2 de maio de 2011

Última semana dos cinemas Saldanha


É triste, mas nem só nas ditas cidades pequenas fecham cinemas. Nem sequer um complexo com quatro salas aguentou a concorrência dos espaços maiores, dos filmes comerciais e das promoções. Cinema comercial e independente têm de coexistir porque salas dedicadas apenas a um deles ou não atraem ou não duram muito.

Face ao actual panorama da distribuição e exibição, marcado pelas inegáveis desigualdades estimuladas pelos grandes grupos, a MEDEIA FILMES tomou a decisão difícil de encerrar as quatro salas de cinema, que programa nas galerias Saldanha Residence, a partir de segunda-feira, 9 de Maio.



O encerramento das salas de cinema Medeia no Saldanha Residence marcará um novo ciclo na programação e exibição dos Cinemas Medeia, pautado por um reforço na aposta de qualidade no cinema independente e nas cinematografias menos divulgadas no nosso país.



A MEDEIA FILMES continua a valorizar a confiança de todos os cinéfilos que seguem atentamente a nossa programação, contribuindo definitivamente para a consolidação das nossas salas.



Aos assinantes do Medeia Card fica garantida a habitual programação atenta e cuidada, cada vez mais rigorosa na sua selecção e com destaque para o cinema de qualidade realizado internacionalmente.



Garantida está também a manutenção da estreia nos Cinemas Medeia de filmes exclusivos - como sucedeu com “O Tempo que Resta”, de Elia Suleiman, “Lola”, de Brillante Mendoza, ou “Mammuth”, protagonizado por Gérard Depardieu.



Para Maio estão já previstas as estreias em exclusivo de três aclamados filmes, que fizeram parte da Selecção oficial de festivais de relevo como Cannes ou Veneza: “Aurora”, a 5 de Maio, “Lourdes”, no dia 12, e “Os Amores Imaginários “ a 19 de Maio.



As frequentes promoções e ofertas concedidas exclusivamente aos assinantes do Medeia Card vão continuar em vigor, mantendo o acesso prioritário às antestreias e os descontos especiais na compra de DVD no Espaço Medeia, no Cinema Monumental, entre muitas outras novidades a anunciar brevemente.



A decisão de encerrar estas quatro salas permitirá, a curto prazo, concentrar a oferta cinematográfica de qualidade nas restantes salas de cinema da Medeia Filmes, bem como terminar o trabalho de renovação e digitalização destas mesmas salas - verdadeiros ícones de excelência da exibição cinematográfica na cidade de Lisboa.



A oferta dos cinemas manterá o mesmo nível de diversidade, rigor e qualidade que se tem mantido ao longo dos anos, desta vez concentrada nos cinemas Monumental, King, Fonte Nova e, agora com uma programação abrangente e regular, também no Espaço Nimas.



Salas de cinema onde se estrearam, em exclusivo, nas últimas semanas obras ímpares da cinematografia mundial recente como “Poesia”, de Lee Chang-dong, “Road to Nowhere – Sem Destino”, de Monte Hellman, “As Quatro Voltas”, de Michelangelo Frammartino, e que contaram, em apenas dois meses, com a presença de dois vultos do cinema francês actual (Isabelle Huppert, na antestreia de “Copacabana”, e Mathieu Amalric, para apresentar o seu filme “Tournée – Em Digressão”).



A obrigatoriedade de investimento na digitalização, somada aos contratempos inerentes à concorrência dos grandes grupos de exibição, com a oferta desmedida de bilhetes de cinema, encaminhou-nos para esta decisão. Este desequilíbrio é pautado ainda pela falta de actuação da Autoridade da Concorrência bem como do próprio Instituto do Cinema e do Audiovisual.



Este encerramento traz com ele um novo fôlego no panorama de exibição do cinema alternativo, em Lisboa, comprovado pela oferta regular de cinema independente e de excelência, assinalando-se, desde já, um ciclo exclusivo dedicado a INGMAR BERGMAN, no Espaço Nimas, no qual será exibido a quase totalidade da sua obra, recentemente restaurada.



A partir de Julho, na sala da Avenida 5 de Outubro, este ciclo é, para além de uma oportunidade imperdível de redescobrir a obra do cineasta sueco, um sinal da vitalidade dos CINEMAS MEDEIA e da ambição de continuar a programar com rigor o melhor cinema de autor.

1 comentário:

Ozpinhead disse...

Durante muitos anos, os cinemas Medeia eram os que eu mais frequentava, até que passei a trabalhar fora de Lisboa. Recentemente voltei a visitar alguns deles, e posso afirmar que se a afluência diminuiu, como é notório também noutras salas, uma grande parte de culpa é da própria organização.
As salas do Saldanha nunca tiveram grandes condições de visionamento se bem me recordo. Era perfeitamente audível a passagem das composições do metropolitano durante as sessões. Quanto ao King e Monumental fiquei espantado com a barulheira que é actualmente emitida pelo equipamento projector de ambos os cinemas. É absolutamente inadmissivel tal nível de ruído. Digo isto com pesar pois admiro a selecção de filmes feita pela organização, bem como a maneira respeitosa como as sessões são tratadas, mas por favor corrijam esta situação se querem clientes assíduos.