25 de dezembro de 2011

"Johnny English Reborn" por Nuno Reis

Quando apareceu o primeiro Johnny English foi uma lufada de ar fresco no género. Uma geração que começava a ficar desiludida com as mais recentes entregas de James Bond e com a incapacidade dos serviços secretos em cenários reais (a rodagem foi feita após o 9/11) precisava de um novo herói. Alguém que não caísse no exagero de Austin Powers, mas com um humor britânico requintado e que trouxesse classe ao MI6. A solução seria contratar Mr.Bean, também conhecido como Rowan Atkinson. Alguns extras como a popularidade recorde de Robin Williams que compôs “A Man For All Seasons” para genérico inicial ou a banda ironicamente chamada Bond que sonorizou o resto aliados a um argumento solidamente construído permitiram a Johnny English ser o homem certo, no momento certo.

Oito anos passaram e era chegada a hora de recuperar a personagem. Do ponto de vista real a sociedade não precisava porque não só Bond voltou a ser reconhecido como o agente secreto por excelência, como Bean se tornou passado. O dinheiro falou mais e veio um novo capítulo. A trama envolve o motivo que afastou English e uma conspiração ao mais alto nível para sabotar a reunião entre Inglaterra e a China.
As referências a Bond são gritantes, desde a óbvia participação da bond girl Rosamund Pike, assassina de “From Russia With Love”, até à cena de perseguição com os carros que fizeram o mesmo em “Quantum of Solace”. Mesmo os cenários acabam por ter tanto em comum com as missões do outro agente que perdem o interesse.

Entre os nomes secundários estão Gillian Anderson, Dominic West, o não tão conhecido Daniel Kaluuya (Posh Kenneth em “Skins”) e a ainda menos conhecida Pik Sen Lim. Esforçam-se todos por não ofuscar English que, verdade seja dita, não tem o que é preciso para segurar o filme. Muito humor básico, piadas recorrentes da personagem Bean, outras ainda repescadas do primeiro filme, algumas usadas até à exaustão. Faltam aqueles momentos que causam tantas gargalhadas que até se tem vergonha de estar em público, ou aquelas músicas que apetece cantar em voz alta. Por acaso vi numa sessão em que não estava mais ninguém podendo por isso ser um pouco menos profissional, mas nem tive vontade rir nem de cantar.
O melhor momento do filme é um plano-sequência que dá depois do genérico e isso diz tudo sobre a qualidade da produção.

Johnny English RebornTítulo Original: "Johnny English Reborn" (EUA. França, Reino Unido, 2011)
Realização: Oliver Parker
Argumento: William Davies, Hamish McColl (personagens de Neal Purvis, Robert Wade)
Intérpretes: Rowan Atkinson, Rosamund Pike, Gillian Anderson, Dominic West, Daniel Kaluuya, Pik Sen Lim
Música: Ilan Eshkeri
Fotografia: Danny Cohen
Género: Aventura, Comédia
Duração: 101 min.
Sítio Oficial: http://www.johnnyenglishreborn.com/

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