24 de julho de 2006

Privatização do Rivoli



A Câmara do Porto pretende livrar-se do Rivoli. A razão apresentada foi uma reforma estrutural, mas facilmente as razões políticas são descobertas. A cedência do Pavilhão Rosa Mota também levanta muitas questões, mas neste blog a cultura é prioritária, por isso, falemos do Rivoli.

Com a cedência desse espaço a Filipe La Féria o que sucederá à cultura nortenha? Como pode um lisboeta agradar ao Porto quando as culturas são tão diferentes? O que sucederá às nossas raízes culturais? Darão lugar ao fado?

O mais grave é que sem este edifício municipal diversos eventos lá realizados seriam deslocados para outras cidades ou terminados. Se para alguns eventos não faz diferença, o que dizer daqueles que foram colocados no Rivoli por falta de alternativas? Se 70% do investimento cultural se faz em Lisboa é porque no resto do país não temos espaços destinados a esse fim.
O Museu de Serralves e a Casa da Música, com eventos todo o ano e com edifícios próprios, são famosos em todo o país, mas além fronteiras um único evento torna o Porto uma Capital da Cultura ano após ano. Em todos os continentes existem pessoas interessadas em vir ao Porto para assistir ao festival de cinema. Depois de 26 anos de crescimento contínuo ao lado do Porto, muitas vezes com dificuldades, será desta que o Fantas deixará cair o sufixo? Não, foi o Porto que primeiro deixou cair o Fantas.

Está a ser assinada uma petição e foi marcada para hoje uma manifestação, Juntos No Rivoli.

6 comentários:

Anónimo disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Anónimo disse...

acabo de criar um blog sobre cinema, www.kriticinema.blogs.sapo.pt, como visitante assiduo deste blog, tive o prazer de o adicionar à minha lista de links, ficaria orgulhoso se visitasses o meu blog e o adicionasses aos teus links.
cumprimentos.

Anónimo disse...

É preciso ser-se muito tótó para escrever "Com a cedência desse espaço a Filipe La Féria o que sucederá à cultura nortenha? Como pode um lisboeta agradar ao Porto quando as culturas são tão diferentes? O que sucederá às nossas raízes culturais? Darão lugar ao fado?"
Eu já ouvi várias vezes fado no Porto... Aliás, duas fadistas do Porto - Cátia Garcia e Lina Rodrigues - estão neste momento a trabalhar em Lisboa!!!! E é preciso não saber nem sentir a portugalidade para se ser tão sectarista!!!!!!! E quanto ao Rivoli e à possivel cedência do espaço ao português Filipe La Féria é tal e qual a mesma coisa do que ter São João nas mãos do Ricardo Pais, que curiosamente fez no mesmo teatro um espectáculo de fado chamado "Cabelo Branco é Saudade" (deviam ser só fados do Porto... se é que isso existe...) Francamente! Cresçam! Curem-se! e Unam-se não para destruir mas para construir! Ajudem a construir, independentemente de quem for o empreiteiro!!!!!!!!!!!!!!!!!

Lauro António disse...

Está convocado/a:
http://lauroantonioapresenta.blogspot.com/2006/11/blogues-de-cinema.html
Junte-se a nós. LA

Anónimo disse...

Arte e Entretenimento

Nos dias de hoje, com a globalização, a massificação do consumo e o crescimento exacerbado da indústria do lazer, torna-se cada vez mais difícil distinguir o entretenimento da arte. O ideal consumista converteu a arte num produto de estética populista, fruto da cultura do entretenimento e formatado à lógica do espectáculo.
A lei do rentável foi matando a capacidade de discernimento do indivíduo, tornando-o apenas em consumidor ou consumível .
“Arts and Entertainments” - Os motores de busca na internet teimam em colocá-los sempre no mesmo directório e o facilitismo da estandardização faz com que essa lógica se vá apropriando do imaginário colectivo.
Ambas fazem parte da cultura universal mas com papeis substancialmente diferentes na sua capacidade de intervenção no indivíduo, na sociedade e, consequentemente, na História.

Muitos animais se divertem e entretêm mas apenas um faz arte – o Homem.
O entretenimento (sem as mais valias do convívio, da pedagogia, da ginástica, etc.) está associado apenas ao prazer e a arte vai muito para além disso, é muito mais abrangente e está inevitavelmente vinculada à inteligência, à intuição, ao raciocínio, ao sentimento, à imaginação, à expressão e a tudo o que nos transcende.
Jogar consola com o meu filho é entretenimento. Olharmo-nos nos olhos e sentirmos o amor que nos une, compreendendo e realizando a importância desse amor, é arte.
Um diverte, a outra sensibiliza, emociona, perturba e faz pensar, tocando, modificando, sendo dinâmico e vivo, fazendo evoluir.
Por vezes tocam-se, misturam-se, como o azul e o amarelo que dão verde. Mas não deixam de ser coisas completamente distintas.

Entreter é o espaço entre o que se teve e o que se vai ter, é o tempo em que não se tem nada, em que não se é nada, em que não se existe. Logo é necessário passar esse tempo para outra coisa ter, ser ou existir por nós. Recorre-se então ao passatempo que é uma espécie de encher um copo sem fundo, onde se tem uma sensação de satisfação e a ilusão da acção em si. Passar o Tempo é a coisa mais estúpida que se pode (não) fazer na vida. Simboliza a inutilidade por excelência e é sinónimo de inactividade e improdutividade. É queimar tempo de existência. Não no sentido da meditação e da introspecção mas no sentido da passividade no seu estado mais estupidificante.
Entretenimento é darem-nos algo já feito quando nós não estamos a fazer nada, é darem-nos uma comida já mastigada, ingerida e digerida…

O objectivo da McDonalds é fazer dinheiro ou boa comida? Claro que para os meus filhos é a melhor comida do mundo. Sabe bem, dá-lhes prazer comer. Mas será que lhes faz bem? Quando tinha a idade deles tinha o mesmo prazer a comer fruta arrancada directamente da árvore…
Não sei o que é que a McDonalds põe na comida para que as crianças (e não só) gostem tanto e quase se viciem, bloqueando o gosto por outros sabores, mas sei o que o Sr La Féria faz para entreter tanta gente… a resposta está nos sinónimos de entreter.
Entreter: deter, paliar (com promessas); enganar; recrear; divertir; distrair; suavizar.
O resto é atirar areia para os olhos e partir do principio que as pessoas não sabem fazer nada dando-lhes tudo feito. O que causa um efeito de satisfação de quem nada fez mas comprou feito. Há o pronto a comer, o pronto a vestir e o pronto a assistir…

Para acabar digo apenas que não sou contra a existência da McDonalds e do sr. La Féria desde que não contribuam para o desaparecimento progressivo da boa comida e do bom teatro (quero dizer da comida saudável e do teatro inteligente).

Anónimo disse...

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