30 de setembro de 2008

Making of the "Nights in Rodanthe"


No seguimento da divulgação do filme "Nights in Rodanthe", distribuido em Portugal pela Columbia Tristar Warner, o Antestreia apresenta um pequeno making of do filme, com excertos e entrevistas.


Featurette



Serviço Público - Visões do Sul – 1ª Mostra Internacional de Cinema de Portimão

"A Associação Zero em Comportamento e a Câmara Municipal de Portimão, através do Museu de Portimão, organizam a 1ª edição de Visões do Sul – Mostra Internacional de Cinema de Portimão, uma iniciativa que decorrerá de 4 a 8 de Novembro de 2008.

Itinerâncias e viagens são os temas centrais de Visões do Sul que exibe, ao longo de cinco dias, cerca de 20 filmes de ficção, documentário e animação. Inspirada na personalidade de Manuel Teixeira Gomes, político e escritor natural de Portimão que percorreu o Sul da Europa e o Norte de África em busca de outras culturas, Visões do Sul é também um olhar sobre o carácter cosmopolita de Portimão e uma janela aberta ao diálogo intercultural nesta cidade à beira-mar.

As sessões de Visões do Sul serão apresentadas por convidados especiais que, oriundos do mundo da cultura, da política, do jornalismo e do desporto irão enriquecer esta mostra internacional de cinema com as suas experiências de viagens e outras deambulações.

As escolas têm também um espaço reservado em Visões do Sul, com sessões preparadas especialmente para o público infantil durante a manhã.


Datas:
De 4 a 8 de Novembro
Local:
Auditório do Museu de Portimão
Horário:
10h – Sessões escolares
19h e 21h30 – Sessões"


28 de setembro de 2008

Posters




20 de setembro de 2008

O Sorriso das Estrelas


O Antestreia acrescentou a Columbia TriStar Warner à lista de parceiros. A distribuidora, representante em Portugal da Warner Bros e da Sony Pictures (Columbia Tristar), apresenta-nos hoje em primeira mão um videoclip do filme "Nights in Rodanthe/O Sorriso das Estrelas". A música é "Love Remains the Same" de Gavin Rossdale.

Temos 3 tamanhos disponíveis:
Pequeno (19MB)
Médio (38MB)
Grande (51MB)

O filme é um romance entre dois desconhecidos presos numa pousada por causa do mau tempo. Adrienne (Diane Lane) está lá para decidir se deve aceitar a tentativa de reconciliação do marido, Paul (Richard Gere) estava em viagem para se reconciliar com o filho.






Sendo baseado num livro de Nicholas Sparks o equilíbrio entre drama e romance estará perfeito. O argumento foi adaptado por Ann Peacock (responsável pela adaptação do primeiro "The Chronicles of Narnia" e do aguardado "Kit Kittredge: An American Girl") e por John Romano (a série "Early Edition" e o filme "INtolerable Cruelty"). Já a realização marcará a estreia cinematográfica de George C. Wolfe, conceituado escritor e director da Broadway.

18 de setembro de 2008

"Nim's Island" por Nuno Reis


Nem sempre os grandes heróis são o que aparentam ser e muitas vezes é nas pessoas normais que se descobre o verdadeiro heroísmo. Este filme é sobre isso mesmo. Um herói que é cobarde, uma criança que encara os inimigos sem receio e um pai que enfrenta as diversidades sem pestanejar.

Nim tem tudo. Vive numa ilha paradisíaca com animais muito amigáveis, o pai adora-a, vivem longe dos problemas do mundo e, além do barco que os abastece ocasionalmente, apenas um computador os liga ao exterior. Nesta mini-sociedade são felizes.
Às vezes Nim tem um motivo para invejar o resto do mundo. Quando recebe um livro de Alex Rover, o maior aventureiro do planeta, lamenta estar tão longe da acção. Um dia o pai sai para o mar em busca de um protozoário e é apanhado por uma terrível tempestade. Nim fica sozinha na ilha e subitamente Alex Rover manda-lhe um mail. Mesmo estando distante é uma companhia que maravilha a pequena.
Apesar de toda a sua coragem Nim é apenas uma criança e há limites para o que consegue fazer. Pode escalar vulcões e cozinhar, mas quando corsários invadem a ilha vai precisar da ajuda do seu herói. Só que o Alex Rover com quem ela fala não é quem ela imagina. É Alexandra Rover, a escritora agorafóbica que criou a personagem. Alexandra e Nim irão viver a maior aventura das suas vidas.

