31 de outubro de 2008

"War, Inc." por Nuno Reis


Uma pergunta que costuma passar pela cabeça dos governantes americanos quando se preparam para invadir alguém é "para quê fazer a paz quando se pode fazer dinheiro?" Com o passar dos tempos as guerras cada vez foram menos por questões de defesa e mais para criar oportunidades de negócio. Desde que foram procurar as "armas de destruição maciça" que nem se preocupam em ter uma razão credível, dizem algo e avançam enquanto o resto do mundo tenta compreender o que se passa. Mas nem todos os oportunistas sem coração estão no governo, ainda há os que só vendem os seus préstimos. Antes eram chamados mercenários, agora são empreendedores. Investem milhões na reconstrução de um país que meses antes não tinha água e luz e agora está dependente do modo de vida americano. A guerra do futuro é tecnológica, mas a do presente ainda precisa de homens. Para proteger os soldados a moda é contratar um exército outsourcing. Também neste caso o nome antigo era mercenário, agora é um mero prestador de serviços (com licença para matar).

Em "War, Inc." a Guerra atinge um novo patamar. A empresa Tamerlane é a única responsável pela guerra e pela reconstrução no Turaquistão, actividades que desenvolve em simultâneo. Para maximizar o lucro contratam Brand Hauser. Este assassino deverá eliminar um homem de negócios local e, como disfarce, colocam-no a coordenar um mediático casamento. Fantasmas do passado, explosões no presente e um futuro incerto vão tornar a estadia de Hauser complicada.

Sàtira política com muito potencial, "War, Inc." alonga-se sem trazer muito de novo. Os primeiros 45 minutos são maus, o resto é sofrível e totalmente previsível. Faz humor quando não deve, e só no clímax revela algo bem feito. É a altura certa para o espectador não esquecer, mas é demasiado tarde para fazer alguma diferença a quem já viu quase hora e meia de confusão entre comédia, drama e guerra sem nunca chegar a ser qualquer um desses. Depois volta à previsibilidade, com um pouco de loucura pelo meio.

Quem viu John Cusack em "Grosse Point Blank" não verá nada de especial nesta nova deambulação do actor pela criminalidade. Também aqui o actor deu um toque pessoal ao argumento - além destes apenas influenciou a adaptação de "High Fidelity" - mas o resultado é francamente mau. A escolha de Hillary Duff foi má para o filme e especialmente para ela que destruiu a reputação ao fazer um papel bem mais rude do que os fãs esperavam. As outras duas actrizes (Marisa Tomei e Joan Cusack) não estão mal, mas nos papeis masculinos há muitos mais problemas a apontar. O cameo de Dan Aykroyd é mau e Ben Kingsley tem um papel tão ridículo que quase é bom.

Louvo a tentativa de trazer a discussão temas tão sensíveis como o desrespeito pela vida dos outros e a privatização da defesa nacional. Tudo o que veio pegado a isso está a mais.


Título Original: "War, Inc." (EUA, 2008)
Realização: Joshua Seftel
Argumento: Joshua Seftel, Jeremy Pikser e John Cusack
Intérpretes: John Cusack, Marisa Tomei, Joan Cusack, Hillary Duff, Dan Aykroyd, Ben Kingsley
Fotografia: Zoran Popovic
Música: David Robbins
Género: Acção, Comédia, Thriller
Duração: 107 min.
Sítio Oficial: http://www.firstlookstudios.com/films/warinc/

28 de outubro de 2008

Trailer de "Gran Torino"


Este filme é de e com Clint Eastwood, é necessário dizer algo mais? A história é sobre um veterano de guerra (Eastwood) que se enerva com a falta de respeito dum jovem marginal do bairro que tenta roubar o seu Gran Torino. Clint Eastwood, um carro e uma caçadeira faz recordar os bons velhos tempos do cinema.






Quem desejar assistir num formato de maior resolução pode ver aqui.


Anda por aí um boato de que este será o seu último papel. Como realizador continuará activo, ainda falta estrear "Changeling" - com que competiu este ano em Cannes - e para o ano "The Human Factor" sobre a vida pós-apartheid de Nelson Mandela.

27 de outubro de 2008

Vencedores do passatempo "Chrysalis - Um Futuro Próximo"


VENCEDORES DO PASSATEMPO "CHRYSALIS - UM FUTURO PRÓXIMO"

NOS CINEMAS A 30 DE OUTUBRO


ZON Lusomundo Vasco da Gama (Lisboa)
Antestreia: Dia 27 de Outubro (Segunda-feira), às 21:30


Luis Miguel Romano Canoa
Mário Miguel Carvalho Fernandes
Graciete Gomes Ferreira
Maria José La Fuente
Maria João Gaspar
Elsa Maria Correia Dominguez
Dália Maria Barata Antunes
Alexandre Carlos Geada
Ricardo Miguel Pinheiro Martins
Joana Isabel Pereira Rodrigues
António Batista Costa
Susana Isabel Silva Sousa
Pedro Manuel Mendes Rivotti
Inês Martins Pereira Mirra
Tânia Isabel Tavares Machado


26 de outubro de 2008

Posters




Whassup?

Em 2000, uma empresa publicitária inventou um anúncio televisivo que viria a dar a volta ao mundo. "Whassup?", era a frase repetida incessantemente por um grupo de amigos que aos poucos se vão encontrando em casa de um deles - e o denominador comum dessa reunião era só um: a cerveja Budweiser.



