Locarno 2002: Leopardo de Prata para melhor primeira ou segunda obra
Festival de Sofia 2003: Grande Prémio
Festival de Bruxelas 2003: Melhor Filme (Golden Iris), Melhor Filme (RTBF TV)
Prémios vários na Hungria: filme, actriz, revelação

17.00h – “Rain” (Nova Zelândia, 2001) de Christine Jeffs
versão original, legendado em português
Fantasporto 2002: Melhor Actriz (Semana dos Realizadores)
New Zealand Film Awards 2001: actor secundário, intérprete juvenil, actriz

21.15h – ” Mémoires affectives”/“Looking for Alexander” (Canadá 2004) de Francis Leclerc
versão original (francês)
Academy of Canadian Cinema & Television 2005: Realização, Argumento Original, Actor
Jutra Awards (Cinema do Quebéc) 2005: Filme, Realizador, Actor, Montagem

23.15h - “ Chinjeolhan geumjassi”/“Sympathy for Lady Vengeance” (Coreia do Sul) de Chan-wook Park
versão original, legendado em inglês
Festival de Veneza 2005: Troféu CinemAvvenire para Melhor Filme, Pequeno Leão Dourado para Chan-wook Park
Sequela de “Old Boy


Rivoli Pequeno Auditório


15.15h – “ Wu Lang Ba Gua Gun”/“The Eight Diagram Pole Fighter” (Hong Kong 1983) de Liu Chia-liang
versão original, legendado em inglês

17.15h – “Der Golem” (Alemanha 1915) de Henrik Galeen, Paul Wegener
mudo

21.15h – Série Master Of Horror 1/2 (2005)
versões originais, inglês
1. “Dance of the Dead” (EUA) de Tobe Hooper.
2. “Homecoming” (EUA) de Joe Dante
Episódios de 60 minutos realizados por génios do terror

23.15h – “Die Nibelungen: Siegfried”/“Os Nibelungos 1: A Morte de Siegfried” (Alemanha 1924) de Fritz Lang
versão original, legendado em espanhol

Ontem foi feita a cerimónia de entrega dos BAFTA. Não houve nenhuma surpresa em relação aos vencedores. Este ano Globes e BAFTAs foram quase unânimes e também os Oscares deverão seguir os mesmos critérios.
Destaque para “Crash” que conseguiu vencer 2 das 9 nomeações e para Clooney que não venceu mas sozinho conseguiu 4 nomeações (uma para melhor realizador, duas para melhor actor secundário e uma pelo argumento)
Deixo-vos o vencedor de cada categoria e os seus honrosos concorrentes.


Melhor Filme
Brokeback Mountain

“Capote”
“The Constant Gardener”
“Crash”
“Good Night, and Good Luck.”


Melhor Actor
Philip Seymour Hoffman em “Capote”

Heath Ledger, “Brokeback Mountain”
Ralph Fiennes, “The Constant Gardener”
David Strathairn , “Good Night, and Good Luck.”
Joaquin Phoenix , “Walk the Line”


Melhor Actriz
Reese Witherspoon em “Walk the Line”

Rachel Weisz, “The Constant Gardener”
Ziyi Zhang, “Memoirs of a Geisha”
Judi Dench, “Mrs. Henderson Presents”
Charlize Theron, “North Country”


Melhor Actor Secundário
Jake Gyllenhaal, “Brokeback Mountain”

Don Cheadle, “Crash”
Matt Dillon, “Crash“
George Clooney, “Good Night, and Good Luck.”
George Clooney, “Syriana”


Melhor Actriz Secundária
Thandie Newton em “Crash”

Michelle Williams, “Brokeback Mountain”
Catherine Keener, “Capote”
Frances McDormand, “North Country”
Brenda Blethyn, “Pride & Prejudice”


Melhor Argumento Original
Paul Haggis e Robert Moresco, por “Crash”

Cliff Hollingsworth e Akiva Goldsmanm “Cinderella Man”
George Clooney e Grant Heslov, “Good Night, and Good Luck.”
Keir Pearson e Terry George , “Hotel Rwanda”
Martin Sherman, “Mrs. Henderson Presents”


Melhor Argumento Adaptado
Larry McMurtry e Diana Ossana, “Brokeback Mountain”