A jovem Breslin sozinha conseguia manter o filme interessante. Foster não está tão divertida como a personagem pedia e Butler tem momentos de overacting. Essas duas personagens servidas em doses pequenas ajudam a quebrar a monotonia, mas pouco mais. Tirando a enorme vontade que os guia até Nim são pessoas sem nada de especial. Já da protagonista não pode ser dito o mesmo. Tanto é uma criança inocente como uma guerreira impiedosa. Esta situação mista entre "Blue Lagoon" e "Home Alone "exigia profissionalismo e a actriz esteve à altura. Não é por aqui que consegue a segunda nomeação para Oscar, mas não desilude os fãs.
Os cenários idílicos podiam ter sido melhor fabricados, de forma a não se parecerem tanto com uma colagem de uma criança. Também a montagem podia ter Sido mais cuidada para não deixar por resolver algumas coisas que foram sendo mostradas ao longo do filme. Então o final parece muito feito à pressão. É demasiadamente rápido a chegar e a terminar. Parece desenquadrado de tudo o que foi visto antes.
Contada como uma história infantil, esta lição de vida agradará a um vasto público que encontrará aqui entretenimento e fantasia.


Título Original: "Nim's Island" (EUA, 2008)
Realização: Jennifer Flackett, Mark Levin
Argumento: Jennifer Flackett, Mark Levin, Joseph Kwong, Paula Mazur (baseados no livro de Wendy Orr)
Intérpretes: Abigail Breslin, Jodie Foster, Gerard Butler
Fotografia: Stuart Dryburgh
Música: Patrick Doyle
Género: Aventura, Comédia, Família
Duração: 96 min.
Sítio Oficial: http://www.nimsisland.com/

13 de setembro de 2008

"Mamma Mia!" por Nuno Reis


Antes de os biopics de cantores se tornarem moda, já uma banda estava a ter uma homenagem internacional. Quase dez anos depois da estreia do musical "Mamma Mia!" chega-nos o filme e de certeza que vai renovar o interesse na peça, nos ABBA e especialmente nas músicas.
Curiosamente o fenómeno começou no velho continente. O melhor comportamento das estrelas (ou a falta de atenção dos paparazzi) fez com que este espectáculo escapasse aos padrões de sexo, drogas e rock’n’roll com que os já referidos biopics americanos recordaram para a eternidade os seus maiores artistas.
É um alívio saber que ainda é possível honrar uma carreira musical sem tirar esqueletos do armário, apenas por mostrar o trabalho num contexto apelativo e memorável. É isso que "Mamma Mia!" é. A maior homenagem alguma vez feita a uma banda, mesmo que nunca refiram o nome. Não era necessário.

Sophie é uma jovem que nunca conheceu o pai. Para o casamento quer ser levada ao altar por ele e por isso, à revelia da mãe, convida os três homens que podem ser o pai dela para a cerimónia. A história vai falar de Sophie e do noivo, mas especialmente da mãe, dos anos setenta, das amizades mantidas e dos amores perdidos.
O grande trunfo desta história sem nenhum interesse particular é estar repleta de músicas dos ABBA ao estilo indiano. Em cada situação os actores saltam para cima das mesas e começam a cantar - acompanhados de coro ao bom estilo grego – um êxito da banda perfeitamente adequado ao que estão a querer dizer. Por duas ou três vezes forçam um bocado a situação que origina uma música, mas nunca se desviam do fio condutor da história.
Fazer um musical é arriscado e compor músicas para todas as cenas é difícil. Encontrar músicas já existentes e aplicá-las à história é um trabalho de mestre. Tudo isso com temas de uma única banda é um feito notável. Por ser uma banda já reformada há anos o êxito não é apenas uma questão de moda. Os espectadores cinquentões vão ficar rendidos à nostalgia e os mais novos não resistirão muito tempo à disco fever.

