26 de dezembro de 2008

"Taken" por Nuno Reis

Bryan: I don't know who you are. I don't know what you want. If you are looking for ransom, I can tell you I don't have money. But what I do have are a very particular set of skills; skills I have acquired over a very long career. Skills that make me a nightmare for people like you. If you let my daughter go now, that'll be the end of it. I will not look for you, I will not pursue you. But if you don't, I will look for you, I will find you, and I will kill you.

Liam Neeson tem trinta anos de carreira e entre os muitos filmes memoráveis que já interpretou encontram-se muitos géneros, muitas épocas e muitas personagens. Versatilidade é uma palavra que o define perfeitamente. Com a idade seria de esperar que escolhesse papeis mais fáceis, mais repousantes, seguramente trabalho não lhe faltaria. Mas foi exactamente o oposto que lhe foi oferecido em "Taken". É um desafio físico nada adequado a quem tem 56 anos, mesmo que já tenha sido Jedi e cruzado medieval.

Bryan Mills é aquilo que em português se conhece como vencido da vida. Reformou-se jovem para estar disponível para a filha. Não tendo nenhuma ocupação e estando longe dela (a mulher voltou a casar e a sua pequena Kim vive num mundo diferente) deambula numa existência sem grande sentido. Por vezes tem pequenos prazeres como o aniversário da filha e jantares com os velhos colegas de trabalho. Esses amigos oferecem-lhe frequentemente trabalho no mundo da segurança privada que recusa elegantemente. Se tem dinheiro suficiente para não precisar de emprego e capacidade de reacção e força para proteger pessoas, Bryan pode não ser quem parece. Quando contrariado deixa Kim partir numa viagem pela Europa e ela é raptada vamos descobrir o verdadeiro Bryan. Nenhum oceano o separará da filha e nenhum raptor o conseguirá impedir de a alcançar.
O mais surpreendente é este filme ser baseado em dados reais. Quase um milhão de pessoas são raptadas anualmente para escravatura moderna, por vezes sem dar trabalho nenhum às redes que os capturam. É reconfortante pensar que pelo menos na ficção isso não é tão fácil.

Como habitualmente nos grandes filmes de acção o herói tem uma enorme capacidade de ignorar a morte. Normalmente seria razão para considerar o filme irrealista, aqui é mais do que isso. O herói é um ex-agente com muito treino, o que ele faz é cirurgicamente correcto e pode andar à luta por dez minutos sem que perca credibilidade. Na meia hora final abusam da boa vontade do espectador e isso estraga muito o filme, mas como aí o protagonista começa a cometer erros perdoa-se sempre. Afinal, Bond comete erros consecutivos há quarenta anos e continua a ser visto por milhões.

"Taken" tinha tudo para ser um mau filme. A história não é apelativa (tem mesmo algo de ridículo), o actor parece uma escolha inconcebível para o papel, é difícil esperar algo de bom. Mesmo assim garanto que quem o for ver não sairá desiludido. Está acima das expectativas e no fundo é um clássico conto de amor paterno e sentido de dever.


Título Original: "Taken" (França, 2008)
Realização: Pierre Morel
Argumento: Luc Besson, Robert Mark Kamen
Intérpretes: Liam Nesson, Maggie Grace, Famke Janssen
Fotografia: Michel Abramowicz
Música: Nathaniel Mechaly
Género: Acção, Drama, Thriller
Duração: 94 min.
Sítio Oficial: http://www.takenmovie.com/

2 comentários:

João Ricardo "Blog da Pipoca" disse...

Pois para mim este "taken" é dos melhore filmes de acção do ano. Um filme de porrada à antiga. Um homem desanca meio mundo para salvar a sua filha. E tenho de confessar que gosto disso. Faz-me lembrar os filmes de acção dos anos 80.
E Liam Neeson, como grande actor que é, dá outra credibilidade ao filme.

Nuno disse...

Também está no meu top 5 de filmes de acção de 2008. Se excluir os filmes de super-heróis só "Tropa de Elite" está à frente.

Obrigado pelo comentário João. Votos de um bom 2009.