31 de janeiro de 2007

"Bobby" por António Reis

Bobby – um filme para riscar Bush da História e eleger Hillary Clinton

”Bobby” é o contributo da família Sheen à campanha democrata para as eleições presidenciais de 2008 e o retorno da melhor tradição de grandes filmes que o lobby liberal e democrárico de Hollywood lança para demonstrar que as correntes dominantes de direita da Admnistração americana não reflectem o sentir da elíte intelectual. Depois de “JFK” de Oliver Stone sobre o maior mito da História americana, faltava um filme sobre o segundo maior mito – o seu irmão Robert enquanto candidato presidencial, o homem capaz de dar esperança e recuperar a alma americana, devastada pela derrora anunciada no Vietname e por uma profunda divisão da sociedade. Emilio Estevez – filho de Martin Sheen - escolhe outra visão da História. Não uma teoria da conspiração como Stone, não um biopic, mas antes um pedaço filcral da vida de Bob Kennedy – o dia antes do assassinato. E opta por um puzzle de personagens que acidental ou profissionalmente se encontram no Hotel Ambassador.
São retalhos da pequena história - as telefonistas do hotel em bisca de ascensão social por via da cama, o gerente que já viu passar pelo seu Hotel os grandes da política e do cinema e só lhe falta mesmo assistir a um crime político, a cabeleireira que descobre que o marido a trai, os dois adolescentes à descoberta dos paraísos prometidos pelo LSD, a noiva que se vai casar para que o namorado fuja à incorporação para a frente de batalha, a cantora em declínio que pensa ser ainda uma diva caprichosa, o empregado de cozinha mexicana que ainda sonha ser americano e o seu colega que já perdeu as ilusões e se auto-marginaliza, os membros da campanha que organizam a recepção para televisão ver, excertos de histórias que se vão entrecruzando em montagem paralela. E que convergem todas num final trágico. Todos eles vão viver e ser afectados por estarem no sítio errado a viver a História.
Balançando entre o documental das imagens de arquivo e a ficção, entre os dramas comuns e o drama do Império americano, Estevez constrói um surpreendente filme “engagé”, que quer ajustar contas com a História e lembrar metaforicamente que a crise de valores que a América vieu na década de 70 está de novo aí, que o Iraque é um novo Vietname, que a violência nas ruas é um cancro que vai destruir a sociedade amnericana. Mas que a exemplo de Bob Kennedy é possível a América voltar a ser uma super potência retornando aos seus valores de liberdade e de democracia plena. Se os eleitores forem sensíveis ao filme, Hillary Clinton pode contar com Hollywood para a campanha. Uma banda sonora notável (mesmo com Brian Adams pelo meio) e revivalista e um cast onde se reunem nomes todos de relevo, a querer dar um ajudinha. Eu que sou fã de Bob Kennedy e ainda tenho esperança nos States gosto muito do filme.




Título Original: "Bobby" (EUA, 2006)

Realização: Emilio Estevez
Intérpretes: Laurence Fishburne, Anthony Hopkins, Helen Hunt, William H. Macy, Heather Graham, Lindsay Lohan, Demi Moore, Ashton Kutcher, Martin Sheen, Sharon Stone, Elijah Wood, Joshua Jackson, Shia LaBeouf, Christian Slater, etc.
Argumento: Emilio Estevez
Fotografia: Michael Barrett
Música: Mark Isham
Género: Drama
Duração: 120 min.
Sítio Oficial: http://www.bobby-the-movie.com/

"Little Children" por António Reis

Uma comédia dramática sobre a natureza humana com Freud em fundo

Sarah (Kate Winslet) é uma “desperate housewife” que cuida da filha. Richard (Gregg Edelman), o marido, é um bem-sucedido vendedor de mentiras – é publicitário – que descobriu a forma de satisfazer as suas fantasias sexuais por via Internet. Brad (Patrick Wilson) é um candidato a advogado que pela terceira vez tenta passar no exame da Ordem, enquanto cuida do filho pequeno. Kathy (Jennifer Connelly) tem uma absorvente carreira de documentarista televisiva. Ronnie (Jackie Earle Haley) é um pedófilo que acabou de cumprir a pena, mas a quem a vizinhança não perdoa o passado. Larry é um polícia reformado que compulsivamente que se arroga o papel de justiceiro protector da comunidade. São estes os personagens que compõem o puzzle da história de “Pecados Íntimos”. Porque Sarah começa a apaixonar-se por Brad e isso vai ser o detonador desta brilhante comédia negra, dramática quanto baste, de um moralismo cínico, que consegue manter a narrativa a um passo da genialidade, mesmo quando está no limiar da vulgaridade.
O título tanto remete para o fio condutor da história, as crianças, porque é através delas que os personagens se encontram, se perdem e se redimem: o pedófilo é uma criança grande, o menino da sua mãe, Sarah apaixona-se por Brad quando passeam no jardim infantil e na piscina, Richard tem um fraquinho por Lolitas digitais, o polícia tem a consciência pesada por ter morto acidentalmente um pré-adolescente. Mas “Little Children” é também, como Freud explica, a consciência de que o que somos em adultos – os nossos medos, desejos, fantasmas – são o resultado da nossa infância. Nesta trama os pecados são íntimos, mas os vícios são privados.
As “Desperate Housewifes” reúnem-se para discutir a moral sexual de Madame Bovary, Brad consegue entrar no círculo masculino dos jogadores de basebol fora de horas, o ex-polícia confessa a sua frustração acumulada abandonado por todos e em busca de uma tábua de salvação, e até o ex-pedófilo procura uma namorada para ter uma “vida normal”. Quando o pecado íntimo e a inversão dos valores parece ser a solução dos personagens, descobre-se afinal que o destino voltou a por tudo em ordem e que as virtudes públicas se manterão a bem da coesão social. Entre imagens memoráveis que o filme contém atente-se na cena da histeria colectiva na piscina (pedófilo na água), as cenas de Brad e Sarah nas águas furtadas, a erupção de Sarah na piscina com o seu fato-de-banho vermelho ou as mulheres reunidas a discutir feminices, apenas algumas das solução fabulosas encontradas por Todd Field. Tecnicamente as soluções de elipses da narrativa e da contenção da história por via de um narrador com um tacto absolutamente brilhante de humor fazem deste filme um must. Perder este filme é pecado.





