30 de abril de 2010

Colheita Seleccionada - "The Bridge On the River Kwai"


Este será o caso mais distinto de forma como um filme me conquistou. Alguns foram pela primeira situação/experiência, outros funcionaram ao primeiro visionamento, e este foi por insistência.
Em tempos idos quando o tempo livre era mais frequente e a televisão mais atraente, calhava passar finais de tarde ou fins-de-semana inteiros no modo zapping. O Canal Hollywood era onde frequentemente havia melhores coisas para ver. Um belo dia estava a passar por lá e reconheci a música. Era a marcha do Coronel Bogey. Claro que percebi qual era o filme, a música é inconfundível, mas não me apeteceu ver. Dias depois estava a dar novamente. Um dos defeitos - e vantagens - do canl é precisamente a repetição com que passa os filmes. Dessa vez vi outro pedaço e deixou-me confuso. Então o suposto herói é um preguiçoso? E o coronel inglês está do lado dos asiáticos? Algo estranho se passa! Decidi-me a vê-lo completo para procurar uma história com pés e cabeça. Não tardou muito até dar outra vez num horário em que conseguisse acompanhar por inteiro.

Se o filme tem um defeito é ser demasiado fiel à natureza humana. Os seus heróis são pessoas como nós. Não é por serem militares que gostam de lutar. Não é por serem escravos que vão fazer um mau trabalho. Não é por ser do interesse da pátria que vão destruir o seu maior motivo de orgulho. O Coronel Guinness, perdão, Nicholson, é inspirado num coronel real que fez precisamente o contrário. Também defendeu os seus homens até ao fim, mas atrasou ao máximo a construção da ponte sem os colocar em risco. Esta versão cinematográfica faz mais sentido. A prisão afecta a mente das pessoas, altera o comportamento, tolda o raciocínio. Tem menos mérito, mas ganha muita emoção.

Depois da primeira vez ainda vi mais algumas nas semanas seguintes. Rapidamente cheguei a uma fase em que neste canal queria ver apenas este filme ou o outro do costume. Quando estamos desejosos de ver sempre o mesmo há três situações possíveis: a) a programação é miserável; b) estamos a enlouquecer; c) o filme é muito bom. E sinceramente espero que seja o último porque a programação não era má.

1 comentário:

Fifeco (Filipe Ferraz Coutinho) disse...

Quanto às programações creio que o Hollywood tem vindo a perder qualidade e os canais Tv Cine a ganha-la. Curiosamente vi este Bridge on the River Kwai num deles há muito pouco tempo. É o que me prendeu ao ecrã foi a forma como o conflito se desenvolveu. Parecia que estávamos numa zona de guerra utópica, onde não havia nada lá fora. Parece uma simples relação de proprietário e escravo. Mas depois percebemos que há honra, vontade de orgulhar um país, nem que seja através da demonstração de disciplina tipicamente britânica.

E achei particularmente irónico ver Guiness a relembrar a constantemente a convenção de Genebra. Estávamos em guerra e ele fala numa convenção... Como é possível escrever um conjunto de directrizes para uma guerra?