10 de fevereiro de 2011

"Love and Other Drugs" por Nuno Reis

A vida, o amor e as drogas
Coisas que tomamos como certas no mundo actual, anos antes não eram sequer imagináveis. A Internet que permite esta comunicação é um exemplo óbvio. São o resultado de enormes pesquisas feitas por visionários em busca de um mundo melhor, ou de um lucro maior. Os progressos médicos caem obviamente nessas categorias e por vezes são assustadores. Por um lado trazem uma vida melhor, por outro as guerras por cotas de mercado, apesar de passarem despercebidas ao utente, são um fenómeno de marketing único.

Jamie é um vendedor nato. Percebe-se desde a primeira cena que se algo estiver para venda, ele consegue vender. Se não estiver, além de convencer o comprador também convence o dono. Tem carisma, tem charme e tem lábia. Vindo de uma família de médicos, depressa deixa o mercado dos electrodomésticos para entrar nas vendas da indústria farmacêutica. A Pfizer é a sortuda. Jamie aprende que este mercado é bem mais competitivo do que ele imaginava e começa uma campanha violenta contra o rival Trey Hannigan: Zoloft contra Prozac. Numa das idas ao consultório conhece a paciente Maggie Murdock que o deixa empolgado. Quando a conhece de forma mais pessoal descobre que foram feitos um para o outro. Subitamente a vida dele melhora porque a Pfizer lança um produto sem rival: Viagra. Vender nunca foi tão fácil, resta-lhe saber como agir na sua primeira relação séria.

O filme não traz nada de novo à sétima arte, mas equilibra-se bem entre temas e entre géneros resultando numa boa experiência cinematográfica. "Love and Other Drugs" não é uma comédia romântica vulgar. Nem se percebe a classificação maiores de doze dada ao filme em Portugal, visto que só fala de doenças degenerativas, comportamentos sexuais de risco, uso de drogas e auto-medicação desregrada. Tem momentos de comédia e de romance, mas é essencialmente um drama sobre uma história real de amor e dedicação. Tem uns momentos bons, outros divertidos e alguns embaraçosos. Insinua os dias piores da relação e alerta para os perigos do Parkinson, sem que para isso choque o espectador visualmente. Pela temática e pela linguagem não o recomendaria antes dos dezoito assim como não recomendaria a casais em busca de algo ligeiro para ver no dia dos namorados. É um filme para fazer pensar na relação e no futuro a dois. Exige gente madura e numa relação madura.

Perante o Amor o outro tema torna-se secundário, mas também é sobre medicamentos, em especial sobre Zoloft, Zithromax e o comprimido azul. Sobre a febre de vender que existe em todos os negócios, mas que aqui brinca com a vida das pessoas. Pede-se mais contenção à indústria porque quando são assim gozados publicamente e não reagem, estão a admitir que agem mal sistematicamente. Destacaria a hilariante publicidade encapotada ao Prozac como compensação à Pfizer pela má publicidade. Sim, agora pertencem ambos à mesma farmacêutica. Irónico...

Love and Other DrugsTítulo Original: "Love and Other Drugs" (EUA, 2010)
Realização: Edward Zwick
Argumento: Charles Randolph, Edward Zwick, Marshall Herskovitz (baseadso no livro de Jamie Reidy)
Intérpretes: Jake Gyllenhaal, Anne Hathaway, Oliver Platt, Hank Azaria, Josh Gad
Música: James Newton Howard
Fotografia: Steven Fierberg
Género: Comédia, Drama, Romance
Duração: 112 min.
Sítio Oficial: http://www.loveandotherdrugsthemovie.com/

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