13 de março de 2010

"The Goonies" por Nuno Reis


Os goonies são bons que cheguem

Para dar ambiente. É favor deixar a música tocar enquanto lêem.


Duas tíbias cruzadas e uma caveira. O símbolo tradicional dos piratas é a peça inicial para um filme juvenil. Muito adequadamente a primeira cena é na prisão e com um corpo pendurado numa cela. Em seguida começam os tiros, o fogo e as perseguições. Mas entretanto já deu para as primeiras risadas com a aselhice dos vilões. À medida que os carros percorrem a cidade vamos vendo alguns dos jovens que a habitam. Parecem perfeitamente normais à primeira vista. Quando todos se juntam algo mágico acontece (e não me refiro à tradução que Mouth faz). Ficamos a saber que vão trocar a vila pela cidade por questões financeiras e pretendem fazer do último fim-de-semana juntos o maior acontecimentos das suas vidas. Eles querem criar uma recordação que nunca esqueçam. O primeiro passo é visitar o sotão. Entre lemes, roupas e livros de pirata ouvimos uma palavra que não nos sairá da cabeça jamais: Goonies. A odisseia começou.
Aos nossos heróis juntam-se as duas adolescentes que vimos nas cenas iniciais. Tal como o mais velho dos outros cinco consideram-se demasiado crescidas para ainda se chamarem Goonies, mas o chamamento da aventura é mais forte do que elas e além disso Goonie não é um título que expire. Um Goonie será sempre um Goonie.
Os quatro actuais e os três "na reserva" embarcam numa brincadeira que se tornará uma luta pelo passado comum, e pelo futuro que sonham ter juntos. Willie Zarolho, maior pirata do século XVII e o primeiro Goonie, é o único que pode impedir a venda forçada das propriedades. Nenhuma geração anterior de Goonies o conseguiu encontrar, mas nenhuma precisava tanto do ouro como eles. Têm menos de 24 horas para descodificar o mapa, sobreviver a armadilhas que deixariam Indiana Jones preocupado, fintar os bandidos e encontrar o tesouro. Se fosse fácil não seriam precisos os Goonies.

A ideia de Steven Spielberg, passada a argumento por Chris Columbus, realizada por Richard Donner, produzida pela recente Amblin e pela poderosa Warner, com peças usadas do parque temático Disney e um elenco de desconhecidos foi o meu primeiro contacto sério com o cinema. Como disse Columbus recentemente "o que pode superar um navio-pirata?". Primeiro do que tudo é um filme para despertar o aventureiro em cada criança. Faz-nos acreditar em piratas e tesouros, dá vontade de explorar grutas, enfrentar perigos, lutar pela vida sabendo que venceremos. Também ajuda a compreender as diferenças entre as pessoas, valoriza grupos heterogéneos e amizades maiores e mais longas do que a própria vida.
Tem humor, acção e apesar dos muitos palavrões não incentiva ao mau comportamento, apenas a actos heróicos tresloucados, arriscados e não aprováveis pelos pais. É um filme que os pais recomendam aos filhos, que os filhos vêem com gosto e que provavelmente verão juntos muitas e muitas vezes. Infelizmente é desconhecido das pessoas da minha idade e dos mais jovens. Ficou associado aos nascidos na segunda metade dos anos 70, geração onde me infiltrei. Ainda bem para mim, tenha pena dos demais.

Título Original: "The Goonies" (EUA, 1985)
Realização: Richard Donner
Argumento: Chris Columbus (ideia original de Steven Spielberg)
Intérpretes: Sean Astin, Josh Brolin, Jeff Cohen, Corey Feldman, Kerri Green, Martha Plimpton, Jonathan Ke Quan, John Matuszak, Robert Davi, Joe Pantoliano, Anne Ramsey
Fotografia: Nick McLean
Música: Dave Grusin
Género: Acção,Aventura
Duração: 114 min.

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