1 de janeiro de 2011

"Chloe" por Nuno Reis


Quem conhece a carreira de Amanda Seyfried está acostumado a vê-la como uma menina doce e querida em filmes para toda a família. Mesmo com o ar de louca em "Jennifer's Body" continuava a encaixar no mesmo perfil de "Mamma Mia!", "Dear John" e "Letters to Juliet". Pois tudo isso muda neste trabalho de Atom Egoyan, conhecido pelos filmes repletos de sensualidade. Em "Chloe" Seyfried tem um papel diferente, é uma acompanhante de luxo. É contratada por uma médica (Julianne Moore) para se fazer ao marido desta e descobrir quão fiel é ele. O que começa por ser uma simples suspeita para uma e um trabalho normal para outra, acaba por ser muito mais. Chloe envolve-se com a família numa relação de dependência de ambos os lados.

A família perfeita é um tema recorrente em cinema. Este drama sobre uma mulher que aproximando-se da meia-idade começa a desconfiar do marido é credível. Tem o ritmo adequado e a combinação dos três pontos de vista é cativante. De um lado o professor de meia-idade que sai à noite com os alunos menosprezando a atenção dada à esposa. Depois essa mesma esposa, insatisfeita pela ausência do marido e pela afastamento do filho adolescente, encontra em Chloe uma rapariga em busca de atenção maternal. A dependência entre as duas vai crescendo, do lado de Chloe porque precisa de uma família normal, do lado de Catherine não só em substituição da família, como porque a sente como a única ligação ao marido.

Pode ser redundante dizer isto mas este filme é mais um show individual de Moore. A actriz esbanja talento em quase tudo o que faz e aqui temos um belo exemplo disso. Ela é a estrela do filme. Por outro lado temos Seyfried num papel muito mais exigente do que qualquer coisa que tivesse feito. Tem bons momentos, mas das duas facetas visíveis só uma é brilhante. A outra é apenas diferente do habitual. Liam Neeson é secundaríssimo junto a estas duas mulheres.

O filme está bem construído, é interessante do início ao fim e aida pode surpreender pelos poucos limites morais que respeita. É um retrato de uma sociedade de falsos valores que aqui está representada por Chloe, prostituta por fora, muito mais assustadora por dentro. Não se conseguia fazer um filme aclamado por público e crítica com um tema tão delicado, mas este elenco de quatro personagens - estou a ignorar o filho por só ter importância ocasional - corresponde ao que era possível. Pode ser recordado por muitas semanas.

ChloeTítulo Original: "Chloe" (Canadá, EUA, França, 2009)
Realização: Atom Egoyan
Argumento: Erin Cressida Wilson (baseada no argumento de Anne Fontaine)
Intérpretes: Julianne Moore, Amanda Seyfried, Liam Neeson, Max Thieriot
Música: Mychael Danna
Fotografia: Paul Sarossy
Género: Drama, Thriller
Duração: 96 min.
Sítio Oficial: http://www.sonyclassics.com/chloe/

1 comentário:

Nuno Pereira disse...

Um dos filmes que tenho agendado para "brevemente" :)