Título Original: "Little Children" (EUA, 2006)

Realização: Todd Field
Intérpretes: Kete Winslet, Jennifer Connelly, Jackie Earle Haley, Gregg Edelman, Patrick Wilson
Argumento: Todd Field, Tom Perrotta
Fotografia: Antonio Calvache
Música: Thomas Newman
Género: Drama/Romance
Duração: 130 min.
Sítio Oficial: http://www.littlechildrenmovie.com/

28 de janeiro de 2007

Banda Sonora Antestreia

Imagem pertencente a www.rhapsody.com

O indie pop rock é uma das paixões do leitor de discos do Antestreia. E se há um grupo que consegue manter viva essa paixão, são os pujantes "The Shins", banda norte-americana originária de Albuquerque, no Novo México, e que lançam agora o seu terceiro trabalho, "Wincing the Night Away". Composto por James Mercer (voz e guitarra), Martin Crandall (baixo e teclas), Dave Hernandez (guitarra) e Jesse Sandoval (bateria), "The Shins" combinam guitarras certeiras com arranjos etéreos e potentes, tudo aliado a letras de um belo recorte emocional: "And still to come, / The worst part and you know it, / There is a numbness, / In your heart and it's growing". Com 4 álbums editados - "When You Land Here It's Time to Return" (1997), "Oh, Inverted World" (2001), "Chutes Too Narrow" (2003) e "Wincing the Night Away" (2007), este último com excelente críticas e já apontado como possivelmente um dos discos do ano, a banda liderada por Mercer já contribuiu para filmes como "Garden State" (realizado por Zach Braff, de quem o vocalista é amigo), "In Good Company" (Paul Weitz, 2004) e "The SpongeBob SquarePants Movie" (Stephen Hillenburg, 2005), ou para séries como "Scrubs", "One Tree Hill" e "The OC". Deixamos aqui o videoclip de Phantom Limb, single de lançamento do último trabalho, "Wincing the Night Away".


"Studio 60 on the Sunset Strip"



Criada em 2006 por Aaron Sorkin (argumentista de "A Few Good Men" (1992), e criador do êxito de televisão "The West Wing" (1999 - 2006)), o argumentista regressa com uma interessantíssima série que explora e mostra os bastidores de um programa de televisão ao estilo de "Saturday Night Live". "Studio 60 on the Sunset Strip" é um dos mais recentes êxitos da NBC, e conta com nomes com algum peso na indústria audiovisual norte-americana: Matthew Perry ("The Whole Nine Yards" (2000) e a multipremiada série "Friends" (1994 - 2004)); Amanda Peet ("Jack & Jill" (1999 - 2001); "Something's Gotta Give" (2003) e "Syriana" (2005)); Bradley Whitford ("Bicentennial Man" (1999) e "The West Wing" (1999 - 2006)); Steven Weber ("The Shining" (mini-série 1997)) e Sarah Paulson ("The Notorious Bettie Page" (2005)), esta última nomeada para um Globo de Ouro para Melhor Actriz Secundária em Série de Televisão. Studio 60 conta a vida e a história dos bastidores de um programa de televisão, desde chegar ao fim de sexta-feira e de saber que falta uma semana para nova luta, até às tensões amorosas dos protagonistas, os problemas pessoais dos actores que integram o elenco, dos convidados especiais que faltam à última da hora, quer os hosts, quer os musicais (sendo que já passaram pelo estúdio 60 nomes como Sting e Corinne Bailey Rae), bem como as brancas criativas ou a revolta dos argumentistas do programa, e ainda as pressões dos presidentes da estação, mais interessados em dinheiro do que em qualidade (ring any bell?). É uma série pujante, bem escrita, com um óptimo ritmo que nos mantêm agarrados a cada desenvolvimento, sofrendo com as derrotas e vibrando com as vitórias. Aqui fica uma pequena apresentação dos protagonistas de "Studio 60 on the Sunset Strip".


Matt Albie (Matthew Perry)

Matt Albie é o argumentista que dirige a equipa de criativos do show. Após 4 anos de interregno, regressa após anterior se ter demitido por desavenças com a direcção da rede. Aqui, reencontra Harriet Hayes (Sarah Paulson), talentosa actriz com a qual manteve uma relação amorosa, e agora se vê no papel de chefe dela. Extraordinário escritor de comédia, tem como missão, ao lado de Danny Tripp, elevar bem alto o nome da NBS e do Studio 60.



Danny Tripp (Bradley Whitford)

É o produtor do programa. Depois de análise positivas ao consumo de cocaína, viu-se impedido de rodar um filme que já estava em pré-produção, levando a uma paragem das lides cinematográficas de 18 meses. Junto com Matt, aceitou o desafio do Studio 60 e de voltar ao local que os projectou, agora liderando um projecto que chegaram a integrar como parte da equipa de criativos. Senhor de um humor refinado, conhece Albie como poucos, e serve-se desse conhecimento para levar o amigo e colega a atingir patamares elevados de qualidade.



Jordan McDeere (Amanda Peet)

No dia em que tomou posse como nova directora de programas da estação, o Studio 60 estava em brasa: o ainda produtor rebelava-se contra os cânones instituídos pela NBS, e interrompia o programa a meio para discursar (acabando por desaguar no seu despedimento). Engenhosamente, resgata Matt e Danny, numa jogada de antecipação e de estatégia pura, para revitalizar a grelha de programação. Visionária e lutadora, nunca vira a cara à discussão e consegue (quase) sempre o que almeja.