As interpretações quase que são avaliadas em exclusivo pelo desempenho musical. Amanda Seyfried conquista o público em "Honey Honey". Quem ainda não diz que Meryl Streep é a maior actriz viva depois de a ver cantar "Mamma Mia" junta-se ao grupo de fãs. Para compensar essa música alegre em "The Winner Takes It All" - filmado quase num único take – tem uma magnífica performance dramática. Dois momentos excepcionais que se distinguem entre a dúzia de interpretações com que nos brinda. Quem não a viu cantar em "Prairie Home Companion" vai ficar muito surpreendido. O melhor momento de Pierce Brosnan é a cantar "SOS". Não tem muito jeito, mas revela dedicação. Há apenas mais duas grandes interpretações musicais. A de Christine Baranski, que se revela neste filme como uma grande actriz cómica, e a de Julie Walters, talento já confirmado na comédia e que se contém mesmo até ao final do filme. O final disparatado é uma explosão de alegria, desfecho adequado para o que se passou.

Os fãs dos ABBA vão delirar ao voltar a escutar os velhos clássicos. Umas cantadas, outras trauteadas, as melhores das mais de cem canções que os suecos fizeram estão todas lá. Quando o filme termina alguém poderá lembrar-se de uma que é inadmissível não cantarem. Streep faz-nos a vontade e a complementar ainda vemos os restantes actores a reviver os anos do disco. Aquilo que no século XXI se chama fazer figura triste e há trinta anos era estar na moda.


Título Original: "Mamma Mia!" (Alemanha, EUA, Reino Unido, 2008)
Realização: Phyllida Lloyd
Argumento: Catherine Johnson
Intérpretes: Meryl Streep, Amanda Seyfried, Pierce Brosnan, Stellan Skarsgård, Colin Firth, Julie Walters, Christine Baranski
Fotografia: Haris Zambarloukos
Música: Benny Andersson
Género: Comédia, Musical, Romance
Duração: 108 min.
Sítio Oficial: http://www.mammamiamovie.com/

11 de setembro de 2008

"You Don't Mess With the Zohan" por Nuno Reis


Politicamente incorrecto? Com muito gosto!

Quando pensamos que Hollywood não nos dará algo de original surgem ideias loucas como deslocar o conflito Israel-Palestina para as ruas de Nova Iorque. Fartos dos heróis americanos decidiram inspirar-se num soldado israelita que trabalha como cabeleireiro na Califórnia para fazer esta comédia.

Zohan é o melhor soldado de Israel. Infelizmente por isso mesmo tem muito trabalho e nunca consegue tirar umas merecidas férias. Farto das matanças sem sentido num conflito que se arrasta há anos ("já dura há 2000 anos, não deve faltar muito") simula a própria morte e foge para os EUA onde persegue o sonho de ser cabeleireiro. Escondido sob o nome Scrappy Coco no novo país, vai ouvir muitas recusas até que finalmente consegue emprego num cabeleireiro da comunidade palestiniana. Apesar do desconforto inicial por conviver com o tradicional inimigo rapidamente percebe como funciona o sonho americano. A guerra ficou no Médio Oriente. Na América, israelitas e palestinianos são iguais: estrangeiros a tentar trabalhar para viver enquanto são espezinhados pelos milionários e suas empresas.

O dia 11 de Setembro foi uma irónica escolha para estrear "Zohan". É comédia, mas as recordações ainda estão frescas e um filme que combinas as palavras guerra, árabes e Nova Iorque tem de ser muito prudente. Rapidamente se percebe que este filme não foi feito para ofender ninguém nem para causar insegurança às comunidades. Relata de forma ridícula as situações sérias e tem como lição sempre presente que todos os povos devem largar as armas, juntar as mãos e trabalhar para o bem comum. É moralista na dose certa, sempre a apelar à paz e ao respeito pela vida humana.

