18 de outubro de 2011

"Drive" por António Reis

O último cowboy americano

Esqueçam “Speed” e “Velocidade Furiosa”. “Drive” não é isso. Estaria mais próximo de um “Taxi Driver”. Badalado como filme do ano, premiado em Cannes, aclamado pela crítica, talvez haja um certo exagero nesta unanimidade de elogios. Mas compreende-se que “Drive” tenha atraído as atenções. É de um romantismo desmesurado e um pouco fora de moda, tem um personagem que se aproxima do antigo herói americano, actualiza a versão do lonesome cowboy e tem uma visão redentora da humanidade: os bons são tão bons que até enjoam e ainda por cima triunfam. Os maus já sabem o que os espera. Filme que se apresenta como um road movie de uma só cidade, que pisca o olho ao cinema de gangsters, thriller mas pouco, sobretudo um melodrama sobre amores imperfeitos.

Um habilidoso mecânico e duplo de cenas de automóveis vê-se envolvido num esquema de roubo em que tudo corre mal. A mulher por quem se apaixona está casada com outro. O seu patrocinador está associado com um mafioso. Contratam-no como condutor para um assalto fatal. A mala com um milhão de dólares que lhe aparece no carro só lhe traz problemas. As únicas coisas em que ele é efectivamente bom é a conduzir e vingar-se de todos que se atravessam no seu caminho.

Filmado com gosto e servido por uma banda sonora de uma eficácia narrativa envolvente, “Drive” consegue satisfazer dois tipos de público. Os do cinema de acção e os românticos incuráveis. Não admira que Cannes tenha reconhecido as inegáveis qualidades de realização.

DriveTítulo Original: "Drive" (EUA, 2011)
Realização: Nicolas Winding Refn
Argumento: Hossein Amini (livro de James Sallis)
Intérpretes: Ryan Gosling, Carey Mulligan, Bryan Cranston, Albert Brooks, Ron Perlman, Oscar Isaac, Christina Hendricks
Música: Cliff Martinez
Fotografia: Newton Thomas Sigel
Género: Acção, Crime, Drama, Thriller
Duração: 100 min.
Sítio Oficial: http://www.drive-movie.com/

3 comentários:

Sam disse...

Mas só merece três estrelas?

Cumps cinéfilos.

Por que você faz poema? disse...

A expectativa era tamanha
que confesso que esperava mais.

O Narrador Subjectivo disse...

Quero muito ver o Drive, estas descrições chamam a minha atenção, sem dúvida :P

http://onarradorsubjectivo.blogspot.com/