Dan Futterman, “Capote”
Jeffrey Caine, “The Constant Gardener”
Josh Olson, “A History of Violence”
Deborah Moggach , “Pride & Prejudice”


Melhor Fotografia
Dion Beebe, “Memoirs of a Geisha”

Rodrigo Prieto, “Brokeback Mountain”
César Charlone, “The Constant Gardener”
James Muro , “Crash”
Laurent Chalet e Jérôme Maison , ”La Marche de l'empereur”


Melhor Guarda-Roupa
Colleen Atwood, “Memoirs of a Geisha”

Gabriella Pescucci , “Charlie and the Chocolate Factory”
Isis Mussenden, “The Chronicles of Narnia: The Lion, the Witch and the Wardrobe”
Sandy Powell , “Mrs. Henderson Presents”
Jacqueline Durran, “Pride & Prejudice”


Melhor Som
Paul Massey, Doug Hemphill, Peter F. Kurland, Donald Sylvester, “Walk the Line”

David Evans, Stefan Henrix, Peter Lindsay, “Batman Begins”
Joakim Sundströmm Stuart Wilson, “The Constant Gardener”
Richard Van Dyke, Sandy Gendler , “Crash”
Hammond Peek, Christopher Boyes, Mike Hopkins, Ethan Van der Ryn, “King Kong”


Melhor Edição
Claire Simpson, “The Constant Gardener”

Geraldine Peroni, Dylan Tichenor, “Brokeback Mountain”
Hughes Winborne , “Crash”
Stephen Mirrione , “Good Night, and Good Luck.”
Sabine Emiliani, “La Marche de l'empereur”


Melhores Efeitos Visuais
Joe Letteri, Christian Rivers, Brian Van't Hul, Richard Taylor, “King Kong”

Janek Sirrs, Dan Glass, Chris Corbould, “Batman Begins”
Nick Davis, Jon Thum, Chas Jarrett, Joss Williams, “Charlie and the Chocolate Factory"
Dean Wright, Bill Westenhofer, Jim Berney, Scott Farrar, “The Chronicles of Narnia: The Lion, the Witch and the Wardrobe”
Jim Mitchell, John Richardson, “Harry Potter and the Goblet of Fire”

Melhor Curta-Metragem
Antonio's Breakfast

“Call Register”
“Heavy Metal Drummer”
“MacDonald”
“Heydar: An Afghan in Tehran”
“Lucky


Melhor Curta-Metragem de Animação
Sztuka spadania

“Film Noir”
“Kamiya's Correspondence”
“The Mysterious Geographic Explorations of Jasper Morello”
“Rabbit”


Melhor Caracterização
Howard Berger, Gregory Nicotero, Nikki Gooley, “Chronicles of Narnia: The Lion, the Witch and the Wardrobe”

Peter Owen, Ivana Primorac, “Charlie and the Chocolate Factory”
Nick Dudman, Amanda Knight, Eithne Fennel, “Harry Potter and the Goblet of Fire”
Noriko Watanabe, Kate Biscoe, Lyndell Quiyou, Kelvin R. Trahan, “Memoirs of a Geisha”
Fae Hammond, “Pride & Prejudice”


Melhor Produção
Stuart Craig, “Harry Potter and the Goblet of Fire”

Nathan Crowley, “Batman Begins”
Alex McDowell, “Charlie and the Chocolate Factory”
Grant Major , “King Kong”
John Myhre , “Memoirs of a Geisha”


Melhor Filme em Língua Não Inglesa
De battre mon coeur s'est arrêté

“Le Grand voyage”
“Joyeux Noël”
“Kung fu”
“Tsotsi”


Melhor Filme Inglês: Troféu Alexander Korda
Wallace & Gromit in The Curse of the Were-Rabbit

“A Cock and Bull Story”
“The Constant Gardener”
“Festival”
“Pride & Prejudice”


Melhor Realizador: Troféu David Lean
Ang Lee, “Brokeback Mountain”

Bennett Miller, “Capote”
Fernando Meirelles, “The Constant Gardener”
Crash, ”Paul Haggis“
George Clooney, “Good Night, and Good Luck.”


