30 de Agosto de 2014

Programação do Muvi Lisboa 2014

O MUVI Lisboa’14 – Festival Internacional de Música no Cinema anunciou a programação completa do que teremos entre os dias 3 e 7 de Setembro no Cinema São Jorge, Lisboa. Sendo a primeira edição do festival de cinema específico sobre música, conta com 36 filmes nacionais e 49 internacionais, nas várias secções quer competitivas ou não-competitivas, showcases, djset's, sessões especiais, etc.


O alinhamento competitivo do MUVI Lisboa engloba dois palcos principais, o Palco Nacional e o Palco Internacional, aos quais sobem os grandes intérpretes nas secções: Odisseias Musicais (competição de longas-metragens), Sonetos Cantados (competição de curtas-metragens) e Canções Com Gente Dentro (competição de vídeos musicais). Nestes dois palcos, os filmes foram realizados entre os anos 2013 e 2014.

Contamos com seis longas na competição Odisseias Musicais + Palco Nacional:
- “A Sétima Vida de Gualdino”, de Filipe Araújo sobre Gualdino Barros, baterista “lenda do jazz” que lançou jovens inexperientes como Jorge Palma, Bernardo Sassetti ou Dany Silva e tocou com Nina Simone;
- “Stop Don’t Stop”, de Ana Branco, focado na responsabilidade do antigo Centro Comercial Stop no Porto como incubadora de músicos nos seus variados géneros musicais;
- "Mudar de Vida" de Pedro Fidalgo e Nelson Guerreiro sobre José Mário Branco, gravado ao longo de sete anos;
- “A 15 ª Rebelião dos Guerreiros de Aço” de Priscilla Fontoura e André Vieira, que regista a celebração do 15º aniversário do festival SWR Barroselas Metalfest com WAKO, Face of a Virus, Aphyxion, Simbiose, Gorod, Purgatory, Artillery, Immortal, EAK, Juficer ou Holocausto Canibal
- "True" de Paulo Segadães, filmado entre Janeiro e Setembro de 2013, mostra o processo de gravação do mais recente disco de Legendary Tigerman;
- "The Alchemy Of Spirit" de Paulo Prazeres sobre a edição do Festival Boom 2012

Contamos com 10 longas na competição Odisseias Musicais + Palco Internacional:
- “No Room For Rockstars” de Parris Patton com histórias verdadeiras da era moderna do rock, de miúdos à espera de serem descobertos ao veterano cuja vida foi salva pela digressão, passando pelo músico que se torna mais conhecido e bem sucedido enquanto está na ‘estrada’;
- “Leave The World Behind” de Christian Larson sobre a última tour dos Swedish House Mafia, que teve a sua separação oficial a 24 de março de 2013;
- “Our Vinyl Weighs a Ton (This Is Stones Throw Records)” de Jeff Broadway com estreia em Portugal na sessão de abertura do Muvi Lisboa’14, sobre a história da editora discográfica Stone Throw Records com Kanye West, Snoop Dogg, A-Trak, Mayer Hawthorne, entre outros;
- “Deep City” de Dennis Scholl, Marlon Johnson e Chad Tingle sobre o impacto da Deep City Records na evolução da música soul e funk no sul da Flórida nos anos 60;
- “Good Ol' Freda” de Ryan White sobre Freda Kelly e os seus 11 anos ao serviço da banda The Beatles como fiel secretária;
- "Marina", biopic de Stijn Coninx sobre o músico italiano Rocco Granata que ficou conhecido mundialmente pelo tema ‘Marina’ em 1959;
- "The Winding Stream", documentário histórico de Beth Harrington, que retrata as raízes da dinastia musical americana do country e folk composta pelos Carters e os Cashes, do Johnny Cash;
- "Que Caramba es la Vida" de Doris Dörrie sobre o mundo machista ‘Mariachi’ no México onde poucas mulheres conseguem entrar;
- "The Labèque Way" de Félix Cábez sobre duas grandes pianistas, Katia e Marielle Labèque;
- "Castle Crash" de Arsen Oremovic, retrata como Matej Meštrović, pianista e compositor, e a Orquestra de Percussão SUDAR captaram sons para a composição do disco no Castelo de Sv. Križ Začretje, na Croácia