Oito anos volvidos, o mesmo grupo decidiu reunir-se, agora para apoiar... Barack Obama, o senador do estado norte-americano do Illinois que se prepara para ser o primeiro presidente negro daquele país. E se à oito anos aquela malta queria ver televisão e beber umas cervejas, agora tudo está diferente: um desempregado, o outro sem seguro de saúde, outro com as acções a apontarem para o chão, um destacado no Iraque, e o último apanhado no meio de um furacão. Uma abordagem fantástica do mundo publicitário à política norte-americana.

25 de outubro de 2008

"The Air I Breathe" por Nuno Reis


Felicidade. Prazer. Tristeza. Amor. Segundo um provérbio chinês estes são os quatro pilares que suportam a vida. Nesta magnífica primeira obra de Jieho Lee temos quatro histórias levemente ligadas que retratam cada um dos sentimentos. A felicidade é descoberta por um bancário nos jogos de azar. O prazer é o que descobre um criminoso vidente quando tem de iniciar o sobrinho do chefe no trabalho de cobranças que faz. A tristeza domina a vida de uma jovem cantora que, quando começa uma promissora carreira artística, é vendida a um homem de poucos escrúpulos. Todas essas histórias estão ligadas pois a casa de apostas clandestina, as cobranças e mais recentemente a gestão de carreiras musicais são o ganha-pão de Fingers. Finalmente a história de amor, já um pouco separada das outras, é sobre um homem e médico que se vê impotente para salvar uma paciente que é também a sua maior amiga e a mulher que ama.

É uma pena esta obra ter chegado depois de "Crash" e de Iñarritu pois as tramas cruzadas irremediavelmente acabam por ser comparadas. O cruzamento de histórias e de tempos exige muito do argumentista. Pelo elevado risco ainda é um estilo pouco frequente no cinema, mas quando bem feito não deixa margem para dúvidas quanto ao talento do seu autor. Este é um desses casos e, como nas anteriormente referidas, também os carros fazem uma importante ligação. Demasiadas semelhanças para que seja visto sem comparações... Mas se "The Air I Breathe" encontra em "Crash" uma complicada comparação, também lá encontrou um incrível actor. Falo de Brendan Fraser que é aqui o protagonista e tem o papel mais exigente de sempre. Está tão bem que quase se perdoa que ainda faça caça às múmias. O elenco é verdadeiramente excepcional e tirando um desaproveitado Forest Whitaker (grande arranque, mas um papel demasiado pequeno) estão incríveis. Grande trabalho de casting e interpretações magníficas.

A filosofia oriental está presente de forma muito discreta dando um ar exótico ao filme. É uma produção americana e com dinheiro, mas mantém uma harmonia e beleza estética que escapa aos padrões normais. A riqueza dos detalhes escondidos numa história e revelados noutra torna o encaixe satisfatório. É um truque relativamente fácil de fazer e o argumento acaba por abusar disso. Se houvesse mais histórias seria preciso recorrer a algo diferente. Assim, quando termina, ainda deixa o espectador surpreso. O final é o mais politicamente correcto pelo que é difícil dizer mal, mesmo sendo demasiado improvável. O filme merecia ter sido mais divulgado pois é das melhores produções actualmente em exibição.



Título Original: "The Air I Breathe" (EUA, México, 2007)
Realização: Jieho Lee
Argumento: Jieho Lee, Bob DeRosa
Intérpretes: Brendan Fraser, Sarah Michelle Gellar, Kevin Bacon, Forest Whitaker, Andy Garcia, Emile Hirsch, Julie Delpy
Fotografia: Walt Lloyd
Música: Marcelo Zarvos
Género: Crime, Drama, Thriller
Duração: 95 min.
Sítio Oficial: http://www.theairibreathemovie.com/

24 de outubro de 2008

Livro explora a velha zanga

Uma notícia peculiar que saiu no jornal de ontem foi o lançamento do livro "Porto versus Lisboa". Nesta obra literária um jornalista de cada cidade vai enaltecendo a sua terra seguindo tópicos previamente acordados. O resultado é um livro que revela o melhor e pior de cada cidade e aquilo que poderiam aprender uma com a outra.
Como não poderia deixar de ser também falam de futebol, mas o mais curioso é saber o que causa inveja. Enquanto o portuense António Eça de Queiroz lamenta a falta de um Metro verdadeiro (no Porto não é subterrâneo), um Zoológico (apenas na Maia e Gaia) e um Oceanário (em projecto para o Parque da Cidade), o lisboeta António Costa Santos queria ter na capital um Parque da Cidade, uma Casa da Música e um Fantas. A frase "O Fantas é o Fantas e está tudo dito" merece mesmo destaque em grande parte dos jornais que, infelizmente, decalcaram a notícia da Lusa e por isso são muito semelhantes. O Fantas pode ser o Fantas e estar tudo dito, mas a agência noticiosa duvida da fama do evento porque, entre parênteses, esclarece que é um festival de cinema fantástico.

Muitos outros pontos distinguem e enaltecem as duas cidades, mas é bom ver que o que Lisboa admira no Porto é a cultura. Afinal nem tudo está perdido aqui no Norte.

