6 de setembro de 2011

A crise e o domínio americano no cinema

Segundo dados do ICA (Instituto do Cinema e Audiovisual) o número de espectadores nas nossas salas de cinema voltou a descer. A redução entre 2010 e 2011 foi de 6,7% para o período entre Janeiro e Agosto. Nem a taxa 3D salvou o negócio pois a facturação diminuiu em 3,3%.

Em número exactos foram 10.624.130 espectadores e pagaram 54,7 milhões de euros. Em oito meses um português vai ao cinema uma vez. Considerando o número de vezes que eu fui tenho pena dos 50 que deixaram de ir por minha causa. E considerando os bilhetes que comprei a 3€ ou menos, tenho pena de quem contribuiu para que a média ficasse em 5,10€ o bilhete. Sabemos que uma boa fatia dos espectadores pagam preço criança/estudante/sénior ou vão à segunda-feira, se formos ainda a considerar as promoções de cartão ZON, o preço simpático dos Vivacine, a promoção de Verão nos UCI, as promoções jantar+cinema por 7€... Não será um preço um bocado ridículo?

Quanto a títulos também não houve grande surpresa. O último capítulo da saga Potter aproxima-se do meio milhão com 487000. Ainda fora do pódio em comparação com o ano passado. Do cinema nacional o recorde está com "Complexo Paralelo" e 17000 pessoas. Seria o terceiro melhor no ano passado, mas ainda muito longe dos 83000 que lhe dariam o segundo lugar.

No gadget das estreias que vocês adoram, a olho contei 184 títulos de estreias este ano (2 deles são curtas). Uma dezena deles nacionais e metade americanos. Como inverter essa tendência?
Na Argentina a solução é ao gosto dos políticos. O INCAA (Instituto Nacional do Cinema e das Artes Audiovisuais da Argentina) estuda a criação de uma taxa sobre os filmes estrangeiros. Isso porque tem apenas uma sala para cada 50000 habitantes e quase todas passam o mesmo. Essa taxa funcionaria da seguinte forma:
Na cidade de Buenos Aires, para que um filme estrangeiro passe em 40 salas, as distribuidoras teriam de pagar o equivalente a 300 bilhetes, por 80 cópias a tarifa seria de 1200 bilhetes e acima de 160 salas 12000 bilhetes. Esse valores seriam mais baixos noutras localidades. E lá o preço do bilhete ronda os 30 pesos, 5 euros.
O passo seguinte da proposta é apostar nos cinemas de bairro, aquele local de antigamente onde se via filmes bons e variados em vez da constante repetição de temáticas e que entretanto fecharam devido à concorrência feroz e desproporcional dos multiplex.
Tenho impressão que lá como cá esse valor passaria directamente para o espectador que iria ver o filme estrangeiro na mesma a reclamar por ser mais caro.

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