Jack Rudolph (Steven Weber)

O presidente da estação. Dono de uma visão economicista pura, procura sempre tomar as decisões com vista a aumentar os lucros de todos os projectos em que se insere. Contas antigas ditam desavenças duras com Matt e Danny, obrigando-o a um jogo de cintura para manter uma linha de estabilidade entra ele, os criativos e Jordan. Tornar-se-à mais acessível com o tempo?



Harriet Hayes (Sarah Paulson)

A estrela do programa. Dias antes da entrada de Matt Albie no Studio 60, viviam uma apaixonada relação, interrompida por mal entendidos e cíumes. Tenta juntar na mesma pessoa uma profunda devoção cristã, sketches que parodiam a Igreja, o amor de Matt e a os pretendentes dela. Bastante talentosa, partilha com o resto do elenco cumplicidades e alegrias, tristezas e problemas, num companheirismo próprio de uma estrela.




Simon Stiles (D.L. Hughley) / Tom Jeter (Nathan Corddry) / Cal Shanley (Timothy Busfield) / Jeannie Whatley (Ayda Field)




O núcleo duro da equipa. Simon, Jeter e Jeannie partilham as luzes da ribalta com Harriet nos skechtes do Studio 60. Inovadores e talentosos, juntos levam o público fiel da série às lágrimas de tanto rir e de partilhar momentos de humor puro com eles. Cal é o realizador do programa, e tal como os restantes transita da anterior equipa. Partilhou em tempos cumplicidades com Matt e Danny, tendo-os agora como líderes de um projecto onde outrora estiveram lado a lado. Fiel aos seus, dá primazia às pessoas do que aos ideais.

27 de janeiro de 2007

Posters




24 de janeiro de 2007

Banda Sonora Antestreia


É a face vísivel do melhor que a música portuguesa pode apresentar. João Paulo Simões, melhor conhecido por JP Simões, é um fabuloso compositor português, nascido na Coimbra de 1970, e que mais tarde se licenciou em Comunicação Social. Regressa à capital académica para fundar os Belle Chase Hotel (isto depois da participação nos Pop Dell' Arte), onde em 1998 lança o primeiro (e brilhante) álbum - Fossanova:"You sent me neverending signs to speed on highways to your heart – I’ve got green lights on fire! But then you said: “You think you’re some exotic bird in the world? I wasn’t born to be your the housekeeper of your soul! Not Me!”. So how will I love you girl when the night is growing in my heart? I wish I’d die and then, reborn, rebuild with master plans! Dr. Frankenstein, he knows: to be or not to be satisfied with myself" Para (re)descobrir, Fossanova, terceira faixa do disco homónimo:




Aliás, JP reconhece que estes temas, escritos e interpretados em inglês surgem num espécie de "celebração de estilos": "tal como acontecia no tempo dos Belle Chase Hotel, de vez em quando, escrevo letras em inglês, há coisas, determinados balanços, determinadas formas de construir uma canção que só ficam bem assim". Em 2000, a segunda parte do projecto Belle Chase, num "upgrading de uma refinada estética de decadência": "La Toilette des Étoiles", disco de onde se retira esta composição belíssima, S. Paulo 451:




JP revela-se em La Toilette des Étoiles: "demain, je vais aller au laboratoire, parce qu’on m’a dit que je suis pas normal. Je vais me faire psychanalyser. "Docteur, je bois excessivement comme tous les autres, car ma pensée est triste et delirante, neurastenique mon pauvre coeur". Gráfico. Em 2004 junta-se novamente a Sérgio Costa e cria os Quinteto Tati: "dança comigo a primeira valsa da Primavera: dança sem sonhos, esquece as promessas, ninguém nos espera. Já enchi os dias de lutas vazias: estou gasto, cansado, dormente. E a um pouco de sexo, ou muita poesia, ainda não fico indiferente" (Valsa Quase Antidepressiva). Mas, o belíssimo Suor e Fantasia deve ser recordado:




Toda esta mistura acertada de rumba, salsa, jazz e bossa nova consolida a noção de que estamos efectivamente perante um enorme compositor. Que regressa agora, em 2007, com "1970", um fantástico trabalho a ser rapidamente descoberto. Pelo meio, escreveu a "Ópera do Falhado", que foi à cena através da encenação de João Paulo Costa e da companhia do Teatro do Bolhão, peça com inspirações diversas, nomeada e principalmente a “Ópera dos Três Vinténs” (1928), de Weill / Brecht, e a “Ópera do Malandro” (1978), de Chico Buarque - não compensa eu discorrer-vos sobre este projecto, quando podemos ler aqui as suas convicções. É um autor para descobrir já, sem demoras: pela pujança da escrita, pela nudez de sentimentos e pela noite que é dia. E vice-versa.
Para mais informações: Sítio oficial e o blog do JP.

"Blood Diamond" por António Reis

Um diamante de sangue claro

Nem sempre as boas intenções transpostas para cinema resultam em filmes interessantes. Diamante de Sangue é um desses filmes bem intencionados, politicamente correcto, que parte de uma realidade em que o continente africano é fértil. Como se diz no filme com cinismo: “sempre que se descobrem riquezas num país de África, a sua população morre”. Os diamantes da Serra Leoa foram a causa directa de uma sangrenta e prolongada guerra civil. O que poderia ser fonte de riqueza e bem estar, transformou-se na principal fonte de financiamento de políticos corruptos, de facções armadas a quem nunca faltou o dinheiro para investir em novos equipamentos. Quando no Ocidente começou a ser demasiado óbvio o preço que os diamantes estavam a custar ao povo, iniciou-se a campanha que conduziu à intervenção estrangeira que terminou com a guerra civil. E agora os diamantes já não são de “sangue”.

