15 de março de 2012

Entrevista a Pollyanna McIntosh


No final do ano passado entrevistamos a actriz Pollyanna McIntosh. A publicação foi sendo adiada, mas esta semana, com o regresso de "The Woman" ao São Jorge para o SyFy Fest, acabamos por ceder o texto à SciFiWorld. Quem não a leu lá, pode sempre ver aqui.



1. Começando pelo início diga-nos por onde andou antes de o cinema entrar na sua vida.
Sou natural da Escócia, mas vivi no estrangeiro muita da minha juventude. Mudei-me para Portugal com dois anos e lá vivi até aos cinco. Lembro-me de tudo sobre essa altura e sinto-me sempre bem quando regresso a Portugal (não é com frequência suficiente!) Basta-me ver um galo pintado, cheirar Caldo Verde e Bolinhos de Bacalhau ou ouvir a língua para ficar logo derretida. Fomos muito felizes no Porto com uma cozinheira maravilhosa chamada Angelina que fazia um Flan de Caramelo perfeito e por vezes também fazia de babysitter e perseguia-me e à minha irmã pela casa, com a dentadura na mão, fechando-a atrás de nós. Nós ADORAVAMOS!
Depois foi Pereira na Colômbia, América do Sul, outro lugar que me faz sentir imensamente feliz por ter crescido lá. A minha irmã e eu montamos a nossa primeira peça lá, no jardim das traseiras, para uma plateia de vizinhos. Eu fazia de cão! Regressamos à Escócia quando tinha nove e fiz mais teatro até ser descoberta como modelo e ir para Londres aos dezasseis. Isso significou mais viagens e independência e... bem, muitas lições! Fui estudar drama aos dezassete e comecei a dirigir e produzir teatro em Londres enquanto fazia pequenos papéis em filmes.





2. O teatro levou-a para Los Angeles, mas foi o cinema que a cativou. Como foi a passagem dos palcos para as câmaras?
Foi o amor que me levou para LA, mas essa estrada tinha muitas pedras... Comecei no teatro aqui em LA como actriz, mas também a produzir e a dirigir no palco. A minha primeira audição Americana para um filme foi em Nova York para Headspace (a audição chegou pela divisão teatral local da minha agência de modelos) e tornou-se no meu primeiro papel num filme americano. Estudei de forma tão minuciosa o que o realizador/produtor e o director de fotografia estavam a fazer que se formou uma relação duradoura e ele apresentou-me ao meu primeiro manager em LA. Anos depois ainda colaboramos. Inclusivamente ele produziu o The Woman. Quanto à “transição”, espero ser sempre capaz de me mover entre os dois formatos. Não piso um palco há demasiado tempo e sinto a falta disso.

3. Em 2007, após uma pequena experiência no horror (“HEADSPACE”, 2005), conseguiu um grande papel no thriller “9 Lives of Mara” assim como um pequeno mas chamativo papel em “Sex and Death 101”, algumas curtas e trabalhos para TV. Mas que grande ano para alguém que acabava de começar!
Obrigada! Sim, isso foi maravilhosamente excitante. Tenho enviado o meu material a toda a gente e a tentar por todos os lados por isso sabe mesmo bem ser capaz de realmente trabalhar! É sempre um enorme alívio para um actor estar a trabalhar. Como muita gente neste negócio, a maior parte do tempo que os actores trabalham é a procurar trabalho.

4. Em 2009 Andrew van den Houten, realizador de “Headspace”, voltou a contratá-la para a adaptação do livro de Jack Ketchum: “Offspring”. O que sabia sobre a personagem, como é que ela lhe foi apresentada?
Ele disse-me, “Arranja o livro, lê-o e diz-me o que achaste”. Ketchum fez o resto. Eu não conseguia pousar o livro, a personagem estava tão bem definida! Liguei de volta ao Andrew e disse, “posso ser a mulher?” Era quem ele tinha em mente para mim por isso resultou muito bem.

5. Habitualmente as tribos canibais nos filmes de terror são figurantes que apenas deambulam a grunhir e mastigar. Onde estava o desafio? Como se preparou?
Oh, tu sabes, fui uns dias sozinha para o bosque, fiz exercício como um animal, estudei muitos animais em jardins zoológicos e em DVD. Especialmente lobos, felinos e macacos. O desafio estava em garantir que a pesquisa era suficientemente aprofundada para me sentir bem na personagem porque senão… bem, sentir-te-ias um imbecil se estivesses a fingir, não sentias? É uma personagem tão invulgar!

6. Interpretou uma personagem sem nome, sem diálogos, sem valores... Ter uma sequela para a repetir era uma oportunidade para ir mais além. A transformação de vilã em vítima revela uma nova faceta da Mulher.
Sem valores?!! Ela tem muitos valores! Só não são aquelas da nossa sociedade moderna. Mas sim, ler o guião de The Woman foi um enorme desafio, ia mesmo “além”!!! Rodá-lo, depois de toda aquela preparação, foi puro prazer.


7. Lucky McKee falou da possibilidade de fechar a trilogia com uma volta de 180º turn onde a Mulher seria a heroína. Está preparada para voltar e para nova transformação?
Ai ele disse?! Estou a brincar, estamos a planear fazer algo mesmo fixe também no próximo filme. Estou muito ansiosa para o fazer, especialmente porque já muita gente me disse que adoraram The Woman e por isso sei que também eles estão ansiosos.

8. “The Woman” foi seleccionado para festivais em todo o mundo incluindo o MotelX em Lisboa, que também escolheu “Burke and Hare”, outro dos seus trabalhos. O que sabe acerca do festival?Foi uma novidade para mim e gostei do aspecto dos materiais deles, do website, etc. É sempre bom quando as pessoas criam festivais para celebrar a sua paixão... e depois querem mostrar os teus filmes! Eu queria muito ir e os organizadores foram muito simpáticos em tentarem levar-me, mas infelizmente eu estava a filmar Love Eternal nessa altura e não podia ir. Conheci-os em pessoa em Sitges e espero poder ir ao festival no futuro.


Foto de Thomas Kjaervik

9. Por falar nisso, tem diversos projectos prestes a sair, na comédia e no thriller como habitual. O sucesso de “The Woman” trouxe-lhe mais ofertas de trabalho?
Obrigado, fou um grande ano de trabalhos interessantes. Diria que a atenção em torno do filme me tem ajudado a maioria das vezes. Também deve haver pessoas a pensar, “Não vão trabalhar com aquela tipa assustadora!”, mas fui afortunada e só ouvi falar daqueles que adoraram o filme e querem trabalhar comigo por causa dele. Só espero que a Miranda July ou o Pedro Almodovar me digam algo...

10. No teatro dirigiu algumas peças. Também o vai tentar em cinema, ou por enquanto a actuação é suficiente?
Muitos actors desejam algum dia realizar, direct, espero ser uma das que vê o sonho concretizado. Preciso de aprender muito mais sobre o tema e também tirar um mês de folga para acabar um argumento pois sinto que devo começar por dirigir o meu próprio material. Não quero estragar a história de outra pessoa! Nunca deixarei de actuar, mas espero envolver-me noutras tarefas de contar histórias.

Agradecemos a disponibilidade e simpatia desta grande actriz. Acompanhem-na pelo Twitter ou Facebook.

Sem comentários: