13 de setembro de 2011

Séries de terror

A relação do público com o terror nos últimos 50 anos pode ser dividida em três períodos. Primeiro foram os realizadores de culto que só faziam terror. Nomes como Romero e Argento cujos filmes prometiam emoções fortes e desagradáveis e poucos viam.
A popularização do género ocorreu quando um grupo alargado de realizadores começou a fazer terror para todos como Spielberg ou Reitman. Além desses alguns cineastas traíram o género (Raimi, Cronenberg ou mais recentemente Jackson) e fizeram a transição do horror para o mainstream. No entanto isso ajudou a revelar ao mundo os seus primeiros trabalhos e os outrora filmes de nicho passaram a ser para todos.
Finalmente a vulgarização do cinema fantástico na última década (super-heróis, Potter, Narnia, e outra literatura juvenil adaptada) e o terror light (“Twilight”) acabou com as barreiras deixando as pessoas praticamente fartas.

Se no cinema é relativamente fácil encontrar referências deste gabarito, na televisão devia ser ainda mais fácil visto que as produções americanas monopolizam os mercados das séries em imagem real. Se formos a pensar que séries fantásticas existiram, a ficção científica espacial dominou claramente. Alguns outros casos pontuais de acção/fantasia como o caso de longevidade dos Power Rangers, as viagens no tempo de Scott Bakula, mas ainda nada de assustador se excluirmos as novelas.
Até que há dez anos tudo mudou devido ao sucesso de séries como “Buffy, Vampire Slayer”, “The X-Files” e uma geração que se acostumou ao fantástico devido à animação oriental que viram em crianças e à série “Are You Affraid of the Dark?”. Se formos a ver casos recentes continuamos a ter super-heróis clássicos (Smallville), novos super-heróis (Heroes), ficção-científica (Stargate, Firefly, Sliders), e muita fantasia (Carnivàle) mas finalmente temos terror. Algum tende para a novela (Ghost Whisperer, Cold Blood), outros podem ser considerados thrillers com mortes sangrentas (Medium, Tru Calling) e alguns são sérios sempre que possível (Supernatural), mas quais os limites?
Quando surgiu a “Masters of Horror” muitos terão pensado que isso era o máximo que o terror podia dar ao público: um lote de realizadores incontornáveis do género, episódios independentes que mais parecem médias-metragens, basicamente uma falsa série.

Com a fantasia a definir novas fronteiras em “Lost” e outros sucessos em horário nobre, também o terror precisava de um título sonante e exibições regulares. O melhor que conseguiu foi quase o melhor possível: uma série sobre zombies.
“The Walking Dead” tem direito a horário nobre. Reduziram o gore ligeiramente e portanto o público-alvo foi suficientemente alargado para o espaço publicitário ser lucrativo e por isso não foi relegada para o horário da meia-noite. Chegou a 250 milhões de lares de 120 países não sendo por isso uma série de nicho como se espera do terror.
É um passo de gigante que um tema tão alternativo - por muito que tentem não conseguem tornar o conceito zombie em algo menos assustador - tenha chegado assim longe. Um dia haverá uma série verdadeiramente assustadora a causar pesadelos a quem ousar ligar a televisão à hora de jantar.



Deixo ainda uma questão. Depois de “Bewitched”, “Sabrina the Teenage Witch” e “Charmed”, será possível fazer uma série assustadora com bruxas ou o tema foi despojado do elemento assustador?

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