1 de abril de 2014

Nothing Lasts Forever...

Lembrem-se que este é o dia das partidas e todas as pessoas, todos os sites, terão alguma preparada para vos pregar. Mas a maior partida de 1 de Abril de sempre, não foi qualquer surpresa. Foi anunciada por muito tempo e hoje concretizou-se. Era a nossa uma da manhã (meia-noite nos Açores) quando pela última vez foi transmitido um novo episódio de How I Met Your Mother nos EUA. Na televisão nacional ainda teremos mais umas semanas, mas antes disso todos os spoilers terão sido revelados.

E agora? Como faremos para viver apenas com episódios repetidos e reposições de temporadas? Como nos podemos despedir de um quinteto que ao longo de nove anos fez parte das nossas vidas e nos ensinou tudo o que é fundamental sobre a vida, o amor e a amizade? Como é o mundo sem as sandes metafóricas, os doppelgangers, o Let’s Go To the Mall, o choque com a cultura canadiana, a trompa azul, as bofetadas em suspenso, o Bro Code e expressões que se tornaram universais como “Legen...wait for it... dary” ou quase secretas dos fãs como “Redonkulous”? Alguém se lembra do mundo antes de 2005? Será possível voltar lá?

Para muitos este texto pode parecer um exagero, mas a verdade é que uma geração específica que cresceu a ver esta série, cresceu com esta série. Teve os mesmos dilemas, deparou-se com as mesmas situações, consegue fazer paralelismos daqueles cinco com o próprio grupo de amigos. Com uma escrita mordaz e atenta ao mundo, nota-se a alteração gradual dos hábitos de quem vai dos vintes para os trintas. Dos tempos da universidade e de arriscar mudar de país, até encontrarmos quem somos, de onde somos e quem é a nossa vida. Os sites e modas que são referidos de forma sarcástica como “tão 2007”, só quem os viu no seu máximo fulgor percebe a importância passada e insignificância presente. Para os um pouco mais velhos ou um pouco mais novos não terá a mesma piada. Não vêem HIMYM da mesma forma porque não foi feita para eles e muito do que a série tem de melhor passará ao lado como uma private joke. Não é. A televisão entrou no século XXI e este programa foi o seu arauto. Enquanto os dramas televisivos se aproximaram do cinema, a comédia teve de se reinventar fiel ao espírito da caixa mágica (em especial estes produtos mais próximos ao formato novela). A grande maioria das séries apostou num modelo intemporal. Com telemóveis melhores ou piores, os episódios podiam-se passar uma década ou depois. mas não os desta nossa série. Arriscou por apostar em ser de uma época específica e assim criar laços com quem a via. Funcionou. O primeiro episódio não foi fenomenal, mas começou uma bola de neve que a cada semana agarrava mais gente para não mais largar. Pode ter passado indiferente a muitos, mas foi plenamente sentida por quem a viveu.

Ao longo destes nove anos inventei uma nova expressão ao ver a Fox nas manhãs de Sábado. “O que pode ser melhor que um episódio de HIMYM? Dois episódios de HIMYM!” E então nos fins-de-semana de maratona, eram horas seguidas do mesmo sem bocejar. Queria lá saber se eram repetidos. Tinham sempre algo de novo a contar!
Com o passar dos anos o tempo para ver televisão foi diminuindo e devido aos horários a série começou a ser menos acompanhada. Mas ainda era a minha mais que tudo em todo o panorama televisivo. Até que chegou a personagem mais odiada de sempre. A causadora da maior tragédia da televisão, a máe. Sim, todos a queriam conhecer, mas é por ela ter aparecido que a série termina e isso é imperdoável.
Ao longo dos anos várias convidadas ilustres passaram pela série como paixões, namoradas ou mesmo noivas de Ted. Nomes fortes da tv como Jennifer Morrison, Katie Holmes, Sarah Chalke, Amanda Peet, Morena Baccarin, da música como Britney Spears, Katy Perry, Jennifer Lopez, Mandy Moore, Carrie Underwood... Depois de todas elas a eleita acabou por ser a desconhecida Cristin Milioti. O efeito HIMYM foi imediato pois bastou vê-la num episódio que em “The Wolf of Wall Street” já era A Mãe. Tudo estava encaminhado para um final digno da espera.

Há duas fortes teorias sobre como acaba a série, uma já com alguns anos e outra que surgiu há cerca de um mês. Ambas de chorar baba e ranho para quem está preso à série. Neste momento a página Facebook está repleta de comentários de pessoas a ver em tempo real. Parece que os criadores da série se esmeraram e estão a causar pequenos ataques cardíacos a milhões de espectadores. Óptimo. É sinal que este episódio vai ser Legen...
Ok, agora que acabou parece que há quem tenha ficado desiludido. Tenho de ver depressa, mas neste momento sinto-me como o Marshall - “I’m not ready for this”. Devo ver e ficar desiludido? Forçar-me a esquecer tudo? Ou não ver e ficar com as memórias intactas como se fosse uma série cancelada no fim da oitava temporada? Ups, essa não funciona pois já vi demasiado da nona. E em qualquer dos casos está vai ser para comprar completa e rever muitas vezes. Vai ter de ser até ao fim. Pode ser que goste. Dizem que o amor é incondicional e tudo perdoa.
Só espero que ao rever não descubra demasiadas contradições. Um mau final ainda aguento, uma série que se contradiz não.

Depois de vistos, os derradeiros episódios desiludem. Percebe-se que tenham feito em dose dupla pois qualquer um dos episódios em separado seria insuficiente. Foi completamente precipitado. Este fim de história precisava de um pouco mais de tempo para amadurecer, mais 3 episódios talvez bastassem. No episódio 23 achei que talvez tivesse de verter uma lágrima, mas assisti impassível ao final. Faltou uma estocada certeira. No entanto, a série fechou da única forma que fazia sentido. As pontas mais soltas ficaram soldadas, quem esteve alheio às duas últimas temporadas deve ter achado que tudo voltou ao normal. No fundo, foi um episódio sobre envelhecer, o que ganhamos e o que perdemos no processo. Estes nossos amigos mereciam melhor, mas a intenção estava lá e, para um grande fã, meio episódio basta. O que conta não é o destino, é o caminho percorrido ao lado deles.

Quem vai rever?



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