20 de outubro de 2008

Passatempo "Chrysalis - Um Futuro Próximo"

David Hoffman, tenente da Polícia Europeia, aceita voltar ao serviço para apanhar um perigoso ladrão, suspeito de um vil assassinato. Por coincidência, ou não, este ladrão matou a mulher de David meses antes. A sua investigação vai levá-lo a uma clínica com tecnologia de ponta debaixo da vigilância apertada do Professor Brügen.
Quando a verdade fica alojada no cérebro, as memórias tornam-se um bem precioso e altamente cobiçado.
E algumas delas nunca desaparecem…


NOS CINEMAS A 30 DE OUTUBRO





O Antestreia e a ZON Lusomundo têm para oferecer convites para a antestreia do filme "Chrysalis - Um Futuro Próximo". Para tal, tem que responder à pergunta que colocamos abaixo:


Qual o país de onde nos chega este thriller de ficção científica?


Se for um dos vencedores, poderá ver este filme em:

Lisboa - ZON Lusomundo Vasco da Gama
Antestreia: Dia 27 de Outubro (Segunda-feira), às 21:30, 15 convites duplos


Atenção: A recepção de respostas para este passatempo termina no dia 26/10, às 23h59. Não se esqueçam de colocar o nome completo e número de B.I. na vossa resposta, enviando-a para antestreia_blog@hotmail.com, indicando ainda a preferência quanto à sala de cinema.


Para levantar o seu convite, deverá apresentar-se com o seu BI ou outro documento identificativo (não serão aceites fotocópias) junto das bilheteiras do cinema, a partir das 19h30 do dia do filme.

Os vencedores serão contactados por email.


19 de outubro de 2008

Quantum of Solace percorre a Europa


"Quantum of Solace" já começou as grandes estreias europeias. Kiev, Moscovo e Estocolmo foram as primeiras. Dia 29 chega a Londres onde iniciará uma mini-maratona: 8 cidades europeias (não incluem Portugal) até dia 6. Com Sydney a 15 e Tóquio a 25 fica encerrado o tour.


As fotos desses eventos vão sendo publicadas no site oficial Sony QoS onde também já está o featurette.

Encontro de bloggers em Ourense


Passar umas semana num festival de cinema é garantia de ver muitos filmes. Se for na Galiza os filmes são espaçados pela boa gastronomia. Curiosamente muitas das refeições foram na companhia do blogger Martin Pawley, pioneiro na escrita de cinema em galego.

O blog de Martin é o Días Estranhos. Começou por ser um local de protesto contra a presença espanhola em guerras alheias, minutos depois falou do acidente do Prestige. Estávamos no dia 17 de Março de 2003. Dia 18 com uma referência a "The Day Earth Stood Still" começou a escrita de cinema que acabou por se tornar a temática central do Días Estranhos.

Nesses magníficos almoços também estava presente Marcos Nine, documentalista e realizador de "Carcamans", documentário fundamental sobre o acidente do Prestige. Através deles fiquei a conhecer uma incrível história de mentiras e jogos políticos que impediram as pessoas de combater a mancha desde o início. Felizmente a ingenuidade não é característica dos galegos que, desafiando as autoridades e arriscando a própria vida, pegaram nos barcos e enfrentaram o petróleo no território que sempre lhes pertenceu: o mar. Este combate épico poderia ter sido dos portugueses, mas as rezas de Paulo Portas a Nossa Senhora foram melhores que as de Manuel Fraga a Santiago. O resultado eleitoral foi idêntico para os dois políticos.

Voltando ao cinema, tema principal deste blog, recomendo uma visita ao Días Estranhos. O link já está na barra lateral.

Sugiro aos festivais portugueses que organizem encontros com os blogs cinéfilos. Esta partilha internacional de opiniões e experiências não só será um excelente incentivo aos blogs como ajudará na promoção de filmes e festivais pois os bloggers são os mais activos e fiáveis comentadores da sociedade.

Palmarés da 13ª edição de Ourense

Prémios para Longa-Metragem


Grande Prémio Calpurnia para Melhor Longa Metragem
"Weltstadt" de Christian Klandt (Alemanha)

Menção Especial do Júri:
"Bi An" de Zhang Yibai (Hong Kong / China)

Prémio "Carlos Velo" para Melhor Realizador
Bruno de Almeida por "The Lovebirds" (Portugal)

Prémio "Cidade de A Coruña" para Melhor Argumento
Bruno de Almeida e Johnny Frey por "The Lovebirds" (Portugal)

Prémio para Melhor Actor
Jakub Polak por "Outlanders" (Reino Unido)

Prémio para Melhor Actriz
Roxana Blanco por "Matar a Todos" (Uruguai, Chile, Argentina, Alemanha)

Prémio Especial do Júri:
"The Crossword Monologues" de Hideaki Kataoka (Japão)

Prémio do Público
"El Brindis" por Shai Agosín (Chile/México)




Eixo Atlântico


Grande Prémio Eixo Atlântico (melhor trabalho produzido na Galiza ou em Portugal em qualquer das categorias competitivas)
"1977" de Peque Varela (Reino Unido/Galiza)

Menção Especial do Júri:
"EUROPA 2007" de Pedro Caldas (Portugal)




Prémio para Documentários


Grande Prémio Calpurnia para Melhor Documentário
"Glorious Exit" de Kevin Merz (Suiça)

Prémio "Cidade de Vigo" ao Melhor Realizador
Neasa Ní Chianáin por "Fairytale of Kathmandu" (Irlanda)