O filme de Zwick relata esse período turbulento. Com um Leonardo diCaprio a corporizar de forma verosímil a figura de um mercenário a soldo de uma companhia sul-africana (que obviamente se refere à multinacional deBeers) que trafica diamantes para a Libéria onde graças à corrupção se tornam diamantes legais. Jennifer Connelly é uma jornalista à procura de provas para a sua história e Djimon Hounsou (“Amistad”, “In America”, “The Island”) é o epicentro em que gira toda a história narrada em flashback. Zwick constrói um filme testemunho com cenas de um realsimo atroz, emoldura-o em cenários naturais de irresistível encanto, recheia-o com espectaculares sequências de acção e guerra, sem esquecer uma insipiente história de amor entre mercenário sem escrúpulos e jornalista cheia de moral e o drama humano da família de Salomon Vandy. O espectador fica preso à narrativa durante os 143 minutos que se esgotam sem se dar por isso e as boas consciências podem dormir descansadas porque tudo está bem quando acaba bem. Os bons são recompensados, os maus castigados e os menos maus redimem-se pelos seus actos. Um grande filme com enormes possibilidades de box-office ou não fossem os actores o chamariz que são, mas mesmo assim demasiado convencional para se atrever a ser uma obra-prima.




Título Original: "Blood Diamond" (EUA, 2006)

Realização: Edward Zwick
Intérpretes: Leonardo DiCaprio, Jennifer Connelly, Djimon Hounsou
Argumento: Charles Leavitt (baseado na história de C. Gaby Mitchell e Charles Leavitt)
Fotografia: Eduardo Serra
Música: James Newton Howard
Género: Aventura/Drama/Thriller
Duração: 143 min.
Sítio Oficial: http://blooddiamondmovie.warnerbros.com/

"Stranger Than Fiction" por Nuno Reis

Harold é um homem que só pensa em números. Escova cada um dos seus 32 dentes 72 vezes, percorre um quarteirão com 57 passos, e chega sempre no último instante ao autocarro das oito e dezassete. Todos os momentos do seu dia são cronometrados pelo seu fiel relógio que lhe indica a hora de acordar, de comer, de se deitar. Cumpre o seu horário com uma pontualidade que faria qualquer britânico corar, ou não fosse obra de uma inglesa... Estranho? Não, estranho é Harold subitamente descobrir que a sua monótona vida como auditor do IRS está a ser embelezada pela voz de uma narradora com sotaque britânico. Enquanto metade das pessoas o acha louco, ele acha-se perseguido e com a ajuda de um estranho professor de Literatura irá procurar a voz que anuncia a sua morte.

Depois de ter interpretado um psico-detective em "I Love Huckabee’s" - um filme que ainda agora me coloca a pensar – Dustin Hoffman é agora o professor que tentará descobrir, num filme menos estranho mas igualmente perturbador, que mente estará por trás de tal confusão. O humor nesta obra é subtil, versa sobre as únicas coisas que são garantidas na vida, a morte e os impostos, e todos sabemos que estes são dois temas que só podem ser divertidos se aplicados a outros. "Stranger Than Fiction" é protagonizado por um Will Ferrell mais consistente, no seu primeiro papel sério. O seu amor é para Maggie Gyllenhaal que tem aqui uma excelente personagem, bastante divertida e provocadora de enormes sofrimentos para o artista.
Na história paralela à de Harold, Emma Thompson interpreta uma escritora com bloqueio que acabou de receber uma assistente (Queen Latifah) por parte da editora para ajudá-la a concluir a obra-prima. As duas irão procurar a morte ideal para matar a personagem do livro, um tal Harold, auditor do IRS. Esta segunda história é a tragédia que equilibra o filme, que torna uma história ridícula sobre um homem e o seu relógio em algo totalmente novo e digno de ser visto. Também Emma Thompson tem neste filme um dos melhores papeis da sua carreira.
O auditor luta pela vida, a pasteleira pelos seus ideais, a escritora pela inspiração, a secretária pelos prazos e o professor acompanha tudo com uma quase mórbida curiosidade. Harold terá de enfrentar a morte mais brilhante que a sua autora já escreveu. Será Harold capaz de morrer com dignidade? Um filme surpreendentemente bom e com um final tão perfeito que acaba por desiludir.


Título Original: "Stranger Than Fiction" (EUA, 2006)

Realização: Marc Forster
Intérpretes
: Will Ferrell, Emma Thompson, Dustin Hoffman, Maggie Gyllenhaal, Queen Latifah
Argumento: Zach Helm
Fotografia: Roberto Schaefer
Música: Max Richter
Género: Comédia/Drama/Fantasia/Romance
Duração: 113 min.
Sítio Oficial: http://www.sonypictures.com/movies/strangerthanfiction/

"The Wicker Man" por Nuno Reis

Com o final do ano surgem sempre grandes filmes, os candidatos a Oscares. O desfasamento habitual das estreias portuguesas em relação aos EUA faz com que o nosso mês de Janeiro seja rico em filmes de altíssima qualidade. Infelizmente por entre os grandes filme ocasionalmente passa um intruso. Esta semana temos um desses casos para analisar.
Neil LaBute há dez anos surpreendeu nos festivais com “In The Company of Men” e desde então já filmou com alguns dos mais famosos actores do cinema actual. Para nova versão deste filme reuniu um elenco promissor: Nicholas Cage é o protagonista, Ellen Burstyn a adversária, entre os secundários o nome de maior destaque é Leelee Sobieski mas mesmo James Franco aparece numa cena.
A história segue Edward Malus (Cage), um polícia de província que acaba de assitir a um terrível acidente. Esse acontecimento perturbador convence-o a mudar de ares e parte para uma ilha distante, Summersisle, onde habita uma ex-namorada que lhe pediu ajuda. Willow (Kate Beahan), a velha paixão de Edward, perdeu a filha e teme que lhe façam mal, a missão de Edward é encontrar essa criança que mais tarde descobrirá ser sua filha. A missão não é fácil pois toda a ilha parece estar contra ele e conspirar para ocultar a verdade.
Uma ilha governada por mulheres, um mistério irresolúvel, muitas situações irreais e confusas. Aquilo que deveria ser perturbador para a personagem de Cage acaba por ser perturbador apenas para o espectador pois Cage continua a resolver o mistério como se estivesse na sua cidade. Para o final, quando nada na ilha se assemelha à normalidade, envolve-se em situações totalmente ridículas. O Homem de Vime que dá o título original ao filme é o apogeu da anormalidade que define todo o projecto. Apesar de a nível visual não haver nada a apontar ao filme, tudo aquilo que o compõe acaba por ser um desconsolo. O filme tenta ser de terror, tenta ser fantástico, tenta ser uma afirmação do feminismo. E atinge os seus objectivos pois para tentar não é necessário grande esforço. Foi uma pena a película não ter queimado antes de o filme acabar pois realmente poucos espectadores merecem ser torturados assim.



