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19 de janeiro de 2010

Globos de Ouro - TV

Melhor Série - Drama
"Big Love"
"Dexter"
"House"
"Mad Men"
"True Blood"
Melhor Actriz - Drama
Glenn Close por "Damages"
January Jones por "Mad Men"
Julianna Margulies por "The Good Wife"
Anna Paquin por "True Blood"
Kyra Sedgwick por "The Closer"
Melhor Actor - Drama
Simon Baker por "The Mentalist"
Michael C. Hall por "Dexter"
Jon Hamm por "Mad Men"
Hugh Laurie por "House"
Bill Paxton por "Big Love"
Melhor Série - Comédia/Musical
"30 Rock"
"Entourage"
"Glee"
"Modern Family"
"The Office"
Melhor Actriz - Comédia/Musical
Toni Colette por "United States of Tara"
Courteney Cox por "Cougar Town"
Edie Falco por "Nurse Jackie"
Tina Fey por "30 Rock"
Lea Michele por "Glee"
Melhor Actor - Comédia/Musical
Alec Baldwin por "30 Rock"
Steve Carell por "The Office"
David Duchovny por "Californication"
Thomas Jane por "Hung"
Matthew Morrison por "Glee"
Melhor Mini-Série ou Tele-Filme
"Georgia O'Keefe"
"Grey Gardens"
"Into the Storm"
"Little Dorrit"
"Taking Chance"
Melhor Actriz em Mini-Série ou Tele-Filme
Joan Allen por "Georgia O'Keefe"
Drew Barrymore por "Grey Gardens"
Jessica Lange por "Grey Gardens"
Anna Paquin por "The Courageus Heart of Irena"
Sigourney Weaver por "Prayers For Bobby"
Melhor Actor em Mini-Série ou Telefilme
Kevin Bacon por "Taking Chance"
Kenneth Branagh por "Wallander: One Step Behind"
Chiwetel Ejiofor por "Endgame"
Brendan Gleeson por "Into the Storm"
Jeremy Irons por "Georgia O'Keefe"
Melhor Actriz Secundária em Série, Mini-Série ou Telefilme
Jane Adams por "Hung"
Rose Byrne por "Damages"
Jane Lynch por "Glee"
Janet McTeer por "Into the Storm"
Chloe Sevigny por "Big Love"
Melhor Actor Secundário em Série, Mini-Série ou Telefilme
Michael Emerson por "Lost"
Neil Patrick Harris por "How I Met Your Mother"
William Hurt por "Damages"
John Lithgow por "Dexter"
Jeremy Piven por "Entourage"

Globos de Ouro - Cinema

Cecil B. DeMille
Martin Scorsese
Melhor Drama
"Avatar""The Hurt Locker"
"Inglorious Basterds"
"Precious"
"Up in The Air"
Melhor Actriz
Emily Blunt por "The Young Victoria"
Sandra Bullock por "The Blind Side"
Helen Mirren por "The Last Station"
Carey Mulligan por "An Education"
Gabourey Sidibe por "Precious"
Melhor Actor
Jeff Bridges por "Crazy Heart"
George Clooney por "Up in The Air"
Colin Firth por "A Single Man"
Morgan Freeman por "Invictus"
Tobey Maguire por "Brothers"
Melhor Comédia/Musical
"500 Days of Summer"
"The Hangover"
"It's Complicated"
"Julie & Julia"
"Nine"
Melhor Actriz
Sandra Bullock por "The Proposal"
Marion Cotillard por "Nine"
Julia Roberts por "Duplicity"
Meryl Streep por "It's Complicated"
Meryl Streep por "Julie & Julia"
Melhor Actor Comédia/Musical
Matt Damon por "The Informant!"
Daniel Day-Lewis por "Nine"
Robert Downey Jr. por "Sherlock Holmes"
Joseph Gordon-Hewitt por "500 Days of Summer"
Michael Stuhlbarg por "A Serious Man"
Melhor Actriz Secundária
Penélope Cruz por "Nine"
Vera Farmiga por "Up In The Air"
Anna Kendrick por "Up In The Air"
Mo'nique por "Precious"
Julianne Moore por "A Single Man"
Actor Secundário
Matt Damon por "Invictus"
Woody Harrelson por "The Messenger"
Christopher Plummer por "The Last Station"
Stanley Tucci por "The Lovely Bones"
Christoph Waltz por "Inglorious Basterds"
Animação
"Cloudy With a Chance of Meatballs"
"Coraline"
"Fantastic Mr. Fox"
"The Princess And the Frog"
"Up"
Filme em Língua Não-Inglesa
"Baaria"
"Abrazos Rotos"
"La Nana"
"Un Prophete"
"Das Weisse Band"
Melhor Realizador
Kathryn Bigelow por "The Hurt Locker"
James Cameron por "Avatar"
Clint Eastwood por "Invictus"
Jason Reitman por "Up in The Air"
Quentin Tarantino por "Inglorious Basterds"
Melhor Argumento
Neill Blomkamp, Terri Tatchell por "District 9"
Mark Boal por "The Hurt Locker"
Quentin Tarantino por "Inglorious Basterds"
Nancy Meyers por "It's Complicated"
Jason Reitman, Sheldon Torner por "Up in The Air"
Melhor Música
Michael Giacchino por "Up"
Marvin Hamlisch por "The Informant!"
James Horner por "Avatar"
Abel Korzeniowski por "A Single Man"
Karen O, Carter Burwell por "Where the Wild Things Are"
Melhor Canção
Cinema Italiano, "Nine"
I See You, "Avatar"
I Want to Come Home, "Everybody's Fine"
The Weary Kind, "Crazy Heart"
Winter, "Brothers"