Prémio à Identidade/Diversidade Cultural (Documentário que melhor expresse os valores da identidade cultural própria, da diversidade e a compreensão entre culturas)
"Donkey In Lahore" de Faramarz K-Rahber (Austrália/Paquistão)





Prémios para Curta Metragem


Grande Prémio Calpurnia para Melhor Curta-Metragem
"Auf Der Strecke" de Reto Caffi (Alemanha / Suíça)

Menção Especial do Júri
"Tanúvallomás" de Peter Gothar (Hungria)

Melhor Realizador
Marçal Forés por "Friends Forever" (Reino Unido)

Melhor Actor
Mateo Wansing-Lorrio por "Robin" (Alemanha)

Melhor Actriz
Agata Kulesza por "Kilka Prostych Slow" (Polónia)

Prémio do Público
"Las Piedras No Flotan" de Fabián Cristóbal (Argentina)




Animação


Grande Prémio para o Melhor Filme de Animação:
"Berni's Doll" de Yann J (França)




Novos Media


Nesta categoría premeia-se as produções audiovisuais que, utilizando formatos e técnicas não tradicionais, explorem novas formas de criação e comunicação.

Grande Prémio para a inovação nos Novos Media:
"Derakhte Man" de Sara Siadat Nejad (Irão)

Menção Especial do Júri:
"Under Construction" de Zhenchen Liu (França)

John Cleese on Palin

13 de outubro de 2008

O Top dos Tops

A famosa Empire Magazine publicou a semana passada mais um top dos melhores filmes de sempre. A diferença é que esta lista pretende ser a mais realista de todas e combina a opinião dos leitores, de cineastas e de críticos de cinema. Estes três grupos não devem ter opiniões muito distintas porque o top é semelhante a muitos outros.

1 - "The Godfather" (Francis Ford Coppola, 1972)
2 - "Raiders of the Lost Ark" (Steven Spielberg, 1981)
3 - "Star Wars Episode V: Empire Strikes Back" (Irvin Kershner,1980)
4 - "Shawsank Redemption" (Frank Darabont, 1994)
5 - "Jaws" (Steven Spielberg, 1975)
6 - "GoodFellas" (Martin Scorsese, 1990)
7 - "Apocalypse Now" (Francis Ford Coppola, 1979)
8 - "Singin’ in the Rain" (Stanley Donen, Gene Kelly, 1952)
9 - "Pulp Fiction" (Quentin Tarantino, 1994)
10 - "Fight Club" (David Fincher, 1999)
11 - "Raging Bull" (Martin Scorsese, 1980)
12 - "The Apartment" (Billy Wilder, 1960)
13 - "Chinatown" (Roman Polanski, 1974)
14 - "Once Upon A Time In The West" (Sergio Leone, 1968)
15 - "The Dark Knight" (Christopher Nolan, 2007)
16 - "2001: A Space Odyssey" (Stanley Kubrick, 1968)
17 - "Taxi Driver" (Martin Scorsese, 1976)
18 - "Casablanca" (Michael Curtiz)
19 - "The Godfather Part II" (Francis Ford Coppola, 1974)
20 - "Blade Runner" (Ridley Scott, 1982)
21 - "The Third Man" (Carol Reed, 1949)
22 - "Star Wars Episode IV: A New Hope" (George Lucas, 1977)
23 - "Back to the Future" (Robert Zemeckis, 1985)
24 - "The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring" (Peter Jackson, 2001)
25 - "The Good, The Bad, and The Ugly" (Sergio Leone, 1967)
26 - "Dr. Strangelove" (Stanley Kubrick, 1964)
27 - "Some Like It Hot" (Billy Wilder, 1959)
28 - "Citizen Kane" (Orson Welles, 1941)
29 - "Die Hard" (John McTiernan 1988)
30 - "Aliens" (James Cameron, 1986)
31 - "Gone with The Wind" (Victor Fleming, George Cukor, Sam Wood, 1939)
32 - "Butch Cassidy and The Sundance Kid" (George Roy Hill, 1969)
33 - "Alien" (Ridley Scott, 1979)
34 - "The Lord of the Rings: The Return of the King" (Peter Jackson, 2003)
35 - "Terminator 2: Judgement Day" (James Cameron, 1991)
36 - "Andrei Rublev" (Andrei Tarkovsky, 1969)
37 - "A Clockwork Orange" (Stanley Kubrick, 1971)
38 - "Heat" (Michael Mann, 1995)
39 - "The Matrix" (The Wachowski Brothers, 1999)
40 - "Vertigo" (Alfred Hitchcock, 1958)
41 - "The 400 Blows" (Truffaut, 1959)
42 - "Kind Hearts And Coronets" (Robert Hamer, 1949)
43 - "The Big Lebowski" (The Coen Brothers, 1998)
44 - "Schindler’s List" (Steven Spielberg, 1993)
45 - "Psycho" (Alfred Hitchcock, 1960)
46 - "On The Waterfront" (Elia Kazan 1954)
47 - "E.T."(Steven Spielberg, 1982)
48 - "This Is Spinal Tap" (Rob Reiner, 1984)
49 - "Evil Dead 2" (Sam Raimi, 1987)
50 - "Seven Samurai" (Akira Kurosawa, 1954)

Estes são os primeiros cinquenta, quem tiver tempo livre pode tentar navegar no resto da lista aqui.

O regresso de Ridley Scott com "Body of Lies"


Estreou sexta-feira passada nos Estados Unidos o mais recente filme de Ridley Scott. Esta história de espionagem com Leonardo DiCaprio e Russell Crowe tem tido uma boa reacção do público e está com média de quase 8 no IMDb.

