21 de maio de 2015

“Bicicleta” de Valter Hugo Mãe marca terceiro dia “a preto e branco”


Amanhã, sexta-feira, 22 de Maio – terceiro dia do Festival Audiovisual Black & White –, a Católica Porto é palco de mais uma competição vídeo, totalmente a preto e branco. São seis as curtas-metragens apresentadas, destacando-se, por exemplo, “Ajuste de Contas”, do português Alexandre Martins, ou “Tekilla – Só há um”, da autoria de Bernardo Caldeira e Francisco Gomes. A primeira conta a história de dois agentes que interrogam um suspeito acusado de ter cometido um grave crime. Já a segunda centra-se no “Só há um”, tema retirado do álbum “Erro perfeito”, de Tekilla. A exibição das obras tem início às 21h45, no campus Foz da Católica Porto.

O programa de sexta-feira inicia-se, contudo, às 11h00, com a sessão de screening com Toni Bestard, vencedor da última edição do Festival Black & White. O momento integra a exibição de “El perfecto desconocido”, que mostra como a chegada misteriosa de um estrangeiro a uma pequena vila numa ilha do Mediterrâneo provoca o súbito interesse de um grupo diversificado de vizinhos que acreditam que ele irá reabrir uma velha loja. A história mostra, todavia, que as intenções do estrangeiro escondem-se por detrás de uma velha fotografia Polaroid, que o levou até aquele lugar à procura de respostas.

Já a tarde reserva dois momentos de screening, um a cargo do Cineclube do Porto e outro dinamizado por Luis Vieira Campos, realizador de “Bicicleta”, escrita por Valter Hugo Mãe, e que venceu o prémio Melhor Curta-Metragem no XX Festival Caminhos do Cinema Português. A história assume-se como uma reflexão sobre o instinto de sobrevivência e a extrema defesa da dignidade que mostra, ainda, o Bairro do Aleixo como uma cidade vertical. O dia termina com mais uma noite Black & White. A entrada é gratuita.

20 de maio de 2015

Competição vídeo em destaque no segundo dia do "Black & White"

Programa integra uma sessão de screening com Toni Bestard, vencedor da última edição, e ainda uma artist talk com o fotógrafo Nelson Garrido

O programa do segundo dia, quinta-feira, 21 de Maio, do Festival Audiovisual “Black & White” – promovido pela Escola das Artes da Católica Porto – convida os apaixonados pelo cinema a preto e branco a assistir à competição de oito curtas-metragens. “H”, que explora sentimentos e observa os limites existentes entre dentro e fora ou paz e guerra, e "Surrounded", que retrata a história de uma fábrica de impressão de vinis, assumindo-se como a biografia de uma máquina, são apenas dois dos trabalhos exibidos a partir das 21h45, no campus Foz da Católica Porto.

A manhã do segundo dia fica marcada pela palestra “Cinematografia digital Sony”, agendada para as 11h00 e dinamizada por Fernando Antunes, responsável pela área de vídeo profissional e broadcast da Sony Portugal. Já a tarde reserva uma sessão de screening com Toni Bestard, vencedor da última edição do Festival Black & White. “El Viaje”, “Niño Vudú” e “Foley Artist” são alguns dos vídeos apresentados.

A tarde termina com a artist talk “Resgatados à história”, conduzida pelo fotógrafo Nelson Garrido. “Resgatados à história” centra-se da recuperação das imagens de campos de concentração como Auschwitz ou Buchenwald, que eram, até há pouco tempo, apenas pedaços da história mundial. Entre documentos históricos e memórias de familiares, as vidas de milhões de pessoas são, finalmente, resgatadas ao passado. A note termina, como habitualmente, com mais uma noite “Black & White”. A entrada é livre e gratuita.

19 de maio de 2015

Festival “Black & White” arranca amanhã na Católica Porto

Iniciativa aposta na exibição dos projectos mais emblemáticos dos últimos anos e, ainda, na competição de curtas-metragens, áudios e fotografias

Amanhã, quarta-feira, 20 de Maio, o único festival a preto e branco do mundo regressa à cidade do Porto. Durante quatro dias, 37 projectos – oriundos de 17 países e divididos pelas categorias de vídeo, áudio e fotografia – participam na iniciativa promovida pela Escola das Artes da Católica Porto. Além das competições, que reúnem trabalhos dos mais diversos formatos, a iniciativa conta, ainda, com um programa cultural paralelo que promete animar as noites dos cineastas.

