3 de abril de 2010

"Dear John" por Nuno Reis


John Tyree: No matter where you are in the world,the moon is never bigger than your thumb.

Nicholas Sparks tem uma bibliografia marcada pelo romance. Desde o sofrível "Message In a Bottle" até "The Notebook", os filmes baseados nele deram que falar. Este ano temos dois a sair - "Dear John" e "The Last Song" - e outros dois agendados para breve pelo que começa a ser um nome de sucesso, a ter em atenção também no cinema.

"Dear John" conta-nos o romance internacional entre um soldado e uma estudante. Conheceram-se na Primavera, na praia onde ambos viviam sem nunca se terem cruzado. Savannah em férias da escola, Jonh de licença do serviço. Duas semanas que passaram demasiado depressa pois ele voltaria para a Europa onde tinha mais um ano de serviço. Uma troca de correspoência que começou por um bilhete acabou por ser uma sucessiva troca de cartas. Ele escrevendo para uma morada fixa sem poder dizer muito, ela escrevendo tudo para um militar em localização secreta. Os meses passam, mas a tragédia chega. Numa manhã de Setembro aviões colidem com umas torres em Nova Iorque. O sentido de dever do pelotão de John obriga-o a estender a duração da missão por amor à pátria, o que a jovem Savannah não compreende.

No início tudo corre bem, até pela escolha dos actores secundários. Richard Jenkins está como é costume e é sempre bom rever Henry Thomas, mas a história centra-se nos outros dois. Channing Tatum é bem parecido, tem aspecto de militar (já foi um "G. I. Joe") não muito inteligente, uma escolha excelente para o papel. Amanda Seyfried desde "Mamma Mia!" que tem aquele ar jovem e angelical de alguém por quem todos os homens se apaixonariam. Quanto ao casting não há mesmo nada a apontar.
Durante mais de meia hora a receita funciona, depois começa a cansar. A música tem grande importância nas falhas do filme, mas não é só por aí. A utilização da numismática como metáfora tem interesse e é um início muito eficaz, mas está subaproveitada. O autismo parece só ter sido colocado para apelar ao sentimentalismo. No final há um twist, mas pouco havia a fazer.

Talvez com americanas funcione, mas para o resto do mundo tanto tempo depois o 9/11 já não nos coloca o coração nas mãos de um filminho qualquer. Sim, a guerra é má. Sim, mata pessoas e destrói relações. Sim, é pena que por vezes seja preciso seguir o chamamento do dever, mesmo que isso obrigue a sofrer. Só dou os parabéns ao filme por conseguir ser incrivelmente banal.

Título Original: "Dear John" (EUA, 2010)
Realização: Lasse Hallström
Argumento: Jamie Linden (baseado no livro de Nicholas Sparks)
Intérpretes: Channing Tatum Amanda Seyfried, Richard Jenkins, Henry Thomas
Fotografia: Terry Stacey
Música: Deborah Lurie
Género: Drama,Romance
Duração: 105 min.
Sítio Oficial: http://www.dearjohn-movie.com/

1 comentário:

Cris =) disse...

Eu gostei do filme. Realmente houve uma parte que cansou mas no geral foi bom. Teria dado as 3 estrelas.

Na minha opinião, não penso que o autismo terá sido usadao para apelar ao sentimento mas sim para mostrar que o autismo não é uma deficiência que afecte QI, digamos assim, e poderá estar mais perto de nós do que julgamos.

Acho que o filme tinha outro foco muito bom que era a relação pai-filho.

Vale a pena ir ver