19 de março de 2010

Colheita Seleccionada - "Back to the Future"


Aqui está outro daqueles filmes incontornáveis da minha infância. Nunca vi em cinema e é um dos meus maiores arrependimentos. Quem sabe se em Outubro isso não se resolve...


Já sabem como funciona. Deixem a música tocar para dar ambiente.


É um pouco difícil discutir os filmes em separado porque quando os vi já estavam todos feitos. O primeiro acabou e quis ver mais. O segundo acabou e quis ver mais. O terceiro acabou e quis ver mais. Mas mais não havia, as palavras "the end" não permitiam dúvidas... Admirei os efeitos especiais que colocavam lado a lado duas personagens do mesmo actor, algo totalmente impossível do meu ponto de vista. Admirei a coragem de filmar o segundo e o terceiro em simultâneo. Admirei a coragem de dizerem "To Be Concluded", ao bom estilo dos "to be continued" que as séries televisivas faziam. E é admirável como para mim as viagens no tempo se resumem a "Back to the Future" e "Bill and Ted Excellent Adventure". Não terei visto filmes suficientes para me lembrar de mais algum?

A aventura percorre 4 anos em 3 séculos: 1855, 1955, 1985 e 2015. O mês mais importante em todas essas épocas é o Novembro de 1955. É então que Doc Brown inventa as viagens no tempo, no dia 5, e todos os filmes passam pelo dia 12: o dia da tempestade que mudará o destino do universo para sempre. Mas a aventura não fica pelo primeiro filme, esse tem apenas duas décadas. No segundo combinam o 1985 normal, um 2015 profético, um 1985 alternativo e voltam a 1955, o ano de todas as decisões. No terceiro capítulo Marty recua ainda mais, para meados do século XIX onde terá de assistir à inauguração do relógio que o faz viajar pelo tempo.

Esqueçam os paradoxos temporais, não há tempo para pensar nisso (os jogos de palavras acabam aqui). A adrenalina é tal que a emoção se sobrepõe à razão. O pior é que nos deixa mal habituados. Quando no final começa a tocar o tema do filme e cortam o climax, a única coisa a fazer é trocar o DVD. Nenhuma sequela teve o efeito em mim que este tem. Por duas vezes! O único problema de ver todos seguidos é que reparamos na troca de actrizes: Claudia Wells dá lugar a Elizabeth Shue. Não tenho nada contra, muito pelo contrário. Wells teve de recusar o regresso por razões de força maior, o que obrigou a produção a refilmar as cenas finais do primeiro capítulo. Shue é uma actriz de enorme talento e assumiu a personagem como sua dando-lhe uma nova vida. Curioso que se o primeiro filme estivesse a prever as sequelas (o final em aberto era apenas para deixar os espectadores estupefactos com a possibilidade de ir para o futuro) nunca Jennifer teria entrado no carro. Jennifer acabou por ser um empecilho que não tiveram problemas em adormecer e deixar num beco. Mesmo estando nas mãos de uma actriz que já tinha saltado para a ribalta com "Karate Kid" e "Cocktail" não tinha lugar no argumento. Também se perdoa isso.

Tudo mais que o filme tem é de louvar. Ao fim de uma maratona com os três filmes começa a cansar pelo que sou contra o tão falado quarto episódio. É a mudança absoluta de estilo que salva o terceiro senão também esse seria demasiado. É que o segundo esgota todas as possibilidades do género. Conseguem falar do passado, do futuro, do presente, criam realidades alternativas tão facilmente como se fossem universos paralelos, discutem as implicações de alterar o passado e de conhecer o futuro. O que faltava dizer no terceiro? Faltava discutir o poder do Amor. Seja onde for e quando for, mesmo a pessoa mais excêntrica está destinada a encontrar uma alma gémea.

Sem comentários: