8 de setembro de 2011

"Trust" por Nuno Reis

Aproveitaria a referência matinal a "Suicide Club" para voltar a falar dos perigos do online. Há três meses estreou um dos poucos filmes sobre o tema dos predadores sexuais que utilizam o anonimato para seduzir adolescentes. Em "Trust" temos uma família aparentemente normal. Um casal feliz, um filho prestes a ir para a universidade, uma filha a ir para o secundário e outra mais pequena. Darem liberdade ao filho Peter não foi difícil, o que lhes custou foi perceber que a filhinha Annie de catorze anos estava muito mais exposta a perigos através da internet do que no meio da rua. No início vamos acompanhar dois meses de conversas online com o seu amigo Charlie que acabam por se tornar muito mais do que isso. A segunda metade é sobre como Annie e o pai lidam com isso.

A diferença geracional nota-se nas pequenas coisas. Já por isso Peter como filho mais velho faz a ponte: tem uma forma de comunicar com os pais e outra com a irmã. Por um lado vemos um homem que se lembra sempre de ligar o alarme de casa. Por outro dá um computador á filha sem saber o que ela lá faz.
Honestamente quem pretender ter filhos não deve ver este filme. Porque mostra as crianças como seres imprevisíveis e umas autênticas desconhecidas para os pais. Ao mesmo tempo que por manias da idade deixam de falar de tudo com os pais, abrem-se totalmente para o mundo sem fazerem ideia de quem estará do outro lado. Desejam liberdade e onde a têm dã-lhe péssimo uso.
Há alguns anos "Hard Candy" veio lançar o alerta para essa situação. O problema foi ter ido buscar a sua componente mais forte à vingança da vítima (caso raro) e não propriamente ao caso do criminoso que escapa impune. Aqui dizem-nos a triste realidade. Eles mentem, manipulam, abusam, são admirados pela vítima e não são fáceis de apanhar pela polícia. Os alvos de quem o filme fala não têm idade para ver este filme, mas deviam. Porque vão dizer "eu não fazia isso" e mais tarde percebem que fariam sim, mas pelo menos ficam prevenidas e ficam a saber qual o seu dever para com as amigas. Já os pais vão perceber que terão de se modernizar mais depressa do que gostariam porque o mundo é uma selva e há sempre novos perigos à espreita.

Podia ser um excelente filme. Liana Liberato foi uma incrível revelação no papel principal, mas não está devidamente acompanhada. Há demasiadas personagens-tipo e demasiada previsiblidade porque todas as histórias deste género são iguais. Outro problema foi a câmara andar sempre atrás de Clive Owen como num vulgar filme de vingança, descurando a estrela maior e o ponto de vista mais poderoso da história. No entanto nem que seja pela mensagem deve ser visto. Porque às vezes a confiança não chega.

TrustTítulo Original: "Trust" (EUA, 2010)
Realização: David Schwimmer
Argumento: Andy Bellin, Robert Festinger
Intérpretes: Clive Owe, Katherine Keener, Liana Liberato,Jason Clarke e Viola Davis
Música: Nathan Larson
Fotografia: Andrzej Sekula
Género: Drama, Thriller
Duração: 106 min.
Sítio Oficial: http://www.trustmovie2011.com/

2 comentários:

Andreia Mandim disse...

Como suspeitava, não é um filme do outro mundo e o facto de cair em cliché não me surpreende...Fico-me pelo seu homónimo, de 90, de Hal Hartley.


cumprimentos,
cinemaschallenge.blogspot.com

Nuno disse...

Tenho de ver esse...