A Columbia Tristar Warner disponibilizou dois featurettes para ir abrindo o apetite.

Pedigree
CIA



12 de outubro de 2008

Posters




11 de outubro de 2008

Palmarés da 41ª Edição de Sitges

Prémios Oficiais da Secção de Cinema Fantástico


Melhor Filme
"Surveillance" de Jennifer Lynch

Prémio Especial do Júri
"Eden Lake" de James Watkins

Melhor Realizador
Kim Jee-woon por "The Good, The Bad, The Weird"

Melhor Actor
Brian Cox por "Red"

Melhor Actriz
Semra Turan por "Fighter"

Melhor Argumento
Alexis Alexiou por "Tale 52"

Melhor Fotografia
Angus Hudson por "The Broken"

Melhor Produção
Tulé Peak por "Blindness"

Melhor Caracterização
Bendit Lestang e Adrien Morot por "Martyrs"

Melhores Efeitos Especiais
Kim Wook por "The Good, The Bad, The Weird"

Melhor Banda Sonora Original
Kenji Kawai por "The Sky Crawlers"

Melhor Curta Metragem
"Next Floor" de Denis Villeneuve

Menção Especial do Júri para Curta Metragem
"Centigrade" de Collin Cunningham



Prémios Não Oficiais



Prémio Orient Express
"The Chaser" de Na Hong-jin

Prémio do Público
"Blindness" de Fernando Meirelles

Prémio da Crítica
"The Sky Crawlers" de Mamoru Oshii

Prémio da Crítica Citizen Kane (para realizador revelação)
"Home Movie" de Christopher Denham

Prémio Brigadoon para Melhor Curta Metragem
"La Victoria de Félix" de Jordi Pastor e Albert Miró



Prémios Anima't


Melhor Longa Metragem de Animação
"From Inside" de John Bergin

Melhor Curta Metragem de Animação
"The facts in the case of Mr. Hollow" de Rodrigo Gudiño e Vincent Marcone



Prémios Carnet Jove


Melhor Filme Fantástico
"The Sky Crawlers" de Mamoru Oshii
e
"Vinyan" de Fabrice du Welz

Melhor Filme
"Encarnação do Demônio" de José Mojica Marins



Méliès d'Argent



Méliès d'Argent para Melhor Filme Europeu
"Martyrs" de Pascal Laugier

Méliès d'Argent para Melhor Curta Europeia
"Afterville" de Fabio Guaglione e Fabio Resinaro

Méliès d'Or



Méliès d'Or para Melhor Filme Europeu
"Let the Right One In" de Tomas Alfredson

Méliès d'Or para Melhor Curta Europeia
"Of Cats & Women" de Jonas Govaerts



SEAT Novas Visões


Melhor Filme
"Los Bastardos" de Amat Escalante

Menção Especial
God's Puzzle" de Takashi Miike

Diploma Filme Não Ficção
"Religulous" de Larry Charles

Diploma Filme Discovery
"Ramírez" de Albert Arizza

Novos Autores SGAE


Melhor Realizador
Dögg Mósesdóttir por "Eyja"

Melhor Argumento
Dea Pompa por "Restaurando a Héctor"

Melhor Música Original
Hilmar Örn Hilmarsson e Örn Eldjàrn por "Eyja"

Sitges 2008 - A despedida


Aquilo que torna o acto de ver filmes em festivais diferente de ver nas salas comerciais não é apenas o melhor gosto cinematográfico ou as exposições, publicações, convidados e conferências relacionadas. O elemento fundamental existe em ambos embora não seja igual: o público. É bem mais animador ver o filme com pessoas divertidas que reagem como nós. Se for bom e queremos aplaudir alguma cena alguém na outra ponta da sala aplaudirá connosco, se for mau e sairmos passados dez minutos, alguém se levanta para aproveitar a abertura de porta. Como diz um dos spots deste ano do festival "os fãs de Sitges não são como os dos outros festivais". Em "Let the Right One In" foi esse spot que passou e foi muito bem escolhido. A plateia tinha o público mais divertido da semana e aplaudiu cada nome que aparecia no genérico. Não por saberem dinamarquês ou conhecerem os artistas, mas apenas porque sim. Quando já algumas empresas produtoras e mais de uma dezena de nomes de indivíduos tinham passados os aplausos esmoreçam. Apenas três ou quatro resistentes (incluindo este vosso dedicado repórter) ainda abandalhavam a sessão com uns aplausos discretos. O filme propriamente dito não tinha começado, estávamos a ver letras brancas incompreensíveis em fundo negro, sem música de fundo. Um espectador incomodado lembrou-se de pedir silêncio e ainda bem que o fez. Imediatamente um milhar de pares de mãos começaram a aplaudir e só pararam quando o filme começou.
Este não era um filme que desse para aplaudir muitas cenas ocasionais como sucedeu em "Eden Lake" e "The Good, The Bad and The Weird", mas essa ovação inicial fez da última sessão do ano uma das com mais empatia.
A greve e a crise financeira afectaram muito a indústria e por isso os bons filmes eram poucos e metade já conhecidos de Cannes. Os convidados apesar de serem muitos não eram tão importantes como em anos anteriores. Ontem às 23 horas saíria de Sitges sem grande pena. Depois desse momento de cumplicidade entre centenas já deu para sentir saudades e por isso queria dizer obrigado Sitges, por uma excelente última sessão.

