1 de janeiro de 2013

"Conviction" por Nuno Reis

Hilary Swank construiu uma carreira sólida por escolher muito bem as personagens que fazia. Desde "Boys Don’t Cry" (1998) até hoje, apareceu em menos de vinte filmes. A maioria deles são conhecidos e muitos de reconhecida qualidade. Em 2009 deu um passo em falso. Aquele que era apontado como próxima nomeação a Oscar, "Amelia", foi um directo para video em muitos mercados. Seguiu-se um trio de filmes. "New Year's Eve", comédia romântica nomeada a 5 Razzies, "The Resident", thriller da Hammer directo para video, e este "Conviction", um drama baseado em factos reais que só foi feito por sorte. Sorte pode ser um termo exagerado, mas a corrida aos direitos de adaptação começou em 2002, em 2004 perdeu o apoio e em 2007 surgiu uma oportunidade de o fazer independente. Ora como só saiu em 2010....

O mote do filme é a fragilidade dos critérios usados pela justiça. Kenny é acusado de um crime e devido ao seu historial marginal, e por vezes violento, era um bom candidato. Ele nega totalmente os factos, repudia quem tenha cometido tal atrocidade, mas as testemunhas apontam para ele e não há nada que diga o contrário. A sua única esperança é a irmã, Betty Anne. O que pode uma só pessoa sem estudos fazer contra o sistema? Nada. Mas se estudar direito e seguir advocacia, pode ser que tenha um outro prisma do caso, começará a perceber o que dizem e talvez um dia consiga refutar as acusações. Só que isso vai demorar anos, aguentará o irmão tanto tempo na prisão sabendo que está inocente e tem todo o sistema contra ele? E entre família e trabalho terá Betty Anne hipóteses sequer de concluir o curso?


Vamos acompanhar duas lutas na primeira pessoa. A que vemos é a de Betty Anne, a sacrificar a vida pelo irmão em quem não pode deixar de acreditar. A que imaginamos é a de Kenny, que o sistema quer destruir. Ambas duram vários anos, sofrem revezes que derrubariam outros mais fortes.
Num filme isto seria uma história banal. Como é baseado em factos reais só podemos aplaudir quem teve esta dedicação. Mas qual a utilidade de filmar mais um caso entre tantos que existem? No fundo o que importa não é dar a conhecer um caso mal resolvido, ou limpar o nome de pessoas que já morreram. É mostrar ao máximo número de pessoas possível que não deixem de acreditar. Podem perder, mas pelo menos ficam de a consciência tranquila de terem feito tudo o que era possível.

Este tipo de história depende muito do elenco. As limitações orçamentais não se notaram pois a Hilary Swank e Sam Rockwell, os irmãos, juntaram-se Minnie Driver, Melissa Leo, Juliette Lewis e Peter Gallagher. Há um bom esforço de caracterização para os levar dos 20 aos 40. Faltaram diálogos mais marcantes para que deixassem uma impressão.
Nota-se a experiência de Tony Goldwin em televisão (especialmente em séries policiais) pois em vez de deixar as personagens crescerem ao longo do filme, como que as corta a meio para que recomecem no próximo acto. Se no seu trabalho anterior para cinema ("The Last Kiss") isso não se notava por a própria narrativa se prestar a isso, aqui já reduz valor ao filme que mais parece uma mini-série onde altos e baixos regulares fazem o espectador querer voltar no dia seguinte.
A espreitar para ver mais uma grande performance de Swank e lamentar não ver mais uma grande performance de Rockwell.
ConvictionTítulo Original: "Conviction" (EUA, 2010)
Realização: Tony Goldwyn
Argumento: Pamela Gray
Intérpretes: Hilary Swank, Sam Rockwell, Minnie Driver, Melissa Leo, Peter Gallagher
Música: Paul Cantelon
Fotografia: Adriano Goldman
Género: Biografia, Drama
Duração: 107 min.
Sítio Oficial: http://www.foxsearchlight.com/conviction/

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