31 de agosto de 2007

Quads














Posters





30 de agosto de 2007

"Turistas" por Ricardo Clara

****************************************************************************************************************************************

ATENÇÃO: CONTEM SPOILERS

****************************************************************************************************************************************

Pelas mãos de John Stockwell ("Into the Blue", 2005) chegou o pior filme do ano, que estreou comercialmente e, caros leitores, talvez um dos piores filmes de terror que alguma vez vi. E asseguro-lhe, já vi muitos. Se muito se fala das famosas estrelas, pontos, zeros ou qualquer sinal com que se costumam classificar filmes, para este ainda não terá sido inventado o correcto.

Mas vamos ao "argumento". Um grupo de jovens decide passar férias no Brasil, viajando por este país de mochila às costas, à procura de diversão, seja por intermédio de engates, copos ou praia. Depois de um acidente com o autocarro onde viajavam, Alex (Josh Duhamel), Bea (Olivia Wilde), Pru (Melissa George) Amy (Beau Garret) e Finn (Desmond Askew) encontram uma paradisíaca praia onde conhecem Kiko (Agles Steib) acabando por ficar para uma festa nocturna. No dia seguinte acordam sem se lembrar do muito que se havia passado. Depois de uma acidentada incursão numa favela local, Kiko leva o grupo para uma cabana no meio do nada, onde mais tarde são sequestrados por um grupo, com o intuito de os operar e retirar os orgãos.

Se a história já por si é banal, a adaptação para a fita ainda foi feita de pior forma. A interpretação e direcção de actores é inenarrável - ciente-se que ainda temos a possibilidade de assistir a um pequeno papel da portuguesa Olga Diegues, que encarna Annika, turista sueca. Por vezes, parece um episódio longo de "Morangos com Açúcar", só que com tripas e sangue a jorrar e palavrões com sotaque brasileiro. A fotografia é péssima, a iluminação não o é e as cenas gore têm via aberta para um qualquer manual de "como não fazer": a queda de Annika pelo penhasco só pode ter saído de um dos efeitos especiais do Chucky Egg, nos tempos do Spectrum; sendo que a sequência onde Kiko se fere no lago é de uma pobreza avassaladora (ainda mais porque num momento o jovem brasileiro está prestes a morrer, esvaindo-se em sangue, e no segundo seguinte já corre pela casa com a cabeça agrafada).
Os diálogos, a banda sonora e a perseguição final são a cereja no topo do bolo. Os primeiros, porque tenho a certeza que quem os escreveu (muito provavelmente o argumentista Michael Ross) inspirou-se após dezenas de tardes sentado num qualquer hipermercado em Agosto, ouvindo e registando aquelas conversar franco-portuguesas dos imigrantes de regresso ao país natal. A banda sonora, porque foi feita com recurso aquelas fantásticas compilações "Now", agora na edição 1392. E a última, porque é a punch scene mais entediante da história do cinema de terror.

Registe-se: se Stockwell quisesse montar uma peça naquele registo do "é tão mau que é muito bom", ainda se aceitava. Agora, "Turistas" é para ser levado a sério. O grande terror deste filme é pensar que é exibido comercialmente, quando muitas obras de enorme qualidade seguem directamente para dvd.


Título Original: "Turistas" (EUA, 2006)
Realização: John Stockwell
Argumento: Michael Ross
Intérpretes: Josh Duhamel, Melissa George, Olivia Wilde e Beau Garrett
Fotografia: Enrique Chediak
Música: Paul Haslinger
Género: Terror
Duração: 93 min.
Sítio Oficial: http://www.paradiselostmovie.co.uk

29 de agosto de 2007

Começa hoje a 64ª edição de Veneza


Vai começar Veneza e esta edição parece multi-facetada como poucas. Na competição não se vê nenhum blockbuster arrasador (vantagem de ser após o verão) mas tanto se encontram filmes para grande público como obras de autor, tanto vão estar presentes nomes ainda desconhecidos como as maiores estrelas da actualidade. Nove filmes americanos, e essencialmente sobre o Iraque, parecem ser a nota dominante. Portugal mais uma vez está fora da competição principal, é representado apenas por Maria de Medeiros numa das produções europeias.

Um destes títulos sairá com um leão dourado.

  • "12" de Nikita Mikhalkov (Russia)
  • "Les Amours d'Astree et de Celadon" de Eric Rohmer (França, Itália, Espanha).
  • "The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford" de Andrew Dominik (EUA)
  • "Atonement" de Joe Wright (Reino Unido, EUA)
  • "The Darjeeling Limited" de Wes Anderson (EUA)
  • "Il Dolce e L'Amaro" de Andrea Porporati (Itália)
  • "En la Ciudad de Sylvia" de José Luis Guerin (Espanha)
  • "La Graine et le Mulet" de Abdellatif Kechiche (França)
  • "Help Me Eros" de Lee Kang Sheng (Taiwan)
  • "Heya Fawda" de Youssef Chahine (Egipto)
  • "I'm Not There" de Todd Haynes (EUA)
  • "In the Valley of Elah" de Paul Haggis (EUA)
  • "It's a Free World" de Ken Loach (Reino Unido, Itália, Alemanha, Espanha)
  • "L'ora di Punta" de Vicenzo Marra (Itália)
  • "Lust, Caution" de Ang Lee (EUA, China, Taiwan)
  • "Michael Clayton" de Tony Gilroy (EUA)
  • "Nessuna Qualita Agli Eroi" de Paolo Franchi (Itália, Suíça, França)
  • "Nightwatching" de Peter Greenaway (Reino Unido, Polónia, Canadá, Holanda)
  • "Redacted" de Brian De Palma (EUA)
  • "Sleuth" de Kenneth Branagh (Reino Unido, EUA)
  • "Sukiyaki Western Django" de Miike Takashi (Japão)
  • "The Sun Also Rises" de Jiang Wen (China, Hong Kong)

    Em festivais é difícil apontar favoritos. Paul Haggis ultimamente anda a “limpar” os Oscares, Wes Anderson tem sempre argumentos brilhantes e elencos de sonho, Brian De Palma fez imensos filmes de culto que se reflectiram em poucos prémios, Ken Loach já venceu em Verlim e Cannes, Kenneth Branagh já ganhou o prémio de melhor realização do festival em 1995, e Ang Lee venceu o certame há dois anos.
    Outros grandes nomes ultimamente parados como Todd Haynes e Peter Greenaway poderão surpreender. E o que poderemos esperar do estreante Paolo Franchi? Mesmo para Takashi Miike é uma estreia: em festivais que não sejam do fantástico.
  • 28 de agosto de 2007

    Owen Wilson em apuros


    Owen Wilson, talentoso actor nomeado para Oscar em 2002 por "The Royal Tennenbaums", foi hospitalizado no passado Domingo. Segundo rumores, o actor de 38 anos foi encontrado por um familiar em sua casa, depois de ter cortado os pulsos e tomado um número indeterminado de comprimidos, encontrando-se o recipiente prostrado ao seu lado.
    Após o final da relação com a também actriz Kate Hudson ("Almoust Famous" - 2000; "You, Me and Dupree" - 2006), rumor ainda não confirmado pelo actor, Wilson deverá agora ser internado para proceder a uma desintoxicação, apesar de já hoje ter emitido um comunicado à imprensa sem admitir qualquer acidente ou tentativa de suicídio, pedindo aos media que o deixem receber cuidados de saúde neste momento difícil.

