14 de fevereiro de 2013

"Django Unchained" por Nuno Reis

Quando em “Inglorious Basterds” Tarantino nos apresentou Christopher Waltz, foi amor à primeira vista. Era um vilão tão perverso e complexo, que era impossível não ficar imediatamente preso. Em “Green Hornet”, “Water for Elephants”,“The Three Musketeers” e Carnage” não teve o mesmo sucesso, mas bastou surgir novo argumento de Tarantino e o actor voltou aos eixos. Sem exagero, ao fim de dez minutos já a nomeação a Oscar está mais que justificada. O seu Doutor Schultz é tão louco, inteligente e corajoso como Hans Landa, mas tem ainda a vantagem de ser uma boa pessoa.
Ao longo do filme o que mais depressa nos convence é a enorme qualidade dos actores secundários. Além da Waltz temos ainda Leonardo diCaprio a estrear-se como vilão, Samuel Jackson pela primeira vez a sentir a idade na pele... Se formos para os cameos não é difícil reunir doze magníficos. Franco Nero, Bruce Dern, Don Johnson, Jonah Hill, Russ e Amber Tamblyn, Robert Carradine, Tom Savini, Zoe Bell e o próprio Quentin Tarantino.

Django era um escravo. Até que um dentista lhe dá uma oportunidade de se vingar dos homens que o chicotearam. Criam uma parceria que culmina com a missão para salvar a mulher de Django. Mas esta odisseia em busca de Brumhilda vai ser um bocado mais complicada do que a ópera de Wagner. Numa sociedade racista como a americana dos 1850s, e em especial no Mississippi, um negro a cavalo causa confusão e repulsa. Mas o dinheiro tudo resolve e por isso Schultz e Django conseguem superar todas as barreiras da sociedade branca, tendo apenas de enfrentar a indignação dos negros.

O que é este “Django Unchained”? Para uns é uma mera homenagem a “Django”. Para outros foi para combater o bichinho que ficou de “Sukiyaki Western Django” onde fez um cameo. O próprio afirma que é o segundo capítulo da trilogia iniciada com “Inglorious Basterds” sobre História alternativa. Para alguns é uma ousada comédia a repetir o que Mel Brooks inventou em “Blazing Saddles” onde também um negro tinha arma. E além de ser tudo isso, é muito mais do que isso e algo totalmente diferente. É Tarantino a fazer um western spaghetti que homenageia o género. É um drama que por vezes se assemelha a uma comédia gore. É uma festa com amigos. É acima de tudo uma prova da criatividade que se consegue ainda extrair de ideias que pareciam esgotadas e fora de época. No fundo, o mesmo que Tarantino nos tem trazido nos últimos anos.
É um filme muito agradável de ver (para quem suportar cabeças a explodir e violência gratuita), entretem, e ainda tem essa moral escondida sobre a dicotomia Bem vs. Mal. É um caçador de recompensas bom porque mata quem é mau? Ou são o dinheiro e o prazer de tirar vidas que o movem? E quem não conheceu outra realidade pode ser culpado de lutar para manter o mundo como sempre o viu?
Não é o melhor de Tarantino, mas mesmo quando é mau está bem acima de tantos outros.
Django UnchainedTítulo Original: "Django Unchained" (EUA, 2012)
Realização: Quentin Tarantino
Argumento: Quentin Tarantino
Intérpretes: Jamie Foxx, Christoph Waltz, Leonardo DiCaprio, Kerry Washington, Samuel L. Jackson
Música:
Fotografia: Robert Richardson
Género: Aventura, Drama, Western
Duração: 165 min.
Sítio Oficial: http://unchainedmovie.com/

2 comentários:

Rafael Santos disse...

Quanto a mim, está ao nível do Inglourious Basterds! Christoph Waltz é sem dúvida fenomenal. E o elenco secundário está realmente acima da média, principalmente o DiCaprio. Um argumento estupendo, com linhas de diálogo extremamente bem estruturadas.

Cumprimentos,
Rafael Santos
Memento mori

Paula Antunes disse...

Em Carnage, sem estar ao nível dos 2 óscares, também esteve muitíssimo bem.