18 de julho de 2011

Best of Curtas 2011 - Portugal

Com uma boa parte da selecção vista, aqui fica um top pessoal dos filmes nacionais vistos.

Ficção

North Atlantic
A Divisão Social do Trabalho segundo Adam Smith
Sombras
Verão Invencível
Nuvem
O Nosso Homem
Maybe
Silêncio de Dois Sons
Should the Wife Confess?
Fratelli

Animação

O Sapateiro
Sem Querer
Ginjas (Ep. 3)

Documentário

Água Fria




Breves comentários sobre cada um, ordenados pela ordem do programa.

Maybe
Pedro Resende
Ficção, 9:05
Maybe é mais um daqueles casos de um filme nacional rodado em terras estrangeiras. O projecto de Pedro Resende sobre um café começa igual a tantos outros filmes. Rapaz conhece rapariga, rapaz interessa-se por rapariga, rapaz é tímido e inseguro, rapariga quer mais. Só que aqui o rapaz mostra que o problema dele é apenas a timidez, porque criatividade não lhe falta.
Ao longo de 9 minutos - que incluem o primeiro contacto – é apresentada uma maratona de sedução onde pelo menos convicção não falta. Não é brilhante, mas é minimamente interessante e merece um visionamento.


Sem Querer
João Fazenda e João Paulo Cotrim
Animação, 7 min
A relação entre o espectador e a arte tem sido uma constante nos filmes desta edição. Dos dois filmes em que associam o visitante do museu ao quadro, a proposta portuguesa é a menos espectacular. Uma mulher recebe um postal que lhe recorda um quadro visto com o pai há muitos anos. Essa memória vai levá-la a revisitar o quadro no museu. Diariamente fica deslumbrada com uma mesma pintura e começa a ficar obcecada por ela e a vê-la em todo o lado.
A animação é invulgar, mas funciona bastante bem e a história apesar de breve consegue transmitir a mensagem.


Verão Invencível
João Diogo
Ficção, 21:30
Numa aldeia do Portugal profundo cada um tem os seus problemas. João pensa em mudar-se para a cidade e arranjar trabalho. Joana espera pelo pai que mal conhece. Estas duas crianças vão deambular por um mundo só seu. Joana é feliz e inocente até que um acontecimento lhe vai mudar o mundo. Então, inspirada no conto de Orfeu visto recentemente, vai partir numa breve viagem impossível.
O tema é bom e um bom desempenho da jovem actriz segura um filme que, apesar de bastante intenso, tem falhas.

Should the Wife Confess?
Bernardo Camisão
Ficção, 7:47
Uma mulher vai cozinhando diariamente para um marido que a ignora. Os seus pensamentos são espelhados em pseudo-receitas que recita enquanto cozinha.
A culinária utilizada como metáfora dos relacionamentos. Este drama lamechas tenta ser internacional quando nem na secção nacional merecia competir. Esgota a criatividade na gastronomia, tornando-se depressa um leve aborrecimento. De destacar o arranque que visualmente é bastante apelativo.

A Divisão Social do Trabalho Segundo Adam Smith
Fátima Ribeiro
Ficção, 30 min
Como trabalhar em equipa ou como viver em sociedade são questões com que nos deparamos no dia-a-dia. Neste filme bastante estranho a história principal acompanha um grupo de trabalhadores de uma empresa que têm de repetir as mesmas tarefas constantemente num processo de produção em cadeia. Em simultâneo discute-se uma promoção porque as pré-entrevistas estão a decorrer. Vamos vendo essa rotina, ouvindo as conversas, conhecendo as personagens e a sua forma de ser.
Não é um filme convencional e por vezes é mesmo bastante estranho, mas o tempo passa bem e é uma fita construída com pés e cabeça. Das melhores que a competição nacional teve.

O Nosso Homem
Pedro Costa
Ficção, 24 min
Este ano a emigração foi um dos temas fortes do festival. A proposta de Pedro Costa acompanha um homem que perdeu o emprego, por isso perdeu a mulher e está em vias de perder ainda mais.
A história em crioulo divaga num mundo em que não se sabe se estão vivos ou mortos. Com toques de comédia e de drama, com uma realidade triste e um misticismo deprimente, faz um todo deveras estranho.