A lista de prémios segue dentro de momentos.

Sitges - dia 10 de Outubro



Com o aproximar do final o festival ganha ritmo e a programação melhora substancialmente. Dois dos filmes do dia são já presença garantida no Fantasporto ("Absurdistan" de Veit Helmer e o filme em sketchs "Tokyo!") o terceiro foi convidado para animar a presença espanhola ("Prime Time") e o quarto é apenas o que na véspera foi eleito melhor filme fantástico europeu do ano. O vencedor aqui pré-anunciado do Méliès d’Or "Let The Right One In".

Comecemos por "Absurdistan", uma irreverente comédia de costumes do realizador de "Tuvalu", que quase sem recorrer a diálogos, nos actualiza a célebre greve ao sexo da personagem Lisístrata da antiguidade grega. Rodado no Azerbeijão, país predominantemente muçulmano, descreve uma notícia que atraiu a atenção de Veit Helmer: numa remota aldeia turca as mulheres decidiram que enquanto os homens não consertassem a tubagem de água que abastecia a aldeia não haveria sexo para ninguém. O país e a situação afinal não são assim tão absurdas quanto isso e a descrição das personagens-tipo – homens preguiçosos que ficam a tomar café e a discutir e mulheres fartas da cansativa rotina doméstica – são afinal o leitmotiv para uma história de amor. Será que depois da água virá o sexo? Veit Helmer que conhece muito bem Portugal escolheu actores de 18 países e recriou uma autêntica Babel de culturas para uma surreal visão do nosso mundo e dos seus contrastes de desenvolvimento. Hélder Costa é o actor português escolhido e vendo-o no filme bem que o podíamos tomar por um azeri.
Quando o questionamos se o filme tinha sido exibido no local de filmagem, Veit revelou-nos que a projecção em cinema ambulante por várias localidades do Azerbeijão foi um sucesso e mulheres e crianças assistiam ao filme sem constrangimentos religiosos. Depois do sucesso de Cannes e de Sitges, em Fevereiro no Fantas o êxito é mais que garantido para esta divertida reflexão social.

"Tokyo!" é um invulgar exercício no cinema dos nossos dias. O filme em episódios que foi popular nos anos setenta tem caído em desuso. Aqui Toquio é o ponto de encontro de três cineastas – os europeus Leos Carax e Michel Gondry e do asiático Joon-ho Bong – que criam três visões de um futuro próximo, envolvendo personagens solitárias numa metrópole que se desumanizou.

A grande surpresa espanhola deste ano é "Prime Time", uma hiperbólica visão dos reality shows realizada por Luís Calvo. Como descreve o realizador, a televisão espelha os valores morais da sociedade ou a sua ausência. Sociedades corruptas e violentas sustentam televisões corruptas e violentas. Neste caso não é apenas a intimidade das pessoas que é vasculhada, toda a sua vida é alterada pois são raptadas para o programa. A conferência é uma das que iremos publicar brevemente.

A completar a noite estava o grande vencedor do Méliès d’Or. "Let the Right One In" é uma história sobre a infância e tudo que lhe é inerente: a inocência, os problemas, a ténue fronteira entre amizade e amor. Tudo isto adocicado com um toque de vampirismo muito criativo e brilhantemente executado que por não ter terror puro se torna fácil de ver para todos os públicos. Referir que além do maior troféu europeu já tinha ganho variados prémios em meia dúzia de festivais, incluindo Neuchatel que o qualificou para a final europeia de quinta-feira.

10 de outubro de 2008

Trailer de Benjamin Button


Poucos realizadores são tão aplaudidos como David Fincher e cada trabalho novo dele é aguardado com imensa expectativa. Se nesse projecto estiverem estrelas como Brad Pitt, Cate Blanchet, Elias Koteas, Tilda Swinton e Julia Ormond e o argumento for de Eric Roth pouco pode falhar.



Nos EUA a estreia está agendada para o dia de Natal, no velho continente deve demorar mais um a dois meses. Até lá, temos de nos contentar com o trailer...

9 de outubro de 2008

Kincón no dicionário


Há ideias simples que conseguem fazer história e o mundo do cinema tem muito do seu encanto nesta capacidade de criar e explorar os seus próprios mitos. No festival de Sitges está a decorrer uma campanha de sensibilização dos seus frequentadores para colocar kincón no dicionário. Na mesma edição em que está patente uma exposição de cartoons dos mais prestigiados desenhadores subordinada ao tema “"King Kong 75 anos depois" - cujos originais serão vendidos em leilão pelo E-Bay - a campanha para se utilizar a expressão está no seu auge. Algumas das expressões sugeridas são: "K de kincón", "King Kong é um kincón", "Kincón no dicionário", "não sejas um kincón". Porque a língua é de quem a fala e se se popularizar o seu uso, os académicos serão obrigados a acrescenta-la ao dicionário. Num país dividido por vários idiomas, em Sitges kincón é um factor de unidade entre todos.
Apesar de ter perdido o seu lugar no Empire State Building, continua no coração dos cinéfilos e, esperemos, no dicionário.
Kincón: diz-se daquele preso a um amor impossível

Curiosamente a ONU declarou 2009 como o Ano Internacional do Gorila. Kincón para sempre!

8 de outubro de 2008

Méliès d'Or para "Let the Right One In"

Com uma antecipação de 24 horas podemos confirmar a apostar na vitória de "Let the Right One In", vencedor do festival de Neuchatel, como o grande vencedor do Méliès d'Or a atribuir amanhã numa gala no Grande Auditório do Melia Sitges.
Num ano em que Espanha como habitualmente dominava as nomeações - um terço dos candidatos premiados com os Méliès d'Argent - o júri parece ter sido sensível a esta história de vampiros escandinava. Amanhã veremos se o palpite se confirma e se as nossas fontes eram de confiança.



Candidatos


"El Rey de La Montaña" (Gonzalo López-Gallego, Espanha, 2008)
Amsterdam Fantastic Film Festival, Holanda

"Frontiére(s)" (Xavier Gens, França, 2007)
Brussels Intl. Festival of Fantastic Film, Bélgica

"The Substitute" (Ole Bornedal, Dinamarca, 2007)
Espoo Ciné Intl. Film Festival, Finlândia

"El Orphanato" (Juan Antonio Bayona, Espanha/México, 2007)
Fanomenon – Leeds Intl. Film Festival, Reino Unido

"La Habitation de Fermat" (Luis Piedrahita/Rodrigo Sopena, Espanha, 2007)
Fantasporto – Oporto Intl. Film Festival, Portugal

"Let the Right One In" (Tomas Alfredson, Suécia, 2008)
Neuchatel Intl. Fantastic Film Festival, Suíça

"A L'Interieur" (Julien Maury/Alexandre Bustillo, França, 2007)
Sitges Festival Internacional de Cinema de Catalunya, Espanha

"La Ragazza Del Lago" (Andrea Molaioli, Italy, 2007)
Fantafestival Rome/Latina, Itália

"Left" (Froukje Tan, Netherlands, 2008)
Lund Intl. Fantastic Film Festival, Suécia

SItges - dia 7 de Outubro

Sitges - dia 7 de Outubro
As manhãs em Sitges são para os jornalistas. Os que durante a noite andam pelas festas da movida desta popular estância balnear não conhecem esta parte do festival e transitam directamente para o almoço. Os críticos de cinema têm filmes logo de manhã e por isso não têm desculpa para não poderem publicar as suas críticas. Pelas manhãs começam também as conferências de imprensa, as entrevistas e os photocalls.

Em termos de filmes o dia no principal auditório não foi mau, ainda que começar por um filme surpresa é sempre uma opção arriscada para o espectador (recorde-se que há dois anos a surpresa foi "Borat"...). Neste caso a surpresa dava pelo nome de "Trick'R'Treat", um típico filme em formato televisivo para adolescentes e com o Halloween como desculpa para este quarteto de histórias de algum terror. É uma receita um pouco gasta que já não motiva grande entusiasmos, ainda que algumas cenas com efeitos especiais despertem alguns aplausos de uma assistência que precisava de encontrar razões para se animar. Mas os grandes filmes chegaram ao fim de tarde e noite: "Martyrs" de Pascal Laugier seleccionado para o Fantas e "Blindness" de Fernando Meirelles.

"Martyrs" é um exercício de terror psicológico e físico que põe à prova os espectadores. De uma violência extrema, condição actual do cinema de terror francês como em "A l'Interieur" e "Frontiére", e de uma perversidade que levou alguns críticos a acusarem o filme de nazi e misógino. Acusação mais do que injusta para um filme que reflecte sobre a condição de vítima e de mártir, afinal a condição humana. Numa muito interessante entrevista que nos concedeu em exclusivo e publicaremos brevemente, Pascal Laugier expressa bem esta procura desesperada pela sentido da transfiguração e do que nos reserva a vida pós-morte. A resposta incomodará os espectadores, mas isto é cinema para obrigar a pensar.. Uma plateia de 1300 pessoas assistiu sem arredar pé, paralisados e num silêncio profundo e respeitoso a este filme sobre a dor absoluta. Obrigatório.

"Blindness" jogava em casa, porque sabemos que Saramago é muito querido em Espanha. Um público muito heterogéneo em termos de idade rendeu-se a esta metáfora muito poética sobre a incapacidade de ver, num mundo que perdeu o sentido da humanidade. Os críticos de Saramago rejeitarão a adaptação porque demasiado americanizada, os leitores mais reverenciais de Saramago acusarão o filme de ligeireza num tema tão sensível como a falta de humanidade dos humanos. A verdade é que Meirelles se afasta um pouco das suas raízes e cria um filme não muito convincente. Se conseguir que os espectadores por um momento tenham a lucidez de pensar que há valores que nos definem como pessoas, o filme já terá valido a pena.

Foi um dos grandes momentos do festival ainda que seja discutível a sua inserção na secção competitiva do fantástico. a madrugada trouxe-nos uma história de espionagem coreana, comédia sem humor, combates corpo-a-corpo sem contacto, com momentos musicais descabidos. Uma boa motivação para ir dormir cedo.

7 de outubro de 2008

Abel Ferrara em Sitges

De génio e louco, ele tem um pouco

Ontem deu show logo depois de receber a máquina do tempo ao pretender trocar o prestigiado prémio de carreira por bebidas no bar. À segunda vez o barman aceitou mesmo.

