16 de setembro de 2011

Primeiro o pão, depois o circo

Não me costmo queixar, mas enquanto não perceber o que realmente se passa só tenho razões para estar preocupado.
Que estamos em crise todos sabem. Quem escapa às dificuldades profissionais sente-o na carteira. O problema é que não só está complicado sair do buraco económico, como estão a escavar um fosso cultural. Digo isso porque a reestruturação de organismos públicos anunciada hoje teve como uma das primeiras vítimas a Cinemateca Portuguesa/Museu do Cinema. Será integrada no ICA? Fará parte da nova Direcção Geral do Património Cultural? Não bastou o escândalo de não poder fazer ciclos sem autorização prévia?
O que sei é que deixando de ser independente do poder central esfumou-se o sonho de algum dia aparecer uma Cinemateca noutra região do país. Cada vez mais é só Lisboa.

Desaparecer o Ministério da Cultura podia fazer sentido se cada área (Cinema, Teatro, Dança, Música, Literatura, Pintura....) tivesse uma entidade com capacidade financeira e autonomia para apoiar os artistas nacionais e a sua divulgação. O que vemos é precisamente o contrário, com uma cada vez maior concentração do poder em entidades (e provavelmente pessoas) que terão de ser polivalentes, não dando por isso o melhor contributo possível à nação.
Acabou-se o dinheiro para pão e brevemente acabará o circo, mas pelo menos a palhaçada continua.

1 comentário:

O Projeccionista disse...

O pão já nos tiraram, se nos tiram também o 'circo', que ainda dava para esquecer a falta de pão, qualquer dia não sei onde é que isto vai parar