Como defeito principal tem a monotonia em que entra. As piadas de cariz sexual tornam-se um pouco excessivas ao fim de vinte. Chega a repetir características de outros filmes como o fascínio de John Turturro por pés em "Mr. Deeds".
É uma história banal e previsível e o humor por vezes é tão foleiro que pode ser tomado como um insulto. Perdoa-se isso pelas piadas acima da média que consegue tirar de uma situação tão séria como a guerra e por finalmente Rob Schneider ter feito um bom papel.



Título Original: "You Don't Mess with the Zohan" (EUA, 2008)
Realização: Dennis Dugan
Argumento: Adam Sandler, Robert Smigel, Judd Apatow
Intérpretes: Adam Sandler, John Turturro, Emmanuelle Chriqui, Rob Schneider
Fotografia: Michael Barrett
Música: Rupert Gregson-Williams
Género: Acção, Comédia
Duração: 113 min.
Sítio Oficial: http://www.youdontmesswiththezohan.com/

10 de setembro de 2008

Selecção Oficial de Sitges 2008


A lista final de filmes para Sitges foi divulgada há momentos. Não sendo uma selecção particularmente forte tem algum títulos que já deram que falar em Cannes, tem o mais recente trabalho de alguns mestres e de certeza que revelará algum novo talento.
Ao festival habitual junta-se ainda o Méliès d'Or que mantendo a tradicional rotatividade este ano será no festival espanhol.


Sessão de abertura

Mirrors de Alexandre Aja

Sessão de Encerramento

City of Ember de Gil Kenan

Selecção Oficial do Fantástico

Absurdistan de Veit Helmer
Blindness de Fernando Meirelles
Crows-Episode 0 de Takashi Miike
Eden Lake de James Watkins
Fighter de Natasha Arthy
Hansel and Gretel de Yim Phil-sung
La possibilité d'une île de Michel Houellebecq
Let the Right one in de Tomas Alfredson
Martyrs de Pascal Laugier
Prime Time de Luis Calvo Ramos
Red de Trygve Allister Diesen,Lucky McKee
Sexy Killer de Miguel Martí
Surveillance de Jennifer Lynch
Tale 52 de Alexis Alexiou
The Broken de Sean Ellis
The Burrowers de J.T. Petty
The Chaser de Na Hong-jin
The Cottage de Paul Andrew Williams
The Good, The Bad, The Weird de Kim Jee-woon
The Sky Crawlers de Mamoru Oshii
Tokyo! de Bong Joon-ho, Léos Carax, Michel Gondry
Vinyan de Fabrice Du Welz
Your Name Here de Matthew Wilder


Fora de Competição

Dachimawa Lee de Ryoo Seung-Wan
JCVD de Mabrouk El Mechri
Long Weekend de Jamie Blanks
Mongol de Sergei Bodrov
Repo! The Genetic Opera de Darren Lynn Bousman
RocknRolla de Guy Ritchie
Soy un pelele de Hernán Migoya
Synecdoche, New York de Charlie Kaufman
The Informers de Gregor Jordan
The Warlords de Peter Chan
Transsiberian de Brad Anderson

7 de setembro de 2008

"Teeth" por António Reis

Encerrar MotelX com "Teeth" é apostar num público que esteja entusiasmado e bem-disposto, capaz de encaixar num filme de terror em tom de comédia. Costuma dizer-se que a brincar se dizem coisas sériaas e Teeth é um caso evidente em que o aforismo tem sentido.