Além da sessão de abertura do festival e da primeira competição de vídeo, que decorrem às 21h45, de quarta-feira, o primeiro dia do festival fica marcado pela exibição de projectos que marcaram as últimas edições do festival. Fontelonga (de Luís Costa), Píton (de André Guiomar), La Pionnière (de Daniela Abke) e The Lizards (de Vincent Mariette) são alguns dos filmes que fazem parte das exibições agendadas para as 15h00 do primeiro dia. A sessão de abertura integra, ainda, um momento de homenagem a Manoel de Oliveira, que foi presidente honorário do festival.

Filmar quatro minutos em 40 horas

Instalar a adrenalina e pressão de um deadline nos participantes é o principal objectivo da competição intensiva de curtas-metragens “4:40”, organizada durante o festival. O desafio é simples: Numa corrida contra o tempo, os participantes, divididos em equipas de dois, têm apenas 40 horas para criar uma curta-metragem de quatro minutos e que deve responder ao tema que lhes é apresentado. Todas as actividades do Festival Audiovisual são livres e de entrada gratuita.

17 de maio de 2015

"Mortdecai" por Nuno Reis

Johnny Depp tem-nos acostumado a papéis muito diversos e alguns deles moderamente loucos. Por exemplo, em 2014 fez de inteligência artificial em "Transcendence", de despistado investigador canadiano em "Tusk e de lobo mau em "Into The Woods”". Mas ainda assim, continua a surpreender-nos e este "Mortdecai" é uma prova disso mesmo.
Lord Charlie Mortdecai é um bon vivant e um criminoso de circunstância. Em risco de ficar sem a mansão onde vive por já não ter a fortuna da família, vai negociando arte com criminosos. As únicas coisas que o mantiveram vivo até agora foram uma sorte imensa, e o dedicado criado/motorista/guarda-costas/tudo Jock que o salva dos agressores e das situações mais complicadas. Mortdecai é casado com a encantadora Johanna, uma mulher com charme e classe que o faz andar mais ou menos na linha. No momento mais difícil das suas vidas, e quando estão a dias de perder tudo, Mrtdecai recebe a visita de um velho conhecido da polícia que precisa dos conselhos do especialista para lidar com um caso de arte roubada. Mortdecai vai dar o seu melhor para encontrar o quadro, ganhar dinheiro, e manter o bigode.
Estamos perante uma arriscada comédia que satiriza a aristocracia britânica, assim como os esterótipos que eles têm das restantes culturas. A obra original é de Kyril Bonfiglioli, um britânico que conhece o mundo da arte e da ficção-científica entre outras coisas. Originalmente publicados nos anos 70, os livros Mortdecai nunca atingiram a popularidade que se esperaria porque misturavam de forma incompreensível o género crime, com a comédia de costume e muita crítica social. Passados trinta anos, a mensagem passada é praticamente a mesma. A sociedade londrina continua a ser uma desgraça aos olhos de Mortdecai, cujos pecados parecem ser pura necessidade entre toda a sujidade que o rodeia. Não que Mortdecai seja bom, ele admite que é um criminoso e vigarista, mas só porque está acostumado a uma vida de conforto.
A atractividade do filme é precisamente a aposta arricada numa obra controversa, tanto por parte do realizador - um americano ainda em busca de afirmação - como dos actores, a enverederem por algo diferente. Ewan McGregor é um dos poucos cavalheiros, Gwyneth Paltrow repete a personalidade que vimos em “Iron Man”, mas aqui com um homem/ego bem mais fácil de suportar, Johnny Depp é simplesmente estranho, ainda que não fique desenquadrado. Parabéns ao marketing que conseguiu espalhar bem a mensagem do bigode para que não o detestássemos sem dar uma oportunidade de se afirmar. Mas a estrela do filme é Paul Bettany, ele sim, bem diferente do que nos acostumamos a esperar dele e muitas vezes brilhante, no papel mais físico e fácil de adorar do filme. A narrativa não cativa e o humor é repetido à exaustão, todavia, "Mortdecai" consegue dar um ar de graça mais pelo diferente que é. Numa época em que se consegue ver a mesma receita de filme todos os meses no cinema com títulos diferentes e a afirmar-se como o melho filme do ano do género (não interessa qual), é bom variar ocasionalmente e ver algo saído dos anos 70 que sabe ser mau.

MortdecaiTítulo Original: "Mortdecai" (EUA, Reino Unido, 2015)
Realização: David Koepp
Argumento: Eric Aronson (baseado no livro de Kyril Bonfiglioli)
Intérpretes: Johnny Depp, Paul Bettany, Ewan McGregor, Gwyneth Paltrow, Jeff Goldblum, Olivia Munn
Música: Derek Ambrosi, Jill Savitt
Fotografia: Florian Hoffmeister
Género: Acção, Comédia
Duração: 107 min.
Sítio Oficial: http://mortdecaithemovie.com