Ginjas (Ep. 3)
Zepe e Humberto Santana
Animação, 2 min
A personagem Ginjas regressa numa brincadeira de formas, cores e contornos que se desenvolve perante um quadro. Curioso e divertido.

Sombras
Nuno Dias
Ficção, 13:53
Uma caminhante vê um homem desmaiar no meio da planície alentejana. Vai na direcção dele e constata que está mortalmente ferido e que tem com ele uma mala em que ela pega. De repente aproxima-se um veículo e começa uma corrida desequilibrada pelo saco e pela vida.
Não sendo um tema novo, é um filme que tem um bom desenvolvimento e cria a atmosfera adequada onde momentos intensos se alternam com outros quase ridículos.

Fratelli
Gabriel Abrantes, Alexandre Melo
Ficção, 20 min
Cenários italianos, vozes brasileiras, argumento adaptado de Shakespeare e um toque português fazem desta produção a mais internacional da secção. Um vagabundo é acolhido por um nobre que se quer divertir fazendo-o crer que é um nobre adormecido por muitos anos que sonhou ser mendigo. Só que o mendigo não tem o nível intelectual para compreender nada para além de sexo e por isso quem cai no ridículo é o nobre.
Não se compreende como determinados filmes chegam a ser feitos. Este projecto de afirmação homossexual tem péssimas actuações, amadoras mesmo, que arruínam uma ideia interessante e que noutras versões funciona.

Água Fria
Pedro Neves
Documentário, 13 min
As festas de São Bartolomeu do Mar todos os anos reúnem milhares de pessoas na praia. São pessoas das mais variadas idades cujas vidas passam religiosamente por aquela procissão. Neste documentário mais importante do que a festa são os pensamentos que passam por cada género de pessoas. As gerações que se cruzam num local intemporal, como se as suas vidas não fossem mais do que um compasso de espera entre edições diferentes da procissão. Foi uma inesperada surpresa porque foi dos filmes mais belos e deprimentes do festival.

Silêncio de Dois Sons
Rita Figueiredo
Ficção, 14 min
Filme rodado num cenário limitado, com um elenco reduzido, bastante mais próximo do experimental do que da ficção. A história é imperceptível, mas tecnicamente é uma proposta muito competente. Pela ausência de fio condutor torna-se um pouco enfadonho, mas como é de pouca duração não causará mazelas.

North Atlantic
Bernardo Nascimento
Ficção, 15 min
Tudo corria como normalmente no posto de controlo do tráfego aéreo. Hugo preparava-se para passar mais uma noite solitária quando no radar aparece um avião inesperado. É o início de uma noite que dois homens nunca esquecerão.
Este é o grande filme do festival. A sua história dramática fala do Oceano, de humanidade, de solidão. Uma poderosa mensagem resumida num quarto de hora que não será esquecido facilmente. Podia ser melhor se acrescentassem mais detalhes, mas assim permanece fiel à realidade.

O Sapateiro
Davil Doutel e Vasco Sá
Animação, 12 min
Trabalho e dedicação fazem o dia-a-dia de um sapateiro. Até que ele deixa de aguentar e tem um ataque de insanidade e criatividade.
Uma história simples e bem contada. Um desenho de grande qualidade que faz recordar os tempos áureos dessa arte no nosso país.

Nuvem
Basil da Cunha
Ficção, 30 min
Mais uma vez uma comunidade é o cenário escolhido para contar uma história banal. Nuvem é o protagonista de um drama sobre um amor não correspondido, sobre lendas e encantos, sobre estar à deriva numa micro-sociedade que por si só já é uma ilha.
Uma boa ideia que se perdeu na concepção. Por entre aquela meia hora há algumas conversas brilhantes e cenas incríveis, mas o todo não está completamente conseguido. Realizado por um português, com apoios suíços, sobre uma comunidade crioula, “Nuvem” terá dificuldades em encontrar o seu público. Os actores amadores dão um toque de realidade ao argumento e não prejudicam em demasia.


Amanhã idêntico levantamento para a competição internacional.

1 comentário:

António Carlos disse...

O Grupo Portugal Fantástico (http://www.facebook.com/group.php?gid=349445609254) também tem curtas em votação ..... passem por cá:

http://www.facebook.com/event.php?eid=170829902983779