Título Original: "The Wicker Man" (Alemanha, EUA, 2006)

Realização: Neil LaBute
Intérpretes
: Nicolas Cage, Kate Beahan, Ellen Burstyn
Argumento: Neil LaBute (baseado no argumento de Anthony Shaffer)
Fotografia: Paul Sarossy
Música: Angelo Badalamenti
Género: Mistério/Thriller
Duração: 102 min.
Sítio Oficial: http://thewickermanmovie.warnerbros.com/

23 de janeiro de 2007

Banda Sonora Antestreia


Micah Paul Hinson, singersongwriter norte-americano (Texas, 1981), é uma das grandes aposta da cena musical indie para os próximos anos. Com três álbums editados ("Micah P. Hinson & The Gospel of Progress" - 2004; "The Baby & the Satellite" - 2005; e "Micah P. Hinson & The Opera Circuit - 2006)"), o jovem autor produz três discos de enorme potencial, com um som inovador e límpido, do qual sou seguidor - e fã do seu primeiro, "... the Gospel of Progress". Aliásm, este álbum de estreia (editado com 22 anos de idade) é uma bela imagem do que Hinson pode fazer, num estilo "country noir", meditações poderosas de arrependimento, num ambiente menos soturno mas mais escondido do que o de Elliot Smith (afastando as comparações de estilo). Temas como "Beneath the Rose" (e que aqui fica com um fantástico videoclip) ou "I Still Remember" mostram arranjos fluidos e eficientes, acompanhados de guitarras e com uma voz muito madura para a idade. Acresce que Micah vem dia 25 a Portugal actuar, mais propriamente ao Theatro Circo. Para mais informações sobre MPH: Wikipedia e o sítio oficial.


Nomeados para os Oscares 2007




As nomeações para os Oscares voltaram a ficar bastante distribuídas. Nenhum filme sairá da cerimónia com mais de 6 troféus, vários competem para mais de 3 prémios. Um ano de equilíbrios em que os filmes espanhóis e o mais recente trabalho de Del Toro surgem em força.


Melhor Filme


"Babel"
"The Departed"
"Letters From Iwo Jima"
"Little Miss Sunshine"
"The Queen"


Melhor Argumento Adaptado


"Borat Cultural Learning of America For Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan"
"Children of Men"
"The Departed"
"Little Children"
"Notes on A Scandal"


Melhor Argumento Original


"Babel"
"Letters From Iwo Jima"
"Little Miss Sunshine"
"El Laberinto Del Fauno"
"The Queen"


Melhor Realização


"Babel"
"The Departed"
"Letters From Iwo Jima"
"The Queen"
"United 93"


Melhor Actor Principal



Leonardo DiCaprio - "Blood Diamond"
Ryan Gosling - "Half Nelson"
Peter O'Toole - "Venus"
Will Smith - "The Pursuit of Happiness"
Forest Whitaker - "The last King of Scotland"


Melhor Actor Secundário


Alan Arkin - "Little Miss Sunshine"
Jackie Earle Haley - "Little Children"
Djimon Hounsou - "Blood Diamond"
Eddie Murphy - "Dreamgirls"
Mark Wahlberg - "The Departed"


Melhor Actriz Principal


Penélope Cruz - "Volver"
Judi Dench - "Notes on a Scandal"
Helen Mirren - "The Queen"
Meryl Streep - "The Devil Wears Prada
Kate Winslet - "Little Children"


Melhor Actriz Secundária
Adriana Barraza - "Babel"
Cate Blanchett - "Notes on a Scandal"
Abigail Breslin - "Little Miss Sunshine"
Jennifer Hudson - "Dreamgirls"
Rinko Kikuchi - "Babel"


Melhor Filme de Animação


"Cars"
"Happy Feet"
"Monster House"


Melhor Direcção Artística


"Dreamgirls"
"The Good Sheperd"
"El Laberinto Del Fauno"
"Pirates of the Caribbean: Dead Man's Chest"
"The Prestige"


Melhor Fotografia


"The Black Dahlia"
"Children of Men"
"The Illusionist"
"Pan's Labyrinth"
"The Prestige"


Melhor Guarda-Roupa


"Curse of the Golden Flower"
"The Devil Wears Prada
"Dreamgirls"
"Marie Antoinette"
"The Queen"


Melhor Documentário


"Deliver Us From Evil"
"An Inconvenient Truth"
"Iraq In Fragments"
"Jesus Camp"
"My Country, My Country"


Melhor Curta-Documental


"The Blood of Yingzhou District"
"Recycled Life"
"Rehearsing a Dream"
"Two Hands"


Melhor Montagem


"Babel"
"Blood Diamond"
"Children of Men"
"The Departed"
"United 93"


Melhor Filme de Língua Não-Inglesa


"After the Wedding"
"Days of Glory"
"The Lifes of Others"
"El Laberinto Del Fauno"
"Water"


Melhor Caracterização


"Apocalypto"
"Click"
"El Laberinto Del Fauno"


Melhor Som Original


"Babel"
"The Good German"
"Notes on A Scandal"
"El Laberinto Del Fauno"
"The Queen"


Melhor Música Original


"I Need to Wake Up" - "An Inconvenient Truth"
"Listen" - "Dreamgirls"
"Love You I Do" - "Dreamgirls"
"Our Town" - CARS
"Patience" - "Dreamgirls"