Abel Ferrara, o genial e controverso de "Addiction" ou "The Funeral", mostrou que continua irreverente, divertido, alcoólico e espalhafatoso numa conferência de imprensa demasiado cheia, com jornalistas demasiados ansiosos por estarem na presença de uma vedeta, Ferrara igual a ele próprio respondeu pouco e falou muito. Mesmo com a infelicidade de um tradutor que a propósito do seu último filme "Chelsea on the Rocks" traduziu Janis Joplin para Charlie Chaplin. Isto mata qualquer conferência.
Mas o melhor estava para vir. Numa saída exuberante e apoteótica da sala, inspirado pelos vapores do álcool e diante de um séquito de jornalistas e fotógrafos, encontra um piano onde extravasa o seu virtuosismo que aqui reproduzimos em primeira mão, quinze minutos depois do acontecimento.



Quem diz que o álcool não faz milagres engana-se.

Sitges - Dia 5 de Outubro



Dia 5 de Outubro


Quando há Grande Prémio da Catalunha e festejos pelo jogo do Barça uma espécie de estado de hibernação atinge o festival. A programação tem um dos seus dias mais fracos o que não quer dizer que não tenha o público em filas compactas e pacientes à espera nas portas.

O primeiro filme a ser exibido foi a curta vencedora do Fantasporto "Rojo Red". O filme oriundo da Colômbia também aqui se apresenta em competição. Nesta programação desconcertante tanto encontramos "Krabat" sobre esse animal mítico do fantástico que é o morcego - numa reincursão a uma temática tão cara ao cinema alemão de entre as guerras - como o francês "Vinyan" - thrller psicológico com Emmanuélle Beart no principal papel - uma ficção sobre os efeitos do tsunami numa família que perde o filho. A perda, os traumas e o passado assombram esta realidade ficcionada.

Para animar a noite nada melhor que um filme de um consagrado realizador de sucessos comerciais como é Guy Richie. A máfia russa continua a ser um dos grandes temas do cinema actual, numa visão irónica, mas cínica, da expansão do novo império russo. As referências ao grande mundo criminal do futebol e dos lobbys na construção civil, cruzam-se com os pequenos roubos de vigaristas de rua que tentam aproveitar a vida ao máximo. Sexo, drogas e rock’n’roll misturam-se numa explosiva obra que se pode tornar filme de culto.
Noite dentro, numa aposta bastante arriscada para um festival de cinema neste horário, um documentário. Este sobre a excensão do cinema australiano nos anos setenta, apoiado em cenas de sexo explícito, nus frontais e perseguições alucinantes.

O prémio do dia foi a Máquina do Tempo atribuída a Nicholas Meyer, nome incontornável da ficção-científica com os seus trabalhos em "Star Trek" e "Time After Time" entre outros.

6 de outubro de 2008

Sitges 2008 - Dia 4 de Outubro


Já se celebra o cinema em Sitges. Este ano ao festival junta-se o Méliès d'Or, prémio máximo do cinema europeu para o género fantástico. O Antestreia como habitualmente está a cobrir o maior evento do cinema fantástico.



Dia 4 de Outubro


Num dia que começa às dez da manhã com uma classe magistral de Douglas Trumbull sobre o clássico "2001" é difícil dizer que os filmes são o ponto alto. No entanto como são eles a razão da existência dos festivais falemos dos filmes.
Este fim-de-semana a programação é fraca, apenas "Surveillance" tem alguma fama e como em Portugal já estreou não tem o sabor a novidade. Felizmente os filmes espanhóis trazem sempre muitas estrelas a Sitges e a animação é garantida.
Hoje as estrelas foram variadas. Por exemplo "Teaserland", uma amostra do Festival Internacional de Trailers Falsos, levou ao palco alguns dos maiores realizadores espanhois incluindo os recentes vencedores do Fantas, Balagueró, Plaza e Bayona. Esta iniciativa pretende ampliar aquilo que "Grindhouse" fez e coleccionar trailers falsos. Toda a gente pode participar e todos os géneros são bem vindos.
Nos filmes verdadeiros houve muitas desilusões. "Soy um Pelelé", comédia truculenta sobre o mundo do cinema, foi execrável. "Santos", uma comédia de super-heróis em imagem real ao estilo anime, foi sofrível ao princípio e terrível até ao final.
A sessão da noite estava reservada para "Sexykiller" que combinou humor e sangue numa receita ligeiramente adaptada. Nesse momento a fasquia já estava tão baixa que um salto à altura dos joelhos pareceria recorde mundial. Este filme num dia normal seria considerado original e divertido, ontem e em comparação com os anteriores pareceu brilhante.
Como se não bastassem os maus filmes, o que arruinou ainda mais a noite foram os sucessivos atrasos nas sessões. Quase vinte minutos em cada e a sessão das 23 horas começou à meia-noite. Pelo menos não choveu.

No mundo paralelo que decorre nos festivais, por onde se deslocam os convidados, a atenção da imprensa esteve em "Santos". A divertida entrevista foi o que salvou aquela equipa da ira dos críticos nos artigos de hoje. A entrevista e especificamente a presença de Elsa Pataky, nova coqueluche do cinema espanhol. Quando o tempo permitir iremos publicar a conferência na íntegra.

2 de outubro de 2008

Hollywood dá o exemplo


Nem sempre se deve seguir o exemplo dado pelos actores e este é um desses casos. Numa campanha original várias estrelas, maioritariamente hollywoodescas, pedem ao público que não vote. As frases irónicas utilizadas mostram a importância que tem o voto, ferramenta mais importante de quem quer ter uma palavra a dizer sobre a nação.