Contamos com cinco curtas na competição Sonetos Cantados + Palco Nacional:
- “Música à Moda do Porto” de Raquel Lemos, explora a música e o Porto com entrevistas de Ana Matos aka Capicua, Isabel Dantas da Chave do Som, José Mário Branco e Pedro Cardoso de Peixe, Ornatos Violeta, Zelig e Pluto;
- “Voluta” de Mariana Belo sobre a dedicação de Carlota, uma estudante de contrabaixo da Academia de Música de Santa Cecília;
- “Frankie Chavez - Ao Vivo na Mimosa da Lapa” de Filipe Santos sobre o músico e o panorama musical em Portugal;
- "Crooner Vieira - A Potência da voz e o romantismo não têm nada a ver com a idade" de Catarina Neves sobre o músico, último cantor romântico da cidade do Barreiro, que nos anos 40 e 50 foi vocalista da Orquestra Ritmo e da Orquestra de José da Silva;
- “Oblivion”, ficção de Paulo Segadães com a participação de Paulo Furtado (Legendary Tigerman).

Contamos com três curtas na competição Sonetos Cantados + Palco Internacional:
- “Too Old To Be New, Too New To Be Classic: 12 Years of DFA” de Max Joseph e produzida pela Red Bull Music Academy sobre os 12 anos da icónica DFA Records com LCD Soundsystem, The Rapture, Yacht, The Juan Maclean, Holy Ghost!, Shit Robot, entre outros;
- “Shape” realizada pelo Johnny Kelly sobre a junção do design à música;
- "Are You Ok?" de Brewer, é um thriller psicológico feito para o lançamento do novo disco “Too True” da banda Dum Dum Girls, durante uma sessão de hipnose.

Contamos com 19 vídeos musicais nas Canções Com Gente Dentro + Palco Nacional em ficção:
- “Cara” (Gareth Dickson), André Marques
- “Far From Everything” (White Haus), Vasco Mendes
- “O Homem Que Dança” (Guta Naki), Joana Areal
- “Sem Ponta Por Onde Se Pegue” (PZ), Alexandre Azinheira
- “Eles Deram As Mãos” (TV Rural), Chris Agnese e Gil Chagas
- “This Is Maybe The Place Where Trains Are Going To Sleep At Night" (Noiserv), We Are Plastic Too
- “After December” (You Can’t Win Charlie Brown), We Are Plastic Too
- “Zenith” (La Flag), Marcelo Engenheiro
- “Neve” (NBC), Sérgio Santos
- “We Came In Peace” (Nuno & The End), João Costa
- “Night Drive” (Quest), Eduardo Brito
- “3 And A Half Pellets” (The Big Church of Fire), Luís Melim Pereira
- “Barba” (Pernas de Alicate), Sara Feio e Dickon Knowles
- “Shoes For The Man With No Feet” (First Breath After Coma), Eduardo Brito
- “Belong” (Les Crazy Coconuts), Diana Antunes
- “Poeta Falhado” (Expeão), Paulo Pinto
- “Pobre e Rico” (Batida), Pedro Coquenão
- “No Meu Relógio São Horas De Matar” (Mão Morta), Rodrigo Areias
- “Little Secret” (Stereoboy & Emmy Curl), Mário Costa

Contamos com 19 vídeos musicais nas Canções Com Gente Dentro + Palco Internacional em ficção:
- “Sine” (Bites), Maria-Ines Manchego
- “Retrograde” (James Blake), Martin de Thurah
- “Sequenz” (Neosignal), Benjamin Mege & Charles Klipfel
- “Au” (Kaja Gunnufsen), Kenneth Karlstad
- “El Aguante” (Calle 13), Kacho López
- “Lazaretto” (Jack White), Jonas & Francois
- “Digital Witness” (St. Vincent), Chino Moya
- “Hourglass” (Rodrigo Amarante), Rodrigo Amarante
- “Busy Earnin” (Jungle), Oliver Hadlee Pearch
- “Fuckers (Savages), Giorgio Testi
- “Who Lived Here” (Hauschka), UNICEF
- “The Second Summer Of Love (Pink Mountaintops), Brook Linder
- “Halo Getters” (Hiss Tracts), Karl Lemieux
- “Singing Man” (Magnus feat. Thomas Smith), Sander van de Pavert
- “Crime” (Real Estate), Tom Scharpling
- “Frameless” (Hudson & Troop), Andrew Goldsmith & Darcy Prendergast
- “Bridges” (Boy & Bear), Summer DeRoche
- “Ghost” (Mystery Skulls), Josh Thomas
- “Young” (The Paper Kites), Darcy Prendergast