Melhor Curta de Animação


"The Danish Poet"
"Lifted"
"The Little Matchgirl"
"Maestro"
"No Time for Nuts"


Melhor Curta de Imagem Real


"Binta y la gran idea"
"Éramos Pocos"
"Helmer & Son"
"The Saviour"
"West Bank Story"


Melhor Som


"Apocalypto"
"Blood Diamond"
"Flags of Our Fathers"
"Letters From Iwo Jima"
"Pirates of the Caribbean: Dead Man's Chest"


Melhor Edição de Som


"Apocalypto"
"Blood Diamond"
"Dreamgirls"
"Flags of Our Fathers"
"Pirates of the Caribbean: Dead Man's Chest"


Melhores Efeitos Visuais


"Pirates of the Caribbean: Dead Man's Chest"
"Poseidon"
"Superman Returns"






















NomeaçõesFilmes
8"DreamGirls" (6 categorias)
7"Babel" (6 categorias)
6"El Laberinto Del Fauno"
"The Queen"
5"Blood Diamond"
"The Departed"
4"Letters From Iwo Jima"
"Little Miss Sunshine"
"Notes on a Scandal"
"Pirates of the Caribbean: Dead Man's Chest"
3"Children of Men"
"Little Children"

Nomeações para os Razzies 2007




Foram anunciados os nomeados para os Oscares, estamos a um mês de conhecer os filmes que a Academia norte-americana elegeu como os melhores do ano. Muita gente não se interessa pela opinião deles e todos os anos há vencedores controversos. Um prémio com muito menos prestígio, quase tão controverso mas muito mais divertido é o Razzie que teima em, na véspera dos Oscares, premiar o que de pior se faz.
Também eles anunciaram os seus nomeados e não há muitas surpresas, o domínio de "Basic Instinct 2" era esperado.



Pior Filme



"Basic Instinct 2"
(doravante referido como "Basically, It Stinks, Too")
"Bloodrayne"
"Lady In The Water"
"Little Man"
"Wicker Man"


Pior Actor



Tim Allen ("The Santa Clause 3: The Escape Clause", "The Shaggy Dog" e "Zoom")
Nicolas Cage ("Wicker Man")
Dan Whitney a.k.a. Larry, The Cable Guy ("Larry The Cable Guy: Health Inspector")
Rob Schneider ("The Benchwarmers" e "Little Man")
Marlon Wayans & Shawn Wayans ("Little Man")


Pior Actriz



Hilary Duff & Haylie Duff ("Material Girls")
Lindsay Lohan ("Just My Luck")
Kristanna Loken ("Bloodrayne")
Jessica Simpson ("Employee Of The Month")
Sharon Stone ("Basically It Stinks, Too")


Pior Actor Secundário



Danny DeVito ("Deck The Halls")
Ben Kingsley ("Bloodrayne")
M. Night Shyamalan ("Lady In The Water")
Martin Short ("Santa Clause 3: The Escape Clause")
David Thewlis ("Basically, It Stinks, Too!" and "The Omen")


Pior Actriz Secundária



Kate Bosworth ("Superman Returns")
Kristin Chenoweth ("Deck The Halls", "Pink Panther" e "RV")
Carmen Electra ("Date Movie" e "Scary Movie 4")
Jenny McCarthy ("John Tucker Must Die")
Michelle Rodriguez ("Bloodrayne")


Pior Par



Tim Allen e Martin Short ("Santa Clause 3")
Nicolas Cage e fato de urso ("Wicker Man")
Hilary e Haylie Duff ("Material Girls")
Seios da Sharon Stone ("Basically, It Stinks, Too")
Shawn Wayans e Kerry Washington ou Marlon Wayans ("Little Man")


Pior Remake



"Little Man"
"Pink Panther"
"Poseidon"
"The Shaggy Dog Story"
"Wicker Man"


Pior Sequela/Prequela



"Basically, It Stinks, Too"
"Big Momma's House 2"
"Garfield 2: A Tail Of Two Kitties"
"Santa Clause 3"
"Texas Chainsaw Massacre: The Beginning"


Pior Realizador



Uwe Boll ("Bloodrayne")
Michael Caton-Jones ("Basic Instinct 2")
Ron Howard ("The Da Vinci Code")
M. Night Shyamalan ("Lady In The Water")
Keenan Ivory Wayans ("Little Man ")


Pior Argumento



"Basically, It Stinks, Too"
"Bloodrayne"
"Lady In The Water"
"Little Man"
"Wicker Man"


Pior Desculpa de Entretenimento Familiar (nova categoria)



"Deck The Halls"
"Garfield 2: A Tail Of Two Kitties"
"RV"
"Santa Clause 3"
"The Shaggy Dog"



Resumindo,






7 nomeações"Basically, It Stinks, Too"
"Little Man"
6 nomeações"Bloodrayne"
5 nomeações"Wicker Man"
"Santa Clause 3: The Escape Clause"
4 nomeações"Lady In The Water"
3 nomeações"Deck The Halls"
"The Shaggy Dog"

22 de janeiro de 2007

Séries de TV



Criada em 1989, a série de animação televisiva "Os Simpsons" agregou uma verdadeira legião de fãs que semanal e religiosamente seguiam (e seguem) os seus episódios. Com 87 prémios em 95 nomeações, esta fantástica família amarela vai já na sua 18ª Época, e promete continuar por muitos e bons anos. Com o passar dos anos, refinou-se (e de que maneira) o humor e a auto-crítica norte-americana, criaram-se personagens deliciosos, convidaram-se inúmeros famosos, bem como bandas musicais ou cantores (tais como Ringo Starr, Aerosmith, Michael Jackson, Red Hot Chilli Peppers, James Brown, Smashing Pumpkins, U2, Mick Jagger ou Lenny Kravitz), parodiaram-se filmes e séries e criaram-se expressões que nunca se dissociarão da série (D'oh!). Nomes como Matt Groening (criador da série), Dan Castellaneta, Julie Kavner, Nancy Cartwright, Yeardley Smith ou Hank Azaria deram a voz e o talento em quase 400 episódios e a mais de 150 personagens (a par de outros actores. Mas, quem são verdadeiramente os Simpsons, e quem os acompanha?


