26 de setembro de 2012

DocLisboa e o serviço público de televisão


No momento em que se decide o futuro da televisão pública em Portugal, estando em discussão a privatização da RTP1 e a extinção da RTP2, o Doclisboa'12 promove, durante o festival, uma mesa redonda sobre o tema. Esta iniciativa tem como objectivo, por um lado, lançar um debate público sobre a continuidade de um serviço público de televisão e, por outro, a continuidade de um trabalho específico de relação entre a televisão e a produção de documentários, a partir da identificação e análise das consequências desta situação e das suas consequências sociais e políticas.

Numa sondagem realizada junto das produtoras do meio audiovisual português, a Apordoc - Associação pelo Documentário, verificou, «objectivamente, a contribuição da RTP2 para o documentário nacional: nos últimos seis anos, a RTP2 trabalhou com 110 realizadores/produtores, estando presente, em maior ou menor escala, na estrutura financeira de 180 projectos de cariz documental, entre os quais 30 séries, que abarcam temas nacionais e contemporâneos, mapeando a realidade social, ambiental e cultural, mas também a História e memória colectiva.»

Sobre a relevância deste debate, a Associação considera importante perguntarmo-nos «qual a relação de custo-benefício da extinção da RTP2 quando esta tem sido, na realidade, o que de mais próximo existe, no panorama nacional, de serviço público. (...) Citando o Contrato de Concessão de Serviço Público de Televisão, assinado em 2008 e válido até 2024, 'a Televisão de Serviço Público tem que se constituir como um referencial de qualidade, que não se submeta a uma lógica exclusiva de mercado e preencha os objectivos sociais e culturais, numa sociedade diversificada como a portuguesa, ajudando a formar públicos exigentes, motivados e intervenientes.'»

Segundo a Associação, «a política de envolvimento da actual direcção da RTP2 na produção de documentários contribuiu para o alargamento da presença deste género cinematográfico em Portugal e para o alargamento do nosso património audiovisual e cinematográfico, (...) bem como para a sustentação de algumas das nossas produtoras de cinema e audiovisuais. Interromper agora este trabalho e percurso constituirá uma medida de retrocesso, esquecendo o factor fundamental para todas as políticas culturais: pensamento a longo prazo.»

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