27 de setembro de 2010

Um festival de contrários


Abundam os festivais por esse país fora. Com diversas idades, temáticas e feitios, há para todos os gostos (eu cá gosto de todos). Lá fora tirando Cannes e Sitges, os maiores do mundo nos seus géneros, sou um apaixonado pelos festivais galegos.

Ontem estive num caso raro de antónimos encontrados. Por um lado é um festival galego, mas pelo outro é português e afinal de contas não é de nenhum. Tem pessoas vindas de todo o nosso país e além-fronteiras, mas a única divisão entre ambos chama-se Amizade, Ponte da Amizade. Dispensa formalismos e cerimónias, mas na "gala" de encerramento tem presidente e vice-presidente da câmara de Cerveira, assim como a alcaldesa de Tomiño. É um jovem e pequeno festival, mas é o evento maior da sua terra, mesmo em dias com provas de jetski e bandas na praça. Dão-nos uma palestra de 20 minutos sobre o nosso passado cultural que mais parece uma conversa entre admiradores do que um monólogo de especialistas. Tem uma equipa que afirma o seu amadorismo enquanto projectam cópias de documentários em 16mm dos anos 70 (que a Cinemateca normalmente esconde para si) revelando grandes cineastas do nosso passado como Manuel Costa e Silva e Noémia Delgado. Saí de lá enriquecido e com pena de não ter visto mais.

Uma nota particular para a homenagem a Noémia Delgado. Enquanto tantos desconhecem que ela existe o Filminho convida-a, mesmo sabendo das dificuldades motoras. Se a convidada não pode subir ao palco, vem a cerimónia para o chão. É o culminar de várias grandes ideias que merecem ser aplaudidas.

Mas o festival não é perfeito e foi criticado no encerramento por um dos seus convidados. Por não ter condições de projectar um filme de 16mm! A grande distância do projector à tela escurecia o filme. Como a alternativa seria o filme continuar às escuras não importa muito que fique um pouco escuro. Ver com metade da qualidade ainda é melhor do que não ver.

Não recuar perante as adversidades é o que mantém um festival de pé e o Filminho tem pernas para andar muitos mais anos.

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