    24 de agosto de 2007

    "Disturbia" por Nuno Reis


    Após o sucesso da série “Prison Break” a justiça americana começou a preferir a prisão domiciliária. Quem no seu perfeito juízo abandonaria o conforto do lar numa fuga desenfreada para lado nenhum? É possível ver televisão, navegar na Internet até ao Antestreia, conviver com a família, ver os vizinhos da janela, bem, talvez este último não seja muito correcto mas ao fim de algum tempo é tudo o que sobra a Kale. Colocado em prisão domiciliária por agressão e simultaneamente de castigo pela mãe, Kale entretém-se a ver o que fazem os vizinhos daquele pacato bairro. Além de espiar a nova vizinha em fato-de-banho, costuma espreitar o que faz Turner, o calmo vizinho que apenas sai para cortar a relva. Ajudado pelo seu amigo Ronald e por Ashley (a vizinha), Kale vai começar uma perseguição em que o papel de gato e de rato podem ser invertidos mais cedo do que o esperado.

    Tal como aconteceu a James Stewart e Christopher Reeve, também Shia LaBouef está confinado a ver o mundo pela janela. Nesta nova era de comunicações recorre aos clássicos binóculos, mas também a câmaras de filmar portáteis e a telemóveis de terceira geração. Não é um Hitchcock, mas é um filme de terror a espreitar.

    A visão sobre a pressão psicológica que a prisão cria é bastante interessante. Com um pouco de drama, de comédia e de sensualidade, motiva o inconsciente a ficar longe de problemas. No geral falta um pouco de intensidade, nota-se que foi feito a pensar num público jovem e quem espera um filme de terror puro ficará um bocado decepcionado. É mais próximo da verdade classificar como um thriller policial.
    Das pessoas à frente das câmaras o destaque vai para LaBeouf que tem aqui o seu primeiro papel complicado. Carrie-Anne Moss repete o papel de mãe preocupada em que a vi três vezes em dois anos. David Morse, um dos actores secundários mais famosos, tem aqui mais uma personagem fulcral para juntar à sua lista. Sarah Roemer tem aqui o seu primeiro papel principal numa carreira que ainda vai no terceiro filme. Atrás das câmaras deixo um comentário para o realizador D. J. Caruso. Tem aqui o seu melhor trabalho e para o próximo já chamou LaBeouf. Veremos se a dupla volta a funcionar.






    Título Original: "Disturbia" (EUA, 2007)
    Realização: D. J. Caruso
    Argumento: Christopher Landon, Carl Ellsworth
    Intérpretes: Shia LaBeouf, Sarah Roemer, Carrie-Anne Moss, David Morse
    Fotografia: Rogier Stoffers
    Música: Geoff Zanelli
    Género: Horror, Thriller
    Duração: 105 min.
    Sítio Oficial: http://www.disturbia.com/

    ER


    Como vem sendo cada vez mais habitual na programação televisiva cá do burgo, muitas das séries televisivas são repetidas até à exaustão. A RTP2 não será excepção e "ER" / "Serviço de Urgência", premiada dezenas de vezes e um marco importante na concepção actual da realização e criação de códigos da direcção televisiva, está actualmente em exibição, ainda na longínqua época 8.

    De qualquer modo, e por me ter cruzado com ela, continuo impressionado com a poderosa escrita que aí foi criada na curva descendente que leva o Dr. Mark Green (Anthony Edwards" até à morte. Os vários episódios onde assistimos à decadência da condição humana encerram neles uma enorme força, até pela simpatia que os seguidores de "ER" dispensavam à personagem em questão.

    E, de facto, o penúltimo episódio da 8ª Série, onde o último suspiro é soltado é de uma humanidade fortíssima e uma ideia e visão muito conseguida ao ser passada para imagem. John Wells, que realiza este episódio, monta efectivamente uma dura experiência, que já foi inclusive apelidada de "episódio mais triste da história da televisão". Aproveito para deixar aqui o tema que marca a ferros este final, "Somewhere Over the Rainbow" interpretado por Israel Kamakawiwo'ole (wiki).


    23 de agosto de 2007

    "Van Wilder 2: The Rise of Taj" por Nuno Reis


    Van Wilder foi um êxito relativamente modesto das comédias de adolescente. Trouxe alguma inovação e revelou alguns talentos, mas numa época em que o público estava saturado do género nem o elenco recheado de estrelas acostumadas a essas andanças o desofuscou. Só uma sequela poderia vincar a passagem do filme pelas salas. E foi esse o passo a dar.
    Trazer todas as personagems de volta seria inpensável. Não só o filme não o permitia como o público não apreciaria portanto, foi feita uma selecção. A personagem preferida das audiências era o tímido Taj e o indiano seria perfeito para fazer piadas fáceis na velha Inglaterra. Kal Penn teve por isso mais uma oportunidade.
    A carreira cinematográfica de Penn quase se limitou a "Van Wilder" e "Harold and Kumar go to the White Castle", no primeiro era actor secundário com uma personagem inesquecível e no segundo era da dupla principal, o passo final seria tornar-se a estrela.

    Taj entrou na famosa Camford - o par Cambridge/Oxford costuma ser referido como Oxbridge, isto é uma inversão - onde espera seguir as pisadas do pai e, como membro digno da República "Fox and Hounds", caçar todas as mulheres disponíveis. Só que a matreira república da raposa envia-o para o desterro dos indesejados onde, por vingança, Taj irá formar uma nova república e competir pela prestigiada Taça Hastings e pela bela Charlotte. Nota alguma semelhança com algum filme? Claro, mas as diferenças existem e ainda bem. A mais óbvia é que Taj é inteligente. Não é frequente o protagonista de um filme destes ter dois dedos de testa. Taj não só sabe o que quer como sabe como o vai conseguir. Poucos o conseguem enganar e, quando isso acontece, não transparece surpresa o que é uma grande vantagem. A segunda diferença chama-se Lauren Cohan. Esta beldade americana já nos breves segundos que aparece em Casanova tinha cativado os olhares e agora volta a repetir a graça. Os olhos e o sorriso fazem com que o tempo que está na tela pareça pouco. Normalmente quando contratam actores famosos eles parecem estar a fazer um frete. Pode ser por ser novata nestas andanças, mas pessoalmente acho que um projecto do National Lampoon faz com que todos dêem mais de si.

    Considerando que o género já foi expremido e sugado até ao limite nestes últimos anos, este argumento tem detalhes originais e é um bom cruzamento de ordinarice com sagacidade. Pega nas minorias discriminadas - antigas colónias, irlandeses, londrinos - para gozar com a aristocracia e mesmo quando repete algo de outro filme consegue ser melhorzinho (para comparar com um filme recente, chama aos rappers “poetas dos tempos modernos” de forma mais divertida que “It’s a Boy/Girl Thing”). De entre a sua categoria destaca-se um pouco, quem ainda não tiver ficado farto de espreitar.






    Título Original: "Van Wilder 2: The Rise of Taj" (EUA, 2006)
    Realização: Mort Nathan
    Argumento: David Drew Gallagher
    Intérpretes: Kal Penn, Lauren Cohan, Daniel Percival
    Fotografia: Hubert Taczanowski
    Música: Robert Folk
    Género: Comédia, Romance
    Duração: 97 min.
    Sítio Oficial: http://www.riseoftaj.com/

    "Mr. Brooks" por António Reis

    Quem sai aos seus não degenera


    A atracção do cinema por mentes simultaneamente perversas e inteligentes é fatal. "Mr Brooks" retoma o tema clássico da dupla personalidade, um Dr. Jekyll e Mr. Hide , incorporando o factor genético e o jogo do gato e do rato entre um serial killer e o seu detective de estimação. Como terceiro vértice deste triângulo a figura de um voyeur incapaz de resistir à luxúria de possuir o segredo de saber quem é o serial killer a par da morbidez de querer participar como assistente das mortes anunciadas.
    Apesar de alguma previsibilidade de um argumento inteligente e bem estruturado (algumas semelhanças temáticas com “The Ungodly” que vimos no festival de Sitges podem não passar de mera coincidência) “Mr. Brooks” tem o raro condão de prender o espectador. Nesta teia onde predadores e presas não são claramente definidos e onde a moral acaba por sair bem maltratada porque a meticulosidade do assassino na preparação dos seus crimes onde as vítimas são aleatórias acaba por ter um fascínio irresistível. Demi Moore como detective compõe com verosimilhança o papel de menina rica em busca de afirmação e a viver num divórcio litigioso. Danielle Panabaker mal tem tempo de encarnar a personagem e apesar do desejo de sair ao pai vê-se que lhe falta ainda muito treino para se tornar uma grande mestre do crime. O fotógrafo indiscreto que fotografou demais é o elo mais fraco desta cadeia alimentar, ou seja, vai ser comido. Para filme de verão “Mr. Brooks” é uma aposta interessante que mostra a versatilidade de algum cinema americano em narrar uma história de forma desenvolta sem a obsessão de criar obras-primas. Os policiais já não são o que eram, mas ainda se comprovam como dos géneros mais garantidamente bem sucedidos.




    Título Original: "Mr. Brooks" (EUA, 2007)
    Realização: Bruce A. Evans
    Argumento: Bruce A. Evans, Raynold Gideon
    Intérpretes: Kevin Costner, Demi Moore, Dane Cook, Danielle Panabaker
    Fotografia: John Lindley
    Música: Ramin Djawadi
    Género: Crime, Drama, Thriler
    Duração: 120 min.
    Sítio Oficial: http://www.theressomethingaboutmrbrooks.com/main.htm

    "Evan Almighty" por Nuno Reis

    Quem tenha visto e gostado deste filme pode parar de ler este artigo.


    Há mais de um ano ouvi falar de uma dupla que tinha vendido um argumento entitulado “Passion of the Ark” por uma quantia milionária. O guião falava de um viúvo a quem Deus ordena que faça uma arca, e a ideia que logo ocorreu aos génios de Hollywood foi adaptar esse texto para que o protagonista de “Bruce Almighty” fosse o encarregado da missão. Por alguma razão Jim Carrey recusou (depois de um filme como Deus desconfio que previu o resultado), optaram por recuperar outra personagem do filme e o resultado foi este todo-poderoso Evan.
    Evan era pivot de um canal de notícias e depois de vencer umas eleições parte para o congresso com vontade de mudar o mundo. Ao contrário do livro de Camilo Castelo Branco o poder não causará a queda de um anjo, mas o chefe dos anjos fará com que Evan caia do poder… e que caia no ridículo, e de um monte de madeira, basicamente a única queda que não tem é para dançar.
    Consegui ver o filme do início ao fim sem um único riso e o único sorriso que fiz foi de comiseração. Confesso que o que mais vezes me passou pela cabeça foi “se sair, ainda consigo ver a sessão da sala ao lado” - os multiplex fazem-nos ter estes pensamentos pecaminosos – mas estoicamente resisti até ao fim. Posso dizer que é uma história com muito sentido, não se passa nada que não seja esperado.
    A insistência inicial do 6:14 tem a sua graça e várias brincadeiras com nomes (como o funcionário Al Mighty) impedem este filme de se afundar. Do elenco ninguém se destaca pela positiva, se colocassem Wanda Sykes como protagonista fariam um filme bem mais divertido. Os efeitos visuais são bons, há bastante diversidade animal (até colocaram casais de animais assexuados) e transmite uma mensagem importante sobre o ambiente. Se tivessem investido metade do dinheiro gasto neste projecto – a comédia mais cara de sempre? isto? - com a defesa do ambiente todos ficaríamos a ganhar.





    Título Original: "Evan Almighty" (EUA, 2007)
    Realização: Tom Shadyac
    Argumento: Steve Oedekerk baseado no argumento Joel Cohen e Alec Sokolow
    Intérpretes: Steve Carell, Morgan Freeman, Lauren Graham, John Goodman
    Fotografia: Ian Baker
    Música: John Debney
    Género: Comédia
    Duração: 90 min.
    Sítio Oficial: http://www.evanalmighty.com/

    "It's a Boy/Girl Thing" por Nuno Reis

    Mais do mesmo



    Depois de centenas de filmes centrados numa troca de corpos – temos como exemplo nesta década “Freaky Friday”, “The Hot Chick” e “Shrek 3”- surge mais um com essa mesma temática.
    Para não variar a história segue um rapaz e uma rapariga que apesar de vizinhos não se suportam. A leitura da obra-prima de Shakespeare logo na primeira cena faz prever aquilo que qualquer espectador imagina, depois do ódio virá o amor. O conflito destes dois jovens não foi causado pelas famílias mas pela escola. Enquanto Woody é o super-atleta idolatrado por toda a escola, Nell é a marrona que apenas quer passar despercebida até á faculdade. Por intervenção de uma divindade vão acordar no corpo um do outro e terão de viver assim até que a situação se normalize. Cada um vai destruindo a reputação do outro enquanto se preocupa com o dia crítico que se aproxima: Nell vai ser entrevistada para entrar em Yale, Woody é fundamental para a equipa vencer o último jogo.
    Como Nell temos Samaire Armstrong, já participou em várias séries, foi figurante em “Not Another Teen Movie” e secundária em “Just My Luck”. Apareceu esta oportunidade de protagonismo e agarrou-a. No papel masculino temos Kevin Zegers que já tem uma ampla experiência cinematográfica que inclui desde o estrelato na saga “Air Bud” até papeis secundários em “Wrong Turn”, “Dawn of the Dead” e “Transamerica”. Dos dois é ela quem se safa melhor, pois ele é demasiado constante e não consegue dar realismo ao lado feminino.
    Não esperava nada de especial e mesmo assim desiludiu-me um pouco. De entre as comédias românticas não é mau. Segue todos os clichés, é um filme ligeiro e para entretenimento serve, mas para repetir aquilo que tantos fizeram antes não era preciso. Seria perfeito para ver num domingo à tarde na TV, supondo que não esteja a dar mais nada e o leitor de DVDs esteja com problemas.







    Título Original: "It’s a Boy/Girl Thing" (Canadá, Reino Unido, 2006)
    Realização: Nick Hurran
    Argumento: Geoff Deane
    Intérpretes: Samaire Armstrong, Kevin Zegers
    Fotografia: Steve Danuluk
    Música: Christian Henson
    Género: Comédia, Romance
    Duração: 95 min.
    Sítio Oficial: http://www.itsaboygirlthing.co.uk/

    22 de agosto de 2007

    Como?

    Filipe La Féria, em entrevista ao Jornal de Notícias (sublinhado meu):


    "Trocaria Lisboa pelo Porto?

    Sou um cidadão do mundo. Estiva no Alentejo, nos últimos dias, e tive saudades do Porto, porque a cidade tem uma coisa diferente de Lisboa. As pessoas são muito afáveis. Conto-lhe uma coisa comovente: eu entro no táxi e não pago; no hotel, nos restaurantes, almoço e janto e não pago. As pessoas não me deixam pagar. Os meios pequenos têm essa vantagem. Em Nova Iorque, se cair para o chão passam-lhe por cima."

    Como?


    21 de agosto de 2007

    FEST Santa Maria da Feira


    As inscrições para o FEST - Festival Internacional de Cinema e Vídeo Jovem, agora a decorrer em Santa Maria da Feira, ainda estão a decorrer e podem ser feitas no site do certame. Um pouco de serviço público aqui no Antestreia:


    O FEST Festival Internacional de Cinema Jovem de Santa Maria da Feira decorrerá de 28 de Outubro a 4 de Novembro, na sua nova casa a cidade de Santa Maria da Feira.

    Estão abertas até dia 4 de Setembro as inscrições para a secção competitiva oficial do Festival, dirigida a realizadores até aos 30 anos de idade


    As categorias em competição são:

    A - Ficção

    B - Documentário

    C - Experimental

    D - Animação

    E - Videoclip

    F - Filmes de âmbito escolar


    Este ano existirá também a competição Castelo de Prata, dirigida a primeiros ou segundos trabalhos dos novos realizadores em formato de Longa Metragem.

    Paralelamente ao evento o FEST vai também executar o Encontro de Estudantes de Imagem em Movimento e ainda o FEST Sound2007 .

    O Encontro de Estudantes de Imagem em Movimento, actividade paralela do evento, abriu as portas a estudantes de todo o mundo, que se deslocaram a Portugal na edição anterior, garantindo um excelente ambiente durante todo o Festival.

    O FEST SOUND2007 apresentará diariamente aos participantes uma programação musical de referencia e de qualidade, com grandes novidades a serem anunciadas em breve.

    "Vinicius" por Ricardo Clara

    Passou despercebido aquando da estreia comercial o delicioso documentário "Vinícius" de Miguel Faria Jr., e que recita em imagens o mel que Vinicius de Moraes escreveu e cantou nos seus 67 anos de intensíssima vida.

    O poetinha, como era (e com bastante escárnio) apelidado por muitos, foi um dos maiores autores e músicos mundiais, uma referência incontornável da criação brasileira e criador da famosa corrente Bossa Nova, a par de nomes como Tom Jobim e João Gilberto. Diplomata de carreira, intelectual de formação e músico do coração, Vinicius é visto neste documentário por uma lente de enorme saudade e reverência, em entrevistas muito bem montadas, a homens e mulheres tão importantes como Chico Buarque, Toquinho, Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gilberto Gil, passando pelas filhas Mariana, Maria, Susana, Luciana e Georgiana, todas "de Moraes", com testemunhos fascinantes sobre a vida do pai, um apaixonado da vida e das mulheres, um sedutor por excelência, um boémio inveterado.

    São duas horas de uma bela reflexão sobre a vida (e quando feita num documentário, ganha pela veracidade e pela vivência), com testemunhos emocionados e muito conseguidos, rasgados de saudade e muitas vezes de inveja, revivendo o envelhecer de Vinicius, os seus 9 casamentos, os filhos, a genialidade de trabalhos com Tom Jobim, Toquinho ou Baden Powell (com quem criou uma corrente africana da bossa nova) e a ligação umbilical com a sua eterna bebida, o whiskey ("whiskey é o melhor amigo do homem, é cachorro engarrafado") - deliciosa as histórias contadas a este propósito por Chico Buarque, soltando sinceras e desprendidas gargalhadas, deixando-nos cair naquela inveja de nunca podermos ter tido o prazer de privar com Vinicius.

    Belíssima a opção por filmar uma espécie de teatro sobre o autor, com fantásticas interpretações e récitas de Ricardo Blat e Tônia Carrera, as ternas imagens de arquivo de Vinicius, e as palavras cantadas por Adriana Calcanhoto, Olivia Byington, Edu Lobo, Zeca Pagodinho e Chico Buarque, numa peça essencial para (re)descobrir o homem que sobre si deixou escorrer: "De manhã escureço / De dia tardo / De tarde escureço / De noite ardo".


    Título Original: "Vinicius" (Espanha / Brasil, 2005)
    Realização: Miguel Faria Jr.
    Argumento: Miguel Faria Jr. e Rubem Braga
    Intérpretes: Vinicius de Moraes, Chico Buarque, Ricardo Blat e Maria Bethânia
    Fotografia: Lauro Escorel
    Música: Luiz Cláudio Ramos
    Género: Documentário / Biografia
    Duração: 110 min.

    Posters





    "Hostel: Part II" por Ricardo Clara

    Ponto prévio, desnecessário para os que me costumam ler: sou um confesso fã de cinema de terror, dos teen horror aos slasher movies, do terror psicológico ao físico, das casas assombradas aos maníacos de máscara, das pistolas às moto-serras, do gore puro à série B e série Z. "Hostel" foi uma boa novidade, que aliou cinema de terror norte-americano com gore europeu. Não é nenhum portento cinematográfico, mas uma boa ideia com interpretações razoaveis e sangue q.b., servido em golpes bastante engraçados.

    Eli Roth, o realizador, e Quentin Tarantino, o produtor, regressam à fórmula inicial, quedando-se por "mais do mesmo". "Hostel: Part II", copia de forma quase integral a primeira receita: turistas jovens de mochila às costas, sendo agora viajantes 3 raparigas: a geek Lorna (Heather Matarazzo), a explosiva Withney (Bijou Phillips) a comportada Beth (Lauren German). A partir de Roma, as três norte-americanas conhecem Axelle (meu Deus, Vera Jordanova!), uma russa que decidiu passar um fim de semana de spa na Eslováquia, ficando seduzidas por esta ideia e seguir com esta para uma rústica pensão (onde os protagonistas de "Hostel" já haviam ficado). De engate em engate, Lorna, Whit e Beth são raptadas e levadas para uma fábrica onde clientes/caçadores torturam e matam as suas presas.

    Interessante, do ponto de vista formal, é a opção de ver agora o papel dos caçadores, pelos seus olhos. Stuart (Roger Bart) e Todd (Richard Burgi) - parelha que já haviamos visto em "Desperate Housewifes" - são dois empresários abastados que entram no leilão e compram o direito a matar duas destas jovens. Somos confrontados com as dúvidas de Stuart e a obsessão de Todd, com o inesperado desfecho da inversão de papéis, que atribuem outro elan à narrativa. Destaco particularmente o papel de louco obstinado de Bart, que aliás já tinha sido bem explorado no seu papel de farmaceutico naquela série, bem comotodo o percurso de ambos até ao culminar da acção.

    O resto, uma amálgama de referências: o tão falados grindhouse, muito gore italiano de Lucio Fulci, Mario Bava e Dario Argento, terror japonês de Miike, sangue, cortes, facadas, sexo, nudez e alguma lesbianxploitaxion, muitas vezes mal pesados e ponderados, dando a impressão de que Roth queria fazer mais do que podia (e sabia) - desde o desenrolar final, passando a presa para caçadora e a triste cena final do jogo de futebol na mata. Será que vai haver um terceiro?

    Título Original: "Hostel: Part II" (EUA, 2007)
    Realização: Eli Roth
    Argumento: Eli Roth
    Intérpretes: Roger Bart, Heather Matarazzo, Vera Jordanova e Lauren German
    Fotografia: Milan Chadima
    Música: Nathan Barr
    Género: Terror
    Duração: 93 min.
    Sítio Oficial: http://www.hostel2.com

    20 de agosto de 2007

    Ofereço...

    ... a tal passadeira vermelha a quem conseguir calar o Joe(l) Berardo durante umas horas.

    19 de agosto de 2007

    Rui Rio Air Race

    O edil portuense soma e segue. Depois do investimento avultado na organização do Circuito da Boavista, a Câmara Municipal do Porto "investiu" 400 mil euros na Red Bull Air Race, participando com esse valor no orçamento do evento.

    A Red Bull Air Race é um evento desportivo onde aviões voam uns contra os outros numa espécie de Fórmula 1 dos ares, acontecimento esse que vai aterrar na cidade do Porto nos dias 31 de Agosto e 1 de Setembro, depois de passar por Budapeste, onde amanhã começará a competição. São esperados, segundo a organização, cerca de 500 mil espectadores para assistirem a esta luta aérea.

    Esta é mais uma opção estranha da edilidade do Porto, com uma aposta enorme de 400 mil euros em corridas aéreas, continuando a cidade a cair num marasmo cultural de proporções muito preocupantes. Por cá, continuamos com salas fechadas, La Férias e Jesus Cristos Superstars e, agora, o presidente da Câmara a brincar aos aviões.