17 de janeiro de 2010

"Avatar" por Nuno Reis


Avatar - O fenómeno do ano

Tenho de começar por dizer que não me considero grande fã de Cameron. Gostei dos "Terminator" e de "Aliens", o "True Lies" não posso dizer que seja mau e apesar de não acompanhar regularmente via "Dark Angel". Pensando bem, de forma simples, dos trabalhos de James Cameron eu só implico com "Titanic". Nunca o vi em cinema e quando deu na televisão vi em modo zapping, devo ter escapado a mais de metade do filme. Não me prendeu e com o frenesim causado "em cada 2 portugueses 3 viram o filme" fiquei de pé atrás em tudo o que se relaciona com o realizador. Isso coincidiu com a semi-pausa que ele fez da realização o que ajudou a melhorar a nossa relação. Foi nesse período que comprei o DVD "The Abyss".
Claro que mesmo assim quando "Avatar" foi anunciado tinha as minhas suspeitas. Meses de especulação passaram, semanalmente saía alguma informação mais detalhada e na fase final os trailers eram praticamente diários . Adiei a ida ao cinema enquanto me foi possível, esta semana não deu para escapar novamente. Depois de um mês a ouvir dizer bem e mal pus os óculos 3D e mergulhei no mundo de Pandora.

A presença humana tem três pólos fundamentais.
O lado militar quer assegurar a segurança dos humanos num ambiente hostil. O seu líder, o Coronel Quaritch, interpretação de Stephen Lang, deseja o confronto como Golias que tem o tamanho e a força para espezinhar tudo o que o rodeia. Não se preocupa com os seres que habitam Pandora desde sempre, pretende expropriar e dizimar para ficar com os recursos minerais à boa moda da Terra. Não culpemos os americanos, ao longo de séculos muitos fizeram o mesmo.
O lado empresarial quer extrair o mineral com lucro máximo. Giovanni Ribisi é o rosto do incapaz Parker Selfridge que não tem a coragem de se opor à opressão. Tenta ser humano, mas falta-lhe a convicção para fazer o que é correcto. Devia liderar a presença terrestre, mas é um fantoche do braço militar que por enquanto tolera a componente científica da expedição.
A fazer a investigação científica reencontramos Dian Fossey e um novo género de gorilas na bruma. Ao contrário de "Wall-E" onde quer destruir os humanos e da imortal Ripley que quer destruir os extraterrestres, Sigourney Weaver aqui é a moderada Grace Augustine. Botânica, linguista, o elo de ligação entre os dois mundos. O ódio de Quaritch por ela é recíproco.
Entre os peões deste jogo estão Trudy (Michelle Rodriguez), uma excelente piloto que dá apoio ao transporte de militares e cientistas. Norm Spellman (Joel Moore), um recém-chegado cientista com Avatar. Max Patel (Dileep Rao) um cientista que tem muito de espião. E finalmente o maior peão de todos: Jake Sully (Sam Worthington). Marine herda o Avatar do irmão cientista e parte para Pandora. Não sabe o que quer, a guerra e o ferimento incapacitante deixaram-no deprimido e insensível. Vai ficar perdido entre o desejo de ajudar Augustine cumprindo o sonho do irmão, o de ajudar Quaritch como foi treinado para fazer, e o de ajudar os nativos que o adoptaram.

