8 de outubro de 2010

"Cherry Tree Lane" por Nuno Reis


Quando o terror bate à porta

Um dos filmes de terror britânico discutido na master class desta edição do festival de terror lisboeta também tinha uma morada como título. Cherry Tree Lane, ou Alameda da Cerejeira como lhe chamaríamos em português, pelo nome não parece um lugar em que aconteçam coisas más, não é como Rue des Ormes que em inglês dá a famosíssima Elm Street.

Mike e Christine era um casal de quarenta anos com alguns problemas. Numa noite em que o filho Sebastian estava fora e jantaram sozinhos aproveitaram para extravasar sentimentos contidos. Até que os problemas antigos se tornam secundários quando um trio armado lhes invade a casa à procura de Sebastian. Dispostos a esperar por ele, vão fazer o casal sofrer até às 21 horas, hora a Sebastian chega e hora a que morrerá às mãos dos invasores. Falar não adianta, nada os convence a desistir dos seus intentos criminosos que, na opinião deles, são perfeitamente justificados por feitos passados de Sebastian.

O filme desenrola-se praticamente em tempo real e quase sempre do ponto de vista do marido. O tema era difícil e por isso fazê-lo curto (77 minutos) e directo foi inteligente. Um maior contraste entre onde está a acção e onde há apenas sofrimento e espera não faria mal nenhum. Seria mais inteligente fazer com múltiplos ecrãs em simultâneo ou revezar com momentos mortos - acompanhando o miúdo no seu jogo, o criminoso a caminho do banco - para seguir com novo disparo de emoções. Tirando esse detalhe foi satisfatoriamente construído e consegue prender o espectador durante a hora que realmente importa.

É parte de uma nova onda do terror britânico (recordando "Eden Lake"), em que o monstro não vem do Inferno ou do nevoeiro, mas do próprio bairro. Um monstro em forma humana, mas sem valores morais e portanto sem humanidade. É o terror real, plausível e que a qualquer momento pode chegar a qualquer um de nós. Tenham uma boa noite, se conseguirem...

Título Original: "Cherry Tree Lane" (Reino Unido, 2010)
Realização: Paul Andrew Williams
Argumento: Paul Andrew Williams
Intérpretes: Rachael Blake, Tom Butcher, Jumayn Hunter, Sonny Muslim, Ashley Chin
Fotografia: Carlos Catalán
Género: Crime, Thriller
Duração: 77 min.

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