    Acrescente-se que os bilhetes não são nada baratos, segundo o site do evento, com valores a rondar dos € 60 a € 130, no Race Club, que incluem bebidas e canapés à chegada, bem como líquido durante o evento (muito ao estilo da festa de inauguração do Jesus Cristo Super Estrela), até aos € 300 a € 600, este agora no High Flyer’s Lounge (que será onde vão parar aqueles que entram de borla), com direito a zona de passadeira vermelha (importantíssimo, eu não tenho nenhuma em casa e deve ser por isso que não vem cá muita gente), varanda espectacular com vista para o evento, almoço em buffet com 3 pratos (não vá dar aquele ratito muito habitual quando se está a olhar para o ar), as mesmas bebidas (bom, em vez de Cristal Preta deve ser Guiness) que o Race Club, serviços exclusivos (não perguntem quais, que eu não sei), confortável zona de descanso tipo "lounge" (sim, que estar de papo cheio a olhar para o céu cansa que não é brincadeira) ecrãs de plasma e ainda a confirmar uma Pit Lane Walk (que é dar um salto à Queima das Fitas em Agosto, em terreno alcatroado, com a diferença de que os bêbados ficaram no "lounge").

    Será, concerteza, um evento memorável para a cidade do Porto e que atrairá milhares de turistas sedentos para verem aviões a voar.

    Um post puxa o outro


    E por ter colocado no post aqui abaixo as imitações de Kevin Spacey no programa "Inside the Actors Studio", acho fulcral relembrar a actuação de Hugh Laurie ao piano entoando um tema seu intitulado Mistery. Brilhante Laurie.


    Mystery
    All my life has been a mystery
    You and I were never ever meant to be
    It's why I call my love for you a mystery

    Different country
    You and I have always lived in a different country
    And I know that airline tickets don't grow on-a-tree
    So what kept us apart is plain for me to see
    That much at least is not really a mystery

    Estuary
    I live in a houseboat on an estuary
    Which is handy for my work with the Thames Water Authority
    But I know you would have found it insanitary

    Taken a violent dislike to me
    I'd be foolish to ignore the possibility
    That if we ever actually met, you might have hated me
    Still, that's not the only problem that I can see...

    Dead since 1973
    You've been dead now . . . wait a minute, let me see
    Fifteen years come next Jan-yoo-a-ree
    As a human being you are history

    So why do why I still long for you?
    Why is my love so strong for you?
    Why did I write this song for you?
    Well, I guess it's just... a mystery

    Mystery, Hugh Laurie



    Os famosos também fazem figuras tristes


    A conhecida revista Total Film elegeu os 50 momentos mais estranhos protagonizados pelas estrelas de Hollywood e que podem ser vistos na internet, muitos dos quais se encontram publicados no YouTube. O Antestreia deixa aqui alguns dos mais divertidos:


    Um nadador salvador afogado:

    David Hasselhoff, que ficou célebre por "Baywatch", foi filmado pela filha completamente bêbado e a comer hamburgers, optando o rebento por dar a conhecer o estado do pai ao mundo. Vídeo.

    Um Danny De"bebido":

    Outro actor que decidiu beber uns copos a mais foi o pequeno Danny Devito, e admitiu-o abertamente no programa The View. Vídeo.

    Lohan com "algumas" dificuldades de condução:

    Algumas performances da actriz Lindsay Lohan, mas desta vez ao volante (permitam-me que o diga, conduz tão bem quanto representa). Acabou por ser detida, com suspeitas de condução sob o efeito de álcool e drogas. Vídeo.

    Tom "Crazy":

    Este correu mundo. Tom Cruise decide dar a conhecer ao mundo o seu amor por Katie Holmes dando saltos desenfreadamente em cima de um sofá, no programa Oprah. Vídeo.

    As imitações de Spacey:

    Kevin Spacey imita Al Pacino e Clint Eastwood, entre outros, no famoso "Inside the Actors Studio". Vídeo.

    Kimono Arnold:

    O agora Governador da Califórnia faz um anúncio japonês a massas vestido com um... kimono! Vídeo.


    17 de agosto de 2007

    I love the hearing of Vinicius in the morning

    Olhando para os últimos três posts, constatei que a música tomou de assalto o Antestreia. Talvez do calor, talvez da silly season, quem sabe de umas pequenas férias, facto é que este senhor está constantemente a aparecer no nosso leitor de cd's. Mais um tema, agora do enorme Vinicius de Moraes, para refrescar a memória de que, se existiu um Rei Elvis, também existiu Deus Vinicius, o Homem que, na véspera de morrer, e em entrevista, mostrou a fundo a sua alma: "Você está com medo da morte?". Ao que o poetinha respondeu: "Não, meu filho. Eu não estou com medo da morte. Estou é com saudades da vida"

    O homem que diz "dou" não dá
    Porque quem dá mesmo não diz
    O homem que diz "vou" não vai
    Porque quando foi já não quis
    O homem que diz "sou" não é
    Porque quem é mesmo é "não sou"
    O homem que diz "tô" não tá
    Porque ninguém tá quando quer
    Coitado do homem que cai
    No canto de Ossanha, traidor
    Coitado do homem que vai
    Atrás de mandinga de amor
    Vai, vai, vai, vai, não vou
    Vai, vai, vai, vai, não vou
    Vai, vai, vai, vai, não vou
    Vai, vai, vai, vai, não vou
    Que eu não sou ninguém de ir
    Em conversa de esquecer
    A tristeza de um amor que passou
    Não, eu só vou se for pra ver
    Uma estrela aparecer
    Na manhã de um novo amor
    Amigo sinhô, saravá
    Xangô me mandou lhe dizer
    Se é canto de Ossanha, não vá
    Que muito vai se arrepender
    Pergunte pro seu Orixá
    O amor só é bom se doer
    Pergunte pro seu Orixá
    O amor só é bom se doer
    Pergunte pro seu Orixá
    O amor só é bom se doer
    Pergunte pro seu Orixá
    O amor só é bom se doer
    Vai, vai, vai, vai, amar
    Vai, vai, vai, sofrer
    Vai, vai, vai, vai, chorar
    Vai, vai, vai, dizer
    Que eu não sou ninguém de ir
    Em conversa de esquecer
    A tristeza de um amor que passou
    Não, eu só vou se for pra ver
    Uma estrela aparecer
    Na manhã de um novo amor

    Canto de Ossanha, Vinicius de Moraes e Baden Powell

    16 de agosto de 2007

    30 anos sem o Rei

    Elas, as actrizes

    Naturalmente
    ela sorria
    Mas não me dava trela
    Trocava a roupa
    Na minha frente
    E ia bailar sem mais aquela
    Escolhia qualquer um
    Lançava olhares
    Debaixo do meu nariz
    Dançava colada
    Em novos pares
    Com um pé atrás
    Com um pé a fim

    Surgiram outras
    Naturalmente
    Sem nem olhar a minha cara
    Tomavam banho
    Na minha frente
    Para sair com outro cara
    Porém nunca me importei
    Com tais amantes
    Os meus olhos infantis
    Só cuidavam delas
    Corpos errantes
    Peitinhos assaz
    Bundinhas assim

    Com tantos filmes
    Na minha mente
    É natural que toda atriz
    Presentemente represente
    Muito para mim

    As Atrizes, Chico Buarque


    15 de agosto de 2007

    Filipe Melo Trio

    A RTP 2 tem transmitido esta semana concertos integrados no 8º Festival Internacional AngraJazz 2006, e na passada segunda-feira foi a vez o do meu bom amigo Filipe Melo e do seu trio. Este, e aproveitando o texto da programação no site do dito canal, foi "influenciado pelo estilo de Óscar Peterson, Bobby Timmons e Mulgrew Miller" tendo iniciado "a sua formação na Escola de Jazz do Hot Clube de Portugal (HCP), com Mário Laginha, Carlo Morena e Rodrigo Gonçalves, e participa em workshops com Bruce Barth, Phil Markowitz e David Liebman, entre outros. Estuda depois no Berklee College of Music em Boston, tendo como professores Joanne Brackeen, Ray Santisi e Kevin Mahogany. Tem, ainda, aulas com Benny Green e Monty Alexander". Aqui ficam três temas extraídos desse fantástico concerto:







    "Georgia Rule" por Nuno Reis


    Lindsay Lohan tem sido uma decepção para aqueles que há quase 10 anos lhe auguraram uma carreira de sucesso. Com o tempo deixou de ser uma adorável criança Disney e tornou-se a protagonista de teen flicks e das capas de revista pelos piores motivos. Os boatos destruíram-lhe a sua reputação, mas mesmo assim conseguiu participar em filmes marcantes como o último filme de Altman e o extraordinário “Bobby”. Era chegada a hora de ter o protagonismo num filme sério e é precisamente isso que este filme tenta ser, uma oportunidade para Lohan se apresentar como uma actriz profissional.