A parte humana é essencialmente imagem real, ou próxima disso. Quando se está na exterior o mundo é tão diferente que é como se entrássemos nuns desenhos animados. Os nativos de Pandora são humanóides muito altos, de pele azul e com uma curiosa trança. Vivem da Natureza e em harmonia com ela. Sabem que são parte do ecossistema e respeitam-no para serem respeitados. Entre os Na'Vi há muitos clãs, os Omaticaya são os que já tiveram uma escola de Augustine e também são os que acolhem Jake. Entre eles destacam-se Neytiri (Zoe Saldana), filha dos chefes e professora de Jake. Tsu'Tey (Laz Alonso) líder dos guerreiros e sucessor ao trono. Eytukan (Wes Study) e Moat (CCH Pounder) são um casal e líderes do clã, ele como chefe e ela como xamã que se liga à Árvore das Almas, centro nevrálgico do planeta e divindade única. O resto do planeta é indescritível, fazendo lembrar as criações mirabolantes da BD "Valérian".

Falta falar do terceiro elemento da relação Homem-Na'Vi, os Avatar. Os Avatar são criações híbridas dos genes das duas espécies. Apesar de parecerem Na'Vi o cérebro que os ocupa é controlado remotamente por um humano, como em "Surrogates" só que seres biológicos. Grace, Jake, Norm e muitos outros entram diariamente na Matrix, perdão no ecossistema de Pandora, através desse alter-ego.
A nível de analogias só me ocorre mais uma. Nas cenas ao nível da floresta de Pandora só pensava no planeta Endor (o dos Ewoks) apesar de o novo ter mais riqueza visual. E quando Jake nos céus tenta abater a gigantesca nave, lembrei-me de Luke Skywalker no seu pequeno caça a enfrentar uma Estrela da Morte. Isso é bom sinal. Pode não ser original, mas tem um efeito que só grandes filmes causam.

Presos (financeiramente dependentes) a um mundo que não gosta deles, os humanos tentam familiarizar-se com o que os rodeia. Especialmente nos céus há muitas criaturas estranhas, mas o solo é ocupado por pró-lémures e muitos outros seres com equivalentes terrestres. Parecidos com rinocerontes, panteras, hienas e cavalos. Isso fez-me recordar um dos grandes livros de FC da minha infância, "Tunnel In the Sky" de Robert Heinlein, uma epopeia sobre estudantes perdidos num mundo hostil que identificavam os animais como coelhos carnívoros, ou outros nomes assim para se sentirem mais à vontade com eles. E claro, os stobors, inimigo desconhecido que lhes aterrorizava os dias e assombrava as noites. Até aí adorei o filme que não me parecia transcendente. Subitamente falaram de Ver. Não é o ver normal que fazemos com os olhos, é Ver. Algo que se faz com olhos, coração e mente. Em "Stranger in a Strange Land" - também um livro de Heinlein - falavam disso. A palavra era grocar (verbo to grok no original). Significa compreender, fazer parte de, ser um com. É admitir que fazemos parte de algo maior e todos estamos ligados. Aceitar a morte faz parte disso, ao morrer estamos a devolver elementos da vida ao conjunto.
Os Na'vi fazem essa ligação com a trança que referi à momentos. Com ela ligam-se aos cavalos, aos Banshee que os levam pelos céus ou à Árvore da Vida para recordar memórias dos que morreram. Por essa ligação em fibra óptica ficam a ser um só, sem segredos, por isso é que quando o fazem entre eles é o equivalente às relações sexuais humanas.