Contamos com 16 vídeos musicais nas Canções Com Gente Dentro + Palco Nacional e Internacional em animação:
- “Sufferation” (Brain Damage Meets Vibronics), Wasaru
- “Allaxis” (Kaly Live Dub), Wasaru
- “Parler Le Fracas” (Le Peuple de L’Herbe), Wasaru
- “Unity” (Christopher Bono), Tobias Stretch
- “She’s Bad” (DyE feat. Egyptian Lover), Dent de Cuir
- “Play” (SebastiAn), Dent de Cuir
- “Water Fountain” (tUne-yArds), Joel Kefali
- “Someone” (We Have Band), Zaiba Jabbar
- “Moving On (James), Ainslie Henderson
- “Colourblind” (Elliot The Bull), Samuel Lewis
- “Nice Guys Finish Last feat. Joyride”, Aaron McDonald
- “Strange Condition” (Empra), Donna Yeatman & Jai Kenway
- “Palui” (Helena Caspurro), Carlos Silva e Pedro Almeida
- “Ancora” (Stray com Manel Cruz), Artur Caiano
- “Vayorken” (Capicua), Artur Caiano
- “Instrospecção” (Sensi feat. Manuela Azevedo), Lorenzo Degl ‘ Innocenti

Fora da corrida ao prémio, destaque ainda para a orquestra dos Acordes Históricos com sete filmes no total, através da qual serão revisitados alguns dos grandes marcos e efemérides do cinema musical:
- “Anyone Can Play Guitar” de Jon Spira que com estreia em Portugal na sessão de encerramento do MUVI Lisboa e baseia-se nos 30 anos de música de Oxford, com Radiohead, Supergrass, Ride, Swervedriver, Foals, Talulah Gosh, The Candyskins, Unbelievable Truth, entre outros;
- "Cure for Pain: The Mark Sandman Story" de Rob Gordon Bralver e David Ferino, preciosa recolha histórica da vida e obra de Mark Sandman, vocalista, baixista e mentor dos norte-americanos Morphine, falecido em 1999, durante um concerto, em Itália;
- "Música em Pó" de Eduardo Morais sobre doze pessoas e milhares de discos em vinyl;
- "A batalha de Tabatô" de João Viana, tem lugar na Guiné-Bissau, na aldeia de Tabatô, onde todos os habitantes são músicos djidius - cantores-poetas que narram contos e lendas representativos da vida africana;
- “Cidade de Deus 10 Anos Depois”, pretende mostrar o que mudou na vida dos intérpretes do filme de Fernando Meirelles, realizado em 2002, onde Seu Jorge fala como foi lançada a sua carreira após participação no respetivo filme;
- “Chinese Hip-Hop Underground” realizado por Jimmy Wang mostra como tem evoluído o Hip-Hop e o Rap no país através da carreira de Weber, um dos pioneiros no género;
- "All In Black And Film" de Eduardo Morais sobre a banda The Poppers


Paralelamente à programação principal...

Na secção "Sessões Especiais" serão exibidos vídeos de realizadores e trabalhos de vários canais de entretenimento como o Canal 180, A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria, Offbeatz, Vídeoteca da Bodyspace, Vasco Mendes+FilmesDaMente e Fuel TV Portugal.

Na secção Pemiere Musical, o MUVI Lisboa dá destaque a “Tocha Pestana Apresentam Novos Vídeos”, citados como os “reis do turbo-baile e do tecno-punk”, os TochaPestana (de Gonçalo Tocha e Dídio Pestana) preparam-se para editar em setembro de 2014 o amplamente aguardado álbum de estreia. A dupla apresenta no MUVI Lisboa, em absoluta estreia mundial, o novo disco em versão vídeo, ou seja, uma impressionante coleção de videoclips dos singles que sucedem ao fabuloso “Pratica a tua Fé”.