    Georgia Rule” é a história de três mulheres conflituosas. Georgia viveu em Idaho e sempre se manteve fiel às regras que definiu. A filha Lilly assim que conseguiu mudou-se para a Califórnia e foi lá que educou a sua filha, Rachel. Sem a rigidez das regras de Geórgia, Rachel tornou-se uma jovem problemática e delinquente. Para tentar remediar isso Lilly leva a filha a experimentar as regras da avó Georgia.

    Depois de Lohan no já referido “A Prairie Home Companion” ter interpretado Lola - uma problemática jovem com dificuldades em reconhecer os valores familiares – em “Geórgia Rule” interpreta uma Lolita. Rachel é uma jovem sensual que sempre conseguiu manipular os homens pelo sexo. Em vésperas de entrar na faculdade as férias forçadas a que a mãe a obriga parecem-lhe uma aventura, até que surgem três grandes problemas. Não contava com a inflexibilidade das regras… A avó estipula os horários exactos em que pode comer, obriga-a a trabalhar e certifica-se à moda antiga que Rachel usa uma linguagem adequada. O segundo problema são os homens. Os dois que tenta seduzir não parecem estar muito interessados nela. O terceiro problema é o seu passado, uma revelação que confidencia ao médico local vai desencadear uma crise familiar que tanto as pode separar como unir para sempre

    O argumento desiludiu-me. Mark Andrus tem feitos bons argumentos (incluindo “As Good as It Gets”) e eu pessoalmente esperava mais deste. A classificação como comédia e o trailer também dão uma ideia errada do filme que tem pouco de cómico, é um filme bastante sério. Este filme é daqueles que se aprecia melhor ao segundo visionamento, depois de se pensar nas falsas conclusões que se tirou da primeira vez. As personagens ao fim de algum tempo já merecem a nossa simpatia, especialmente Rachel que passa de menina mimada a destruidora de lares e a vítima.
    A participação de Fonda dispensa comentários, a avó é apenas o refúgio para onde a família corre quando algo corre mal. Huffman fez um belo trabalho, só é pena que na primeira metade do filme seja ignorada. Quanto à estrela em cujas mãos depositaram o filme… ainda bem que tem outro trabalho quase a chegar às salas, ainda não foi desta que convenceu. O protagonismo podia e devia ter sido entregue a alguém com menos fama e mais vontade de trabalhar.




    Título Original: "Georgia Rule" (EUA, 2007)
    Realização: Garry Marshall
    Argumento: Mark Andrus
    Intérpretes: Lindsay Lohan, Felicity Huffman, Jane Fonda, Dermot Mulroney
    Fotografia: Karl Walter Lindenlaub
    Música: John Debney
    Género: Drama
    Duração: 113 min.
    Sítio Oficial: http://www.georgiarulemovie.net/

    13 de agosto de 2007

    Rock n' Roll, Frodo!


    Elijah Wood, conhecido actor norte-americano, que recentemente interpretou o papel de Frodo Baggins na premiada trilogia "Senhor dos Anéis" não descansa, e apesar de estar envolvido em dois projectos cinematográficos ("The Oxford Murders", do espanhol Álex de La Iglesia, e "9", película de animação de Shane Acker, nomeado em 2006 para Oscar por uma curta-metragem homónima), decidiu envredar pelo mundo da música. Não para cantar ou para tocar mas sim para... produzir.

    De facto, Wood decidiu, aos 26 anos, criar uma editora discográfica - a Simian Records. E não perdeu tempo em editar New Magnetic Wonder, dos Apples in Stereo, banda de culto perdida no esquecimento em sem um sucesso à bastantes anos. A escolha desta banda do Colorado foi feita por puro gosto pessoal, afirmando ainda o actor que "o único critério para assinar pela editora é eu gostar da música". O projecto é efectivamente muito arrojado, até porque são mais as editoras que encerram do que as que iniciam actividade. Mas Wood desmistifica qualquer tipo de utopia: "Penso que era ingénuo da minha parte pensar que sim [quanto a ganhar dinheiro com a Simian], para ser honesto", reforçando que não está neste projecto "para ganhar dinheiro. O meu interesse é editar música e fazer com ela seja ouvida. Se as bandas ficarem famosas - e é algo que todos querem que aconteça - e acabes por lucrar com isso, era um bom bónus, mas não é essa a intenção".

    A segunda banda a aliar-se a Elijah são os Heloise and the Savoir Faire, projecto de electroclash/punk, nascidos em Brooklyn, estando o lançamento do novo álbum dos Apples in Stereo marcado para finais de Setembro.

    12 de agosto de 2007

    25 anos sem Fonda


    "If there is something in my eyes, a kind of honesty in the face, then I guess you could say that's the man I'd like to be, the man I want to be". Por detrás daqueles enormes olhos azuis, estava um portentoso actor. Comemora-se, enquanto celebração da vida, os 25 anos sobre a morte de Henry Fonda, um dos favoritos de John Ford, homem frio e distante que participou em alguns do maiores clássicos de que há memória do cinema norte-americano.

    Impulsionado por Dorothy Brando, mãe de Marlon Brando, para seguir uma carreira de actor, Fonda teve o seu primeiro grande êxito na Brodway, com "The Farmer Takes a Wife" (1934), chamando a atenção do mundo cinematográfico. Começou aí a sua viagem pela sétima arte, participando em memoráveis fitas como "The Grapes of Wrath" (1940), "My Darling Clementine" (1946), "12 Angry Men" (1957), "C'era una volta il West" (1968), onde trabalha com o consagrado Sergio Leone, tendo vencido o Oscar da Academia por "On Golden Pond" (1981).

    Fonda era daqueles actores cuja presença fazia um filme. Nascido para a representação, comunicava com a câmara como poucos (os haviam e os há). O seu olhar azul e profundo, o absentismo do sorrismo e o modo particular de caminhar formaram um personagem que se recorda com saudade, com a certeza de que ainda não apareceu ninguém para ocupar o seu lugar - mas nunca a sua memória.

    10 de agosto de 2007

    "Thank You For Smoking" por Ricardo Clara

    Nick Naylor (Aaron Eckhart) é o porta voz de uma empresa de estudos do tabaco, tendo como função fazer a defesa acérrima do cigarro bem como argumentar pela inexistência de malefícios do tabaco. Divorciado, é um modelo para o seu filho Joey (Cameron Bright), que o segue e começa a aprender o ofício do pai: falar e convencer.
    Numa época que que a venda de tabaco está em baixa, Naylor, por ordem de BR (J.K. Simmons), tenta fazer regressar o fumo do cigarro ao cinema, recuperando Bogart e a sensualidade de Bacall para os tempos modernos. Contra si tem o Senador Ortolan Finisterre (William H. Macy), que tem como objectivo a colocação de imagens nos maços de tabaco, alusivas ao perigo que este comporta.
    Entre a educação do filho e a defesa da empresa, envolve-se com Heather Holloway (Katie Holmes), uma jornalista que prepara uma peça sobre ele e o seu trabalho. Vivendo para estes, refugia-se num bar, onde convive com Polly Bailey (Maria Bello) e Bobby Jay Bliss (David Koechner)representantes da indústria do álcool e das armas, e com os quais partilha preocupações e estratégias.

    "Thank You For Smoking" é uma divertidíssima sátira ao lobby das tabaqueiras e do mundo dos defensores do cigarro, bem como daqueles que têm por profissão a defesa de produtos tão controversos como o álcool, as armas ou o fast-food. Com uma escrita muito criativa e diálogos belissimamente desenhados, ressalta da realização de Jason Reitman a imposição de um ritmo altíssimo e que transporta para a tela fielmente a paródia que, aliada a um sem número de one-liners certeiras, pintam um cenário burlesco carregado de sarcasmo. Com uma banda sonora pobre, salta à vista a riqueza da escrita, cheia de humor e muito bem moldada pelos diálogos (deliciosa a cena em que Naylor e os parceiros do álcool e das armas discutem qual dos perigos faz mais vítimas por ano: "How many alcohol-related deaths per day? 100,000? That's what... 270 a day? Wow. 270 people, tragedy. Excuse me if I don't exactly see terrorists getting excited about kidnapping anyone from the alcohol-industry"), bem como opções narrativas, de finíssimo humor, como a de BR falar de ambientalistas, e aparecer uma legenda a apelidar de... pussy!

    Por fim, destaque para os créditos iniciais, onde uma sucessão imensa de maços de tabaço desfila pela tela, contendo o nome dos intervenientes da fita, aliada a uma certeira frase inicial, marcam fortemente uma belíssima comédia, com traços de grande originalidade.

    Título Original: "Thank You For Smoking" (EUA, 2005)
    Realização: Jason Reitman
    Argumento: Jason Reitman e Cristopher Buckley
    Intérpretes: Aaron Eckhart, Katie Holmes, Robert Duvall, Maria Bello e William H. Macy
    Fotografia: James Whitaker
    Música: Rolfe Kent
    Género: Comédia
    Duração: 92 min.

    Fogo devora Cinecittà

    (O fogo consome sem piedade a Cinecittà. Foto: EFE)

    Um violento fogo deflagou ontem pelas 21:00 e tem vindo a consumir a Cinecittà, a cidade do cinema situada em Roma, e de onde saíram míticos filmes como "Ben-Hur" (1958) e "Dolce Vita (1960).

    As chamas, que já chegaram a atingir 50 metros, começaram num hangar de 2000 metros quadrados onde estavam armazenados materiais da série "Roma", produção anglo-americana que descreve o nascimento de Roma. Estima-se que cerca de 4000 metros quadrados já estão reduzidos a cinzas depois do trágico acidente, sendo que os míticos estúdios ocupam uma área de 600.000 metros quadrados, cuja protecção é agora preocuopação das autoridades locais.

    A CIDADE DO CINEMA

    Cinecittà, a cidade do cinema em língua portuguesa, são uns estúdios criados na década de 30 pelo ditador fascista Benito Mussolini, numa tentativa de competir com os estúdios de Hollywood, que tanto sucesso faziam em terras do Tio Sam. De facto, Mussolini empenhou-se a fundo em conseguir que esta "cidade" saltasse para o topo da produção cinematográfica, tendo ficado conhecida, durante uns tempos, como a "Hollywood sul Tevere" (Hollywood sobre o Tigre). Foi em 1934 que Luigi Freddi, que havia sido apresentado ao ditador, sugeriu que se criasse uma direcção de cinema, que fosse essencialmente base de propaganda e de controlo ideológico. até porque a importação de fitas era mal vista pelo regime.

    A sua década de ouro foi durante a II Grande Guerra, tendo aí sido filmadas películas como o citado "Ben-Hur" (1959) e "Quo Vadis" (1949). Nessa mesma época, em 1943, a Cinecittà chegou a ser alvo de um bombardeamento, em plena guerra, pelas forças aliadas. Posteriormente, os estúdios ficaram ligados a grandes nomes do cinema como Luchino Visconti, Roberto Rossellini ou Vittorio de Sica.

    No final da década de 80, a Cinecittà este muito perto de fechar, face a uma eminente falência, tendo no início dos anos 90 sido privatizado pelo Governo Italiano. De facto, e até aos dias de hoje, os estúdios recebem 25% de orçamento público e 75% de privado, e com esta opção um boom de produções, tendo Martin Scorscese optado por aí filmar algumas das suas obras (como "Gangs of New York"), bem como "Life Aquatic of Steve Zissou" de Wes Anderson, ou "Passion of the Christ" de Mel Gibson. Para mais informações, site dos estúdios.


    8 de agosto de 2007

    "Die Hard 2" por Ricardo Clara

    É quase inevitável. Depois de um filme de acção, aparece (quase) sempre uma sequela. "Die Hard" não foi uma excepção, e 1990 marca o regresso de John McClane às lides da luta contra o terrorismo e contra os sacos de vilões que, sem muito esforço, consegue derrotar.

    O casamento com Holly (Bonnie Bedelia) melhorou, depois da tareia que infligiu a uma dúzia de assaltantes no Nakatomi Plaza, em Los Angeles. Viaja agora para Washington, onde tem à sua espera John (Bruce Willis), no aeroporto internacional de Dulles, que se entretem a discutir com polícias locais e a observar a confusão do terminal aéreo, em vésperas natalícias. Aí, assiste e intervem numa tentativa (aparente de assalto), impedindo-a e ficando ciente de que não era um simples roubo que iria ser tentado aí. Estava, isso sim, montado um plano para abater aviões em troca da libertação de um barão da droga que viaja em direcção aos EUA. McClane, lutando contra os terroristas e contra a inércia das forças policiais locais (em especial o Capitão Carmine Lorenzo - Dennis Franz), vê-se mais uma vez necessitado de salvar a mulher, encontrando no sítio errado, à hora errada.

    Este regresso ao coldre do cowboy McClane não é tão feliz como poderia ter sido. De facto, a fasquia de "Die Hard" havia sido colocada muito alta, e nem o recurso a uma fórmula semelhante ajudaram a que sequer houvesse uma aproximação ao primeiro título. Em primeiro lugar, não há John McTiernan na realização, mas sim Renny Harlin - e, convenhamos, não chega nem de perto nem de longe à facilidade e qualidade de planos e sequências que o primeiro imprimiu no original. De facto, o finlandês não aproveita a deixa prévia e oferece-nos uma fita bem menos interessante do que a primeira.
    Ainda temos McClane, igual a si próprio e a mostrar toda a sua perversidade e humor cáustico ao enfrentar as piores das adversidades. É claro, estamos perante um bom entertenimento. Mas não está tão bem conseguido como o primeiro. William Sadler enquanto o Coronel Stuart não se aproxima do maquiavélico Hans Gruber, houve uma clara necessidade de "meter" à pressão Al Powell (Reginald VelJohnson), bem como aproveitar novamente o periodista Thornburg. Saliente-se os interessantes papeis de Trudeau (Fred Dalton Thompson) e de Leslie Barnes (Art Evans), dois homens da torre de controlo, e que são uma mais valia em contraponto aos falhanços dos anteriores. A fotografia não é muito bem conseguida (a cargo de Oliver Wood), ainda mais estando parte da acção encenada na neve, palco para óptimas opções, mas que não foram tomadas pelo seu director.

    Nota ainda para a banda sonora, com Patti Page, Elvis Presley e Frank Sinatra em destaque, fundidos em bela harmonia com a imagem. Um sequela continua sempre a ser... uma sequela.