Os primeiros minutos foram curiosos. 2009 foi o ano em que o espaço voltou a ser atravessado pela Enterprise e em que as base espaciais se fixaram na Lua. O espaço já não é a última fronteira e a lua que se explora não é do terceiro calhau a contar do Sol. São precisos seis anos para chegar da Terra à lua Pandora, o único local conhecido onde se pode obter o Inobtanium. Quem se lembrou deste nome não pensou muito, não era neste campo que se exigia criatividade. O mundo de Pandora sim, exigiu alguma imaginação. Flora, fauna, seres inteligentes e um sistema neurológico partilhado por todos eles.
Após três horas de filme a história nunca deixou de ser previsível. Os únicos riscos corridos foram visuais, na narrativa e acção foi mantido um ritmo lento para não cansar antes das três horas. O resultado é que terminando o filme houve muitos momentos intensos, mas não há um único memorável. Não que me queixe da realização que me surpreendeu pela positiva. Com ou sem efeitos há detalhes que revelam a mestria de quem os fez. Mesmo assim tirando os efeitos especiais seria para pensar em sair passada a primeira hora. Além da novidade é a expectativa o que vale ao filme para manter as pessoas no lugar. Para filmes com efeitos especiais e sem história já há demasiados. Pelo menos não tiveram medo de matar personagens, se também aí fossem comedidos então seria a desgraça total.

A linguagem Na'Vi que tinha cerca de 100 palavras feitas vai ser estendida nos próximos filmes. Provavelmente com a trilogia completa o Na'Vi atingirá um estatuto semelhante ao Klingon, com a diferença de ter fãs mais jovens e portanto mais anos de vida pela frente. Mas será isso suficiente frente aos trekkies? Se a cada vinte anos sair uma nova linguagem o lugar que marcaram em breve perderá o significado, sobrando dentro de décadas para o Klingon a vantagem de ter sido a primeira. Todas as outras desaparecerão como lágrimas na chuva.

O cinema com este título ganha como arte visual. Perde como arte de contar histórias. Quem vence é, como sempre, o marketing que conquistou todos os recordes faltando apenas destronar "Titanic". Quanto aos próximos episódios não contem comigo. Se esta era a melhor história e me desiludiu assim tanto tenho medo de imaginar o que possa vir depois.


Título Original: "Avatar" (EUA, Reino Unido, 2009)
Realização: James Cameron
Argumento: James Cameron
Intérpretes: Sam Worthington, Zoe Saldana, Sigourney Weaver, Giovanni Ribisi, Stephen Lang, Michelle Rodriguez, Joel Moore
Fotografia: Mauro Fiore
Música: James Horner
Género: Acção, Aventura, Fantasia, Ficção-Científica
Duração: 162 min.
Sítio Oficial: http://www.avatarmovie.com/

15 de dezembro de 2009

Nomeações para os Golden Globes 2010


Estes foram os indicados pela Hollywood Foreign Press Association para os seus prémios. Há algumas surpresas, como a fraca nomeação de filmes badalados ("Lovely Bones").

Os mais nomeados foram
6 - Up in the Air
5 - Nine
4 - "Inglorious Basterds"
4 - Avatar
3 - "Precious"

Melhor Filme: Drama


Avatar
"The Hurt Locker"
"Inglorious Basterds"
"Precious"
Up in the Air

Melhor Filme: Comédia/Musical


(500) Days of Summer
"The Hangover"
It’s Complicated
Julie & Julia
Nine

Melhor Realizador


Kathryn Bigelow, "The Hurt Locker"
James Cameron, Avatar
Clint Eastwood, Invictus
Jason Reitman, Up in the Air
Quentin Tarantino, "Inglorious Basterds"

Melhor Actor: Drama


Jeff Bridges, Crazy Heart
George Clooney, Up in the Air
Colin Firth, A Single Man
Morgan Freeman, Invictus
Tobey Maguire, Brothers

Melhor Actriz: Drama


Emily Blunt, "The Young Victoria"
Sandra Bullock, The Blind Side
Helen Mirren, The Last Station
Carey Mulligan, An Education
Gabourey Sidibe, "Precious"

Melhor Actriz: Comédia/Musical


Sandra Bullock, "The Proposal"
Marion Cotillard, Nine
Julia Roberts, Duplicity
Meryl Streep, It’s Complicated
Meryl Streep Julie & Julia

Melhor Actor: Comédia/Musical


Matt Damon, The Informant
Daniel Day Lewis, Nine
Robert Downey, Jr., Sherlock Holmes
Joseph Gordon-Levitt, (500) Days of Summer
Michael Stuhlbarg, A Serious Man