Na secção Festivais de Música e apresentamos curtas-metragens, que podem ser ou não promocionais, institucionais e recentes: “Do Mississipi ao Tejo”, de Sérgio Diamantino, sobre o BB Blues Fest. “Fusing 2013 - After Movie”, “Driving Without License” (sobre o Primavera Sound 2013 - Porto), “Line Up” (antevisão do Primavera Sound 2014 - Barcelona), “Simple Things 2013”, “The Bonnaroo Experience” e “Meda+” (antevisão do festival), e muitos mais.

Na secção "Showcases" artistas convidados trazem a sua música a palco e respetivos vídeos musicais, com espaço à conversa com o público. São eles Noiserv, PZ, NBC e First Breath After Coma.

Na secção "DJ sets", no Foyer do Piso 1 do Cinema São Jorge, de entrada livre e responsável por animar o espaço (e o nosso público) até à hora de encerramento do festival, 2h da manhã. A festa de abertura conta com a PHIZZ, seguido de Beats&News vs Altamont e DJ Antena 3 nos restantes dias, e Hello Kinky a marcar presença na noite de encerramento do festival.


A primeira edição do festival MUVI Lisboa serve assim como referência ao cinema sobre música e de plataforma para os artistas nacionais e para a promoção cultural de Portugal junto da comunidade internacional, trabalhando permutas e parcerias recíprocas com eventos internacionais de idêntica filosofia.

Luzes, câmara, ação! E se a música pudesse ser vista? Vem descobrir como, no MUVI Lisboa.

Naomi Scott começa carreira musical

A actriz Naomi Scott ("Terra Nova") lançou o seu primeiro EP e mostra que tem voz para muito mais do que o enorme sucesso que teve em "Lemonade Mouth".
Brevemente poderemos vê-la em "The 33" sobre os mineiros chilenos.

29 de Julho de 2014

Detalhes sobre o festival de Arruda dos Vinhos


O Curt'Arruda - Festival de Cinema de Arruda dos Vinhos terá a sua primeira edição este ano nos dias 8 e 9 de Agosto em Arruda dos Vinhos.


Vão estar a competição 8 curtas-metragens nacionais, avaliadas pelo seguinte júri:
Margarida Cardoso - realizadora que estreou este ano a longa-metragem "Yvone Kane";
Artur Pinheiro - director de arte de filmes como "Alice" e "Como Desenhar um Círculo Perfeito", ou a mini-série "República";
Carla Henriques - jornalista da Antena 1 e Antena 3 que produz e realiza o programa Grande Plano e colabora no Cinemax.

Além da competição haverá uma Mostra de Curtas-metragens e um Ciclo dedicado ao realizador Lauro António com a presença do mesmo.

Haverá ainda dois concertos com as bandas First Breath After Coma, que em 2013 venceram o concurso Novos Talentos FNAC, e a Jigsaw, considerados pela revista holandesa Heaven Music como um dos projetos indie folk mais interessantes e originais do continente europeu.

O horário das sessões será 16h, 18h e 21h. Os concertos serão 22h no primeiro dia e 23h no segundo.

27 de Julho de 2014

Prémios de Avanca 2014


Terminaram os “Encontros Internacionais de Cinema, Televisão, Vídeo e Multimédia – AVANCA 2014”, encerrando 10 dias de festival e 5 dias de competições, conferências e workshops internacionais. Comemorando a décima oitava edição, o AVANCA 2014 contou com mais participantes e atribuiu prémios a filmes e autores de 17 países.

O Último Inverno” do realizador iraniano Salem Salavati arrebatou o Prémio Cinema para a Melhor Longa-metragem, tendo ainda recebido o Prémio Melhor Actriz que distinguiu Asiyeh Moradizar. Foram ainda distinguidas com Menções Especiais as longas–metragens “Não-conformidade” de Igor Parfenov (Ucrânia) e “A Busca” de Luciano Moura (Brasil). Este último filme foi também distinguido com o Prémio Melhor Actor, atribuído a Wagner Moura.
A curta-metragem “O Imortalizador”, de Marios Piperides (Chipre), ganhou o Prémio Curta-Metragem e Prémio Estreia Mundial. O Prémio Animação distinguiu o filme russo “Tons de Cinzento” de Alexandra Averyanova. O Prémio Vídeo distinguiu o filme mexicano “Ar” de Romina Quiroz. O Prémio da Melhor Fotografia distinguiu Amir Alivaisi do filme iraquiano “Preto & Branco” de Jalal Saepanah.
O Júri, presidido pelo investigador e escritor António Abreu Freire, foi constituído pelos cineastas Yevgeni Pashkevich (Letónia), Tommaso Valente (Itália), Margarita Hernandez (Cuba / Brasil), o investigador Jason Dee (Reino Unido) e Lyudmila Bila (Ucrânia).