A vaga de moralidade e de culto da castidade pré-nupcial que invade uma América onde os ideais neo-conservadores são dominantes, combina-se com o mito clássico da castração a que a psicanálise deu fundamentação científica. Se "Teeth" for visto num registo exclusivo de comédia é um daqueles casos de filme para adolescentes, cheio de referências brejeiras e de segundas intenções. Neste sentido é um filme de fácil digestão que deixa os espectadores satisfeitos na sua simplicidade narrativa. Se o objectivo é pensá-lo como filme de terror "Teeth" inscreve-se na noção do "terrir", dado que o terror do filme é apenas a sugestão da castração associada a um sexo fora do casamento. A Vagina Dentata torna-se assim a personagem principal e como o argumentista/realizador desconfia dos dotes intelectuais do seu público, não se esquece de nos esclarecer da tradição desta curiosidade mitológica.
"Teeth" é assim a antítese de "Cherry Falls": em "Teeth" o sexo é castigado enquanto em "Cherry Falls" é a virgindade que causa a morte pelo que o sexo é a salvação. Como se comprova o sexo seja explícito ou apenas sugerido é sempre uma receita de sucesso.

A ambiguidade moral do filme tanto permite agradar aos adolescentes mais inconscientes e moralmente mais conservadores, como permite que os adeptos desse sub-genero de terror que é a comédia de terrir vejam com humor ou condescendência este filme que afinal é um bom encerramento para a silly season e se enquadra bem no espírito jovem do MOTELx.
Uma leitura mais crítica e cuidadosa sobre "Teeth" far-nos-ia reflectir sobre esta dualidade que se tornou um dilema entre uma sociedade sexualmente liberta e o retorno a ideais aparentemente retógrados. Mas "Teeth" não é o filme mais adequado para grandes psicanálises nem MOTELx o festival dos enquadramentos teóricos da crítica cinematográfica.

Título Original: "Teeth" (EUA, 2007)
Realização: Mitchell Lichtenstein
Argumento: Mitchell Lichtenstein
Intérpretes: Jess Weixler, John Hensley
Fotografia: Wolfgang Held
Música: Robert Miller
Género: Comédia, Terror
Duração: 94 min.
Sítio Oficial: http://www.teethmovie.com/

6 de setembro de 2008

"Frontiére(s)" por António Reis

O cinema francês de terror teve em 2007 um bom ano, sobretudo pelo desempenho dos seus independentes. MOTELx recupera dois dos bons exemplos, o extraordinário "A L’Intérieur" que passou com enorme sucesso em todos os festivais do fantástico e este "Frontiére(s)", menos conseguido e interessante que o primeiro, mas mesmo assim suficientemente atractivo para um público do "Midnight Scream". Claro que Karina Testa é bem melhor ao vivo que como actriz, mas "Frontiére(s)" cumpre com eficácia narrativa e impecável produção técnica o seu objectivo de manter o espectador agarrado à cadeira. Com alguma crítica social, alguma dose de surrealismo kitsch e um humor truculento e escatológico, "Frontiére(s)" está nas várias fronteiras do fantástico. Capaz de deixar os estômagos mais resistentes indispostos, insistindo até à exaustão nas cenas de gore e de violência quase gratuita, é um filme de série B nas suas intenções, mas com produção muito acima da média.

O ano horribilis de 2007 em França com os seus violentos motins nos subúrbios, é o fio condutor na história. Um pequeno bando de delinquentes foge da polícia e da confusão com um ferido e procuram refúgio na vida campestre de uma quinta isolada perto de uma qualquer fronteira. Para quem esperava recompor-se do stress da vida urbana escolheram o local errado pois esta quinta esconde o inferno. Um patriarca proto-nazi, seus filhos que herdaram o gene da loucura e até os animais da quinta todos juntos constituem uma experiência de terror onde a morte seria o menor dos males.

Para audiências da meia-noite "Frontiére(s)" é um must. Para os amantes do fantástico é apenas uma curiosidade do gore de interesse reduzido ainda que curioso. Se o público aderir e participar, o filme pode ser uma festa.