Melhor Banda Sonora: Troféu Anthony Asquith
John Williams, “Memoirs of a Geisha”

Gustavo Santaolalla , “Brokeback Mountain”
Alberto Iglesias , “The Constant Gardener”
George Fenton , “Mrs. Henderson Presents”
T-Bone Burnett , “Walk the Line”


Prémio Revelação: Trofeú Carl Foreman
Joe Wright, realizador de “Pride & Prejudice”

Richard Hawkins, realizador de “Everything”
Annie Griffin, realziadorea/argumentista de “Festival”
David Belton, produtor de “Shooting Dogs”
Peter Fudakowski, produtor de “Tsotsi”


Actor Revelação
James McAvoy

Chiwetel Ejiofor
Gael García Bernal
Rachel McAdams
Michelle Williams


Academy Fellowship
David Puttnam

19 de fevereiro de 2006

"Brockeback Mountain" por Ricardo Clara


Um dos filmes que maior expectativa criou no último ano cinematográfico, "Brockeback Mountain" / "O Segredo de Brockeback Mountain" conta a paixão desenvolvida por dois homens, Ennis Del Mar (Heath Ledger) e Jack Twist (Jake Gyllenhaal), os quais se conheceram quando levavam um rebanho de ovelhas a pastar nos montes de Brockeback, nos idos anos 60. Levando cada um a sua vida independente, casados e com filhos, a relação homossexual por eles encetada prolonga-se no tempo, numa luta entre um casamento já realizado e um amor proibido.
Nomeado para 8 óscares, o que releva na altura em que escrevo, este filme dirigido por Ang Lee sofre de uma sobrevalorização pelo tema escolhido, em detrimento da obra cinematográfica que é em si mesmo. Não é possível, de nenhum modo, esquecer a realização de Lee: bela e poética, muito por culpa de uma fantástica fotografia que eleva a qualidade do filme, mas que peca (como em quase todos os filmes do realizador) pela excessiva lentidão, tornando-se por vezes um pouco aborrecido o seu visionamento. Com uma belíssima interpretação de Heath Ledger, num registo completamente diferente daquele a que nos habituou, a Montanha de Brockeback não comporta nenhum segredo - uma história que, tendo como base um amor entre um homem e uma mulher não passaria de uma história banal. Louve-se a coragem de Ang Lee de passar para película o conto original de Annie Proulx mas, de facto, parece-me que se sobrevalorizou este filme, muito por culpa do conteúdo homosexual deste. Não pondo de parte a (pequena) novidade deste factor, o segredo da dita montanha estava nas nomeações da Academia (será que vão premiar em quantidade?). E aqui, outra surpresa é a nomeação de Michelle Williams (o que faz ela para merecer a distinção?). Um punhado de frases, dois choros compulsivos, e nada mais. Já vi figurantes mais marcantes do que ela. Destaco, isso sim, a realização no seu todo - na montagem, nos planos e na fotografia.
Salvou-se, a par da realização, o visionamento onde estive presente. Numa sala lotada (não fosse uma antestreia...), foi quase estar presente numa experiência sociológica académica. Todo o comportamento dos espectadores foi interessante, pois de início sentia-se uma tensão e alguns impropérios, principalmente na primeira cena de amor, e que foi terminar num estado de tranquilidade e aceitação do que estavam a assistir (digo isto, não como comportamento próprio, mas pela natural - será - intolerância das pessoas). Uma normal história de amor, com o aperitivo de boy meets boy, em vez de meets girl...


Título Original: "Brockeback Mountain" (EUA, 2005)
Realização: Ang Lee
Intérpretes: Heath Ledger, Jake Gyllenhaal e Michelle Williams
Argumento: Annie Proulx e Diana Ossana
Fotografia: Rodrigo Prieto
Música: Gustavo Santaolalla
Género: Drama / Romance
Duração: 134 min.
Sítio Oficial: http://www.brokebackmountain.com


Grbavica vence Urso de Ouro em Berlim



O Festival de Berlim terminou ontem sob o signo da surpresa, com a vitória da estreante Jasmila Zbanic e do seu filme "Grbavica", numa cerimónia que pela primeira vez teve honras de transmissão televisiva directa, no canal ZDF. Michael Winterbottom foi o grande derrotado da noite, com o seu "Road to Guantanamo", apontado à partida como o grande favorito para a vitória - saiu de Berlim com o Urso de Prata para Melhor Realizador. "Offside" e "En Soap" venceram, ex-aequo, o Grande Prémio do Júri - Urso de Prata, tendo Sandra Hueller e Moritz Bleibtreu vencido os galardões para Melhor Actriz e Melhor Actor. A lista de premiados não se esgota por aqui, pois mais 22 prémios complementam os vencedores, numa lista que pode ser consultada aqui. Terminada a Berlinale, resta esperar (e não muito) pelo Fantasporto, que começa já amanhã.