"The Simpsons" - Atrás do lápis

Esta família de cinco, composta pelo pai Homer, a mãe Marge, e os filhos Bart, Lisa e Maggie, vivem na cidade de Springfield, tipicamente norte-americana e fundada em 1976 por Jebediah Springfield (ou Hans Sprungfeld, como vimos a descobrir). Homer é técnico de segurança da central nuclear (cujo proprietário é o infame C. Montegomery Burns, e o seu ajudante Smithers), sendo incompleto em inúmeras maneiras: não sabe estar socialmente, nãos e sabe sentar à mesa, tem um gosto imenso por álcool (especialmente cerveja, de preferência tomada no seu bar de eleição, o Moe's, cujo proprietário dá o nome ao estabelecimento) e sabe ser sempre inconveniente. Marge é uma dona de casa tipicamente infeliz: não soube dar rumo à vida e tornou-se uma simples criada da sua família. Bart é um miúdo traquinaujas prioridades passam por andar de skate, pregar partidas e ser popular (ao melhor estilo norte-americano) na sua escola. Ao contrário, Lisa é o elemento culto do clã: toca saxofone (depois da inspiração de Bleeding Gums Murphy) tem notas altas na escola e gosta de ler. Maggie, por seu lado, é uma bebé que ainda não fala (apesar de sabermos que a sua primeira palavra foi papá), e que não deixa por um segundo a chupeta. Juntos, vivem o dia a dia na companhia de imensos habitantes de Springfield: o chefe da polícia Wiggum, o reverendo Lovejoy, o seu vizinho religioso Ned Flanders, o avô Simpson (que mora num lar), o dono do seven-eleven indiano Apu Nahasapeemapetilon, o actor falhado Troy Maclure ou o advogado fanfarrão Lionel Hutz. No total, criaram um enorme conjunto de estereótipos da sociedade norte-americana, e deliciam todos aqueles que os vêm.


A família Simpson


Homer Simpson

O chefe da família. Irresponsável, inconveniente, desconcertante, glutão, e inculto, nutre uma obsessão por cerveja e pela televisão sem par. Originalmente chefe se segurança da central nuclear, Homer já fez de tudo: astronauta, "Rei da Cerveja", mayor, inventor, agricultor ou artista, entre muitas outras profissões, e tem uma personalidade calma e naif que cativa todos que com ela convivem. Não tem semelhanças com nenhum americano, mas recebe um pouco de todos, sendo por isso um belissimo estereótipo do americano comum. Recebe a voz de Dan Castellaneta.



Marge Simpson

A mãe Simpson será a típica dona de casa - insatisfeita com a vida que leva, recebe laivos de sublimação em tarefas tão simples como lavar a roupa ou arrumar a sala. Já tentou por várias vezes ter um emprego, desde polícia até barwoman, mas decidiu, em todo o caso, que a sua família necessita mais dela, do que ela de uma profissão. No fundo, Marge tenta ser o pêndulo de uma família disfuncional, e ela sabe-o. Recebe a voz de Julie Kavner.



Bart Simpson

"I'm Bart Simpson, who the hell are you?". O mais velho dos três filhos do casal, com 10 anos, Bart é o enfant terrible da família. Skate, popularidade na escola, os desenhos animados de alto grau de violência "Itchy and Scratchy" e a sua personagem de comic preferida, o Homem-Radioactivo, são as prioridades no dia a dia. Rapaz de grandes talentos, até já foi parte integrante da máfia de Springfield, fruto do espírito rebelde, que se manifestou muito cedo, não fossem as suas primeira palavras "Ay Caramba". Recebe a voz de Nancy Cartwright.



Lisa Simpson

A mente genial da família, Lisa consegue ser tudo aquilo que Bart não é: inteligente, talentosa (toca saxofone) e senhora de fantásticas notas na escola, é capaz de ter mãos e imaginação para dez projectos ao mesmo tempo. Consegue ter ao mesmo tempo um orgulho enorme naqueles que partilham o seu apelido, como vergonha nos seus actos. Mas no fundo apoia e está sempre presente nos piores e nos melhores momentos da família mais amarela do mundo. Partilha a voz com Yeardley Smith.



Maggie Simpson

A bebé que encerra este quinteto. Falar de Maggie é falar da sua chupeta (instrumento indispensável para a sua paz), mas é falar especialmente do personagem mais físico de todos - expressões de reprovação não são amiúde demonstradas, em alguém que ainda não fala (apesar da sua primeira palavra ter sido papá). A questão passa por saber se aquilo que poupa em palavras não será fruto de viver numa família que, se fosse a dar a opinião acerca dela, não se calaria!

21 de janeiro de 2007

Golden Globes 2007




O prognóstico mais importante para os Oscares foi anunciado esta semana. Muitas estrelas consagradas, novas revelações, todo o glamour e a magia de Hollywood numa cerimónia muito abrangente que apenas é superada em mediatismo pelos prémios da Academia. E os vencedores foram...











