23 de outubro de 2012

"LOL" por Nuno Reis

O que Miley Cyrus quer, Miley Cyrus tem. Com fama e dinheiro consegue-se muita coisa e a antiga Hannah Montana tem construído a sua carreira como quer. Primeiro Nicholas Sparks escreveu "The Last Song" de propósito para ela e para chegar a um público mais jovem. Agora Lisa Azuelos refez com ela “LOL”, o filme que escreveu em 2008 para compensar a falta de filmes para adolescentes em França.
O tema é a geração Z, aqueles que nasceram e cresceram sob influência da Internet não conhecendo outra realidade. Um dia chegará uma geração que vive apenas no online, mas por enquanto falo apenas dos que têm internet sempre ligada, falam por emoticons e abreviaturas via IM e SMS nos seus smartphones e tablets... Lola é um exemplo desa geração. Como qualquer adolescente tem problemas de comunicação com os pais, sente-se incompreendida e injustiçada e tem um coração irrequieto. Mas ao contrário dos filmes anteriores sobre adolescência, aqui a rede tem uma grande importância para a comunicação. Se disser que é vital não será um exagero.

Concordo com a realizadora que dizia fazerem falta filmes pensados para os jovens. A perspectiva aqui apresentada apesar de estar centrada em Lola e nos seus colegas mostra também (em menor grau) a versão de pais e avós. Uma família modelo em que todos se dão bastante bem é o cenário perfeito para começar a falar de amadurecer e o incontornável conflito geracional vai surgir mais tarde, quando a confiança entre facções é quebrada.
Não nasci com Internet, mas mergulhei destemido nesse mundo assim que possível e também criei uma simbiose com A Rede. Percebo tudo o que Lola faz e os termos que usa. Percebo a raiva e a angústia da adolescência. Percebo as atitudes tomadas e as oportunidades aproveitadas. Percebo tudo, mas ainda assim não dou razão. A “velhice” chega a todos e aqui noto que já não estou na geração dos filhos, mas na dos pais.
Os tempos mudam e os riscos são maiores, a exposição social é maior. É uma geração que está acostumada a ter tudo no imediato e o travão colocado pelos pais perturba aquilo que se acha serem os sonhos de vida.

Apesar das más avaliações pela Internet fora (chegou a estar no Bottom 100 do IMDb) é obviamente mais por culpa dos anti-Cyrus do que por defeitos de “LOL”. É um estilo de filme que faz sempre falta. Ser americano e com Miley Cyrus supostamente faria com que chegasse a mais gente, mas acabou por passar despercebido por todos os poucos mercados onde estreou. Culpa generalizada da distribuição ou desconhecimento de como promover este tipo de produto?
Com um formato convencional em que o humor espaça os momentos dramáticos, é mais um daqueles títulos para ver numa tarde de domingo. Especialmente recomendado aos adolescentes e aos jovens pais para que se entendam, nesta era em que a comunicação é tudo e mesmo assim as pessoas parecem não conseguir comunicar.
O grande ponto fraco é a direcção de actores pois a estrela óbvia e Demi Moore (como mãe) não estando mal, ofuscam um elenco que precisava de apoio para tornar “LOL” mais consistente. Nos pontos positivos a banda sonora como seria de esperar é muito do agrado do escalão etário alvo.




LOLTítulo Original: "LOL" (EUA, 2012)
Realização: Lisa Azuelos
Argumento: Lisa Azuelos, Kamir Ainouz
Intérpretes: Miley Cyrus, Demi Moore, Douglas Booth, Lina Esco, Ashley Greene, George Finn
Música: Rob Simonsen
Fotografia: Kieran McGuigan
Género: Comédia, Drama, Romance
Duração: 97 min.
Sítio Oficial: http://www.lol-themovie.com/

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