Melhor Actriz Secundária


Penelope Cruz, Nine
Vera Farmiga, Up in the Air
Anne Kendrick, Up in the Air
Mo’Nique, "Precious"
Julianne Moore, A Single Man

Melhor Actor Secundário


Matt Damon, Invictus
Woody Harrelson, The Messenger
Christopher Plummer, The Last Station
Stanley Tucci, The Lovely Bones
Christoph Waltz, "Inglorious Basterds"

Melhor Filme em Língua Não-Inglesa


A Prophet
Baaria
Broken Embraces
The Maid
The White Ribbon

Melhor Filme de Animação


Cloudy with a Chance of Meatballs
Coraline
Fantastic Mr. Fox
The Princess and the Frog
Up

Melhor Argumento


"Distrit 9
"The Hurt Locker"
It’s Complicated
Up in the Air
"Inglorious Basterds"

Melhor Banda Sonora


Michael Giacchino, Up
Marvin Hamlisch, The Informant
James Horner, Avatar
Abel Krozeniowski, A Single Man
Karen O. e Carter Burwell, Where the Wild Things Are

Melhor Canção Original


“Cinema Italiano”, Nine
“I Want To Come Home”, Everybody’s Fine
“I See You”, Avatar
“The Weary Kind”, Crazy Heart
“Winter”, Brothers

Nos últimos dias foram saindo listas de nomeados por associações locais de críticos. Com todos os filmes estreados nos EUA e os primeiros grandes prémios anunciados, já tenho uma lista de prioridades de filmes para ver/escrever. Começo amanhã com "Duplicity".

17 de outubro de 2009

"The Hurt Locker" por Nuno Reis


Em cenário de guerra um soldado tem de confiar a vida aos colegas. Cada um fará exactamente o que lhe mandam de forma a minimizar os riscos para si e para os que o rodeiam. Na guerra moderna as ameaças não são diferentes, são apenas mais. Se antes os snipers eram o maior receio da infantaria, agora esse estatuto pertence aos bombistas. Tudo e todos podem ser uma bomba. A qualquer momento um soldado pode ser mandado pelos ares em pedaços. Por isso é que existem as brigadas especializadas na desactivação e detonação de explosivos. Sem que seja uma crítica directa à guerra, "The Hurt Locker" é uma sentida homenagem a esses homens.

A equipa Bravo está a dois meses de sair do Iraque quando perdem um membro para uma bomba. Além do choque pela perda que o tempo os ensinou a superar, sofrem um novo choque quando chega o novo líder. Este aventureiro vai contra todos os manuais e arrisca-se inutilmente a cada bomba que passa. Como a sorte protege os audazes vai escapando às bombas miraculosamente. Até que chegam as bombas humanas e isso é algo que ninguém estava preparado para ver. Ter de desactivar algo dentro de uma pessoa, ou preso a ela, mexe com os sentimentos de qualquer um.

Os cenários jordanos de deserto e os efeitos visuais de explosões dão todo o realismo necessário. Aliás, chega a causar nojo aos estômagos mais preparados. A realização está ao grande nível que Bigalow nos acostumou desde sempre. O lado humano tem sempre enorme destaque, mesmo que seja preciso chegar ao último minuto para que essa faceta nos deixe boquiabertos.

A distinta divisão entre interior e exterior permite uma simpatia pelos homens transferidos para o deserto, mesmo que se desgoste dos soldados ou do seu país. É que os filmes de guerra começam a ser um exagero. Já devem existir filmes que foquem todos os lados de todos os confrontos internacionais. Mesmo assim quem assistir ao filme sairá muito agradado com a filmagem e talvez surpreendido pela mensagem. Este louvor à guerra é a forma mais inteligente de a criticar.
É um filme a não perder pelo apreciadores de cinema. Não se compreende que tenha desaparecido tão depressa das salas estando agora limitado a meia dúzia de multiplexes.


