26 de fevereiro de 2010

Fantasporto 2010 - Dia 4


À semelhança da véspera, a manhã tinha um workshop de SFX que se prolongou pela tarde. Às 18 horas começou a outra iniciativa diferenciadora desta edição: as conferências sobre robótica. Faculdades de Portugal, Espanha e Austrália aliaram-se para trazer uma presença assídua da ficção-científica para a realidade portuense: os robots andam entre nós.
Como cinéfilo por paixão, cientista de computadores por formação, e representante da SciFiWorld, marquei presença na palestra. A apresentação do Dr. Peter Corke começou por mostrar os robots do cinema como R2D2 e C3PO , os automaton do século XVIII, os robots na literatura do século XX, e depressa passou para os do dia a dia. Desde protótipos laboratoriais até poderosos monstros escavadores que custaram 100 milhões de dólares, os robots são uma parte fundamental da sociedade.
Após os filmes e as fotografias, começou a discussão. Três professores especialistas na área reflectiram sobre o que o futuro nos reserva. Estamos cada vez mais perto do que nos prometia Asimov, mas ainda não fazem ideia de como o fazer. Um dos pontos focados é que no cinema a energia para os mover parece infinita. Quando carregam? O erro será dos argumentistas que não pensam em tudo, ou estarão os cientistas a exagerar no consumo e a falhar em automonia energética? Já tantos escritores pensaram sobre isso... algum estará certo?
Cientistas, filósofos, artistas, escritores e cineastas deviam debater o futuro em conjunto. Com diferentes pontos de vista a Humanidade ficará mais perto de possuir uma verdade mais absoluta.

Na sessão da noite o primeiro filme aproveitou a deixa para falar de energia sustentável. "Wonderful Days" é sobre uma cidade que se alimenta de poluição, e a constante necessidade obriga a manter o ar negro. Mas as atenções concentram-se numa sangrenta luta pela existência entre castas, e o céu azul não é mais do que uma memória, quase um mito do passado. Como filme não traz nada de novo, mas faz pensar num velho problema.



A segunda parte da maratona foi para "Fausto 5.0". O conto modernizado que acompanha um médico na sua espiral descendente para a loucura continua a agradar. É do equilíbrio entre seriedade e diversão que os dois protagonistas conseguem e lhes valeu ex-aequo o prémio de melhor actor há alguns anos.


Os lugares para bilhetes comprados estavam bastante cheios e o final de cada filme teve direito a aplausos. Este público está pronto e o festival pode começar. Hoje é "Solomon Kane", não há como escapar.

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