Título Original: "Frontière(s)" (França, Suíça, 2007)
Realização: Xavier Gens
Argumento: Xavier Gens
Intérpretes: Karina Testa, Aurélien Wiik, Maud Forget, Samuel Le Bihan, Amélie Daure
Fotografia: Laurent Barès
Música: Jean-Pierre Taieb
Género: Drama,Horror, Thriller
Duração: 108 min.
Sítio Oficial: http://www.frontiersunrated.com/

"The Girl Next Door" por António Reis

"The Girl Next Door" repete um dos filões mais rentáveis do thriller de terror que é o "baseado em factos reais". Se "Stuck" parte de uma situação plaúsivel mas não real para criar um terror muito perto de nós, "The Girl Next Door" parte de um caso verídico para filmar um terror vivido. Neste sentido o filme quase se assume como um docudrama psicológico sobre um crime que já tinha sido abordado em "An American Crime" ainda que aqui os nomes tenham sido alterados.
Sendo perturbador de que modo a sociedade americana produz tantas situações tantas situações reais que muitas vezes parecem saídas da imaginação mais perversa dos escritores do fantástico, a verdade é que o horror de algum quotidiano acaba por igualar os argumentos mais elaborados do cinema. Esta história de degradação moral, de disfuncionalidade familiar e de silêncios cúmplices mostra na sua crueza até que ponto a mente humana é um "continente negro".
A história de Sylvia Likens (aqui chamada Meg) passa-se em Indianapolis nos anos 60. Duas raparigas são deixadas por pais negligentes ao cuidado de uma família com aparência de normalidade. Só que sob esta capa familiar e de rotina quotidiana esconde-se um pesadelo. Sylvia, a jovem adolescente, torna-se o alvo privilegiado de uma maldade crescente exercida pela paranóica matriarca da família e dos seus filhos contagiados por esta inebriante sensação de poder absoluto, de ausência de responsabilidade pelos seus actos. O sadismo dos personagens tornam a vida de Sylvia num inferno de dor física e psicológica a que se submete quase voluntariamente para proteger a irmã. No fim, como nos filmes de terror, os inocentes morrem e os culpados acabam por contar com alguma benevolência da justiça.
MOTELx em três filmes "The Girl Next Door", "Stuck" e "Teeth" (sessão de encerramento) aborda três subgéneros do fantástico unidos pelo fio condutor da culpa.


Título Original: "The Girl Next Door" (EUA, 2007)
Realização: Gregory Wilson
Argumento: Daniel Farrands, Philip Nutman (livro de Jack Ketchum)
Intérpretes: Blythe Auffarth, Daniel Manche, Blache Baker, Catherine Mary Stewart
Fotografia: William M. Miller
Música: Ryan Shore
Género: Crime, Drama, Horror, Thriller
Duração: 91 min.
Sítio Oficial: http://www.thegirlnextdoorfilm.com/

"Stuck" por António Reis

O grande mestre da série B que é Stuart Gordon está de volta no seu melhor. Depois das incursões em Lovecraft que lhe deram a fama – sobretudo a saga "Reanimator" – Gordon deambulou com menos sucesso pelo terror. Com "Stuck" regressa a orçamentos mais comedidos, mas com resultados bem mais eficazes junto de um público mais fã do thriller tradicional. De uma quase não-história que se resume em poucas linhas, Stuart faz um exercício brilhante de série B sobre moral, crime e castigo.

Sintetizemos o argumento: uma enfermeira pouco cumpridora e metida nas drogas tem o momento azarado da sua vida quando um zé-ninguém se atravessa à frente do seu jipe. Matar um peão já é aborrecido, mas ficar com ele entalado no vidro da frente é bem pior. Agravado pelo facto de que o homem custa a morrer. Na expectativa de uma promoção Brandi (Mena Suvari) manda às urtigas a ética de enfermeira e vai servir-se de todos os expedientes para se ver livre de um moribundo renitente a aceitar a aceitar a morte.

Stuart Gordon constrói com humor e sucessivas pistas de suspense uma história que prende e cativa o espectador, indeciso entre compreender a situação da enfermeira, mas compassivo para com o encalhado nos vidros em sofrimento atroz, mas ferozmente apegado a uma réstia de vida. O realizador não hesita em piscar o olho às audiências com alguns efeitos especiais e de maquilhagem capazes de agradar aos mais fanáticos do gore, mas decide-se marcadamente por um estilo de thriller, a provar que o terror mostra algum cansaço e que o fantástico precisa de alguma reanimação.
A baixinha Mena Suvari compõe uma personagem convincente com vários registos do sensual ao perverso, do expedito ao maquiavélico. Cabe ao espectador decidir colocar-se no papel da vítima ou do seu carrasco. No final se verá quem se saiu melhor.


Título Original: "Stuck" (Canadá, EUA, Reino Unido, 2007)
Realização: Stuart Gordon
Argumento: John Strysik e Stuart Gordon
Intérpretes: Mena Suvari, Stephen Rea
Fotografia: Denis Maloney
Música: Bobby Johnston
Género: Horror, Thriller
Duração: 94 min.
Sítio Oficial:

5 de setembro de 2008

"À L’Intérieur" por Nuno Reis

Amor de mães e medo de morte

Em "À L’Interieur" temos um incrível exemplo de como fazer um trabalho tirado directamente do manual para o filme de terror. Nenhum noite é mais solitária que a Consoada e nada é mais assustador que uma casa vazia numa zona deserta. Para ser ainda mais perturbador que tal usar uma grávida como vítima? E se o medo não depender de criaturas do fantástico a imaginação facilmente nos coloca naquela situação pelo que o terror parece ainda mais real, mais próximo e mais perigoso...

Sarah é uma fotografa que perdeu o namorado há pouco tempo e vai passar a noite de Natal sozinha. Esse isolamento preocupa os amigos que se revezam para a acompanhar e vigiar, especialmente porque no dia seguinte irá dar à luz. Durante a noite uma intrusa invade a casa e tentar tirar o bebé do ventre de Sarah. A futura mãe luta horas a fio pela sua sobrevivência e pela da criança, mas sempre que um visitante lhe traz esperança um novo banho de sangue irá causar ainda maior horror.

Foi um filme poupado em recursos materiais e humanos. A maioria da acção desenrola-se numa casa, numa divisão de cada vez e normalmente envolve apenas as duas actrizes. Tudo o resto é conseguido criando um ambiente muito tenso e com recurso à maior estrela dos filmes de terror: o sangue. O encadeamento de situações está muito credível e as situações sucedem-se a um ritmo alucinante que não dá tempo para pensar. Se o nervoso causa riso, algumas cenas gore são propositadamente para rir, mas sempre sem perder credibilidade ou emoção. Muito perturbador e nada recomendado a quem pretenda engravidar.

Uma nota interessante sobre o filme é ser uma estreia para ambos os realizadores. Não se nota nenhuma inexperiência, mas sim um enorme talento. Não só se quer que façam mais filmes como quase se exige! O cinema precisa de artistas assim.


Título Original: "À l'intérieur" (França, 2007)
Realização: Alexandre Bustillo, Julien Maury
Argumento: Alexandre Bustillo
Intérpretes: Beatrice Dalle, Alysson Paradis
Fotografia: Laurent Barès
Música: François Eudes
Género: Terror, Thriller
Duração: 83 min.
Sítio Oficial:NA

4 de setembro de 2008

Posters




3 de setembro de 2008

MOTELx arranca hoje


De hoje até Domingo, Lisboa vai ser animada por variados filmes de terror.

Um dos pontos altos do festival será a retrospectiva Mojica Marins. Este realizador de culto brasileiro tem cinquenta anos de carreira mas apenas nos últimos anos tem conseguido o reconhecimento. Em 2000 foi o Fantasporto que lhe deu o prémio carreira pela lendária personagem Zé do Caixão dos filmes "À Meia-Noite Levarei Sua Alma" e "Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver". Quarenta anos depois desses filmes e pouco depois do documentário (2001), MOTELx apresenta o terceiro capítulo da trilogia em antestreia nacional. Esse mesmo filme estreado este Verão no Brasil foi exibido na Biennale na passada Sexta-feira como sessão da meia-noite (fora de competição).

O filme imperdível é "À L'Interieur", primeira obra de uma dupla muito prometedora. A restante oferta varia entre o slasher, o gore e a comédia, com muitos títulos ainda desconhecidos em Portugal.