Título Original: "The Hurt Locker" (EUA, 2008)
Realização: Kathryn Bigelow
Argumento: Mark Boal
Intérpretes: Jeremy Renner, Anthony Mackie, Brian Geraghty, Guy Pearce, Ralph Fiennes, David Morse
Fotografia: Barry Ackroyd
Música: Marco Beltrami, Buck Sanders
Género: Acção, Drama, Guerra, Thriller
Duração: 131 min.
Sítio Oficial: http://www.thehurtlocker-movie.com/

8 de julho de 2009

"The Young Victoria" por Nuno Reis

Hoje li em algum sítio chamarem à recente moda de filmes sobre rainhas Queensploitation. Será meia dúzia de filmes suficiente para esse termo? Depois das Elizabeth haveria muitas mais de quem falar? Há uma incontornável de nome Victoria que dentro de uma semana terá o seu filme em exibição. Esse mais recente elemento do género será provavelmente o último digno de destaque, visto que já começaram a surgir variações como "a duquesa que é irmã do tetravô daquela que podia ter sido rainha consorte".

Por ter casado filhos e netos com casas reais de todo o continente esta rainha ficou conhecida como a avó da Europa. O título com referência à jovem que se tornaria rainha especifica que vai falar da outra parte da vida dela, quando uma adolescente herdou do avô uma nação e todas as responsabilidades associadas. Quem a baptizou Victoria não imaginava como estaria correcto. Se existe uma palavra que sintetize o seu reinado é vitória. Esta mulher tornou a Inglaterra na maior potência do mundo sem prejudicar a vida pessoal.

Victoria tornou-se rainha um mês depois dos dezoito anos. A impetuosidade própria da idade numa época em que o público não permitia falhas marcou o início de reinado. As suas relações com o governo, as conversas com o primo, a teimosia que causou a queda de um governo, as tentativas de assassinato, toda a juventude está em tela. Drama, romance e uma enorme dedicação aos seus ideais tornaram esta rainha numa personagem tão digna da ficção como foi da História. Seria bom que os políticos do presente tivessem algum do discernimento, da coragem e do amor pelo país que esta governante demonstra.
O retrato social é curioso, mais pelo que não mostra do que pelo que mostra. Nesta época a nobreza já não era o que foi em tempos. Os nobres não vivem num mundo só seu. Pela acção da imprensa e pela discussão política começam a ser vistos como pessoas, mais do que alguma vez antes, especialmente quem governa. Foram tempos conturbados - com jogos de interesses, intrigas, várias tentativas de regicídio - e exigiram um pulso firme, especialmente a quem não se sujeita a eleições para o cargo máximo.

A reconstituição histórica a nível de conteúdos, cenários e guarda-roupa está fenomenal. Quando o tema é a vida de um ícone o argumento escreve-se sozinho. Juntando a isto uma actriz encantadora como Emily Blunt, apoiada por talentosos actores como Rupert Friend, Jim Broadbent, Paul Bettany e Miranda Richardson, o resultado tinha de ser um bom filme. "The Young Victoria" supera as expectativas. Seja pela sua beleza ou pela sua determinação fica-se cativo desta rainha que consegue combinar como poucas as vidas pessoal e profissional. Em ambas vemos que teve a inteligência de ouvir quem a aconselhava e acreditar apenas naqueles de quem gostava. Para o país foi um choque, mas foi também o empurrão que precisava há muito.

Dois jovens que supostamente seriam apenas peças num secular jogo político fintam o destino e moldam as suas obrigações aos seus desejos. Literatura de cordel? Como dizia Joseph Mankiewicz, "a diferença entre a vida real e um argumento, é que o argumento tem de fazer sentido". De tão parecido com a vida o filme quase perde o sentido. É lamechas, tem muitas frases feitas, e se fosse uma obra de ficção passada no presente era facilmente esquecido. Mas há algo naquele ambiente do século XIX que nos hipnotiza e torna tudo mais plausível. Distribuido pela Ecofilmes este discreto épico não deverá ter muita publicidade comparado com os pesos-pesados do Verão. Mas pelo que tenho visto até agora, está acima de todos eles.


Título Original: "The Young Victoria" (EUA, Reino Unido, 2009)
Realização: Jean-Marc Vallée
Argumento: Julian Fellowes
Intérpretes: Emily Blunt, Rupert Friend, Paul Bettany, Miranda Richardson, Jim Broadbent
Fotografia: Hagen Bogdanski
Música: Ilan Eshkeri
Género: Drama, Histórico, Romance
Duração: 100 min.
Sítio Oficial: http://www.theyoungvictoria.co.uk/