Entre as categorias mais esperadas deste ano, esteve a “Competição Avanca”. Reunindo uma selecção de obras produzidas na região, foram distinguidas a longa-metragem Pecado Fatal de Luís Diogo, a curta-metragem “Balança” de Rui Falcão, o documentário “A Pedra e a Palavra” de Nagib Haickel e a animação “Foi o fio” de Patrício Figueiredo. O Júri deste prémio foi presidido pelo produtor Paulo Trancoso e constituído pelo cineasta Bernardo Cabral e pelos programadoras Ayoub El Anjari El Baghdadi (Marrocos), Gamze Konca (Turquia), Rosângela Rocha dos Santos (Brasil) e Flávia Vargas (França / Brasil). Este júri atribuiu ainda uma menção especial a “Mamãs de papelão” de Nuno Cristino Ribeiro.

Um outro júri constituído pelos professores Leonel Rosa e Manuel Freire, pelo poeta António Souto, pelo pintor Acácio Rodrigues, pela investigadora Ana Cristina Pereira e pelos cineastas Henrique Vaz Duarte, Manuel Matos Barbosa, Manuel Paula Dias e Rui Nunes, atribuiu os prémios televisão.
O documentário “Shado'man” do holandês Boris Gerrets recebeu o Prémio Televisão. O Júri atribui ainda Menções especiais aos filmes “Sangre de Dragón” de Nacho Luna (Espanha) e “Trazos en la cumbre” de Carlos Molina (Venezuela).

O Prémio Estreia Mundial foi atribuído à curta-metragem “O Imortalizador” de Marios Piperides (Chipre)”, e aos documentários “The Vatican and the Third Reich” de Rufo Pajares (Espanha) e “A Pedra e a Palavra” de Nagib Haickel (Brasil / Portugal).

A competição “Trailer in Motion” distinguiu o trailer “Der Kreis” de Stefan Haupt (Suíça) e o videoclipe “Le peuple de l'Herbe – parler le fracas” de Wasaru (França). Também o videoclip "Napoleon” de Marco Miranda (Portugal) recebeu uma Menção Especial. O júri foi constituído pelo crítico Nuno Reis e pelo músico Sérgio Ferreira.




Entretanto, na “AVANCA|CINEMA, Conferência Internacional Cinema – Arte, Tecnologia, Comunicação”, o Prémio Eng. Fernando Gonçalves Lavrador, em homenagem póstuma a um dos mais relevantes investigadores portugueses na área da semióptica, estética e teoria do cinema, distinguiu ax-aequo o investigador finlandês Jouko Aaltonen da Aalto University e Carlos Júnior Rosa da Universidade de São Paulo, Brasil. Também os investigadores Luís Leite e Marcelo Lafontana da Universidade do Porto e Michael Morgan da European Film College (Dinamarca), receberam Menções Especiais.
O júri deste prémio foi constituído pelos académicos Francisco Garcia (Espanha), Wai Luk Lo (Hong Kong), Yen-Jung Chang (Taiwan) e os portugueses Anabela Oliveira, José Ribeiro, Rosa Oliveira, Pedro Bessa e José Marta.

A organização científica internacional “IAMS – International Association for Media in Science” atribuiu ainda umas menção especial à comunicação dos investigadores portugueses Alexandra Abreu Lima e Jorge Ramalho, numa declaração apresentada pelo professor e físico nuclear Alessandro Griffini (Itália).

No total, seis júris constituídos por 34 individualidades de 14 países atribuíram 19 prémios e 9 menções especiais.