17 de fevereiro de 2006

Workshop na Casa da Animação


A Casa da Animação vai levar a efeito um workshop, dedicado à poesia visual, destinado a um público adulto. Será orientado pelo formador e realizador Fernando Saraiva. Conta o Apoio da ESAP e do Museu Nacional Soares dos Reis.


Workshop Cinema de Animação


A poesia visual foi um ponto de partida para o início da arte conceptual em Portugal, onde artistas e poetas iniciaram uma discussão sobre a natureza do objecto de arte. No contexto da exposição O Caminho do Leve de Ernesto Melo e Castro, patente no Museu de Serralves, a Casa da Animação realiza um workshop de cinema de animação centrado no contexto da poesia visual, abrindo aos participantes a possibilidade de experimentar vários processos criativos de construção de imagens numa permanente relação entre as técnicas de animação e imagem real.



Datas: 03 Março a 01 Abril

Horário: sextas 20h-23h e sábados 15-19h

Orientador: Fernando Saraiva

Destinatários: público em geral, especialmente da área das artes e multimédia, maiores de 18 anos

Local: Casa da Animação

Inscrição: 120€ (geral), 110€ (Amigos da CdA)

Nº máximo participantes: 12 (mínimo de 10)

Data limite inscrição: 01 de Março

A inscrição pode ser efectuada via e-mail, telefone ou fax. A inscrição só se torna efectiva com o pagamento de 50% do valor de inscrição.

Mais informações: mail@casa--da-animacao.pt; 22-5432770.


16 de fevereiro de 2006

”Walk the Line” por Nuno Reis




Um ano depois de Ray Charles e Bobby Darin serem homenageados, chega-nos aos ecrãs a história de Johnny Cash , um dos mais revolucionários cantores do seu tempo. As músicas podem não ser tão mundialmente conhecidas como as de outros artistas dos anos 60, mas o que é certo é que Cash é um dos cantores mais marcantes de sempre e este filme já era mais do que merecido.
Tal como Ray também Johnny nasceu num ambiente rural e teve uma infância marcada pela tragédia, Johnny depressa saiu de casa e na sua carreira militar começou a compor músicas diferentes. De regresso a casa e já casado com a mulher dos seus sonhos, Johnny tenta ganhar a vida como vendedor. No dia em que ouve um jovem num estádio a cantar uma música sobre uma vaca o seu desejo de carreira de música torna-se demasiado forte e é atirado pela força da necessidade para uma tentativa desesperada de fazer contrato discográfico.
Com o aumento da fama a vida de Johnny vai-se modificando, começa a viajar em digressões com alguns outros artistas e a dar espectáculos dignos desse nome. Elvis Presley, Jerry Lee Lewis, Roy Orbison, cada um é uma estrela sem igual! Entre esses grandes nomes da música encontra-se um dos ídolos da sua infância: June Carter, filha de músicos que desde os seis anos actuava na rádio. Ao longo dos anos estes músicos vão-se degradando e cometendo erros, na sua maioria metem-se nas drogas, um erro terrível que levará Cash a interromper a carreira.

Como muitas biografias “Walk the Line” mostra quanto é preciso caminhar até nos apercebermos que estávamos no caminho errado. Este filme é um redescobrir do artista e da obra, mas é acima de tudo um tributo à força de vontade, à perseverança, à amizade e à dedicação aos amigos. É sobre as mudanças que o amor provoca numa pessoa: como a pode salvar; como a pode tornar melhor; como a pode levar a transpor os obstáculos. Apesar do título ser de uma música do cantor o filme não é dedicado a Johnny mas a June. June foi a voz que o acompanhou, a musa que o inspirou, a mão que o salvou. Sem a sua amiga June, Johnny nunca teria andado na linha, sem ela não viveu.