Prémio Carreira Cecil B. DeMille
Warren Beatty












Melhor Filme - Drama

"Babel"

Nomeados

"Bobby"
"The Departed"
"Little Children"
"The Queen"












Melhor Actriz - Drama
Helen Mirren - "The Queen"

Nomeados

Penélope Cruz – "Volver"
Judi Dench – "Notes On A Scandal"
Maggie Gyllenhaal – "SherryBaby"
Kate Winslet – "Little Children"












Melhor Actor - Drama
Forest Whitaker - "The Last King of Scotland"

Nomeados

Leonardo DiCaprio – "Blood Diamond"
Leonardo DiCaprio – "The Departed"
Peter O'Toole – "Venus"
Will Smith – "The Pursuit Of Happyness"












Melhor Filme - Musical ou Comédia
"Dreamgirls"

Nomeados

"Borat: Cultural Learnings Of America For Make Benefit Glorious Nation Of Kazakhstan"
"The Devil Wears Prada"
"Little Miss Sunshine"
"Thank You For Smoking"












Melhor Actriz - Comédia ou Musical
Meryl Streep – "The Devil Wears Prada"

Nomeados

Annette Bening – "Running With Scissors"
Toni Collette – "Little Miss Sunshine"
Beyoncé Knowles – "Dreamgirls"
Renée Zellweger – "Miss Potter"












Melhor Actor - Musical ou Comédia
Sacha Baron Cohen – "Borat: Cultural Learnings Of America For Make Benefit Glorious Nation Of Kazakhstan"

Nomeados

Johnny Depp – "Pirates Of The Caribbean: Dead Man's Chest"
Aaron Eckhart – "Thank You For Smoking"
Chiwetel Ejiofor – "Kinky Boots"
Will Ferrell – "Stranger Than Fiction"












Melhor Actriz Secundária
Jennifer Hudson – "Dreamgirls"

Nomeados

Adriana Barraza – "Babel"
Cate Blanchett – "Notes On A Scandal"
Emily Blunt – "The Devil Wears Prada"
Rinko Kikuchi – "Babel"












Melhor Actor Secundário
Eddie Murphy – "Dreamgirls"

Nomeados

Ben Affleck – "Hollywoodland"
Jack Nicholson – "The Departed"
Brad Pitt – "Babel"
Mark Wahlberg – "The Departed"












Melhor Filme de animação
"Cars" - John Lasseter

Nomeados

"Happy Feet"
"Monster House"











Melhor Filme em Língua Estrangeira
"Letters From Iwo Jima" (EUA, Japão)

Nomeados

"Apocalypto" (EUA)
"The Lives Of Others" (Alemanha)
"Pan's Labyrinth" (México)
"Volver" (Espanha)












Melhor Realizador
Martin Scorsese – "The Departed"

Nomeados

Clint Eastwood – "Flags Of Our Fathers"
Clint Eastwood – "Letters From Iwo Jima"
Stephen Frears – "The Queen"
Alejandro Iñárritu – "Babel"












Melhor Argumento
Peter Morgan - "The Queen"
Nomeados

Guillermo Arriaga - "Babel"
William Monahan - "The Departed"
Todd Field, Tom Perrotta - "Little Children"
Patrick Marber - "Notes On A Scandal"












Melhor Banda Sonora
Alexandre Desplat - "The Painted Veil"
Nomeados

Clint Mansell - "The Fountain"
Gustavo Santaolalla - "Babel"
Carlo Siliotto - "Nomad"
Hans Zimmer - "The Da Vinci Code"











Melhor Canção Original
"The Song Of The Heart" – "Happy Feet"
Nomeados

"A Father's Way" – "The Pursuit Of Happyness"
"Listen" – "Dreamgirls"
"Never Gonna Break My Faith" – "Bobby"
"Try Not To Remember" – "Home Of The Brave"












Melhor Série Televisiva - Drama
"Grey's Anatomy"
Nomeados

"24"
"Big Love"
"Heroes"
"Lost"












Melhor Actriz Televisiva - Drama
Kyra Sedgwick - "The Closer"
Nomeados

Patricia Arquette – "Medium"
Edie Falco – "The Sopranos"
Evangeline Lilly – "Lost"
Ellen Pompeo – "Grey's Anatomy"











Melhor Actor Televisivo - Drama
Hugh Laurie – "House"
Nomeados

Patrick Dempsey – "Grey's Anatomy"
Michael C. Hall – "Dexter"
Bill Paxton – "Big Love"
Kiefer Sutherland – "24"












Melhor Série Televisiva
"Ugly Betty"
Nomeados

"Desperate Housewives"
"Entourage"
"The Office"
"Weeds"












Melhor Actriz Televisiva - Musical ou Comédia
America Ferrera – "Ugly Betty"
Nomeados

Marcia Cross – "Desperate Housewives"
Felicity Huffman – "Desperate Housewives"
Julia Louis-Dreyfus – "The New Adventures Of Old Christine"
Mary-Louise Parker – "Weeds"












Melhor Actor Televisivo - Musical ou Comédia
Alec Baldwin - "30 Rock"
Nomeados

Zach Braff – "Scrubs"
Steve Carell – "The Office"
Jason Lee – "My Name Is Earl"
Tony Shalhoub – "Monk"












Melhor Mini-Série ou Filme para televisão
"Elizabeth I"
Nomeados

"Bleak House"
"Broken Trail"
"Mrs. Harris"
"Prime Suspect: The Final Act"












Melhor Actriz Televisiva
Helen Mirren - "Elizabeth I"
Nomeados

Gillian Anderson – "Bleak House"
Annette Bening – "Mrs. Harris"
Helen Mirren – "Prime Suspect: The Final Act"
Sophie Okonedo – "Tsunami, The Aftermath"












Melhor Actor Televisivo
Bill Nighy – "Gideon's Daughter"
Nomeados

André Braugher – "Thief"
Robert Duvall – "Broken Trail"
Michael Ealy – "Sleeper Cell: American Terror"
Chiwetel Ejiofor – "Tsunami, The Aftermath"
Ben Kingsley – "Mrs. Harris"
Matthew Perry – "The Ron Clark Story"













Melhor Actriz Secundária - Televisão
Emily Blunt – "Gideon's Daughter"
Nomeados

Toni Collette – "Tsunami, The Aftermath"
Katherine Heigl – "Grey's Anatomy"
Sarah Paulson – "Studio 60 On The Sunset Strip"
Elizabeth Perkins – "Weeds"












Melhor Actor Secundário - Televisão
Jeremy Irons – Elizabeth I
Nomeados

Thomas Haden Church – "Broken Trail"
Justin Kirk – "Weeds"
Masi Oka – "Heroes"
Jeremy Piven – "Entourage"