21 de Julho de 2014

"Monty Python Live (mostly)" por Nuno Reis



Numa época em que o culto da celebridade venera pessoas famosas por não serem nada, é bom ver que ainda há quem recorde os grandes nomes da nossa cultura. Claro que falar de Eric, Graham, John, Michael ou Terry não terá significado para grande parte da população. Talvez arrisquem dizendo que é uma qualquer boys band, mas a verdade é que este sexteto (pois na verdade há dois Terrys) ganhou tal fama como colectivo, que os indivíduos passaram metade da vida a tentarem criar uma carreira a solo. E desistiram. Pois Eric Idle, Graham Chapman, John Cleese, Michael Palin, Terry Gilliam e Terry Jones, serão sempre, aquilo que foram desde finais dos anos 60: os Monty Python. E tanto na televisão como no cinema, nunca ninguém conseguirá criar semelhante revolução. Todos os que se aproximaram estavam, na verdade, a copiar o humor radical e absurdo do grupo britânico.

Quarenta e cinco anos depois e já com um falecido entre os seus, os Monty Python decidiram oficializar a coisa e dar um espectáculo de despedida. O palco escolhido era o maior disponível em Inglaterra, a arena O2, mas o facto de terem esgotado todos os bilhetes em menos de um minuto provava que o maior do país não era suficiente. Durante décadas o mundo foi o seu grande palco e seria óbvio encerrar nesse mesmo placo. Por isso, e isto são números aproximados, 60000 pessoas na Europa Continental, outras tantas na América do Norte, e ainda América do Sul, África, Ásia e Oceânia. pagaram bilhete para uma versão digital do mesmo. Se houvesse um cinema na Antárctica, seguramente estaria também a transmitir o ironicamente entitulado “Monty Python Live (Mostly)”. E ao contrário de fenómenos semelhantes feitos de forma recorrente para concertos, quem estava a encher as salas (e muitas estavam esgotadas) não só estava de livre vontade, como certamente fez uma preparação. No meu caso a preparação foi uma viagem de 380 kilómetros de propósito para os ver (a que depressa somei mais dez por no primeiro cinema estar esgotado). No entanto dentro da sala notava-se que o público não precisava de grande trabalho de casa para perceber o que se passava. Era um best of com todos os sketches que foram fazendo. Quem os viu uma vez, não esquece nunca.

Sim, estamos a falar de uma selecção do melhor que os melhores alguma vez fizeram. Uma versão resumida pois podiam ter repetido literalemente tudo o que alguma vez fizeram que ninguém se importaria. As duas horas de espectáculo passaram muito bem, os actores por vezes improvisavam (normalmente mandando piadas uns aos outros, com uma homenagem não prevista ao falecido Chapman e mesmo alguns esquecimentos) o que se percebia pelas dissonâncias na legendagem. A propósito, legendar inglês britânico para inglês britânico só se torna útil quando falam em anagramas, para o resto, escusam de se esforçar.
Por entre os mais memoráveis sketches da televisão (Papagaio Morto, Canção do Lenhador, Clínica de Discussões, Spam...) ainda houve tempo para uns números coreografados, alguns convidados surpresa, muita cantoria, ataques de riso, e, quando tudo parecia terminar fosse pelo cansaço visível no número dos queijos, por já irmos com duas horas de espectáculo, ou porque ninguém se lembrava de muito mais que faltasse mostrar, chegou uma bela música final. Tinhamos assistido a uma produção que, se não fosse última e final, seria facilmente repetida em salas cheias por todo o mundo até estarem todos mortos.

O espectáculo visto via cinema é uma pequena desilusão. Estar numa plateia de vários milhares que reage é completamente diferente de estar numa sala com centenas que apenas ri. Funcionou, mas não é como estar lá.

O encore totalmente inesperado (tirando a contagem decrescente para ele) e que não foi nada ensaiado (apesar de ter aparecido nas cenas making of exibidas antes) era óbvio. A maior dádiva do grupo à Humanidade. Aquela música capaz de animar os piores momentos de alguém. Quando pediram que todos, fossem espectadores do pavilhão ou numa das salas pelo mundo fora, se unissem a eles para esse número, gosto de pensar que as inúmeras guerras da nossa época se interromperam, todas as pessoas deram as mãos e se juntaram ao quase meio milhão de espectadores que, num teórico uníssono, entoaram sem hesitações aquela musiquinha que nos diz para olharmos para o lado bom da vida.

E se virem algum colega com um sorriso invulgar para segunda-feira, é porque ele também lá esteve. Não há motivos para sentirem inveja. Vá, parem o que estão a fazer. Abstraiam-se do lugar onde estão, e juntem-se em coro. Ainda vão muito a tempo e é isso que os Monty Python desejariam.