O início do filme tem um som forte que provoca imediatamente interesse. A música e a tragédia alternam-se continuamente, colando o espectador de olhos e ouvidos ao que se passa e atirando-lhe de seguida algo fundamental sobre Johnny. Mesmo semanas depois de ver o filme ainda se tem frases na ponta da língua, cenas na mente e músicas no ouvido. Fiquei com a sensação de que faltaria algo ao filme mas não conseguia descobrir o quê. Era a vontade de ficar a ver algo tão bem conseguido por mais tempo. As interpretações de Joaquin Phoenix e Reese Witherspoon estão fenomenais, é de longe o melhor trabalho de ambos e foram dignos vencedores dos Globes. Lamento a ausência do filme nos nomeados para a categoria máxima dos Óscares mas espero que o tempo e as demais estreias provem que este era realmente apenas o sexto melhor do ano.




Título Original: "Walk the Line" (EUA, 2005)
Realização: James Mangold
Intérpretes: Joaquin Phoenix, Reese Witherspoon, Ginnifer Goodwin
Argumento: Gill Dennis e James Mangold baseados nas autobiografias
Fotografia: Phedon Papamichael
Música: T-Bone Burnett
Género: Biografia , Drama, Musical
Duração: 136 min.
Sítio Oficial: http://www.walkthelinethemovie.com

11 de fevereiro de 2006

Site Fantasporto


Foi ontem apresentado e colocado online o novo site do Fantasporto - Festival Internacional de Cinema Fantástico do Porto, o qual se encontra por agora com poucos conteúdos, mas que irá, a médio prazo, possuir espaços distintos, que passam pelo site do Festival, um espaço para fotos, o site da Cinema Novo (cooperativa organizadora do evento), uma revista de cinema digital e tecnologias inovadoras na venda de produtos e bilhetes. O site pode ser visitado em www.fantasporto.online.pt, e o Antestreia irá muito brevemente apresentar novidades quanto a este espaço virtual.


9 de fevereiro de 2006

"Rumor has It" por Nuno Reis

Esta semana a grande maioria dos espectadores estará a pensar em ir ver o rei das nomeações “Brokeback Mountain”, mas gostaria de referir uma alternativa. Também hoje estreia “Rumor Has It”, uma comédia inspirada no clássico “The Graduate”.

Sarah é uma trintona que volta com o noivo de New York até Passadela (Los Angeles) para assistir ao casamento da irmã mais nova. O regresso às origens traz de novo a estranheza que sente em casa, um problema de inadaptação à família e sensação de ser diferente. Quando a avó lhe revela um velho segredo, a mãe ter passado uma semana desaparecida antes do casamento, e um comentário do noivo a faz perceber que foi concebida antes do casamento dos pais decide investigar. Através de uma conversa com uma tia descobre que a vida da mãe se assemelha muito à de Elaine Robinson. Será a sua avó a Mrs. Robinson da canção? Será ela na realidade filha de “Benjamin Braddock”? Partindo do boato que diz ser o filme baseado numa família verdadeira, foi construído um novo argumento que homenageia o original mantendo um toque humano. Este filme narra a vida de uma mulher que usa o presente para conhecer o seu passado e acaba por destruir o futuro.

O elenco reunido é de luxo: Jennifer Aniston é a protagonista e o noivo é Mark Ruffalo. A irmã é interpretada por Mena Suvari e avó por Shirley MacLaine. O candidato a pai é interpretado por Kevin Costner. Richard Jenkins é o pai legal, tem alguns grandes momentos e merecia mais tempo no ecrã. Mark Ruffalo esteve bem em “Eternal Sunshine of the Spotless Mind” mas depois não ficou bem em nenhum personagem. Aniston aguenta sozinha com o filme nos ombros mas a maior estrela é a veterana. MacLaine em “Bewitched” pegou numa personagem inesquecível (Endora) numa homenagem a Elizabeth Montegomery e à sua obra máxima, a feiticeira Samantha. Aqui a homenagem é à recém-falecida Anne Bancroft e à sua irresistível Mrs. Robinson. E tenho de dizer que tanto a actriz como o filme estão bem acima do que vimos em “Bewitched”.

