6 de novembro de 2016

Festival Curtas de Vilagarcía renascido


Numa altura em que o nosso Cinanima festeja o quadragésimo aniversário destacando-se dos demais eventos nacionais, é preciso olhar para norte para encontrar um evento mais antigo. Em Vilagarcía de Arousa decorreu em Outubro e Novembro a quadragésima quarta edição do Curtas Film Fest, um evento nascido em 1973 que se tem celebrado ininterruptamente.
No início o Curtas era chamado Festival de Cine Aficionado de Vilagarcía pois foi criado pelos sócios do Liceo de Vilagarcia como fãs da arte. Caso o termo pareça confuso, Liceo não é uma escola, mas uma associação cultural e desportiva sem fins lucrativos. É um conceito muito em voga em Espanha e, tal como neste caso, são organizações centenárias que em muito dinamizam as actividades locais. O Liceo de Vilagarcía é a mais antiga sociedade da cidade, o festival de cinema é o mais antigo da Galiza. 2016 marcou um ponto de viragem pois Vilagarcía apercebeu-se que um dos seus habitantes era Luis Rosales e à data, além de dirigir a revista SciFiWorld, era director do festival de cinema fantástico de Madrid. Pois o filho pródigo da terra iria usar os seus poderes (e contactos) em prol da região e foi nomeado director do Curtas. Isso viria a mudar o rumo do festival e da terra, como poderão ler nos livros de história dentro de alguns anos.
A primeira mudança foi ligeira: uma simples viagem no tempo aos anos 80 para vários dos clássicos adorados do cinema. Batman, Ghostbusters, Robocop, Jack Burton, Conan, os Goonies, Gremlins, Marty McFly, Indiana Jones, Aliens, E.T. e muitos outros destacava-se num programa onde também havia espaço para Superman, V for Vendetta (que ontem fez 10 anos), 300, o Feiticeiro de Oz e a trilogia de Apu. Pode ter muito de cinema fantástico, mas apelando a todos os públicos. E tem muito de comic, o que se torna ainda mais evidente se disser que foi realizada a primeira edição do Salão de Comic de Vilagarcía. E para impressionar toda a gente, a primeira edição contou logo com os maiores da nona arte, como Juan Giménez, Alfonso Azpiri, Salvador Larroca ou Mo Caró que estiveram sentados na mesma mesa em várias ocasiões, feito que qualquer evento maior de comic desejaria.
A sala de exposições também impressionou com adereços de vários filmes desde Gremlins a MIB e estátuas em tamanho real de vários heróis como Spider-Man, Iron Man e The Hulk.
Falta falar das curtas, o tema do evento, e essa parte é igualmente difícil. Com 56 títulos em competição pelo prémio, a melhor curta foi “Titán” de Álvaro González, Javier Fesser venceu melhor realizador com “17 Años Juntos”, Nani Matos foi o melhor realizador galego por “Lurna” e “Einstein-Rosen” de Olga Osorio foi a melhor curta galega. Que dois dos quatro melhores sejam de género fantástico pode ser um sinal de como os contactos de Rosales o ajudaram a divulgar e a ampliar o festival, ou pode ser uma constatação da especialidade do cinema espanhol que alguns festivais generalistas teimam em não reconhecer.
Além do cinema e comic, o certame também apostou na tradição de Samaín fazendo os festejos assombrados como manda a tradição galega, desde abóboras e concurso de disfarces, até gincanas, houve um pouco de tudo. Como apenas estive dois dias lá, não deu para ver tudo, apenas ficar com uma ideia do porquê de uma terra com 35000 habitantes ter tido mais de 20000 presenças nos eventos. E já referi que foi tudo gratuito? E que todos os edifícios municipais têm wifi gratuita? Posso ser um pouco tendencioso, mas o Curtas está em boas mãos e o seu futuro é muito auspicioso.

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