8 de dezembro de 2011

"The Tempest" por Nuno Reis

Ainda não há autor mais conhecido do que Shakespeare e as suas obras - assim como a sua vida - são sempre motivo para filme.O problema das histórias livres de direitos é que já foram filmadas de variadas formas e por isso uma nova adaptação não traz nada de novo. Por isso é que Julie Taymor gosta de inovar e modernizar os contos. Em 1999, seguindo o exemplo de Luhrmann em “Romeo+Juliet”(1996), fez “Titus” dando toques de modernidade a um clássico sonre Roma. Pois em 2010 faz uma alteração bem mais contrastante e no entanto simples. Troca Prospero por Prospera, muda o guarda-roupa e apresenta “A Tempestade” quase igual ao original.

Prospera é exilada pelo irmão com acusações de bruxaria. Ela e a filha Miranda de quatro anos vão dar a uma ilha onde Prospera assume o comando de forma a proteger a criança. Os anos passam e Miranda cresceu causando desejos a Caliban, o único nativo da ilha que Prospera rapidamente põe no lugar. O filme começa quando novas personagens surgem na ilha como os espirituosos Stephano e Trinculo ou um príncipe, o rei que o acha morto e o irmão do rei que quer ambos mortos. Prospera e o não muito fiel espírito Ariel terão de lidar com tudo isso enquanto Miranda tem os seus próprios planos e Caliban quer voltar a reinar como único ser da ilha.

Foi uma produção arriscada à partida. O argumento bastou para reunir um dos melhores elencos que Shakespeare já teve em cinema - Helen Mirren, Felicity Jones, Djimon Hounsou, David Strathairn, Alan Cumming, Ben Whishaw, Chris Cooper, Alfred Molina e Russell Brand - mas muito faltou para convencer o público e a crítica. Usando como referência os bloggers nacionais, foi o filme com mais baixa nota no passado Fantas.
Shakespeare não é exactamente acessível para o público cinéfilo e aqui se não fosse pelo humor de Trinculo e Stephano ou pelo romance entre os jovens príncipes teria sido uma longa, dramática e arrogante peça de teatro. A dupla ébria dá-lhe um toque de humor forçado que ajuda a diluir tanto Shakespeare, e o par romântico dá-lhe alguma irreverência que muito era precisa pois Mirren levou a sério a responsabilidade de ser Prospera, a derradeira personagem Shakespeariana.

“The Tempest” fica perdido entre os que não simpatizam com algo saído de Shakespeare e os que o querem sem retoques. A magia dos efeitos, caracterização, guarda-roupa (nomeado a Oscar) e a excelência dos intérpretes fazem com que tenha muitas cenas fascinantes que podem ser usadas fora de contexto para cativar à leitura do dramaturgo. O todo é indigesto.

The TempestTítulo Original: "The Tempest" (EUA, 2010)
Realização: Julie Taymor
Argumento: Julie Taymor (baseada na peça de William Shakespeare)
Intérpretes: Helen Mirren, Felicity Jones, Djimon Hounsou, David Strathairn, Alan Cumming, Ben Whishaw, Chris Cooper, Alfred Molina e Russell Brand
Música: Elliot Goldenthal
Fotografia: Stuart Dryburgh
Género: Comédia, Drama, Fantasia, Romance
Duração: 110 min.
Sítio Oficial: http://www.tempest-themovie.com/

2 comentários:

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Será bom ver a Helen Mirren como Próspero(a).
Cumprimentos cinéfilos!

O Falcão Maltês

Nuno disse...

É pena. No Brasil foi direto para DVD...