Rob Reiner fez vários filmes que se tornaram clássicos. Depois de “When Harry Met Sally” e “Stand By Me” fez este filme que se escuda na magia de muitos clássicos (especialmente “The Graduate” e “Casablanca”) para tentar ser irrepreensível. O filme é agradável de ver, reactiva o suspense em vários momentos para manter o interesse e como comédia romântica cumpre os seus objectivos. Foi muito bem escolhida a semana de estreia pois inclui o Dia dos Namorados. Como pseudo-sequela está óptimo, muito melhor do que se fizessem uma sequela normal. Falha apenas na cena final ao cair em situações-tipo e piadas previsíveis. Mas isso não acontece com todos os filmes deste género?
Um conselho que devem seguir é ver/rever “The Graduate” antes de verem este filme. Torna muito mais fácil encaixar as histórias. Se não o fizerem antes irão fazê-lo na primeira oportunidade.



Título Original: "Rumor Has It" (EUA, 2005)
Realização: Rob Reiner
Intérpretes: Jennifer Anniston, Kevin Costner, Shirley MacLaine, Mark Ruffalo
Argumento: Ted Griffin
Fotografia: Peter Deming
Música: Marc Shaiman
Género: Comédia/Drama/Romance
Duração: 96 min.
Sítio Oficial: http://rumorhasitmovie.warnerbros.com/

4 de fevereiro de 2006

”Munich” por António Reis




Munich” é um filme brilhante mas que decepcionará a maior parte dos seus espectadores. Primeiramente porque é menos um filme sobre o terrorismo no coração dos Jogos Olímpicos e mais um filme sobre a vingança como método de persuasão. Depois porque é um filme marcadamente “judeu” uma vez que Spielberg não é capaz de fugir às suas raízes de um judeu no exílio dourado americano. Mas também não agradará aos israelitas, porque apesar da eficácia como marca da Mossad acaba por levantar interrogações, equívocos e perplexidades. Aos palestinianos não agradará seguramente dado que o terrorismo é hoje, como em 72, um método politicamente incorrecto.

Brilhantemente reconstituído nos cenários e nos adereços, tecnicamente impecável enquanto fotografia, com uma música étnica primorosamente escolhida, Spielberg constrói uma história quase policial com excelentes momentos de suspense, um filme de acção e de espionagem, onde a narrativa se estrutura em flashbacks e elipses temporais. Mas para além dos aspectos técnicos mergulhados na história começamos a detectar as dúvidas e as hesitações de um homem inquieto. O contexto histórico, que Spielberg pressupõe que os espectadores reconhecem minimamente, é todavia demasiado complexo para um espectador médio. Poucos se aperceberão da imagem que Golda Meir tem no filme, imagem aliás pouco abonatória, e que provavelmente é demasiado crítico e negativo desta primeira-ministra de Israel, num período crítico da sua história.

Também os diversos serviços secretos que se degladiam no palco de batalha que é a Europa saem beliscados deste drama humano e político. No fundo todos eles estão na mesma rede, partilham dos mesmo vícios, usam os mesmos iscos e as mesmas tácticas, num mundo onde as ideologias não têm sentido. Mas a imagem do grupo vingador que vai proceder à decapitação metódica de todos os responsáveis pelo massacre de “Munich”, acaba numa desagregação progressiva a nível físico mas também a nível das relações humanas e da lealdade para com o seu Estado. “Munich” é assim um filme em que todos são vítimas – os atletas são vítimas de uma guerra que não é sua, os carrascos são vítimas do seu ódio, o esquadrão da vingança é vítima das suas consciências. Trinta e quatro anos depois de Munique as feridas apenas se agravaram. A Academia reconhece o talento de Spielberg mas ou me engano muito ou este será um filme maldito e os Óscares esquecerão Munique.


Título Original: "Munich" (EUA, 2005)
Realização: Steven Spielberg
Intérpretes: Eric Bana, Mathieu Kassovitz, Daniel Craig, Geoffrey Rush
Argumento: Tony Kushner e Eric Roth
Fotografia: Janusz Kaminski
Música: John Williams
Género: Crime/Drama Histórico/Thriller
Duração: 164 min.
Sítio Oficial: http://www.munichmovie.com/