15 de outubro de 2013

António Reis, o director do Fantasporto que nunca existiu



Foi ontem enviado pelo António Reis um email a alguns elementos da imprensa que têm acompanhado a sucessão de preocupantes notícias sobre o Fantasporto. O Antestreia transcreve o texto na íntegra, com alguns links para textos relacionados.


Li no Público que afinal nunca tive existência real. Fui mais uma personagem saída da mente delirante de uma escritora/artesã urbana, por entre gatos, anjos com problemas de sexualidade e estátuas fálicas. Estou perplexo porque durante quase quarenta anos acreditei nesta personagem de ficção, usei cartões de visita, subi ao palco e participei em conferências de imprensa e em festivais, sem ter consciência da minha condição de criatura engendrada por uma imaginação prodigiosa.


Sinto-me como um Zelig, homem-camaleão, desse Woody Allen que candidatos perdedores queriam que filmasse no Porto. Já vi este filme. Chama-se “1984” onde um John Hurt agora travestido quer reescrever a história, os catálogos, os jornais, retocar as fotografias.

Por momentos pensei que pudesse ser um caso de insanidade mental a necessitar de tratamento psiquiátrico. Mas os personagens de ficção não são responsáveis pelas suas loucuras, da exclusiva responsabilidade dos seus criadores. Não esqueçamos que Frankenstein é o nome do criador e não da criatura.

Estou tentado a fazer como em “A Rosa Púrpura do Cairo” quando o personagem sai da tela e até adquire existência real.

Uma coisa agradeço a esta Big Brother no feminino. Está bem claro nas duas linhas em que se confirma que eu não existo, logo não sou responsável por nenhum dos actos à espera de melhor esclarecimento judicial. Bem vistas as coisas, de facto António Reis não está nas páginas das revistas e jornais (como “O Crime” de Setembro passado), como indiciado. Às vezes é bom ser-se uma personagem de ficção. Espero apenas que a esta verdadeira incursão no terror, suceda um período fantástico de que o Fantasporto é parte fundamental.

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