    Título Original: "Die Hard 2" (EUA, 1990)
    Realização: Renny Harlin
    Argumento: Walter Wager e Steven de Souza
    Intérpretes:Bruce Willis, William Sadler e Bonnie Bedelia
    Fotografia: Oliver Wood
    Música: Michael Kamen
    Género: Acção / Thriller
    Duração: 124 min.

    7 de agosto de 2007

    "Die Hard" por Ricardo Clara

    Tenho que admitir: John McClane é um dos meus heróis de acção favoritos. Um duro, uma personificação dos anos 80, um ícone pop da polícia norte-americana, em especial de Nova Iorque, que só é capaz de sorrir quando está prestes a ser baleado pela quarta vez. Sozinho, pulveriza uma dúzia de terroristas, descalço, sempre com uma frase certeira tão rápida a ser dita como a sua arma a disparar, dono do amontoado de letras que caracterizam a sua forma de estar e de enfrentar os problemas: Yippee-ki-yay (complementado com o óbvio motherfucker).

    Holly Genero McClane (Bonnie Bedelia) viu sem problemas uma mudança a sós para Los Angeles. Uma oportunidade única na carreira permitiu-lhe começar a trabalhar numa grande empresa nipónica sediada na Cidade dos Anjos, levando consigo os filhos, mas deixando para trás o marido, polícia em Nova Iorque - John McClane (Bruce Willis). No primeiro Natal após a drástica mudança, McClane parte para LA, a fim de visitar os filhos e a mulher. O casamento não vai bem - John acha que Holly preferiu a carreira ao casamento, é um cabeça dura e não pretende mudar de ideias. Holly acha que o marido a devia ter apoiado nesta decisão. É neste contexto que se dirige para o Edifício Nakatomi, sede da empresa, a fim de ver, quer a mulher, quer em que pé é que se encontra a relação. Lá dentro, conhecidos os colegas de Holly, e só numa casa de banho (enraivecido consigo mesmo por mais uma fútil discussão), ouve tiros e gritos. É o ponto de partida para que John, munido de um revólver, tente recuperar o controlo do edifício, agora atacado por uma dúzia de terroristas.

    Tiros, explosões, mortes, engodos, metralhadoras, explosivos e informática. Doze terroristas. Milhões de dólares em dinheiro. Mas basta John McClane para pôr cobro a tudo isto. É o papel da vida de Bruce Willis, aquele que o projectou para a carreira que conhecemos agora. O personagem por ele montado é perfeito: um verdadeiro modelo daquela década, o homem "errado no local errado à hora errada". Acompanhado por belíssimas interpretações (Alan Rickman como Hans Gruber, William Atherton como Richard Thornburg) e de fantásticas peças de argumento ("Nine million terrorists in the world and I gotta kill one with feet smaller than my sister"), "Die Hard" é um dos grandes filmes da década de 80. Criou um estilo, marcou uma época e deu os códigos para a realização de filmes de acção modernos. Quase nenhum se voltou aproximar deste - porque, mesmo num contexto de exagero, sabemos que o mundo está seguro porque existe John McClane.

    Nova referência, agora mais em concreto, ao papel de Rickman. O homem que planeia o assalto é um vilão de primeira água: veste fatos John Phillips, cita John Milton ("When Alexander saw the breadth of his domain, he wept for there were no more worlds to conquer") e lê a Forbes. Um terrorista de eleição, maquiavélico e mordaz, um luxuoso contraponto ao anti-herói que é McClane. De Rickman ao Sargento Al Powel (Reginald VelJohnson), passando pelo jornalista que não vê meios para alcançar fins (o irritante Thornburg), são todos peças essenciais numa máquina perfeita e a funcionar na cadência de um relógio suiço.

    À pergunta sobre o que aconteceria se elenco, acção, realização e argumento num filme de acção fossem perfeitos, a resposta óbvia seria... "Die Hard".

    Título Original: "Die Hard" (EUA, 1988)
    Realização: John McTiernan
    Argumento: Roderick Thorp e Jeb Stuart
    Intérpretes:Bruce Willis, Alan Rickman e Bonnie Bedelia
    Fotografia: Jan de Bont
    Música: Michael Kamen
    Género: Acção / Thriller
    Duração: 131 min.

    "The Host" por Ricardo Clara

    Criaturas fantásticas que atacam e destroem ou simplesmente aterrorizam populações inteiras não é propriamente uma ideia nova - de Godzilla a Mothra, passando por King Kong, vários foram os monstros que povoaram o cinema, especialmente vindos do oriente. Como tal, "The Host" não apresenta nenhuma novidade - mas não é por isso que não deixa de ser uma fita bem interessante.

    Gang-du (Song Kang-ho) é um vendedor de roulotte nas margens do rio Han, em plena Seul, ofício que partilha com o pai Hie-bong (Byeon Hie-bong), morando com ambos a filha daquele, Hyun-seo (Ko A-sung). Numa tranquila tarde nas margens do Han, um monstro emerge, criando o pânico em todos aqueles que lá se encontravam, matando uns e apanhando... Seo. Toda a família decide seguir no encalço da criatura, numa Seul em estado de sítio.

    É neste contexto que assistimos a cerca de 2 horas de puro entertenimento, cruzando o seu realizador Bong Joon-ho terror com comédia (por vezes sem grande nexo), conseguindo em várias ocasiões provocar alguns sobressaltos, mercê do gigante e faminto monstro. Com opções muito interessantes ao nível da fotografia - Kim Hyung-ku concentra-se numa cidade suja e cinzenta, onde a chuva e o nevoeiro atribuem um cunho de degradação social certeiros, a par de um argumento onde saltam comentários à política interna e internacional daquela Coreia do Sul, passando muitas vezes da fábula para a realidade. A hiperbolização cómica dos momentos trágicos, ainda que propositada, não convence, soltando mais facilmente uma gargalhada do que um franzir de sobrolho em tom de comiseração. São evidentes as influências de Bong (e por ele assumidas), que vão de "Signs" (M. Night Shyamalan - 2002), "Jaws" (Steven Spielberg - 1975) - e daqui resulta uma opção muito bem delineada de vários planos da fuga da população ao iminente ataque da criatura; bem como das fitas de monstros japoneses dos anos 50 e 60. Apesar de não ser nenhum marco dentro do género, é uma abordagem interessante daquele que será o mais importante nicho de realização de terror da actualidade.



    Título Original: "Gwoemul" (Coreia do Sul, 2006)
    Realização: Bong Joon-ho
    Argumento: Bong Joon-ho
    Intérpretes:Song Kang-ho, Ko A-sung e Byeon Hie-bong
    Fotografia: Kim Hyung-ku
    Música: Kim Seon Min
    Género: Terror
    Duração: 118 min.
    Sítio Oficial: http://www.hostmovie.com

    6 de agosto de 2007

    Bergman por Allen






    Belíssima entrevista de Woody Allen à Time, falando de Bergman e Antonioni, especialmente do sueco, afirmando mais uma vez ser este o seu realizador preferido, e como o influenciou em muitas das suas opções: "I liked his attitude that a film is not an event you make a big deal out of. He felt filmmaking was just a group of people working". Para ler aqui.








    5 de agosto de 2007

    Nicolau Breyner em entrevista à Pública...


    ... afirma sem medos:

    "Pública: Diz-se que falta ao cinema português retratar a nossa história e a nossa realidade.

    Nicolau Breyner: Exactamente. Não está tratada. Somos muito preconceituosos. Não gostamos de chamar as coisas pelos nomes. E depois dizem: "Isto não tem recuo histórico". O que é isso de recuo histórico? Conheço o recuo de câmara, histórico não sei o que é. Temos de começar a reagir e a fazer as coisas de outra maneira. Há muito pouca coragem."